• Sonuç bulunamadı

O setor de Costura era formado por conjuntos de 6 células. Sendo que no setor de Revisão/Acabamento possuía costureiras em células que realizavam consertos (3 células) e acabamento (2 células).

As células de conserto realizam o conserto de peças vindas de terceiros ou realizam processos que não foram executados por estes devido à limitação de maquinário ou a problemas de suprimento gerado pela própria empresa XYZ. As células de acabamento realizam alguns processos não suportados pelas outras células, sejam internas ou externas (faccionista) como: galonagem, caseamento, botonagem e fixação de acessórios finais. Estes grupos não estando subordinados ao setor de costura não são detalhados neste texto.

As células de costura são formadas por um conjunto de 8 a 10 máquinas de costura para uma equipe de 5/4 costureiras que executam as operações de costura.

O processo de costura tem seu nascimento real dentro do processo de desenvolvimento do produto, na etapa denominada pilotagem. Nesta etapa, além do aspecto da modelagem, são avaliadas também características da costura como: tipo e aspecto da costura, acessórios, detalhes construtivos especiais. Informações relevantes observadas nesta etapa passam a fazer parte da Ficha Técnica do Produto.

Na empresa estudada a Ficha Técnica do Produto é um conjunto de documentos que descrevem as características técnicas e de custos do produto. Para efeito da produção será considerado como Ficha Técnica as partes acompanham a Ordem de Corte (OC), que são a Ficha de Detalhes e a Ficha Gráfica. O modelo de Ficha Técnica adotada por esta empresa não explicita a sequência das operações de costura da peça.

Durante a confecção do mostruário as dificuldades encontradas pelas costureiras na realização das operações de costura são levadas para a encarregada que, caso não consiga solucioná-las com o conhecimento existente no setor, as levará para análise pela equipe de desenvolvimento de produto responsável pela elaboração da ficha técnica. Esta equipe analisa o problema levantado e fornece soluções que podem ser simples recomendações verbais ao solicitante ou alterações que serão incorporadas à Ficha Técnica.

Cada OC emitida pelo PCP tem anexada a ela as respectivas Fichas de Detalhes e Ficha Gráfica do produto nas quais as informações consideradas críticas em cada fase de fabricação daquele produto são destacadas. Para a costura, mais especificamente, há recomendações do tipo de costura em algumas partes da peça, do número de agulhas, tamanho do ponto, da cor de linha em certos detalhes e o posicionamento de certas etiquetas e acessórios costurados.

Não sendo dada a sequência de operações de costura na Ficha Técnica, os membros da célula de costura articulam como a sequência de operações irá ser realizada. O conhecimento do conjunto e sequência das operações de costura necessárias para a montagem de uma peça é uma das competências essenciais de uma costureira. Existe uma combinação mais ou menos comum de operações para cada tipo de peça (camisa polo, camiseta, bermuda, calça, top, vestido etc.), sendo que pequenas alterações podem ocorrer em função de algum detalhe específico para um dado produto.

As OCs prontas para as operações de costura são armazenadas pelo setor de Preparação da Costura na área denominada “Preparados”. A encarregada do setor de costura efetua o escalonamento destas OCs entre as células considerando alguns critérios

informalmente acordados, não em consenso, entre ela e as costureiras. Entre os critérios estão as restrições geradas pela configuração das máquinas das células, o rodízio de produtos entre as células, a especificidade do produto em alguns grupos, a carga de trabalho das OCs já escalonadas e seus respectivos prazos de liberação pelo setor.

Uma vez encaminhada a OC para a célula, as costureiras desta se organizam para a realização das operações de costura baseado num modelo de três grupos básicos de atividade de trabalho. Este modelo agrupa as operações de costura nos seguintes grupos:

 Preparação: São as operações que preparam individualmente determinados moldes da peça final antes de serem costuradas. Às vezes, também são consideradas neste grupo as operações de junção básica de alguns moldes que formam uma parte da peça, tipo as costas ou frente de uma vestimenta.

 Montagem: são as operações que unem as partes já dando forma à peça final.  Acabamento: são as operações que finalizam o acabamento final da peça.

Geralmente são utilizadas máquinas específicas como, por exemplo, máquinas de casear, de botão e de travete.

Esta organização do trabalho exige que mais de uma OC esteja percorrendo a célula para manter todos os seus membros em atividade ou, como se diz no jargão da área, para “girar a produção”. Ela também exige dos membros da célula uma percepção dos tempos das operações de costura para que a preparação sempre mantenha a montagem em atividade e esta mantenha o acabamento, ao mesmo tempo em que precisam ter em vista manter o tempo de passagem da OC pela célula o menor possível.

Estas condições e a configuração das máquinas nas células conduzem a uma “espécie” de especialização dentro do grupo de costureiras. Nesta especialização observa-se que determinadas costureiras “puxam” os processos de cada grupo básico de atividades apresentado acima, condição que leva também a certa especialização funcional em função das máquinas mais utilizadas em cada grupo básico de atividades. Uma premissa básica desta articulação é a de que as costureiras não podem ficar paradas por falta de serviço.

Observou-se que não há um acompanhamento rígido ou a prescrição de como a célula deve “girar a produção”13. A organização do trabalho dentro da célula é negociada

13O termo “Girar” e “Correr” a produção são usuais nas indústrias de confecção do APL de Maringá. Pelas

verbalizações dos atores a origem do uso destes termos parecem ser palestras e consultorias realizadas ao longo do tempo pelas entidades que dão apoio ao segmento (SEBRAE, SENAI, SINDIVEST) quando das abordagens sobre layout de células de costura (“Girar”) e tempo de atravessamento da ordem produção (“Correr”).

entre seus membros com a supervisão da encarregada de costura. Esta última busca trazer ao grupo o que considera como boas práticas e também compartilhar os métodos de trabalho que deram melhores resultados nas outras células, mas são os membros das células que decidem por sua implantação ou não.

O setor de costura desta empresa tem as células organizadas conforme pode ser observada na Figura 29. Uma eventual diferença entre elas fica por conta do produto que elas vieram a se especializar durante a produção da coleção. Ao final da coleção há um aumento da quantidade de OCs com baixa quantidade de peças para atender aos pedidos já em carteira e esta condição exige que se distribuam OCs às células que estiverem mais disponíveis, quebrando a especialização inicial.

As máquinas básicas e sua distribuição encontrada nas células de produção desta empresa eram as seguintes: 4 Máquinas Reta, 2 Máquinas Overloque, 2 Máquina Interloque. Algumas células ainda possuem 1 Máquina Pespontadeira e 1 Máquina Galoneira. Estas máquinas não eram de uso contínuo, assim havia compartilhamento destas entre as células. Caso o uso fosse intensificado devido às características dos produtos da coleção, o técnico providenciava a colocação de máquinas da reserva nas células. Na Figura 29 podem ser observados na célula do centro da figura os seguintes itens:

 Máquinas de costura: Nesta configuração estão alocadas máquinas de costura reta (extremidade esquerda); Overloque e Interloque (centro) e pespontadeira e galoneira (extremidade direita);

 Banquetas de apoio: bancadas sobre as quais são colocadas as peças em manuseio, sejam as a costurar ou já costuradas.

 Área de entrada (extremidade direita): área onde são colocadas as OCs alocadas para a célula. Geralmente na célula está três OCs (normalmente cada OC está em duas caixas), uma sendo preparada, outra em montagem e outra em acabamento.  A OC está acondicionada em caixas de plástico e os cortes estão agrupados por

grade e padronagem. Estas caixas irão circular pela célula conforme as operações forem se desenvolvendo. Cada costureira pega o material que irá trabalhar e se instala no posto de trabalho que executa a operação exigida, colocando nas banquetas ao seu redor o material a trabalhar e o trabalhado. Normalmente as costureiras tendem a permanecer em rodízio nas máquinas de um mesmo lado da célula. Se a costureira tiver dúvida de como realizar a

operação ela solicita à encarregada da produção a peça do mostruário e as duas avaliam o que deve ser feito.

FIGURA 29. Empresa XYZ – Células de costura.

A costureira verifica ou configura a máquina para a operação a ser realizada (linha, pressão e ponto) e inicia seu trabalho. Se durante a realização da operação ela constatar problemas com a máquina, caso não tenha condições de resolver ela aciona o técnico para efetuar a manutenção necessária.

Encerrada a sua operação, a costureira avalia qual a próxima operação do material que acabou de trabalhar e desloca-o para o posto e colega de trabalho correspondente. Se for ela mesmo que a fará, ela se desloca com o material para o posto de trabalho exigido para a operação, caso contrário busca o material da próxima operação que irá realizar.

Caso a próxima operação sobre o material trabalhado seja fora da célula, a costureira sinaliza para que a auxiliar retire o material e tome as providências. Por exemplo, se for uma marcação ou corte a própria auxiliar fará a operação. Se for uma aplicação de galão a auxiliar encaminhará o material até a célula de apoio/acabamento.

operações de acabamento e depois as de limpeza e revisão. A operação de limpeza retira do produto os excessos de linha e tecido. Simultaneamente faz-se a análise da qualidade da peça separando as peças consideradas com problemas, sejam para conserto ou defeito. Após a verificação de todas as peças da OC, as peças para conserto são encaminhadas para a célula que a produziu proceda a recuperação das peças. Esta tarefa interrompe o fluxo normal que está ocorrendo na célula em função da prioridade máxima dada à operação de conserto. Geralmente na célula existe um acordo de quem irá proceder aos consertos em função do tipo de defeito observado e esta sai do fluxo da OC em andamento.

As peças que não tiverem condições de recuperação são consideradas defeito e não serão contabilizadas na produção da célula.

Benzer Belgeler