4.1. Sulama rejimi ve sulama suyu tuzluluğunun bitki büyüme özelliklerine etkisi
4.1.2. Sulama suyu tuzluluğunun bitki büyüme özelliklerine etkisi
A entrada em vigência do NAFTA e a vitória política que a sua aprovação significou
Globalizado" em Propostas/FASE, No 79, Rio de Janeiro, 1998/9 30 Arroyo, Alberto, “Organización de los pueblos...” op cit
para o governo Clinton deram fôlego para avançar no ambicioso projeto, herdeiro na sua concepção da Iniciativa para as Américas do Presidente George Bush pai, de criar uma Área de Livre Comércio das Américas que se estendesse desde o Alasca até a Terra do Fogo, incluído todos os países do continente menos Cuba (34 países ao total). Os Estados Unidos convocaram, então, a primeira Cúpula das Américas que viria a ser realizada em Miami, nos dias 9 a 11 de dezembro de 1994.
A Cúpula emitiu uma declaração e um plano de trabalho32 muito ambiciosos, que propunham uma agenda larga que instruía os "ministros responsáveis pelo comércio" a adotarem os passos necessários para conseguir a ALCA, com a ajuda de agências como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Unidade Especial de Comércio da Organização de Estados Americanos (OEA), e a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas.
O mecanismo de decisão e trabalho escolhido para fazer avançar o processo incluiu como instância máxima de decisão as Cúpulas de presidentes. Desde o início da negociação até o ano 2006 foram realizadas quatro (em Miami, 1994, Santiago 1998, Québec 2001 e Mar del Plata 2005). Um segundo nível de decisão são as reuniões ministeriais, que reúnem os ministros de relações exteriores ou aqueles que trabalham sobre questões de comércio exterior. Nesse caso, o processo incluiu, desde primeira até a última, oito reuniões (Denver, 1995, Cartagena de Indias, 1996, Belo Horizonte, 1997, San José de Costa Rica, 1998, Toronto, 1999, Buenos Aires, 2001, Quito, 2002, Miami 2004).
Os primeiros anos da negociação estiveram contidos pela ausência do fast track nos Estados Unidos. A “via rápida” é o poder que o Congresso outorga ao presidente desse país para realizar negociações comerciais internacionais; é tanto um poder em sentido positivo, quanto um limite ao arbítrio do executivo. Clinton tentou durante todo o seu mandato a provação de uma Trade Promotion Authority (TPA), nome técnico do fast track, que o autorizava a negociar o que era conhecido como uma extensão do NAFTA. No ano de 1997, chegou até a enviar o projeto para o Congresso e retirá-lo depois que os próprios representantes democratas negaram a aprovação. Nesse clima, as expectativas dos países envolvidos nas conversas da ALCA eram bem limitadas.
Também havia divergências sobre como seria essa área de livre comércio. Na reunião ministerial de Cartagena, por exemplo, surgiu a controvérsia entre o que é o critério defendido
32 http://www.summit-americas.org/miamidec-spanish.htm y plan de acción http://summit- americas.org/miamiplan-span
pelos Estados Unidos, Canadá e México de criar uma ALCA através da adesão dos demais países à NAFTA ou de criar uma acordo nos padrões da mesma. Enquanto isso, o Brasil e outros parceiros defendiam uma negociação na base dos blocos regionais, entre eles o NAFTA e o MERCOSUL33. Existia também diferenças em volta do momento do inicio das negociações da ALCA, os empresários estadunidenses pressionavam para um início que não fosse além de 1997, enquanto outros preferiam esperar até resolver compromissos nos blocos regionais e na OMC antes de avançar para a ALCA35.
Finalmente, após essas primeiras reuniões ministeriais e os avanços realizados pelos grupos de trabalho criados desde o início, em 1998, em San José, o plano de ação é aprimorado e decide-se o lançamento da negociação da ALCA. Para tanto, serão criadas nove equipes de trabalho sobre os temas do acordo, e o Comitê de Negociações Comerciais que coordenaria o trabalho dos nove grupos, o CNC como é conhecido no jargão dos negociadores, reúne-se pela primeira vez em junho desse ano, em Buenos Aires. É estabelecido também um escritório permanente com funcionamento na cidade de Puebla, no México.
Até aqui, o marco do que foi o lento, mas ininterrupto, caminho até as negociações da ALCA começarem. O andamento posterior das negociações também não seria tranqüilo, mas farei referência ao mesmo na última parte deste capítulo, junto com o que seria também uma segunda onda de acordos, dessa vez de escala menor, entre os EUA e regiões ou países do continente.
Como assinalei no início, esse processo de continentalização foi acompanhado de perto por organizações sociais e o resultado desse trabalho será a continentalização da resistência ao acordo.
Já na primeira Cúpula das Américas, em Miami, as organizações da rede tricontinental, se convocaram para continuar o trabalho feito até então e aproveitar o momento de visibilidade continental para alertar sobre aqueles que eram considerados os riscos dos acordos. Segundo Karen Hansen Kuhn, coordenadora internacional da ART, “foi difícil organizar qualquer evento da sociedade civil apesar de se tratar de celebração semelhante da NAFTA e o livre comércio, mas pelo menos foram feitos contatos com a imprensa e reuniões de estratégia”36.
A reação dos movimentos e das organizações da sociedade civil dos países da América
33
Newsletter “Nuestra América” Vol. 1, No.3 otoño de 1996 34 Newsletter “Nuestra América” Vol. 1, No.3 otoño de 1996
35
Inside U.S. Trade, 29 março 1996 citado em “Nuestra América” Vol. 1, No.3 outono de 1996
36
do Norte foi, nos anos seguintes, diversa, mas sentiu, sim, o golpe que significou a aprovação do NAFTA. Em particular foram mantidas ações de acompanhamento e monitoramento dos impactos da negociação e foram publicados vários estudos aos 2, 4, 8, chegando aos 10 anos. Mas naqueles primeiros anos, por exemplo, foi publicado o “No laughter in NAFTA: México
and the United States Two Years after” 37, que colocava em destaque o fato de que “no
México e nos Estados Unidos, pode já ser documentado que trabalhadores, camponeses e agricultores familiares, mulheres e o ambiente estão sendo particularmente atingidos de forma muito dura pela expansão da liberalização dos investimentos e do comércio”. E acrescentam uma lista dos impactos que inclui:
• Desaparição de empregos e queda de salários,
• Redução da produção no México que cai para 40% da capacidade instalada.
• Aumento da poluição pela relocalização de indústrias poluidoras (eletrônicas) dos Estados Unidos no México.
• A produção de grãos básicos nas comunidades rurais, sobretudo do México, caiu nos dois anos em questão.
• As mulheres são atingidas nos dois países: nos EUA por causa das demissões nas indústrias eletrônica e de eletrodomésticos; no México por causa das péssimas condições de trabalho e baixos salários nas maquilas.38
Esse foi o tom da crítica dos ativistas nos países do norte, que mostra também o tipo de intervenção que tiveram na época, uma mistura de inércia da dinâmica prévia com um renovado interesse por avaliar os efeitos na realidade. Sem dúvidas é preciso dizer que os estudos que foram feitos no período de aplicação do Nafta foram vitais para o trabalho posterior, tanto na negociação da ALCA quanto mais tarde nas negociações dos acordos com Chile, América Central, e CAN; o poder do caso NAFTA serviria também como arma central para os opositores ao livre comércio além das Américas.
Mas essa prática política foi vital para a etapa que se estava consolidando nesses anos. Desde a primeira das reuniões ministeriais das ainda indefinidas negociações da ALCA, os grupos do Canadá, Estados Unidos e México promoveram reuniões e fóruns de debate paralelos. Aqui, outra vez, a vontade canadense se destacou das outras, junto talvez com os
37 Anderson, Sara, et al., "No Laughter in NAFTA: Mexico and the United States Two Years After" http://www.developmentgap.org/trade/No_Laughter_in_NAFTA.html, 1996
mexicanos, mas desde uma posição de representatividade muito superior à da RMALC. Foi essa força, empurrada a partir da CLC, que se juntou à mudança de autoridades na AFL-CIO e fizeram deslanchar um processo que procuraria a continentalização do debate usando como ferramenta a Organização Regional Interamericana de Trabalhadores (ORIT).
A respeito da ORIT, vale dizer que ainda pesava sobre ela sua vinculação com o aparelho político estadunidense de controle e intervenção na América Latina. De fato, a política exterior do sindicalismo estadunidense era implementada através do Instituto
Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre39. O certo é que os anos 90 já começavam a operar um abrandamento dessa imagem da ORIT, que, no Congresso de 1989, contra a posição dos EUA, acabariam em mudanças chave que trariam o “sindicalismo sociopolítico”, cujo impulso definitivo viria com a eleição da nova direção no ano 199740. Foi a nova direção da AFL-CIO quem ajudou muito nesse sentido ao desenvolver, fundamentalmente, uma política mais amigável para os sindicatos latino-americanos e, no foro doméstico, uma sensibilidade diferenciada em relação às organizações e movimentos sociais não sindicais. Nesse período, entram de forma explícita e ativa na coalizão estadunidense (ART).41
Em Denver (1995), primeiro, várias entidades organizaram atividades coletivas de imprensa e performances de rua, mas o significativo para o movimento que estamos reconstruindo foi o fato de a ORIT ter montado um primeiro Fórum Laboral em paralelo à reunião dos ministros de comércio. Kejld Jakobsen, da Central Única dos Trabalhadores, do Brasil, participa pela primeira vez de uma atividade dessas características; seria o primeiro passo para a geração de um novo “motor de internacionalização” no caminho de formação do movimento contra o livre comércio. No ano seguinte, em Cartagena, a ORIT organiza um segundo Fórum Paralelo. Dessa vez, também houve uma reunião dos ministros de trabalho dos 34 países.
Até então, a posição dos sindicatos e de algumas organizações da sociedade civil não era de uma clara rejeição à possibilidade do acordo. Por isso, uma das primeiras reivindicações dos sindicatos reunidos nos Fóruns Sindicais era a de serem ouvidos e tratados de forma similar aos empresários que tinham um fórum específico dentro da
39 Brunelle & Dugas (2006) afirmam que “On pourrait rappeler à ce propos le rôle stratégique assumé par l’affiliée de l’AFL-CIO en Amérique Latine, l’American Institute for Free Labor Development (AIFLD) qui s’est portée à la défense des syndicats soi-disant “modérés” les plus proches des régimes autoritaires, sinon dictatoriaux, contre tous les syndicats progressistes ou radicaux, et dont l’histoire apparaît rien moins que “sordide” aux yeux de certains auteurs”
40 Victor Baez, entrevista, (2006).
institucionalidade formal da negociação. Para o caso das organizações sociais, acadêmicas, da igreja e outras, só havia um mecanismo formal de recepção de propostas, conhecido como o “mail box” estabelecido também na reunião de San José (1998). O caso da ORIT, nesse sentido, expressa com eloqüência o que era o debate sobre a ALCA e os diferentes posicionamentos dentro desse campo da sociedade. Essa organização regional, segundo o seu hoje Secretario Geral, Víctor Baez, continha em seu seio organizações abertamente contrárias ao acordo convivendo com outras que achavam que poderiam tirar algum beneficio do mesmo e que era preciso só cuidar pelos aspectos da regulação dos padrões trabalhistas. Isso dava como resultado um posicionamento de um “sí pero” que acabava neutralizando as formulações mais radicais. Essa situação só seria resolvida em maio de 2000, numa reunião de seu Grupo de Trabalho sobre Integração, que concluiu que havia muitas evidências deixando claro que a ALCA não traria benefícios nem para os trabalhadores nem para os povos das Américas42.
O ano de 1997 é chave para a criação do movimento aqui estudado. A idéia de ter algum tipo de articulação continental já vinha sendo colocada por algumas das redes do Norte, mas os primeiros passos de sua configuração definitiva só ocorreriam nesse ano. Durante 1996, por iniciativa da RMALC, começou a ser publicado um newsletter que juntava a Common Frontiers (Canadá), ART (USA), RECHIP (Chile) e “outros grupos interessados... em contribuir ao desenvolvimento de estratégias conjuntas e apoiar esforços da sociedade relacionados com o comércio justo e a integração econômica43” e que se apresentava como o boletim trimestral da Red Hemisférica para el Desarrollo Sustentable y el Comercio Justo. Porém, essa rede só seria, segundo Karen Hansen Kuhn, uma iniciativa dos mexicanos que se desenvolvia só em torno da publicação boletim, ao invés de ser ele a voz de uma coalizão ativa no continente. Isso não invalida o fato de que a idéia continental estava sendo mastigada pelos diversos atores. No ano de 1997, então, uma reunião organizada em Ottawa pelos sindicatos canadenses e Common Frontiers reuniu vários desses atores, incluindo sindicalistas da CUT do Brasil e os mexicanos da RMALC. Ali foi discutida a proposta mexicana de criar algo que poderia ser denominada “pacto social” das Américas. Não foi pacto, porque alguns argüiram que a palavra tinha conotações negativas, mas sim “aliança”.
Na seqüência, em simultâneo à cúpula ministerial dos dias 12 e 13 de maio, é realizado o III Fórum Sindical - que levou o nome de “Nossa América” - organizado com base no núcleo conformado pela ORIT, os sindicatos canadenses e a CUT, que era a anfitriã. O
42 Baez, entrevista, (2006).
Fórum começou sendo só sindical, mas acabou convidando, após as primeiras deliberações, as ONGs e movimentos que realizavam também atividades de forma separada em BH. O resultado da reunião foi uma declaração pública intitulada “Construindo a Aliança Social
Continental, frente ao Livre Comercio” 44, que listava as reivindicações sociais e sindicais e explicitava vários dos conflitos ou matizes que aqui foram colocados. Reproduzirei passagens da declaração in extenso para ilustrar essa característica.
1- reconhece a necessidade do trabalho conjunto entre sindicatos e outros grupos da sociedade civil
Como ejemplo de la voluntad de llegar a una efectiva complementación entre las perspectivas y estrategias de acción del movimiento sindical y de otros movimientos sociales, se aprueba esta declaración...
2- fala não da rejeição, mas sim da necessidade de condicionar a ALCA
No puede haber ALCA si va a convertirse en un acuerdo similar a otros ya existentes como el ALCAN/NAFTA.
3- faz uma reivindicação do desenvolvimento autônomo e critica, desse lugar, o livre comércio
El problema del libre comercio no es simplemente la apertura de fronteras, sino la renuncia a proyectos nacionales de desarrollo, y una grave amenaza a la democracia.
4- cobra participação e transparência das negociações como condição
No puede haber ALCA si no incluye una agenda social que contenga al menos los siguientes elementos fundamentales :
i) Participación amplia y plural de los pueblos en la negociación, a través de mecanismos verdaderamente democráticos.
44 Belo Horizonte, 15 de maio de 1997. Assinam: Organización Regional Interamericana de Trabajadores (ORIT)/Confederación Internacional de, Organizaciones Sindicales Libres (CIOSL), Red Mexicana de Acción frente al Libre Comercio (RMALC), Alianza para un Comercio Responsable (ART-EUA), Common Frontiers (Canadá), Red Canadiense de Acción, Red Chilena de Acción por una Iniciativa de los Pueblos (RECHIP), Associacao Brasileira de ONGs (ABONG), Coalición Pro Justicia en las Maquiladoras (EUA), Consejo Nacional Indígena de México, Unión Nacional El Barzón (México), Red Quebequense sobre la Integración Continental, Confederación de Sindicatos Nacionales (CSN-Quebec), Asociación Canadiense de Abogados Laborles
5- destina um parágrafo forte às questões colocadas desde o começo pelos sindicatos
La competitividad de nuestros países no debe basarse en la sobreexplotación de los trabajadores y el dumping social. Deberá impedirse la actual tendencia a la estandarización hacia abajo de las condiciones de trabajo y salarios, dirigiéndose a una homologación hacia arriba de las condiciones laborales en el mediano plazo, y a una recuperación de los salarios...
6- enumera os problemas colocados para os diversos setores da sociedade, fica clara a vontade de somar, em particular os camponeses.
No puede haber ALCA si no se garantiza la protección y mejoramiento del medio ambiente, si no se asegura el respeto a los derechos de los migrantes, y si no se pone especial atención a la soberanía alimentaria, y por ello, a la protección y fomento de campesinos y pequeños agricultores familiares o del sector social, sin subsidiar a las grandes empresas agropecuarias.
No último parágrafo da declaração, fica expressa a tomada de decisão política de constituir uma aliança social continental e, para isso, não só convoca a primeira cúpula dos povos em Santiago de Chile, mas também estabelece os mecanismos organizativos que depois ficariam no acervo de experiências sobre a qual se estruturaria essa Aliança Social Continental.
Esta cumbre fue un primer impulso en favor del trabajo de complementación entre el sindicalismo y otras organizaciones sociales, el cual podrá ser concretado en oportunidad de la II Cumbre de Jefes de Estado de las Américas, el próximo marzo en Santiago de Chile, con la realización de la Cumbre de los Pueblos de las Américas, para alcanzar una alianza social continental. Para ello, en los próximos meses, deberán establecerse mecanismos de contacto y coordinación, sumarse nuevas organizaciones a la iniciativa, recopilarse e intercambiarse las mutuas propuestas, y participar conjuntamente en actividades vinculadas al tema.
A consolidação do espaço continental continuaria avançando por esse caminho, não sem conflitos, mas ininterruptamente até os nossos dias. A preparação da I Cumbre de los
Pueblos deixou claro que, como no caso do México, nada seria tão simples. A cisão no
interior do movimento sindical mais uma vez geraria problemas; isso não quer dizer que só no movimento sindical existissem diferenças, mas simplesmente está indicando que um dos grandes atores está com diferenças em seu seio. O núcleo que sustentou a organização de Belo Horizonte e que empurrava não só a internacionalização dessa luta, mas também o critério de que para fazê-lo era necessário se aliar com ONGs e outros movimentos se defrontou no Chile
com uma Central Única dos Trabalhadores do Chile que não queria organizar coisa alguma com as ONGs nativas e que, devido a sua relação com o governo da Concertação, tinha um olhar mais benigno em relação à ALCA. Segundo Claudio Lara, ativista membro da RECHIP, quando a coisa já havia avançado e era inevitável a realização da Cumbre, a CUT entrou no dispositivo de organização “com o intuito de atenuar a crítica”.45
O resultado, porém, foi positivo. Chegaram mais de mil pessoas à Cumbre e mesmo com essas divisões foi possível ter um Fórum amplo, que trabalhou em volta de 10 subfóruns, que dariam por resultado a consolidação da primeira versão de Alternativas para as Américas. Esse texto representa outra das questões centrais da proposta da ASC, em sintonia com o imperativo público de não se fechar em posturas “isolacionistas” ou arcar com o ônus de simplesmente ser um movimento do “não”. Em BH foi também decidido começar os trabalhos para gerar um documento de alternativas que juntasse a opinião dos diversos setores sobre como deveria ser essa integração. Foi um trabalho extenso que, mesmo se espelhando muito nos capítulos da ALCA, foi chave para a construção de consensos entre os grupos. O texto foi apresentado e melhorado na Cumbre de Santiago e de fato estruturou, como vimos, a organização da mesma, que discutiu com base na seguinte pauta temática: as alternativas socioeconômicas, o meio ambiente, os camponeses e a agricultura, os direitos humanos, a educação, a ética, os povos originários, as mulheres, os parlamentares e o trabalho e o sindicalismo.46
Nos messes seguintes o núcleo promotor se deu a tarefa de completar a construção, tentando incluir setores considerados chaves para a resistência à ALCA, aprofundando o convencimento daqueles que ainda não tinham feito opções claras, e tentando avançar na formalização da estrutura criada. O desafio era incorporar novos setores e estender a abrangência geográfica da aliança, já que as organizações presentes não cobriam nem sequer os países continentais das Américas.
No Brasil, o início solitário da CUT encontraria aliados ocasionais (IBASE) que depois viriam a juntar-se definitivamente numa rede que adotou o nome de Rede Brasileira pela Integração dos Povos (REBRIP). A Coordenadora Latino-americana de Organizações Camponesas (CLOC) seria também convidada e formalmente aderiria ao espaço. E, em termos geográficos, a Iniciativa Civil para a Integração Centroamericana se juntaria à coalizão nesse período. Na questão sindical, o processo de sensibilização sobre o tema sempre esteve
45 Claudio Lara, entrevista, (2006).
influenciado pelas dinâmicas nacionais e, mesmo tendo sido feito um esforço enorme de parte