4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.4. Subklinik Mastitisin Tahmini için bir SVM Uygulaması
A partir da década de 1980, recorte de nossa pesquisa, a sede do núcleo urbano de Tibau estava configurada por imóveis públicos e pelos domicílios de uso permanente, que se encontravam diluídos em meio à forte concentração de segundas residências com tipologias horizontais e com as atividades de comércio e serviços, relacionadas principalmente ao período de alta estação, para atender aos vilegiaturistas, o que lhe confere uma particularidade: a prática da Vilegiatura Marítima acontece principalmente na sede do núcleo urbano de Tibau, transcendendo à localização da zona de praia, como ocorre na maioria dos municípios do Rio Grande do Norte.
Esse período se caracteriza por dar início à intensificação do processo de periferização dos residentes do até então distrito de Tibau, em função da especulação imobiliária, que valorizou a zona de praia, tendo em vista a demanda consumidora dos vilegiaturistas. Assim a construção de moradias, para atender à demanda do crescimento natural do número de famílias de residentes permanentes terminou por direcionar os residentes de baixo poder aquisitivo para a periferia do núcleo do distrito, passando estes a se afastarem da zona de praia, estendendo o distrito em paralelo às margens da rodovia RN-13 e em direção à rodovia CE-261. Desta forma, como destacam Dantas e Pereira (2010, p. 73), onde a Vilegiatura se instala, fica difícil viver em harmonia com outras práticas marítimas “[...] Os pobres tendem a ser expulsos, relegados a espaços menos valorizados, longe da praia e dos seus instrumentos
de trabalho (sitos nos portos de jangada)”.
Assim teremos, no período de 1980/1990, a Vilegiatura Marítima interferindo, de forma intensa, no ordenamento e no uso do território urbano de Tibau, promovendo uma urbanização que irá resultar na forma de uma cidade estendida. O objetivo de tal projeto é viabilizar a ocupação da zona litorânea por uma demanda oriunda de diversos municípios da aglomeração urbana não metropolitana de Mossoró-Açu, que se tornou próxima graças à mobilidade proporcionada pelas rodovias estruturantes intermunicipais e estaduais, fazendo com que municípios como Mossoró pudessem estender-se além de seu território com vistas à obtenção do lazer em atmosfera litorânea, reforçando, assim, cada vez mais a rede urbana regional para tal prática. E será na faixa litorânea que se dará a presença do Setor Imobiliário e do Setor Público Municipal e Estadual, equipando o território urbano com infraestrutura, isto é, passando a homogeneizar a passagem litorânea nas margens das rodovias, com a materialização das segundas residências.
O serviço de esgotamento sanitário e o abastecimento de água, por parte da Prefeitura e da Companhia de Água e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), não atendem a toda a
população do município, pois a implantação da infraestrutura na sede municipal vem se dando lentamente. Durante o trabalho de campo, pudemos perceber o início da implantação da rede coletora de esgoto, conforme Fotografia 7, onde consta a informação de que 100% dos entrevistados afirmaram fazer uso de fossa séptica. Atualmente se configura no município a destinação inadequada dos efluentes, uma vez que normalmente se utiliza de sumidouros e fossas rudimentares canalizadas para a faixa litorânea, inexistindo, portanto, um sistema de saneamento básico interligado a uma rede geral condizente com uma sustentabilidade social e ambiental.
Fotografia 7 – Implantação do sistema de coleta do esgotamento no centro urbano da cidade
Foto: Joane Luiza – Trabalho de Campo (2012).
Faz-se importante ressaltar que a existência de fossas rudimentares e o adensamento da população é que vão provocar a poluição do solo e do lençol freático, componentes importantes não só ecologicamente, mas também para a manutenção econômica e biológica da população. A coleta de lixo também é realizada pela Prefeitura em todo o município, havendo queixa dos entrevistados que residem na praia de Gado Bravo – área afastada do centro urbano. Aliás, estes terminam por optar por enterrar ou queimar seus detritos.
Esse serviço ocorre de forma muito precária durante o período de alta estação, devido à falta de mão-de-obra para trabalhar em uma extensa área ao longo do litoral. Mesmo havendo a contratação extra de recursos humanos e equipamentos, tais como caminhões para realizar a coleta, isto “ainda não é suficiente devido a grande demanda de vilegiaturistas”, segundo afirma a Prefeitura local.
O abastecimento de água é obtido via rede de encanamento, não atendendo, todavia, a toda a população no período do veraneio, principalmente devido à grande concentração de vilegiaturista. Como solução, fica a cargo do munícipe construir um poço artesiano e/ou cacimba em sua residência - situação que, embora ilegal, constitui-se na única forma possível
de se vir a atender às necessidades básicas dos residentes e vilegiaturistas. Já o fornecimento e distribuição de energia elétrica, estes são prestados pela Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN), que vem atendendo ao município como um todo, embora com fortes oscilações no período de alta estação, chegando a faltar energia por longo período durante o dia, comprometendo assim principalmente os setores relacionados com serviços de restauração.
Ao longo do litoral, onde temos as fronteiras intermunicipal e estadual, é que vemos o distanciamento do Poder Público Municipal, com a falta de iluminação pública e de coleta de lixo. Em entrevista com o poder público municipal, ficou-nos evidenciada a ação de desligamento das lâmpadas dos postes, religadas apenas no período de alta estação, com o objetivo de diminuir os custos, para a Prefeitura, com os serviços de iluminação pública, já que aquela área é adensada pelas segundas residências, sendo inexpressivo o número de domicílios de residentes permanentes, segundo afirma a própria Prefeitura.
Consequentemente, conforme relatos em entrevistas, os vilegiaturistas deixam de ir mais vezes para a sua segunda residência, alguns, inclusive, adiando o projeto de vir morar em Tibau, por acharem o lugar inseguro, devido à falta de iluminação e de segurança pública, o que nos faz concluir que a deficiência na gestão pública tem privado o desenvolvimento local, como também inibido o processo de urbanização com a desistência de se optar por trocar a morada temporária pela permanente. Com isto, ter-se-ia a intensificação de uma das características do crescimento urbano.