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3.2.1. Yapay zeka ve uzman sistemler

3.2.1.1. Bulanık mantık

As definições de papéis dos agentes sociais residentes e vilegiaturistas estabelecidos ao longo do tempo dentro da dinâmica regida pela prática da vilegiatura, resultou em uma relação de vizinhança. No entanto pudemos concluir com o resultado das entrevistas que as perspectivas desta relação de vizinhança se diferenciam e se distanciam. Tal se dá porque tem-se aí o acontecer simultâneo dos espaços: o do residente – que representa o espaço da produção (da vida) marcado pela moradia, pelo trabalho e pela festa; e o do vilegiaturista – que representa, por sua vez, o espaço da reprodução (da mercadoria) marcado pelo consumo do lazer. Entretanto sabemos que um se realiza no outro, em uma relação dialética em constante movimento. Carlos aponta-nos para a diferenciação quando traz à baila o uso específico dos lugares que é regido pelo modo de produção capitalista,

[...] os lugares da vida se distinguem e se diferenciam, posto que marcados por um emprego de tempo que se revela num uso específico que, na vida cotidiana, se circunscreve aos níveis das atividades de trabalho, de lazer e da vida privada. No plano da vida cotidiana, essa produção revela os conflitos provenientes das contradições entre os níveis (CARLOS, 2007, p. 54).

As diferentes perspectivas expressas nos resultados de investigação de campo podem estar relacionadas à perspectiva de vida e de trabalho de cada um dos agentes, como apontado por Carlos (2007), perspectivas estas marcadas pela desigualdade entre classes sociais, que diferencia os agentes em foco na cadeia produtiva de produção e distribuição de riqueza.

Na perspectiva dos residentes, conforme o Gráfico 11, para 83,33% dos entrevistados há uma relação de vizinhança entre eles e os vilegiaturistas, não se dando isto para 16,67%. Quando questionados sobre que tipo de relação de vizinhança se configurava, 50% afirmaram ser uma do tipo profissional – o que nos sugere uma relação de convivência restrita ao trabalho, na perspectiva do residente.

Gráfico 11 – Tipo de relação com a vizinhança que se estabelece entre o vilegiaturista e o residente, na perspectiva do residente

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.

As diferentes formas de uso do espaço se sobrepõem, havendo uma relação profissional suscitada pelo Setor de Comércio e Serviços e uma que se estabelece no momento do lazer, até porque residentes afirmaram que a chegada da alta estação promove não somente o aquecimento econômico na cidade, de extrema importância para seus moradores, mas também o lazer, com a realização de eventos que lhes possibilita lazer à beira-mar durante o dia e shows à noite.

Já o vínculo territorial e afetivo do vilegiaturista vem estabelecendo tramas sociais díspares da percepção do residente, quando 43,59% dos vilegiaturistas afirmam manter com os residentes uma relação de vizinhança apoiada em uma convivência social e profissional e apenas 8,97% disseram se restringir a uma relação profissional. Diferentemente do residente, o vilegiaturista percebe sua relação com este além da profissional. É importante ressaltar que tal relação social está vinculada às atividades relacionadas ao comércio e serviços oferecidos no município pelo residente, tais como a venda do pescado, do pão, de produtos de necessidades básicas e urgentes comercializados nos supermercados e mercadinhos, no posto de saúde, nos bares e restaurantes e principalmente pela mão-de-obra relacionada à manutenção das segundas residências, representada na imagem do caseiro/zelador/porteiro.

0,00 20,00 40,00 60,00 3,33 10,00 13,33 50,00 6,67 16,67 %

Gráfico 12 – Tipo de relação com a vizinhança que se estabelece entre o vilegiaturista e o residente, na perspectiva do vilegiaturista

Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.

Percebemos que os discursos entre residentes e vilegiaturistas divergem, o que nos leva a concluir que é nas práticas socioespaciais desses agentes que podemos perceber as temporalidades da cidade em foco, quando temos o vilegiaturista, inserido no cotidiano de Tibau através da prática e do consumo do território do lazer, com uma intensa mobilidade (social e econômica), e o residente inserido no cotidiano de Tibau como morador e com sua força de trabalho, mas sem mobilidade, pois, no âmbito econômico, social e político, participa precariamente da vida urbana e da sociedade do consumo, devido às fragilidades econômicas que a cidade apresenta.

É a partir do conteúdo das práticas sociais que é espacializada na ação que envolve espaço e tempo, que percebemos, no plano do cotidiano, as desigualdades presentes.

Uma tentativa de explicação dessa desigualdade buscamos em Carlos (2007), para quem esta se encontra no centro explicativo da diferenciação socioespacial, no sentido de uso e apropriação do solo. Continua esta autora, afirmando sobre o tema que, “[...] Na cidade, revela- se como justaposição entre uma morfologia social (promovida pela diferenciação das classes na sociedade) e uma morfologia espacial (produzida pelas diferenças nas formas e modos de acesso aos espaços da vida, através do uso)” (CARLOS, 2007, p. 49).

A análise das práticas socioespaciais, base de sustentação da vida, aqui discutidas a partir dos agentes sociais residentes e vilegiaturistas, buscando traçar o perfil de um e de outro, nos ajuda a compreender os rebatimentos das ações engendradas pela prática da vilegiatura marítima, que marca a organização espacial dentro e fora do período que caracteriza a alta estação, quando temos uma forte densificação populacional flutuante em Tibau.

0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00

Social Profissional Outros Não se aplica 43,59

8,97 8,97

38,46 %

As relações estabelecidas entre os vilegiaturistas e entre estes e os residentes, juntamente com os agentes promotores imobiliários, que se apoiam e pressionam as ações do Poder Público nas diversas instâncias governamentais, desde a federal à municipal, vêm promovendo a expansão do uso do solo urbano, por meio da segunda residência, e o crescimento da população residente (morador permanente), com a chegada de migrantes que procuram por melhor qualidade de vida em uma atmosfera litorânea como também por trabalho relacionado às atividades do Lazer e do Turismo. E essa expansão do urbano vem ocorrendo de forma desigual, gerando uma materialização fragmentada e segregada, como veremos no capítulo a seguir.

5 A URBANIZAÇÃO E A VILEGIATURA MARÍTIMA: O USO E OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO

Neste capítulo iremos analisar a materialização do território urbano de Tibau que vem sendo norteada pela prática da Vilegiatura Marítima e principalmente pelas suas áreas em expansão; e as áreas destinadas para o vilegiaturista das classes A/B e C, como também para os residentes do município.

Os rebatimentos da referida prática nos setores de comércio e serviços locais serão também nosso alvo de análise, visto que estes vêm sendo uma consequência do crescimento demográfico ali constatado, principalmente após a emancipação política do município, ocorrida em 1997. Objetivamos, assim, identificar os zoneamentos traçados pelo Setor Imobiliário, devido à valorização do solo urbano pelo mercado, com o auxílio das ações do Poder Público Municipal e Estadual, na promoção da expansão urbana para a prática do Lazer. Com isto, teremos as territorialidades gestadas no município como reflexo de uma segregação inerente ao processo de valorização do solo urbano promovido pelo mercado imobiliário.

A urbanização, como já evidenciado nesta pesquisa, vem se estruturando a partir tanto dos eixos rodoviários, quanto do tecido misto constituído pelas residências (principalmente pelas segundas residências) e das atividades do Setor Terciário, com maior expressão para o Setor de Bares, Restaurantes, Panificadoras, Supermercado e Material de Construção. Também temos inserido na zona rural do município o Setor Agroindustrial, que, representado pela Empresa Agrícola Famosa Ltda., fundada em 1995, vem contribuindo para o processo de pavimentação das vias vicinais do município que transbordam nas Rodovias RN-13 e BR- 304, dinamizando, assim, as relações intermunicipais e estaduais, além da intraurbana. O Mapa 9 ilustra o território municipal de Tibau, onde se destaca a zona rural, que compreende os distritos de Pau Branco, São Romão, Vila União, Baixa Verde, Gangorra e Lagoa de Salsa. É importante ressaltar que o município em foco ainda se encontra em dificuldades para legitimar seu território, diante de conflitos gerados com os distritos de Pau Branco e São Romão, sendo o último predominantemente agrícola. Tais distritos, que juntos somam uma população de aproximadamente 3.000 habitantes, são considerados como pertencendo a Mossoró e a Icapuí/CE, respectivamente. Afirma o Secretário de Tributação e Infraestrutura, que o conflito persiste devido a Tibau – ainda sem expressão política e econômica, por ter sido alçado a município há pouco tempo- não inspirar segurança aos referidos distritos.

Mapa 9 – Território Municipal de Tibau/RN

A zona urbana, segunda a Secretaria de Infraestrutura e Tributação, elencou os bairros instituídos pela Câmara dos Vereadores, conforme segue: Centro, Vila Nova, Pôr-do-Sol, Emanuelas e Gado Bravo. Iremos nos voltar para os bairros quando discut irmos a dinâmica intraurbana – oportunidade em que iremos espacializar as áreas de expansão destinadas tanto para os vilegiaturistas quanto para os residentes, mapeando, assim, as territorialidades que refletem o uso do solo urbano, isto é, a valorização do solo urbano pelo mercado. O Mapa 10 ilustra o território urbano de Tibau zoneado por seus bairros.

Benzer Belgeler