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Em 1944, outro projeto relacionado ao Grêmio Politécnico estampou as páginas da Revista

Politécnica e trazendo também a informação de uma proposta para a instalação de uma

escola com o nome Escola "Paula Souza". Porém, não há maiores informações acerca do que seria e de como funcionaria esta escola/instituto. Aliás, o ano de 1944, foi marcado também pelo início das obras do Edifício “San Thiago”, cuja demanda estava na agenda da Escola Politécnica há algum tempo, desde a demolição do antigo casarão do Marquês de Três Rio. O projeto para abrigar estas duas instalações partiu do estudante de arquitetura Miguel Badra Júnior (1919-1975), que se formou em 1945, e desenvolveu em sua vida profissional importantes encomendas, inclusive projetos voltados para a educação superior como o prédio para a Faculdade Getúlio Vargas, que é uma de suas obras mais conhecidas.

O projeto para o Grêmio Politécnico foi concebido para ser implantado na esquina da Rua Bandeirantes com a Rua Afonso Pena (diametralmente oposto ao Edifício “San Thiago”), e suas instalações abrigariam os seguintes usos específicos: Grêmio Politécnico, Instituto "Paula Souza" e Alojamento Estudantil. O tema proposto colocou em questão o problema da moradia estudantil da Escola Politécnica que, até então, não havia sido cogitado em qualquer outro projeto, indicando a preocupação em atender demandas sociais reprimidas e relevantes para o melhor funcionamento da escola. Por ser de esquina, Badra idealizou uma implantação em forma de "L", alinhando os dois lados do edifício com as respectivas ruas. Ambos se conectam com uma entrada coberta por laje plana, sustentada por três pilares que dá acesso ao hall principal de elevadores, escada e aos corredores das duas alas, destinadas a salas de aulas. Ao fundo do corredor paralelo à Rua dos Bandeirantes foi situada a portaria e o sanitário do andar. A planta do primeiro andar praticamente segue o mesmo alinhamento da planta inferior, e compreende as salas de aula, sala dos professores, diretoria e secretaria. O hall e o conjunto sanitário se repetem nos andares superiores na mesma posição, mas no pavimento da cobertura ele apresenta dimensões maiores para servir como vestiários do andar da piscina. A forma em “L” da planta proporcionou ainda a criação de um anfiteatro de um quarto de circunferência, com vista para o pátio interno. O arranjo das plantas denota racionalidade na elaboração e distribuição dos ambientes. Quanto aos outros andares, o programa de necessidades procurou comportar os alojamentos estudantis e biblioteca (segundo pavimento); salão de festas e um salão menor, cozinha e restaurante (terceiro pavimento); outro andar de alojamentos estudantis, tendo alguns quartos voltados para um terraço que fica sobre o salão de festas, além das salas de departamentos e o espaço da equipe da Revista

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Politécnica (quarto pavimento); e, por último, o pavimento da cobertura, com a piscina,

ginásio e vestiários.

Nos andares superiores, as plantas foram sofrendo variações no alinhamento, pois não acompanham os mesmos limites da planta do pavimento térreo, proporcionando andares com áreas e dimensões diferenciadas, consequentemente, um jogo de volumes surge nas fachadas principais de alturas variáveis e também uma torre, formada pela caixa dos elevadores e casa de máquinas, que se projeta acima do nível da cobertura, conferindo assim um marco para o conjunto, que também foi destacado pelo brasão da deusa grega Minerva,102 símbolo da Escola Politécnica desde a sua fundação. As palavras de Badra (em tom veemente típico da juventude) traduzem as intenções plásticas desejadas para este projeto, bem como suas próprias impressões sobre o resultado alcançado:

Sobre a parte estética das fachadas: há uma massa dominante aglutinando as diversas partes do plano; é a torre dominando os diversos corpos das fachadas em planos sucessivos; portanto o princípio da unidade foi observado.

Quanto à divisão; observando as fachadas sentimos logo onde terminam a torre e os corpos de planos variados e logo se forma em nosso espírito uma impressão plástica satisfatória do planejamento total (Badra Júnior, 1944). Badra, sobretudo, criou uma fachada movimentada, escalonada, por meio da variação e inflexão dos volumes projetados, mas ao mesmo tempo racional, característica do período arquitetônico em que "as arquiteturas 'cúbicas' e Art-Déco disseminavam-se entre os profissionais" (Segawa, 1999, p.72). Para Badra (1944), "no que diz respeito à inflexão notamos a correlação existente entre as partes do edifício com o todo, a própria assimetria existente, demonstra claramente a existência dessa inflexão”. Outros elementos ajudam a compor esta arquitetura de linhas modernizadas tais como a alternância dos volumes que são destacados pelo uso de materiais e o tratamento dado ao fechamento do hall e da caixa de escada, que receberam caixilhos contínuos. Para ele, era um dos “detalhes interessantes” deste edifício, assim como o “sistema de iluminação inteiramente novo, constituído por ‘panos’ inteiriços de vidro, inteiramente livres das paredes perimetrais do edifício, satisfazendo magnificamente a sua função”. A planta também corrobora para criar estes planos verticais variados na fachada; porém, o tratamento adotado na distribuição dos espaços ainda apresenta sinais dos antigos métodos compositivos da academia como,

102 No site da Escola Politécnica (www.poli.usp.br) encontram-se mais informações sobre este ícone, que adotado

pelos politécnicos em razão de seus atributos mitológicos: “Minerva é a deusa da guerra, mas, ao mesmo tempo, da sabedoria e da reflexão. Ela não vence seus inimigos pela força bruta, mas pelos ardis que inventa, pela astúcia e pela inteligência de seus estratagemas. A Escola Politécnica encontrou em Minerva o símbolo da estratégia lúcida: ela é a senhora das técnicas, da racionalidade instrumental, a criadora das saídas de engenhosidade. Reúne, dessa forma, aspectos fundamentais à formação do politécnico, sintetizando as duas dimensões do trabalho do engenheiro: a criação, por um lado, e a execução, por outro”.

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por exemplo, a localização da entrada na confluência entre as duas ruas, que é um partido de implantação utilizado em várias outras edificações implantadas em terrenos de esquina.

Fig. 47: Plantas e implantação da Escola “Paula Souza” – Grêmio Politécnico, projeto de Miguel Badra Júnior. Fonte: Badra Júnior (1944). Fig. 48:Perspectiva do projeto. Fonte: Badra Júnior (1944).

Fig. 49: Plantas e implantação da Escola “Paula Souza” – Grêmio Politécnico, projeto de Miguel Badra Júnior. Fonte: Badra Júnior (1944).

175 Ao entender que “a condição suprema de boa arquitetura é a Verdade”, e “um edifício vale segundo o grau em que ele manifeste claramente a verdade”, Badra procurou imprimir um sentido lógico às escolhas arquitetônicas adotadas neste projeto. Também procurou incorporar as novidades técnicas disponíveis: o emprego das lajes e vigas em balanço, o uso de materiais novos como as placas leves e móveis de “cinza-cimento” para compartimentação dos ambientes, e para a proteção da fachada voltada para a face norte contra a insolação, quesito que também não foi esquecido neste projeto:

[...] Procuramos assim acompanhar a marcha ininterrupta da ciência, incansável nos seus estudos e descobertas [...]. Fomos sinceros ou pelo menos procuramos sê-lo ao máximo ao projetarmos este edifício; encaramos o problema perscrutando antes de qualquer iniciativa a sua essência moral, social ou utilitária; imprimindo um caráter que é a expressão cristalina destes atributos; observando a possibilidade técnica dentro da economia e construtibilidade, não penetrando assim nos campos das fantasias lógicas confundindo-as com as formas de real beleza, decorrente de um estudo lógico e ponderado do projeto (Badra Júnior, 1944).

Por fim, engajado em princípios técnicos e racionais e intentando realizar uma obra autêntica, ausente de qualquer ornamentação desnecessária, a postura adotada por Badra acena para um sentimento de missão:

Foi observado esses princípios que projetamos o edifício para o Grêmio Politécnico e Instituto "Paula Souza" com a naturalidade e sinceridade de nossos próprios pensamentos, nossos próprios sentimentos, procurando assim ter cumprido uma missão de relevante importância para o bem da Pátria no que se refere ao magno problema nacional a "Educação e Formação Profissional" (Badra Júnior, 1944).

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Benzer Belgeler