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Stratejik Plan Ekseninde 2016 Yılı Genel Performans Değerlendirmesi

3.2   PERFORMANS BİLGİLERİ (Temel Çıktı ve Sonuçlar)

3.2.11   Stratejik Plan Ekseninde 2016 Yılı Genel Performans Değerlendirmesi

Por intermédio deste estudo, considero que fazer historiografia política, não é fazê-la em detrimento de outras historiografias, pois há muito que se fazer em relação à história dos trabalhadores e, em especial, à história dos trabalhadores do ensino.

Isto posto, meu objetivo centrou-se em analisar a relação dos trabalhadores do ensino com os gestores do sindicato e as possíveis inter-relações entre os professores, a escola, a comunidade e como se dá esta representação no momento das greves no final da década de 70 e 80 em São Paulo.

Verifica-se que as organizações dos trabalhadores não ocorreram de forma tranqüila. Sobretudo, quando o objetivo foi gerenciar os trabalhadores, e estes transformaram-se em novos ‘chefes’.

A organização da APEOESP, depois de 1981, se estabeleceu entre aqueles que sabiam fazer acontecer a luta: os gestores; e os que teriam que lutar: os trabalhadores do ensino. Aos últimos, estava reservada a participação nas manifestações, passeatas, assembléias, congressos, eleições, concorrer às eleições, reuniões de Representante de Escola (RE) e outras, enquanto àqueles cabia gerenciar os movimentos.

Os gestores, ao defenderem a participação política dos trabalhadores do ensino, deixavam o seu local de trabalho - a escola, despolitizado, pois o RE deveria encaminhar os conflitos para serem resolvidos em reuniões externas, no sindicato.

Deste modo, cabiam às escolas desempenharem um papel de natureza política tradicional, que para enfrentar o poder patronal (do Estado) deveria ocorrer fora dos locais de trabalho, intermediado pelas instâncias do sindicato.

Assim, os gestores não deixaram de estimular a participação dos trabalhadores do ensino, por intermédio da entidade, com intuito de fortalecer a sua base, sem, no entanto, admitir que a mesma pudesse de alguma forma passar a concorrer com o seu poder. Era função dos trabalhadores do ensino estarem mobilizados para fortalecer a organização do sindicato.

Neste sentido, as comissões, aqui conhecidas como ‘comissões abertas’, foram utilizadas como instrumento de oposição, face aos gestores situacionistas, que procuravam conciliar os conflitos da categoria com os governos estabelecidos pelo governo militar.

Quando a oposição assumiu a direção da APEOESP, as comissões e os comandos foram transformados em Representantes de Escola (RE), Conselhos Regionais (CR), sendo intermediados pelo Congresso Anual e pela Assembléia Geral. O local de trabalho ficava subordinado às deliberações destas instâncias de poder. As comissões, com perfil do final dos anos 70, formadas pelos professores desapareceram. Entretanto ainda nos anos 80, foi possível observar a prática das comissões desde que organizadas pela diretoria e aprovadas pelo CR.

O novo sindicalismo, juntamente com o Partido dos Trabalhadores, articulou o fim da autonomia das comissões, organizadas pelos trabalhadores, transformando-as em elo do sindicato. As comissões foram atreladas aos seus objetivos, incorporadas aos interesses do partido e dos sindicatos que dominavam. Assim se institucionalizou o delegado sindical por empresas, e nas escolas, o Representante de Escola (RE), como ideal de representação operária por unidades produtivas e escolares. Paralelamente o delegado e RE deveriam manter a comunicação dos trabalhadores com o sindicato.

A oposição ao assumir a direção, centralizou as ações da categoria, não permitindo espaços para outros agirem sem passarem pela aprovação nas instâncias da APEOESP. Desta forma, os gestores passavam a intermediar todas as lutas dos professores junto ao sindicato.

Todas as instâncias de poder na APEOESP foram legitimadas pelo voto direto, pois no início dos anos 80, período da ascensão dos gestores de oposição, iniciava-se o fim do governo militar. Foi o momento da redemocratização do país.

Nos estados da federação, após quase 20 anos sem eleições diretas, foram eleitos os governadores, o que proporcionou maior debate das questões políticas. O próprio governador do Estado de São Paulo, Franco Montoro chegava ao governo com uma plataforma política embasada na participação democrática nas questões administrativas do Estado.

Com esta organização, os gestores reforçavam a sua importância como intermediários, anulando as possibilidades embrionárias de autonomia das lutas que estavam se formando por meio das comissões dos trabalhadores do ensino.

Foi neste contexto que ocorreu a organização da entidade, chegando até os nossos dias. Para os gestores e boa parte dos filiados da APEOESP, o voto direto é democrático, portanto, um exemplo de democracia a ser seguido.

Porém muitos trabalhadores do ensino não aceitavam esta centralização dos gestores. Alguns resistiam. Não iam à luta, sob qualquer apelo. Outros não seguiam os encaminhamentos das assembléias, procuravam adequá-las conforme as circunstâncias na Unidade Escolar. Faziam assembléias internas, contrariando a organização da entidade, e esta lhes atribuía ingenuidade política e falta de consciência.

Os gestores defendiam que os trabalhadores do ensino não tinham consciência proletária, e esta seria importada. As suas lutas não iriam além das reivindicações econômicas, portanto, as greves, as exigências por melhores salários seriam formas de educação dos professores, conduzidas pelos seus dirigentes conscientes.

Portanto, os gestores se colocavam como uma vanguarda e afirmavam que para os trabalhadores do ensino formarem uma consciência proletária era necessário educá-los, alcançando assim o conhecimento de seus mestres, uma vez que a luta econômica é uma luta essencialmente reformista e pequeno-burguesa, solidificada no oportunismo de classe.

Em especial, na APEOESP, esta vanguarda, num primeiro momento contribuiu, juntamente com os trabalhadores do ensino, para tirar os situacionistas, e se instalarem no sindicato, articulando a sua permanência para que não deixasse a diretoria da entidade.

Ao adentrar a pesquisa nos documentos, foi possível verificar que o grupo de oposição organizado não queria somente democratizar a entidade, estava determinado em derrocar a direção do Rubens Bernardo e do Antonio José Nascimento, pois mesmo antes das greves de 78 e 79 já se posicionava como uma vanguarda nas lutas dos professores.

O golpe de Campinas (1980), por exemplo, não passou de uma ação vanguardista que queria tomar para si a diretoria, na época se afirmava que era um problema administrativo, porém no desenvolvimento da pesquisa confirmou-se que fora em razão dos encaminhamentos políticos da gestão da professora Eiko Campos Reis.

Os vanguardistas frustrados no golpe de Campinas conseguiram chegar à diretoria da APEOESP, em 1981. Articulados com o novo sindicalismo sanbernardino, eles se posicionaram como oposição aos governos estabelecidos em nível federal e em nível do Estado de São Paulo.

A APEOESP, no estado de São Paulo, faz oposição acirrada ao governador Franco Montoro, que pertencia ao PMDB. Porém, os salários dos professores permaneciam inferiorizados, embora com os altos índices inflacionários. O governo resistia em reajustá-los.

Durante este governo, que também não deixou de ameaçar os trabalhadores do ensino, dispondo-se da força policial, a categoria conquistou: espaço para discutir e sugerir questões ao Estatuto do Magistério de 1985, embora algumas não foram postas em prática.

Durante a década de 1980, houve perdas significativas nos salários dos trabalhadores do ensino. Contrariando os interesses dos professores, mesmo com forte oposição, o governo de Orestes Quércia, montado no aparato policial, aterrorizou os professores e tentou amenizar as conquistas obtidas no governo anterior.

Valendo-se deste estudo é possível afirmar que a oposição exercida pelos gestores da APEOESP mantinha autonomia e independência somente aos partidos políticos aos quais concorriam ao poder político. Assim sendo, estavam ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), como se pôde comprovar por meio da eleição ao parlamento do diretor e do presidente da entidade e nas ações publicadas no jornal Apeoesp em Notícias.

Os gestores da APEOESP, do PT, dos demais partidos políticos, juntamente com os movimentos sociais reforçaram a idéia da importância do voto, pois não ocorriam eleições diretas durante o governo militar. Deste modo, todas as ações dos trabalhadores foram dirigidas ao parlamento. Desencadeando o movimento pelas eleições diretas, que poderiam corrigir os problemas enfrentados pelos trabalhadores. Deste modo, favoráveis às eleições, esta frente desencadeou um movimento para garantir o direito de eleger pelo voto direto o presidente da república. Movimento conhecido como diretas-já. Porém, em razão das articulações dos conservadores do movimento, a eleição não aconteceu no ano de 1984, acarretando a crença no poder do voto nas mãos dos trabalhadores, como meio de transformação social.

Os opositores não mudaram o seu posicionamento, continuaram a defender junto aos trabalhadores que a saída da inflação, da recessão e do desemprego seria encontrada, com a realização das eleições diretas.

Na ausência das eleições diretas, os fatos caminhavam a favor das oposições, sobretudo ao Partido dos Trabalhadores, que até então governava apenas duas cidades, as prefeituras de Diadema e Fortaleza.

Os gestores da APEOESP, respaldados em suas experiências, cresciam em suas ações oposicionistas, uma vez que já faziam eleições diretas a todos os cargos da entidade desde 1979 e passavam a defender eleições diretas, nas unidades escolares, para os diretores de escola, onde não havia diretor contratado por concurso público.

A população usuária que apoiava as lutas dos trabalhadores do ensino deixou de apoiá-las, pois os gestores da APEOESP junto com os professores não foram capazes de organizar ações conjuntas para encontrar uma solução para as questões educacionais.

Os gestores fechados em seus interesses, nas articulações voltadas ao corporativismo da categoria, se limitavam ao diálogo, pedindo o apoio nos períodos de greve. As mães incomodadas com as constantes paralisações se organizaram e, ao se confrontarem com a complexidade do problema, passaram a responsabilizar os professores pela má qualidade do ensino.

Após me referir à participação e ao interesse das mães pela qualidade do ensino, observo que nos depoimentos dos professores, estes contavam com o apoio da população usuária. Porém, por meio das entrevistas foi possível trazer informações que possibilitaram um contraponto entre as práticas vividas por estes professores e o que registrava os gestores da APEOESP, contribuindo desta forma para a compreensão do objeto estudado.

Sem a pretensão de encerrar o debate, atribuo aos depoimentos citados neste trabalho a possibilidade de comparar idéias e práticas que não foram registradas, o que tornava parcial as ações dos sujeitos que atuaram durante a trajetória do período estudado.

FONTES