3.4. Yazı Yazma ve İmla İle İlgili Zorluklar
3.4.10. Standartlara Uygun Yazma
Na primeira parte do processo (afirmação), encontra-se o indivíduo que não atingiu ainda o conhecimento das quatro nobres verdades; na segunda (negação), encontra-se o indivíduo plenamente convicto e consciente de todo o seu conteúdo. Sabemos que, para Buda, a causa da existência repousa no desejo e na vontade de viver (assim como para Schopenhauer); esse desejo e vontade de viver procedem, por sua vez, da ignorância do caráter e da verdadeira natureza do mundo e da vida; pois bem, quando o indivíduo ainda não atingiu a iluminação e ainda não está consciente desta natureza maléfica do mundo e da vida, ele tem sede de satisfação em relação ao seu desejo e anelo por vida. Sabemos que na esfera do transcendente, a Vontade (que é a essência íntimo-constitutiva de todos os seres e do mundo) é essencialmente cega e inconsciente: é um querer em seu estado mais primitivo e puro, sem mescla alguma de conhecimento. Neste estágio, a Vontade somente pode querer e suas ações, que são a gênese do seu processo de objetivação, são guiadas pela ignorância maior, que nela reina soberana. Em seu estado metafísico-transcendente, a Vontade mostra-se totalmente destituída de qualquer tipo ou espécie de conhecimento que possibilite com que ela faça qualquer tipo de pré-julgamento sobre o valor objetivo da existência; ela se entrega totalmente aos seus mais abissais instintos, que expressam sua insaciável sede e anelo de vida. Quando finalmente a Vontade se objetiva no mundo, através de diferentes modos ou formas de existência, somente no homem, com o advento do conhecimento racional e da consciência reflexiva, é que a Vontade passa não só a adquirir uma consciência de si, como também do mundo, da realidade em que ela vive. Somente neste estágio (segunda das doze causas) é que a Vontade pode adquirir o conhecimento de suas próprias ações, do peso e das conseqüências morais de seus atos; no terceiro estágio surgem, como conseqüência, uma nova gênese de fenômenos de ordem material e psíquica, originados do maior ou menor grau que a Vontade adquiriu da importância e das conseqüências de suas ações. É do modo como a Vontade passa a conceber ou considerar os tipos específicos e distintos de fenômenos mentais e físicos que se dá o maior ou menor aprimoramento de suas relações com os chamados “seis domínios”. No Budismo,
estes domínios seriam o que vulgarmente conhecemos como os órgãos dos sentidos ou nossas seis faculdades sensitivo-perceptivas; são elas: a faculdade visual, auditiva, olfativa, palatal, táctil e, finalmente, a nossa mente propriamente dita, pois para os orientais, a mente ou nossa faculdade psíquico-aperceptiva, constitui-se numa sexta e última faculdade, ao lado dos cinco sentidos tradicionais.
Se a Vontade, em suas relações com os diversos tipos de fenômenos físicos e psíquicos, se deixa arrastar em direção a uma conduta viciosa e permissiva com certas formas ou espécies de acontecimentos relacionados essencialmente à satisfação de suas tendências mais torpes, ligadas à satisfação de desejos ou apetites, maior então será o domínio dos sentidos sobre a Vontade, tornando-a então mais escrava dos desejos e apetites e, portanto, se tornando cada vez mais acorrentada ao ciclo de vida-morte-renascimento do Samsara cármico. É o que Buda nos procura transmitir através de sua célebre parábola do cavalo, que foi proferida aos seus discípulos por ocasião de seu último sermão, horas antes de sua morte, no bosque de Kusinara, onde ele nos alerta sobre o perigo de se entregar ao domínio dos cinco sentidos:
“Assim como um pastor domina o rebanho com o seu cajado, não permitindo que os animais invadam as plantações, deveis guardar a máxima vigilância; abandonar os cinco sentidos ao sabor dos caprichos é como deixar um cavalo indômito sem rédeas. Tal cavalo arrasta as pessoas e as derruba dentro de buracos. O prejuízo causado por um cavalo indômito atinge apenas o presente, mas o causado pelos cinco sentidos atinge inclusive o futuro. Por isso, deveis evitá-lo; o sábio vigia seus cinco sentidos como o ladrão: jamais se descuida deles.” (PB, p. 14)
Inversamente, se a relação da Vontade com estes acontecimentos é pura e desinteressada, consciente de suas respectivas naturezas permissivas e caracterizada pelo signo do desprendimento e do desapego em face dos apetites e dos desejos, menor então será o seu vínculo com o ciclo de renascimentos e maior será igualmente sua possibilidade de purificação e redenção; da mesma forma, da relação da Vontade com estes seis domínios, cuja natureza já especificamos mais acima, surgem a forma ou espécie de contato, tanto de ordem sensitiva quanto de ordem mental, que a Vontade assume em face das diferentes solicitações do mundo e da vida; do tipo de contato sensitivo e mental, provém o tipo ou espécie de sensação; do tipo ou espécie de sensação, provém o tipo ou espécie de desejo,
vicioso ou inexistente, de acordo com as tendências que são determinadas por esta relação da Vontade com os cinco sentidos: pura e desinteressada quando esta relação é igualmente destituída de desejo; viciosa e permissiva quando a mesma é repleta de desejo. É do maior ou menor desejo e anelo de vida que provém o maior ou menor apego à existência; do maior ou menor apego, provém a existência ou o fenômeno da objetivação da Vontade propriamente dita (o chamado “princípio de individuação”); da existência provém o nascimento; do nascimento, a velhice, a morte, o sofrimento e o desespero. Este é o processo descrito através da teoria das doze causas, que nos dá a gênese do processo de objetivação do querer-viver ou da individualidade empírico-fenomênica, que culmina com o advento do império da dor e do sofrimento, que nada mais é do que o reino da vida e da existência, pois para o Budismo a vida, a existência, são sinônimos de dor e sofrimento, assim como tão bem nos ensina Schopenhauer em sua filosofia, quando este nos diz:
“Se a nossa existência não tem por fim imediato a dor, pode-se dizer que não tem razão alguma de ser no mundo. Porque é absurdo admitir que a dor sem fim, que nasce da miséria inerente à vida e enche o mundo, seja apenas um puro acidente e não o próprio fim. Cada desgraça particular parece, é certo, uma exceção, mas a desgraça geral é a regra.” (DM, p. 5)
Esta é uma verdade metafísica que não está circunscrita somente aos âmbitos da Filosofia, mas também da Literatura, pois foi vislumbrada por um dos maiores romancistas da língua portuguesa, Eça de Queiroz, quando ele nos diz, em uma de suas obras imortais:
“Sofrer, portanto, era inseparável de viver. Sofrimentos diferentes nos destinos diferentes da vida. Na turba dos humanos é a angustiada luta pelo pão, pelo teto, pelo lume; numa casta, agitada por necessidades mais altas, é a amargura das desilusões, o mal da imaginação insatisfeita, o orgulho chocando contra o obstáculo; (...) Miséria do corpo, tormento da vontade, fastio da inteligência - eis a vida!” (CS, p. 79)
Desta forma, apercebemo-nos, através da análise da origem do processo cármico-ontológico, que a raiz do fenômeno da objetivação dos seres repousa na relação consciente e esclarecida (ou inconsciente e viciosa) que a essência vital possui com os seus próprios desejos e tendências. Se essas relações são conduzidas em direção à sua satisfação, maior é o seu apego à existência e daí
a geração de uma vida, sob a forma de um fenômeno físico-químico de ordem individual e material; se esta relação caracteriza-se por um progressivo desprendimento e aversão, por uma verdadeira auto-mortificação destas tendências epicuristas e hedonistas de nossa própria natureza íntimo-constitutiva, menor é o apego à existência e, conseqüentemente, há a possibilidade de se alcançar a redenção, salvação e libertação, que se dá através da negação do processo de objetivação, onde a hipótese do advento da geração e da concepção de uma nova existência de ordem individual é taxativa e sistematicamente rejeitada. É justamente nesta relação que o nosso espírito possui com todo o conteúdo dos quatro ensinamentos legados a nós por Buda sobre a natureza e o caráter da vida, que determinaria esta inversão positiva de nosso querer, não mais em direção ao anelo de vida, mas sim ao desapego das solicitações do mundo e da vida e a conseqüente mortificação de nossa própria vontade de viver. Vejamos mais de perto este fenômeno presente tanto no pensamento de Schopenhauer, quanto nos escritos sagrados do Budismo e do Brahmanismo.