• Sonuç bulunamadı

5. TARTIŞMA

5.1. STANDART HASTA VE YÜKSEK GEÇERLİKLİ MANKEN

2.1.2.1 Resposta à “mídia tucano-udenista”?

Enquanto as denúncias acerca dos cartões corporativos já circulavam intensamente em várias instituições midiáticas desde 23 de janeiro de 2008, CartaCapital só entra na discussão a partir da edição de 13 de fevereiro desse ano, três semanas depois. Nessa edição, publica dois textos sobre a temática: “A mídia tucano-udenista”, inserido na seção A

Semana, e a reportagem “A nova velha crise”, que se estende por três páginas. Verificamos

que esses textos emergem como uma resposta aos discursos já veiculados na mídia anteriormente.

O enunciador do texto “A mídia tucano-udenista” apresenta uma fotografia de Lula e sua respectiva legenda: “Surpresa? O alvo é Lula, à sombra da hipocrisia tradicional”. Além da imagem e da legenda, o enunciado “O caso do cartão não é edificante, mas o objetivo é sempre o mesmo” figura em destaque na página da revista. E, no início do texto, como resposta a já-ditos da mídia sobre o caso, o enunciado “Sentinela da democracia, a mídia mergulha na história dos cartões corporativos para denunciar a falta de transparência e lisura do governo Lula. A história não é edificante, mas nem sempre bem contada” também materializa o sentido de defesa às acusações, pois, para CartaCapital, a “história não é edificante”.

A reportagem “A nova velha crise”, em simetria com o posicionamento político discursivizado no texto anterior, também emerge como uma resposta a vários enunciados que já circularam acerca desse escândalo. O próprio título, formulado com adjetivos antônimos, intensifica os sentidos em construção nessa edição de CartaCapital: a finalidade da mídia é “velha”, é atingir o Governo Lula, “velha” é essa disputa política; “nova” é a oportunidade que a oposição encontrou para colocar o governo petista na berlinda.

2.1.2.2. Governo Lula: maior transparência?

Com o objetivo de analisar como CartaCapital trata o tema corrupção, tendo em vista a memória que é atualizada, selecionamos, inicialmente, enunciados que são retomados para explicar as acusações e, consequentemente, defender o Governo Lula. Explicações e defesas povoam os enunciados que emergem em resposta a outros. Vejamos um exemplo do texto “A mídia tucano-udenista”:

Exemplo 6

As mazelas do poder fazem parte da tradição e, em inúmeras oportunidades, contaram com o silêncio da mídia. Até os começos da era Lula, quando nenhuma ocasião passou a ser perdida na tentativa de pôr o governo em dificuldade”. (CartaCapital, 13/02/2008, p.16) (grifos nossos).

Os sentidos produzidos sobre corrupção apontam para acontecimentos que “fazem parte da tradição” e para acontecimentos de silenciamento até uma determinada época: “começos da era Lula”. Esses acontecimentos passados são retomados e valorizados em CartaCapital.

Em contraposição aos sentidos produzidos por Veja, como já podemos constatar, principalmente pela presença do enunciado “Começou com o mensalão...” (Veja, 20/02/2008, p.28), CartaCapital não focaliza outros escândalos da gestão Lula, nem atribui a eles marcos iniciais. Ao contrário, produz sentidos de que “as mazelas do poder fazem parte da tradição”.

Na reportagem “A nova velha crise”, os dados sobre gastos com despesas emergenciais do Governo FHC são retomados, mas o enfoque é outro bem diferente do enfoque apresentado em Veja. Enquanto Veja publica esses dados para dar ênfase aos gastos efetuados via cartão, em detrimento das informações dos gastos totais com essas despesas efetuadas via cartão e contas tipo B, CartaCapital dá ênfase às despesas totais. Conforme

CartaCapital, as despesas via cartão realmente são maiores no Governo Lula, mas as despesas

totais entre os suprimentos de fundos são maiores no Governo FHC. Em suma, de acordo com CartaCapital, Lula reduz gastos.

O enunciador informa ainda que o cartão foi utilizado no Governo FHC por menos de dois anos e que o Governo Lula intensificou o uso do cartão por ele ser mais transparente e, para produzir esse sentido, cita o discurso, como argumento de autoridade, do Tribunal de Contas da União: “Mesmo o TCU reconhece que os cartões aumentaram a transparência nas contas e no combate à corrupção no serviço público”.

Em tom de insinuação, o enunciador escreve:

Exemplo 7

Outro blogueiro vasculhou as despesas com cartão corporativo de um dos seguranças designados ao ex-presidente FHC num posto de gasolina no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Descobriu que, em um só dia, foram feitos quatro abastecimentos com tanque cheio nos dois veículos de Fernando Henrique. Para quê? Mais silêncio. (CartaCapital, 13/02/2008, p.22)

Corrupção no Governo FHC revela-se no plano do esquecimento em

CartaCapital? Parece que não.

Na edição de 20 de fevereiro de 2008, CartaCapital publicou apenas duas cartas de leitores. Interessantes, contudo, são as cartas que ela selecionou para publicar, pois os sujeitos leitores enunciam de lugares bem distintos: um inscrito na formação discursiva de centro-esquerda e outro inscrito numa formação discursiva de centro-direita. 7

A primeira declaração é longa e assinada pela Assessora de Comunicação e Imprensa do Instituto Fernando Henrique Cardoso, Ana Cristina Pessini. Nela a missivista expõe dados com datas, valores e quilometragens “esclarecedores” acerca da despesa de gasolina paga com cartão corporativo. CartaCapital, no entanto, se dá o direito de resposta:

Exemplo 8

RESPOSTA DA REDAÇÃO

Já causa pasmo o fato de que ex-presidentes tenham direito a dois carros, pagos pelo Estado. No mais, o blogueiro que nos informou cometeu, evidentemente, um engano. Ambos os carros foram abastecidos à distância de dois dias. O que nos leva à conclusão de que devoram quilômetros e gasolina. Talvez necessitem de revisão. (CartaCapital, 20/02/2008, p.64) (grifos nossos).

Embora CartaCapital publique a carta da assessora do Instituto FHC, isso é feito para evidenciar, ironicamente, que há algo estranho nessa informação, algo que talvez “necessite de revisão”.

A segunda carta publicada caracteriza-se por apresentar outras formulações de enunciados apresentados pelo jornalista, ou melhor, por atualizar dizeres materializados na reportagem da edição anterior. O leitor enunciador aponta que “o grupo de oposição, incapaz de formular propostas que contribuam ao debate político, esforça-se para encontrar qualquer motivo capaz de minar a popularidade do governo”.

7 Melo ( 2003, p.177) destaca que, ao selecionar as cartas, um dos critérios que as instituições, geralmente,

Considerando esses nossos recortes, constatamos que denúncias de corrupção e de irregularidades dirigidas ao Governo FHC não são apagadas em CartaCapital. Em meio a já-ditos que são retomados, há também muitas insinuações. E, assim, os efeitos de sentidos construídos tomam uma direção oposta à direção tomada por Veja.

Benzer Belgeler