Entre as grandes transformações que ocorreram com o capitalismo, nas últimas décadas do século vinte, destacamos as do mundo do trabalho que geram o desemprego, a perda dos direitos, afetando a vida dos trabalhadores e dos profissionais. Repercute na família, em sua estrutura econômica e emocional, acirrando a violência, entre outros aspectos. Isso rebate na produção teórica do Serviço Social. A partir da década de noventa, o trabalho aparece como um tema de pesquisa e de produção teórica do Serviço Social. Nesse contexto, na Revista Serviço Social e sociedade, a discussão da família é relacionada com as políticas públicas, com o trabalho, com a questão de gênero, da violência etc. Com a globalização também começaram a ser mais divulgadas as experiências internacionais com programas e políticas para a família. É também na década de noventa que o ECA é aprovado, o que rebate na Revista, em artigos sobre a relação entre a família e a criança e o adolescente. Em seu Editorial, a Revista Serviço Social e Sociedade nº 42, em 1993, informa que o ano de 1994 seria dedicado, pela
ONU, à família. Nesse número é publicado o informativo: “preparando-nos para o Ano Internacional da Família”.
Na década de oitenta, foram publicados 08 artigos sobre família, enquanto que apenas entre 1993 e 1995 foram publicados 09 artigos, o que mostra um grande desenvolvimento do debate sobre família neste período.
3.2.1 – Trabalho e família
O primeiro artigo sobre família da década de noventa, de Maria das Dores Costa e Sandra Lúcia Barbosa Cavalcanti (1990), trata da administração da produção doméstica e reprodução da força de trabalho das famílias inseridas em um setor informal em Natal, no Rio Grande do Norte, onde ocorreu uma pesquisa em 800 domicílios, com famílias de baixa renda. As autoras destacaram que ocorre a produção doméstica através de atividades desenvolvidas no lar, onde se realizam tarefas necessárias à reprodução da força de trabalho diária e geracional, além dos serviços que os membros da família prestam uns aos outros. Quando o ganho da família diminui, desorganiza-se a produção doméstica, acarretando a necessidade de mais membros ingressarem no mercado de trabalho. As pessoas que participam da produção doméstica, na pesquisa realizada, são basicamente mulheres e filhos. Sendo que os filhos em sua maioria combinam tarefas no lar com estudo ou outras atividades que gerem rendimentos. Também foi significativo o percentual de mulheres com ocupações extradomésticas (emprego formal e informal). Com essa atividade, a mulher fica sobrecarregada por uma dupla jornada de trabalho. Nessa pesquisa observou-se que a maioria das mulheres só permanecem no trabalho por necessidade, ou seja, ausência do marido ou complementação do orçamento familiar. Porém identificou-se que, na maioria dos domicílios, a maior parte das mulheres ainda permanecem cuidando de seus lares, participando os filhos do mercado de trabalho, principalmente os maiores de 18 anos. Quando a mulher necessita ingressar no mercado de trabalho sobra para os filhos assumirem as tarefas domésticas.
Rosamélia Ferreira Guimarães expõe o trabalho realizado com famílias pobres no Programa de Renda Mínima, no município de Santo André/S.P. Segundo a autora “... a atenção direta aos grupos de famílias favorece a expressão de sua
vivência cotidiana, em termos de sua estrutura, colaborando para que não se sintam marginalizadas e deslocadas face à realidade. Ao mesmo tempo, é construída com elas uma nova concepção de família como lócus onde existem afeto, solidariedade e responsabilidade.” (2002: 177). O trabalho com grupos possibilita a ampliação do conhecimento do que se passa na atualidade com as famílias para facilitar a atuação dos diversos profissionais com essa realidade.
3.2.2 – Gênero, trabalho e políticas públicas
A questão de gênero aparece vinculada ao trabalho e às políticas públicas. Maria Luzia Clemente (1994) comentou uma pesquisa de campo em serviço social, realizada com mulheres que migraram do nordeste brasileiro para a capital, na década de 80. Essas mulheres, nos momentos difíceis recorreram a instituições assistenciais como a Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor – FEBEM e Instituto de Assuntos da Família – IAFAM, de São Paulo. Objetivou-se com esse estudo compreender os papéis que essas mulheres desempenhavam na dinâmica de seu grupo familiar, e para tanto se pesquisou seus históricos de vida. Teceu algumas considerações sobre o trabalho no nordeste, situou São Paulo no contexto nacional, a mulher e a organização do cotidiano na dinâmica do grupo familiar, educação dos filhos, aspectos sobre as relações familiares e as características da família nordestina. A decisão de migrarem para São Paulo se deu em função da busca de melhores condições de emprego e vida para as famílias. As mulheres assumindo o papel de chefe da casa ou permanecendo ao lado do marido/companheiro tem um dinamismo incontestável, tomando iniciativas, suprindo assim as necessidades que surgem no seu cotidiano. Porém, quando existe um homem na família, de forma geral, este auxilia na segurança do convívio familiar.
Maria Amália Faller Vitale chama a atenção para esta nova forma de família apontando que foi a partir dos anos 1970 que elas passam a ter visibilidade. Informa que as famílias monoparentais masculinas são em número menor que as femininas. Esclarece que isto também implica na questão da pobreza e conseqüentemente nos efeitos perversos que recaem sobre as famílias. Essas questões podem levar a discriminações, como subentender que as mulheres são menos “capazes” de cuidar de suas famílias. Ainda segundo a autora, “...a associação entre famílias
monoparentais, chefiadas por mulheres e pobreza aponta claramente estes segmentos como foco de critérios para programas sociais.” (2002: 51) Complementa que na realidade estes programas sociais dirigidos a essa demanda “...deverão contribuir para sua autonomia e não para estigmatizá-las como sem condições de oferecer cuidados e proteção aos seus membros.” (2002: 52) Destacou o sistema de trocas intergeracionais, colocando o papel dos avós como anteparo diante das fragilidades familiares e também as redes de solidariedade. Lembrou que não se deve entender um período de tempo onde ocorre a monoparentalidade como algo negativo.
Virginia Paes Coelho (2002) descreve uma parte da pesquisa por ela realizada quanto às mudanças ocorridas nos padrões de conduta feminino nas últimas décadas, estudando histórias familiares de duas gerações de segmentos médios, e nascidas na década de 1960. Destaca o ingresso das mulheres no mercado de trabalho como fator mais importante relacionado às transformações que ocorreram com as famílias, porém, mesmo apresentando maior grau de instrução do que os homens, permanecem ganhando menos. Expõe sobre a discriminação que muitas mulheres sofrem no ambiente e relações de trabalho; além do acúmulo de tarefas que elas têm que assumir. Destaca que a presença dos filhos é o fator que mais interfere em relação à participação feminina no trabalho. Todavia mais mulheres começam a ter consciência de que o trabalho é uma possibilidade emancipadora em sua vida (realização pessoal) e que os pais começaram a colaborar mais nos cuidados e educação dos filhos.
Cássia Maria Carloto chama a atenção para necessidade de ampliar o debate teórico no campo das políticas públicas que contemplem a questão de gênero. Coloca que “... embora o conceito de gênero tenha ganhado força e destaque enquanto instrumento de análise das condições das mulheres, não deve ser utilizado como sinônimo de ‘mulher’. O conceito é usado tanto para distinguir e descrever as categorias mulher e homem, como para examinar as relações estabelecidas entre eles.” (2006: 142) A proposta do artigo foi enfocar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres. Observou que há necessidade de políticas públicas de enfrentamento das desigualdades de gênero pensadas no conjunto das desigualdades sociais.
3.2.3 – Gênero, violência e família
No contexto do novo século, a violência é um tema que invade o cotidiano e também demanda a reflexão teórica.
Lourdes de Maria Leilão Rocha analisa a violência contra a mulher, problema que se encontra nas “relações assimétricas entre homens e mulheres marcadas pela desigualdade, pela hierarquização e pela dominação.” (2001: 113) e que rebate na família. Como mostra a autora, vivemos em uma sociedade “... estruturada por relações de classe, de gênero, e de raça/etnia, caracterizadas pela dominação e pela desigualdade, em que a instituição familiar constitui um dos elementos utilizados para a reprodução e manutenção da ordem social vigente.” (2001: 114). Nesse contexto, justiça-se o silêncio e a omissão em relação à violência contra a mulher tendo em vista a defesa da instituição familiar.
3.2.4 – A família e a criança e o adolescente
Três textos tratam da questão da criança e do adolescente em relação à família, tendo em vista a lei (ECA e Constituição) e o sistema judiciário. O sistema sócio-jurídico é um tema que começa a ser debatido no início do novo século no Serviço Social por envolver um grande número de assistentes sociais e questões muito complexas, especialmente ligadas à família.
O artigo de Abigail Aparecida de Paiva Franco (2001) retratou uma experiência vivenciada na cidade de Franca que substituiu a institucionalização de crianças e adolescentes pela família de apoio e teve resultados muito significativos.
Dalva Azevedo Gueiros e Rita de Cássia Silva Oliveira (2005) tratam da importância da convivência familiar para a criança e o adolescente. Reconhecem a dificuldade de se garantir esse direito, previsto em lei, frente à crise econômica, política e social por que passa o país, que gera uma série de problemas, afetando principalmente as famílias mais pobres. A convivência familiar se difere de uma camada social para outra, e em qualquer delas não se pode assegurar a capacidade protetora da relação parental. O desenvolvimento dessa condição na família está relacionado a fatores econômicos, culturais, sociais etc. Quando existem
deficiências, seus membros, entre eles as crianças e os adolescentes, ficam sujeitos a maior vulnerabilidade social. Assim, a crise por que passa o país repercute diretamente em muitas famílias que deixam de ter condições de prover os mínimos necessários à sobrevivência de sua prole, ocasionando transtornos para a convivência familiar. Essa deficiência no acesso a trabalho e políticas públicas ocasiona abandono de crianças porque os próprios pais ou responsáveis se sentem negligenciados pelo Estado, acarretando, em alguns casos, a necessidade de entrega desses filhos para serem criados por terceiros. Trazem alguns dados da prática de abrigamento, entre eles a informação de que, após a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, houve o crescimento da rede de abrigos, mesmo a lei prevendo priorizar a convivência familiar. Expõem que, na impossibilidade de convivência dos filhos com seus pais biológicos, também existe a possibilidade da família substituta, em lugar do abrigamento. Porém, tanto a prática de institucionalização como a família substituta somente são viáveis quando esgotados todos os recursos para que as famílias assumam os cuidados e educação das crianças e adolescentes.
Abigail Aparecida de Paiva Franco (2005) escreveu outro texto sobre família de apoio descrevendo as ações desenvolvidas ao longo da década de 1990 até o ano de 2004, relatando assim sua experiência como assistente social. O artigo decorreu da tese de doutorado6. Franco faz um detalhamento da ação para
implantação do programa, expondo marcos evolutivos na implementação, a busca da consolidação da política de acolhimento, formação do aparato jurídico e administrativo do programa, sistematização e regulamentação na esfera municipal e judiciária, configuração do trabalho de acolhimento e fontes de financiamento. O programa foi assumido pela Prefeitura de Franca, através da Secretaria de Assistência Social, Juizado da Infância e Juventude e Conselho Tutelar. Concluiu que para esse programa prossiga alcançando os resultados almejados deve continuar contando com as famílias de apoio que concretizam o acolhimento. Enfatizou também que o Estado só conseguirá eficiência na atenção da criança e do adolescente através do esforço comunitário. Esse deve atender aos anseios da população, tendo o devido amparo técnico e financeiro do Estado. Finalizou
6 A tese foi intitulada A família acolhedora na comarca de Franca, defendida em 2004, no Programa
de Pós-graduação em Serviço Social da UNESP/Franca sob a orientação da professora doutora Maria Rachel Tolosa Jorge.
ressaltando que a família de apoio em Franca é hoje uma política pública, fruto do esforço coletivo e da ação democrática e participativa.
3.2.5 – A família e o portador de transtorno mental
Lúcia Cristina dos Santos Rosa (2002) fez um balanço histórico da relação família com o portador de transtorno mental. Para a autora a família sofre com a enfermidade e ao mesmo tempo acaba sendo, muitas vezes, culpabilizada pelas causas da doença. Retorna a história desde o nascimento da psiquiatria para que os leitores possam entender o que ocorre na contemporaneidade na área. Relata que foi a partir dos anos de 1980, depois da reforma psiquiátrica, que o tema família na área de saúde mental passou a ter maior visibilidade.
3.2.6 – As políticas públicas para a família
Em 1991 a Revista publicou um artigo onde outra autora expôs que acredita no planejamento familiar. Relatando sua experiência Rosi Maria Sinja expõe o trabalho desenvolvido com funcionários (as) de uma empresa e seus familiares, onde a maioria das famílias conta com número de filhos acima de 4 e com renda familiar mensal em torno de 2 salários mínimos. A equipe que desenvolveu o projeto foi composta por assistente social, médicos e técnicos de medicina do trabalho. A assistente social ficou responsável pela atuação com as mulheres. A campanha atingiu 260 domicílios. Primeiramente atuou-se na prevenção de várias doenças, entre elas o câncer. Posteriormente prosseguiu-se com a implantação do programa de planejamento familiar, com reuniões, onde foram tratados os temas: câncer de mama, doenças sexualmente transmissíveis, AIDS, hipertensão, verminoses, vacinação etc. Rosi concluiu que pode sim haver um trabalho de planejamento familiar que obtenha resultados satisfatórios, desde que desenvolvido por pessoas
sérias e compromissadas e sem a interferência de órgãos governamentais que tenham outros interesses.
Maria do Carmo Brant (1993) lembra que a proteção e a promoção das famílias ficaram esquecidas por muito tempo, chegando-se a minimizar o seu papel social. O Estado acreditou que poderia garantir a reprodução, proteção e socialização dos membros das famílias. O indivíduo foi eleito politicamente como foco de atenção das políticas públicas. O trabalho com famílias passou a ser periférico e, na maioria das vezes, como uma prática conservadora e disciplinadora. Assim, quando se atuava com família, ela não era o alvo, mas a mulher, a criança, o idoso, o deficiente, o negro e outros. Na contemporaneidade, com o descaso do Estado com as políticas sociais, ressurgiram a família e a comunidade. A família, como unidade econômica e como direito da criança. A comunidade, como possibilidade de o Estado partilhar responsabilidades. Na atualidade a sociedade- providência brasileira é a base de proteção da família. É nela que as camadas populares se organizam para resistir e encontrar soluções para continuar sobrevivendo frente às carências e pobreza. Também é nela que se organizam redes não-governamentais de verdadeira solidariedade para auxiliar nos momentos de crise. Essa sociedade providência é composta por: solidariedade parental e conterrânea (parentes, vizinhos, compadres, como suportes nas situações difíceis), solidariedade apadrinhada (onde um ou mais membros da família mantêm laços próximos com as classes média e alta assegurando um canal de doação de roupas, remédios etc.), a solidariedade missionária (as várias igrejas através de seus programas pastorais, representam suporte espiritual, emocional, afetivo e material). A autora alertou para a necessidade de repensar as ações cotidianas destinadas às famílias, atentando em que situações elas vivem e quais suas reais necessidades.
Romeu Kazumi Sassaki (1993) expôs que 1994 foi proclamado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Família (AIF). Para tanto, haveria necessidade da junção de todos os setores da sociedade, envolvidos com essa questão, para organização dos preparativos das atividades a serem desenvolvidas nesse ano. Romeu propôs no informativo ações imediatas e inadiáveis a serem tomadas, explicou o que significa o emblema AIF, o tema, os objetivos e os princípios do AIF e sugeriu propostas para 1993 e 1994.
Adolfo Ignácio Calderón e Rosamélia Ferreira Guimarães (1994) destacaram que em 1994 estava sendo comemorado o Ano Internacional da Família e que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha da
Fraternidade com o tema: “A família como vai?” Os debates ocorridos nesse período foram em relação à importância da família como espaço de desenvolvimento e socialização dos cidadãos e da falta de programas sociais voltados para essa demanda. Também foi salientada a dificuldade de os trabalhadores sociais atuarem com famílias diferentes do modelo da nuclear burguesa. Expuseram sobre o modelo de família da linha teórica do funcional estruturalismo, dos novos arranjos familiares que existem na atualidade, na família ideal tão sonhada e outros (informações já constantes nos capítulos anteriores). Concluíram que muitos trabalhadores sociais não têm conseguido vislumbrar as mudanças que vêm ocorrendo nas estruturas das famílias ocasionando dificuldades para o trabalho cotidiano com elas.
Potyara A P. Pereira (1995) descreveu as mudanças ocorridas nas estruturas das famílias brasileiras, entre elas: queda da taxa de fecundidade, diminuição do número de casamentos e aumento das separações, alteração na composição da unidade familiar (novos arranjos), aumento do número de famílias monoparentais, ou seja, chefiadas por um só dos cônjuges, e de forma geral chefiada por mulheres viúvas, descasadas ou solteiras. Destacou, que na atualidade, não é mais concebível compreender somente a família como o modelo nuclear composto por pai, mãe e filhos, que existia há 50 anos. Também não se devem entender essas mudanças ocorridas nas estruturas das famílias como tendências negativas, ou sintomas de crise. As transformações que vêm ocorrendo com as famílias são conseqüências das transformações econômicas, políticas e culturais do Brasil. Também todas essas mudanças têm atingido e modificado os tradicionais mecanismos de solidariedade familiar. Para a autora o Estado deve continuar proporcionando políticas públicas, mas que atendam realmente a necessidade das famílias brasileiras.
Regina Célia Tamaso Mioto (1997) expõe sua preocupação quanto à relação teoria/prática colocando que existem poucas reflexões teóricas do serviço social na temática família, comparado ao que a categoria poderia contribuir uma vez que mantém contato direto com essa demanda cotidianamente. Informa alguns dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio – IBGE realizada em 1994 quanto às características da população brasileira para explicar as causas das mudanças ocorridas na configuração da família. Finaliza o artigo expondo que no espaço institucional a família não é atendida de forma integral, mas sim cada indivíduo
separadamente. Na realidade a família necessita de atendimento como um todo e não apenas um membro dela que necessita de atenção, como se cada problema não fizesse parte da mesma estrutura. Então os problemas identificados nas famílias devem ser analisados dentro de uma perspectiva de totalidade e fazendo parte de um processo de contínuas mudanças.
Dalva Azevedo Gueiros (2002) coloca sua preocupação quanto à ausência de políticas de proteção social voltadas às famílias brasileiras. Observa que o Estado vem se retraindo nesse campo e a família passou a ser vista como alternativa para o enfrentamento de determinados problemas sociais. Fez breve histórico da família, do processo de modernização em que ela está inserida, expôs questões atuais da família e finaliza o artigo enfatizando a necessidade de investimento público em políticas que assegurem efetivamente proteção social.
Regina Maria Giffoni Marsiglia (2002) apontou algumas características econômicas e sociais identificadas em famílias atendidas pelo Programa de Saúde da Família em São Paulo. Esclareceu que esse programa ganhou importância pelo Ministério da Saúde, principalmente a partir da segunda metade de 1990. Porém, somente conseguem atender famílias de uma área delimitada por grupos que vivem em piores condições de vida. Refletiu sobre as estratégias buscadas pelas famílias de baixa renda para enfrentar os problemas cotidianos numa metrópole. Esclareceu onde vivem essas pessoas, suas estrutura e composição, relações familiares, nível social, sociabilidade, problemas de saúde enfrentados e informou que, quanto à