3. BULGULAR 1 Hastaların demografik veriler
3.2. Hastaların hemodinamik değişiklikleri 1 Sistolik kan basıncı sonuçları
3.3.4. STAI testi (durumluluk ve sürekli kaygı ölçeği )sonuçları
Fonte: IPARDES, 2006.
Neste cenário de expulsão dos indígenas, espoliação dos recursos naturais, formação de uma aristocracia latifundiária e incorporação da região ao contexto econômico nacional, são necessárias também indicações, mesmo que breves, às estratégias governamentais que direcionaram para a região a instalação de colônias de imigrantes estrangeiros, sobretudo, ucranianos, russos, alemães e poloneses.
De acordo com Abreu (1981), já no final da década de 1840 houve uma tentativa, frustrada, de fixar colonos franceses no município de Guarapuava12. Posteriormente, no final do século XIX, obteve-se êxito com a instalação de colonos ucranianos e poloneses. Segunda a autora, em 1930 o território do município de Guarapuava contava com quatro colônias formadas por imigrantes europeus, sobretudo, poloneses. Essas ações governamentais para dotar o território de um contingente de imigrantes, especialmente, europeus ou descendentes destes, se repetiram seguidas vezes durante os anos subsequentes. O município de Quedas do
12 É importante destacar que os atuais territórios pertencentes às mesorregiões Centro-Sul, Sudoeste, Oeste e
parte do Noroeste do Paraná, bem como, o Oeste de Santa Catarina pertenceram, inicialmente, ao município de Guarapuava. De acordo com ABREU (1981, p. 25-26), a área primitiva do município de Guarapuava perfazia 175.000 km2, compreendendo os territórios entre os rios Ivaí, Paraná e Uruguai.
Iguaçu, no qual está o assentamento Celso Furtado, não fugiu a regra e o projeto de colonização polonesa é exemplo deste processo.
Apontadas as características estruturais que nortearam o processo de exploração econômica e se constituíram como base produtiva da mesorregião Centro-Sul do Paraná, considera-se que a estrutura social hodierna da região em estudo, é uma construção histórica e se relaciona à forma de ocupação da terra. Consequentemente, as relações patriarcais assentadas na preservação da grande propriedade latifundiária que conformaram os períodos históricos de inserção econômica da região, perduram nos dias atuais.
O poder e o controle político derivado do monopólio da terra também persistem nos municípios do Centro-Sul. Trata-se de territórios conservadores de poder, tal qual definiu Silva (2005) ao analisar o poder local e as relações políticas estabelecidas nessa mesorregião. Tal conceituação se assenta nas formações sociais arcaicas dos municípios, caracterizadas por relações políticas conservadoras, as quais são marcadas pela dominação de grupos político- econômicos, pelo clientelismo, oligarquismo e dominação patrimonial.
A atual concentração da terra na mesorregião é verificável na Tabela 2. Nesta, se somarmos a área das propriedades acima de 100 ha, percebe-se que as mesmas representam 64,3%, mas contemplam apenas 10,7% dos imóveis. Esta mesma operação realizada para as propriedades acima de 1000 ha, identifica que 20,8% das terras agricultáveis estão nas mãos de 0,5% dos proprietários. Esses dados evidenciam ainda mais as desigualdades em relação ao controle da terra ao analisarmos que 89,2% das propriedades se concentram nos estratos de 0 até 100 ha, entretanto dispõem de apenas 35, 6% das terras.
Tabela 2: Estrutura fundiária da mesorregião Centro-Sul paranaense – 2011
Classes de área (ha) Nº de Imóveis % Área (ha) %
Menos de 1 456 1,02 211,3721 0,008 1 a menos de 2 597 1,34 832,7805 0,03 2 a menos de 5 4.159 9,32 15.175,106 0,58 5 a menos de 10 5.748 12,88 42.974,0738 1,64 10 a menos de 25 16.522 37,03 281.163,5014 10,72 25 a menos de 50 7.812 17,51 277.293,5705 10,57 50 a menos de 100 4.510 10,11 316.797,7453 12,07 100 a menos de 200 2.493 5,6 345.616,1413 13,17 200 a menos de 500 1.671 3,74 509.256,287 19,41 500 a menos de 1000 425 0,95 288.375,1146 11 1000 a menos de 2000 149 0,33 204.981,0991 7,81 2000 a menos de 2500 36 0,08 80.155,5 3,05 2500 a menos de 5000 30 0,07 103.356,5 3,94 5000 a menos de 10000 7 0,015 52.304,9 2 10000 a menos de 20000 3 0,006 37.139,1 1,41 20000 e mais 2 0,004 67.632,6 2,6 TOTAL 4.4620 100 2.623.265,392 100 Fonte: INCRA, 2011.
A ocupação e organização do espaço do Centro-Sul paranaense se caracterizam, portanto, pela predominância das grandes propriedades. Muitas destas dedicadas, ainda nos dias atuais, à pecuária extensiva e a exploração comercial de madeira. Segundo o estudo do IPARDES (2004), estas características estruturais da base produtiva da mesorregião atrasaram sua inserção no processo de modernização agrícola e fizeram do Centro-Sul uma fronteira interna de ocupação, absorvendo os fluxos populacionais, sobretudo, do Norte e Oeste do Paraná.
Somente a partir de meados da década de 1980 com a intensificação das relações capitalistas e subsídios governamentais, que parte das áreas não utilizadas anteriormente para a agricultura, passa a ser incorporada à produção mecanizada de soja e milho com alto padrão tecnológico para a exportação. Mesmo assumindo significativa importância econômica na região, este processo foi setorizado e, ainda em 2004, predominavam imensas áreas de topografia plana inaproveitadas para a agricultura (IPARDES, 2004). Entretanto, a introdução da mecanização agrícola foi responsável pela expulsão de enorme contingente de camponeses que viviam paralelamente às margens das atividades principais anteriormente destacadas.
Em relação a atual utilização das terras do Centro-Sul paranaense, a Tabela 3 evidencia que 30,91% estão ocupadas com pastagens, 29,86% com florestas naturais e áreas de reflorestamento e 29, 51% dedicadas a lavoura temporária. Em relação às áreas com florestas naturais, 18,78% está destinada a preservação permanente. Mesmo excetuando as áreas destinadas a preservação da vegetação nativa, percebe-se o quão arraigado é, ainda, a participação da pecuária e da exploração madeireira nesta região. Enquanto as áreas com lavouras (temporárias e permanentes) somam 620.538 ha, às cobertas com pastagens e florestas para fins comerciais totalizam 811.505 ha.
Ao analisar o uso da terra na mesorregião Centro-Sul o estudo realizado pelo IPARDES (2004), alega que sua inserção no processo de modernização agrícola dos anos 1970 foi mais lenta e tardia. A explicação para o atraso estaria, principalmente, relacionada aos condicionantes físicos da região, como o relevo, vulnerabilidade erosiva e à fertilidade dos solos que impõem restrições ao uso pela mecanização agrícola. Os terrenos da região são compostos por 50% de relevo plano a suavemente ondulado (solos com aptidão agrícola mecanizada), 30% de relevo ondulado e 20% são áreas de relevo montanhoso com alta declividade (IPARDES, 2004; 2006). Além disso, 42% das áreas apresentam potencial à degradação devido à suscetibilidade erosiva dos solos (IPARDES, 2006).
Tabela 3: Utilização das terras da mesorregião Centro-Sul e Paraná – 2006
Utilização das terras Centro-Sul Paraná Área (ha) % Área (ha) % Total 1.932.813 100 15.391.782 100
Lavouras - permanentes 50.161 2,6 983.854 6,39
Lavouras - temporárias 570.377 29,51 5.414.528 35,18
Lavouras - área plantada com forrageiras para corte 14.034 0,73 111.998 0,73
Lavouras - área para cultivo de flores (inclusive hidroponia e plasticultura), viveiros de mudas, estufas de plantas e casas de
vegetação 157 0,01 2.412 0,02
Pastagens - naturais 143.740 7,44 1.315.401 8,55
Pastagens - plantadas degradadas 43.685 2,26 293.053 1,9
Pastagens - plantadas em boas condições 409.858 21,21 3.124.615 20,3
Matas e/ou florestas - naturais destinadas à preservação permanente
ou reserva legal 362.917 18,78 2.000.948 13
Matas e/ou florestas - naturais (exclusive área de preservação
permanente e as em sistemas agroflorestais) 128.208 6,63 648.420 4,21
Matas e/ou florestas - florestas plantadas com essências florestais 86.014 4,45 619.166 4,02 Sistemas agroflorestais - área cultivada com espécies florestais
também usada para lavouras e pastoreio por animais 44.654 2,31 165.487 1,08
Tanques, lagos, açudes e/ou área de águas públicas para exploração
da aquicultura 5.230 0,27 50.421 0,33
Construções, benfeitorias ou caminhos 35.516 1,84 449.157 2,92
Terras degradadas (erodidas, desertificadas, salinizadas, etc.) 3.140 0,16 13.812 0,09 Terras inaproveitáveis para agricultura ou pecuária (pântanos,
areais, pedreiras, etc.) 35.159 1,82 198.842 1,29
Fonte: IBGE - Censo Agropecuário, 2006.
É assertiva, na análise do uso da terra, a consideração dos aspectos físicos que configuram as distintas paisagens da mesorregião. Todavia, a influência dos condicionantes físicos não é preponderante, deve-se, sobretudo, considerar o processo histórico que atuou na conformação da base produtiva, estabelecendo a dinâmica econômica e as relações de poder, que conjuntamente, formaram a organização da sociedade no Centro-Sul paranaense. Partindo desse pressuposto, a atual configuração do uso do solo e até mesmo o atraso da modernização agrícola estão relacionados ao predomínio do latifúndio e ao poder político que este possui na região. Em outras palavras, a terra na mesorregião desde muito tempo vem sendo usada como reserva de valor. Trata-se da especulação da renda da terra, da cobrança de tributos à sociedade pelo fato dos latifundiários deterem o monopólio sobre a estrutura fundiária. Essa característica latifundiária reflete na extrema desigualdade social vivenciada na mesorregião, manifesta, por exemplo, na proporção de famílias pobres, que no ano de 2000, era de 36,98% do total de famílias (IPARDES, 2003), consequentemente a maior do estado. Sete dos doze municípios mais pobres do Paraná, em 2000, localizavam-se no Centro-Sul (IPARDES, 2004).
Tomando como referência os dados do Censo Demográfico de 2010 (IBGE, 2010), e utilizando o parâmetro de ½ salário mínimo mensal per capita, índice usado pelo
Governo Federal para identificar as famílias de baixa renda e incluí-las no Cadastro Único para Programas Sociais, verifica-se que grande parcela da população do Centro-Sul paranaense se enquadra nessa faixa salarial. Ao analisar a Tabela 4 constata-se que dos 29 municípios que integram a mesorregião, 17 possuem mais de 50% da sua população recebendo até ½ salário mínimo, sendo que dos restantes todos possuem acima de 30% da população nessa mesma situação. Ao levarmos em consideração a proporção de pessoas com renda familiar per capita de até de R$ 70,00 mensais, consideradas em situação de extrema pobreza e prioritárias no atendimento pelos programas sociais do Governo Federal, como o Bolsa Família, confirma-se a situação de desigualdade social vivenciada pela população do Centro-Sul do Paraná. A Tabela 4 demonstra essa conjuntura, que a nosso ver, é fruto da estrutura social pela qual foi se formando essa região, ou seja, assentada no latifúndio, na concentração da terra e na garantia de poder político e econômico que esta lhe assevera.
Tabela 4: Proporção de pessoas com renda familiar per capita de até R$ 70,00 e até ½ salário mínimo mensal residentes na mesorregião Centro-Sul do Paraná – 2010
Municípios Até R$ 70,00 (%) Até 1/2 salário mínimo (=R$ 255,00) (%) Municípios Até R$ 70,00 (%) Até 1/2 salário mínimo (=R$ 255,00) (%)
Boa Ventura de São Roque 9,2 54,9 Marquinho 11,9 57,3
Campina do Simão 13,9 60,7 Mato Rico 12,5 60,2
Candói 9,6 52,0 Nova Laranjeiras 18,0 61,6
Cantagalo 8,3 53,0 Palmas 3,6 42,7
Clevelândia 4,2 39,3 Palmital 10,1 55,6
Coronel Domingos Soares 10,8 58,2 Pinhão 11,9 55,8
Espigão Alto do Iguaçu 13,9 50,3 Pitanga 6,3 44,1
Foz do Jordão 6,5 49,4 Porto Barreiro 10,1 48,5
Goioxim 15,4 64,6 Quedas do Iguaçu 9,6 44,9
Guarapuava 2,2 32,5 Reserva do Iguaçu 11,4 54,8
Honório Serpa 7,9 47,2 Rio Bonito do Iguaçu 13,9 58,5
Inácio Martins 7,1 59,3 Santa Maria do Oeste 11,8 59,3
Laranjal 15,2 67,8 Turvo 5,4 49,1
Laranjeiras do Sul 4,5 37,2 Virmond 4,8 39,6
Mangueirinha 7,2 44,3
Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2010.
O Mapa 10 espacializa os dados da renda familiar per capita de até R$ 70,00 e até ½ salário mínimo mensais para todo o estado do Paraná, destacando os municípios da mesorregião Centro-Sul paranaense.
Mapa 10: Proporção de pessoas com renda familiar per capita de até R$ 70,00 e até ½ salário