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THE EFFECTS OF PUBLICITY ACTIVITIES ON PATIENT SATISFACTION: A RESEARCH IN THE PRIVATE HEALTH SECTORS

3. PUBLIC RELATIONS IN HEALTH SECTORS AND PROMOTION PROGRAMS

4.5. Chi Square Test

Durante as oficinas, observei que os jovens estavam sempre em subgrupos. Muitos se preocupavam em receber alguma doação de camisas, tênis, coisas materiais. Escolhi uma oficina para que eles falassem do que buscavam no Lar, do que aquele lugar representava para eles, se realmente se importavam apenas com as questões materiais.

Perguntei se conheciam a história da Casa de Fernando, tendo um “não” como resposta. Indaguei-lhes se sabiam quem eram os fundadores, se em algum momento alguém havia falado que eles eram espíritas. E disseram que não. Então, comecei a relatar brevemente a história do Lar para ver as impressões deles. Comprovei que junto a eles não havia menção às questões históricas como também de orientação religiosa ou confessional.

Depois, pedi que registrassem suas impressões, quais sentimentos os motivavam a ir ao grupo ou os ligavam ao Lar. Observei que eles gostavam muito de arte, então levei tintas, cartolinas e cera que pudesse ser derretida e pedi que representassem seus sentimentos. Nesse dia, eu estava com problemas pessoais; eles perceberam minha tristeza. Fizeram muitas árvores e imagens coloridas.

Ao final, um deles me deu uma das imagens feitas e disse: “Tia, a senhora é como

essa árvore, por onde passa deixa sementes e frutos. Essas árvores pequenas somos nós”. Então, não pude dizer nada. Apenas agradeci o presente e fiquei muito sensibilizada, percebendo que, para eles, naquele momento, eu já fazia parte do contexto do Lar.

Imagem 19 – Representação de sentimentos (1)

Fonte: Acervo próprio (2015).

Outros jovens pintaram muitas árvores. Um deles disse que aquela era a árvore da vida; não falou muito, apenas disse que a árvore representava o Lar.

Imagem 20 – Representação de sentimentos (2)

O Lar, para outros, era espaço de formação, encontro com outros jovens, lugar de fazer amizades e local de crescimento espiritual. Segundo Dayrell (2007, p. 111), as turmas de amigos são uma referência na trajetória das juventudes, “[...] é com quem eles fazem programas, ‘trocam idéias’, buscam se afirmar diante do mundo adulto, criando um eu e um nós distintivos”. Sobre a relação da amizade e as juventudes, Matos (2003, p. 51) complementa:

No geral, os jovens se referem à amizade como uma das dimensões mais significativas na sua vida e indicam que os amigos são importantes por diversos aspectos: são companhias que os tiram da solidão, companheiros para contar e confiar em todos os momentos, pessoas que contribuem para o seu crescimento e amadurecimento, são os que ajudam nos momentos mais difíceis, levantam o astral, os que compreendem e partilham alegrias e tristezas, e aqueles que por vezes tomam até o lugar dos familiares.

Damasceno (2001), sobre essa questão, sugere que, através dessas relações grupais, os indivíduos vivenciam experiências, interpretam relações, contradições entre si. A sociedade estabelece nessa troca sua própria cultura. Os amigos, consoante Pais (1990), são o espelho da identidade do grupo; por meio das relações, vão se fixando semelhanças e diferenças em relação aos outros, dessa maneira o jovem vai constituindo sua identidade.

Acredito que essa rede de sociabilidade e amizade é fundamental para o exercício do diálogo e da empatia entre as juventudes e necessariamente colabora para uma cultura de paz. Dayrell (2007) me auxilia nesse aspecto quando diz que a sociabilidade entre as juventudes é fator que colabora para comunicação, solidariedade, autonomia e trocas afetivas. Em muitos encontros depois das oficinas nos subgrupos, os jovens marcavam saídas à praia de bicicleta, voltas pela comunidade, idas à casa de amigos. O bairro não apresenta locais ou opções de lazer direcionados aos jovens. Segundo Borelli, Rocha e Oliveira (2009), viver nas metrópoles implica um desafio muito grande para os jovens, por vezes é a inserção numa vivência cotidiana dolorosa e intransponível com situações de exclusão, que incluem também os espaços de sociabilidade e cultura.

Por intermédio das tintas, realizaram ainda outras impressões. A arte como linguagem possibilitou-me ouvir o que os jovens não conseguiam expressar em palavras (DUARTE, 2008). As tintas, as ceras derretidas artesanalmente e os lápis de cor e de escrever eram agora os meios de traduzir os sentimentos, os pensamentos. Ao longo das atividades, observei que interagiam, dialogavam nos subgrupos, trocavam experiências e, através das expressões, iam elaborando ideias e sentimentos.

Imagem 21 – Produção de pinturas (1)

Fonte: Acervo próprio (2015). Imagem 22 – Produção de pinturas (2)

Na representação do céu e do inferno, o Lar era o céu, lugar de acolhimento, socialização e proteção. E o inferno era a comunidade, cheia de desafios e dificuldades na ótica dos jovens. Um dos jovens disse diante da imagem: “Tia, o bairro da Jurema não é tão

inferno assim, mas o Lar realmente é o céu. Se eu pudesse, passava o dia no Lar”.

O Lar era o centro norteador de muitas expectativas. O Lar é tudo o que alguns possuem, espaço de formação e de socialização diante da realidade desigual e violenta. Quando perguntei a eles como se sentiam em relação ao Lar, disseram que se sentiam acolhidos e protegidos.

Aqui tem várias atividades, oficinas. Os jovens que estão aqui estão fora do mundo da droga.

Eu venho para cá porque eu gosto e quero aprender coisas novas.

A minha mãe me pede para vir para cá. Ela não gosta que eu escute música em inglês, ela acha que é coisa do demônio. Como aqui eu não escuto, então ela me manda para cá. Mas eu gosto de vir.

Quando eu cheguei, me jogaram no grupo de jovens e achei que ia ser chato, mas depois o Lar foi me inspirando para muitas coisas.

O que me motiva a estar aqui é o esforço e o empenho do educador, ele dá o máximo pela gente, ele nos inspira, e a gente é tão bem tratado aqui no Lar que é como se fosse a nossa segunda casa. O que me inspira a estar aqui é o meu futuro. Aqui no Lar eu me sinto seguro, protegido.

Imagem 23 – Pintura feita pelos jovens (1)

O Lar, na ótica deles, também era espaço de sociabilidade em que encontravam outros jovens, produziam arte e trocavam experiências. Dayrell (2007, p. 1111) nos diz que a sociabilidade expressa nas juventudes uma dinâmica contínua de relações, “[...] com as diferentes gradações que definem aqueles que são os mais próximos (‘os amigos do peito’) e aqueles mais distantes (a ‘colegagem’), bem como o movimento constante de aproximações e afastamentos, numa mobilidade entre diferentes turmas ou galeras”. Perguntei-lhes se algo havia mudado em suas vidas depois da participação no grupo de jovens.

O modo de agir com as pessoas.

O jeito de falar, o jeito de agir, de me comportar; eu mudei bastante.

A forma de eu pensar, de agir, mudou a minha vida. Cada vez que eu venho para cá, é uma coisa nova que eu aprendo: a amar o próximo, a respeitar, é tudo. Eu brigava muito com minha irmã. Agora eu e ela somos mais unidas, eu não tinha essa confiança nela quando vim para cá, eu fui adquirindo.

Mudou tudo. Eu vivia na rua, vagabundando. Não queria fazer nada em casa, minha mãe falava as coisas comigo. Depois que vim para cá, minha mãe me respeita, e eu a respeito. Não mudou muita coisa. Não parece, mas eu sou chata e ignorante e continuo a mesma pessoa, mas agora eu estou me esforçando para mudar.

Eu era muito ignorante. Vivia brigando com meu irmão, saindo aos murros com ele. Depois que eu entrei aqui, eu comecei a ver que as coisas não funcionam assim, que eu não posso ter tudo o que eu quero sem me esforçar.

O que mudou em mim foi a questão de se esforçar para conquistar tudo o que eu quero, sair da zona de conforto e aprender a me unir.

A experiência no grupo de jovens os auxiliava a rever seus valores. Eles, à medida que refletiam, interagiam, refaziam-se, projetavam um novo eu. Dos aspectos que me chamaram a atenção em alguns jovens, especialmente no turno da tarde, destaco a capacidade de realizar autoavaliação de maneira crítica; diante das suas dificuldades e potencialidades, geravam amor próprio, aceitação e desejo de seguir em frente.

Alguns jovens do turno da manhã demonstravam em alguns momentos apatia e desânimo. Quando lhes perguntava sobre impressões, sonhos, projetos de vida, pouco falavam. Decidi dedicar um encontro apenas para que falassem de si, dos sonhos.