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AN INVESTIGATION INTO THE MANAGEMENT OF CHANGE IN PRIVATE SECTOR HEALTHCARE ORGANISATIONS IN

3. FINDINGS AND ANALYSIS

3.4 Spearman correlations coefficient analysis

Comecei as reflexões tentando registrar suas percepções sobre valores humanos antes de qualquer intervenção teórica. Depois realizei reflexão sobre os valores humanos dialogando com alguns autores. Martinelli (1999, p. 15) afirma que os valores humanos são “[...] fundamentos morais e espirituais da consciência humana” que se relacionam ao caráter e refletem-se na conduta como uma conquista espiritual da personalidade. Mesquita (2003, p. 21) complementa:

Os valores humanos consistem no conjunto de qualidades que nos distinguem como seres humanos independentemente de credo, raça, condição social ou religião. Inerentes ao homem, as qualidades verdade, retidão, paz, amor e não-violência constituem o conceito que chamamos de excelência humana.

O conceito de valores humanos compreende uma diversidade de visões, ou seja, liga-se aos aspectos cognitivos, afetivos e espirituais. Mello (2009) destaca a eclosão de propostas relacionadas à formação humana e aos valores, compreendendo aspectos ambientais, sociais e também espirituais. Lima (2008) compreende valores humanos como o conjunto de virtudes que compõem a essência do ser humano. Para Sponville (1999), a virtude de um ser é o que constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria. Para o autor, as virtudes são nossos valores morais:

Toda virtude é, pois, histórica, como toda a humanidade, e ambas, no homem virtuoso, sempre coincidem: a virtude de um homem é o que o faz humano, ou antes, é o poder específico que tem o homem de afirmar sua excelência própria, isto é, sua humanidade (no sentido normativo da palavra). Humano, nunca humano demais. (SPONVILLE, 1999, p. 2).

Jares (2007) convida à reflexão ante os valores hegemônicos presentes na sociedade, correlacionando, em paralelo, uma reflexão perante a cultura da violência, da injustiça social, do descaso à condição humana presentes na sociedade ocidental, estabelecendo um elo, no sentido de possibilitar, através da educação, reflexão que favoreça certa modificação ou superação desse contexto, que o autor chama de anti-valores, no sentido de que “Não se trata, portanto, de ensinar o bem ou o mal, mas de propiciar discussões sobre os mecanismos utilizados cotidianamente, de acordo com valorações implícitas da cultura vigente” (JARES, 2007, p. 161). As educadoras interagiram bem, conseguiram correlacionar muito dos conceitos à sua prática pedagógica, afirmaram que a família possuía um papel fundamental nesse processo, não eximindo a escola, mas direcionando aos pais esse papel como fundamental.

Nesse aspecto, refletiram sobre a repercussão do trabalho que faziam com as crianças e avaliaram como positivo, sem maiores considerações. Consideravam a ESI uma metodologia em educação em valores; quando apresentei outras propostas educativas semelhantes, ficaram maravilhados e motivados.

Entendo que a Educação em Valores Humanos, de uma maneira geral, convida os educadores a uma prática que se relaciona também a uma postura individual, de crenças e de valores íntimos. Nesse sentido, concordo com Jares (2007) quando postula que a educação não é asséptica de valores, mas carrega em si mesma a herança cultural, os valores de seu tempo, sendo o educador partícipe desse processo, atuando como mediador do conhecimento e dos valores que também carrega, sua postura certamente haverá de influenciar todo o processo formativo. Seguindo as reflexões propostas junto aos educadores, iniciei o diálogo sobre a questão da paz. Inicialmente os educadores relacionaram paz à questão interior e ao estado de quietude, como se pode ver adiante:

Eu vejo como algo necessário e se fala muito; não é fácil, é um estado de espírito.

É o equilíbrio de cada um.

Paz é a harmonia que contempla a beleza de Deus. É estar feliz, ter harmonia sem conflitos.

Paz é comungar com seus valores, com os valores em que se acredita. Paz é viver bem com a família, é limpeza da alma.

É estar em paz com tudo ao seu redor, paz é tranquilidade. Paz é olhar o vai e vem das ondas do mar e internalizar os valores.

É estar bem com os outros, é respirar e dizer como é bom viver.

É viver harmonicamente consigo mesmo. Emitir energias positivas. Estar feliz e transmitir ao próximo.

É a ausência de conflito, é a paz do Cristo. Paz é internalizar a prática do bem.

Paz é harmonia do espírito. É uma reforma interior, reforma íntima.

Percebi que o conceito de paz interior estava presente nas falas dos educadores. O conflito apareceu de forma negativa, sendo a paz a ausência do conflito. Jares (2007) sugere o conflito como natural à condição humana, estabelecendo a importância de uma nova ótica da paz, no sentido de buscar formas positivas e não violentas de lidar com o conflito, exercitando o diálogo e a alteridade. A paz não se configura como um estado de tranquilidade em que não haja conflito, mas se trata de um processo dinâmico e positivo que fomenta o diálogo e a cooperação entre as pessoas. Para os educadores, esse olhar relacionado à paz interior aos poucos foi se ampliando para uma ótica da paz positiva.

Realizando uma avaliação do trabalho efetivado, pedi que pensassem, a partir das reflexões surgidas nas oficinas, projetos pedagógicos que poderiam ser realizados no Lar. As ações pensadas foram: harmonização, educação holística, gentileza e otimismo, todas para aplicação com as crianças. Na avaliação final, registraram:

Foram momentos maravilhosos, onde, através desta oportunidade do curso, obtive vários conhecimentos e experiências contadas que serviram para crescer mais ainda na vida profissional. (EDUCADORA PAZ).

A formação foi um leque de conhecimentos para mim enquanto pessoa. O estudo da educação holística e tradicional foi de suma importância para tirar dúvidas. O método trabalhado foi bem elaborado e dinâmico. Os textos discutidos vão com certeza fazer diferença nas nossas práticas como educadoras. O espaço que você, como formadora, nos proporciona nos enriquece com os intercâmbios e conhecimentos. (EDUCADORA HARMONIA).

Pretendia prosseguir com as oficinas junto aos educadores. Tinha como proposta realizar projetos de formação continuada que se ligassem à questão da paz a partir de suas sugestões, mas se tornou inviável devido a mudanças, choques de horário27. Realizei ainda no último encontro exposição de ações relacionadas à cultura de paz, técnicas e terapias. Das propostas, pedi que escolhessem qual tema gostariam de aprofundar e escolheram a

27 Tinha como prioridade o estudo sobre a cultura de paz. Em acordo com a orientadora desta pesquisa, alterei o

foco dos estudos para as juventudes, alinhando o estudo ao eixo Educação Ambiental, Juventude, Arte e Espiritualidade, ao qual me vinculo, junto ao programa de pós-graduação.

biodança28. Realizei ainda mais dois encontros com a colaboração da educadora Fabíola Ximenes em 2015 e 2016. No último encontro, pedi aos 15 educadores que registrassem quais repercussões haviam tido em suas vidas e na prática pedagógica pertinente à participação nas oficinas. Registraram por escrito que:

As contribuições dos encontros nos quais abordamos sobre valores tão fundamentais para nós, seres humanos, foram de grande importância, pois foram momentos de vivências marcantes, de atividades como: dinâmicas, preces, relaxamentos, reflexões que nos ajudam a viver e a ver a vida de forma significativa.

As oficinas têm proporcionado realizar as atividades com um olhar mais cuidadoso, preocupado com o outro. Têm despertado uma vontade de fazer diferente, tentar outras práticas, outros métodos. Para muitos educadores que não têm a oportunidade de se aprimorar, esse, sim, é um momento único e oportuno.

O curso cultura de paz veio somar aos nossos conhecimentos, o mesmo contribui para melhorar nosso trabalho com as crianças e com o nosso próximo na construção de um mundo melhor.

A aplicação do curso permitiu maior conhecimento acerca da metodologia sugerida pelo Lar Fabiano de Cristo para trabalhar a essencialidade do ser. Os valores trabalhados contribuíram para que, no cotidiano das ações, algumas temáticas fossem realizadas baseadas nos fundamentos apresentados. Um ponto forte foi a realização de vivências que oportunizaram mais integração dos educadores.

Foram momentos maravilhosos que nos deram oportunidade de crescermos e compartilharmos nas experiências uns com os outros. Muito proveitosos e agradáveis, onde aprendemos novidades para o nosso próprio convívio.

Foram momentos maravilhosos. Foi possível enriquecer a minha prática pedagógica, me apropriei melhor da metodologia e pude melhor compreender esse universo tão rico e maravilhoso. Foi possível, através do mesmo, melhorar a minha vivência em sala de aula e no meu dia a dia.

Os momentos foram proveitosos. Ampliou nossos conhecimentos e nos fortaleceu internamente. Foi muito rico em conhecimento e nos favoreceu enquanto seres, me senti cuidada para possivelmente cuidar.

As técnicas e práticas me envolveram em uma busca de melhorias no conviver com meu eu e com o do outro (meu irmão).

Ao final, observei que eles se tornaram mais empáticos e acolhedores. As oficinas haviam proporcionado reflexão sobre a prática, envolvimento com o grupo e maior respeito mútuo. Havia uma maior intimidade entre eles, no último encontro, numa das dinâmicas, abraçaram-se por mais de 20 minutos e choraram bastante nas vivências de cuidado mútuo favorecido pela biodança.

Através das oficinas, eles puderam refletir e, na prática da biodança, vivenciar os valores que ensinavam, a exemplo do acolhimento e da tolerância, realizando mudanças

28 A biodança, desenvolvida por Rolando Toro, significa literalmente dança da vida. É uma técnica que integra a

significativas. A afetividade presente nos encontros os mobilizou. Concordo com Sampaio (2007) no sentido de que o afeto se encontra ligado às escolhas e assume a posição de força motriz, interferindo nas atitudes dos indivíduos, nos pensamentos, nas ações. Encerrei o ciclo das oficinas com carinho e muita gratidão ao Lar Fabiano. Realizei ainda entrevistas com o coordenador do grupo de jovens e uma educadora da educação infantil. Chamo o educador dos jovens de “educador de sonhos”, pois ele é um dos grandes responsáveis pelos sonhos e esperanças dos jovens do Grupo Ruah. E a educadora se chama “amor”, pelo cuidado, carinho e acolhimento com as crianças.