2.2. Uluslararası Deniz Hukuku Sözleşmeleri
2.2.2. Uluslararası Deniz Hukuku Sözleşmeleri Uyarınca Norveç Tarafından Spitsbergen
2.2.2.3. Kıta Sahanlığı
2.2.2.3.2. Spitsbergen Antlaşması’na Taraf Diğer Ülkelerin Ulusal Çıkarları
Para a escolha da escola pública em que foi realizada esta pesquisa adotamos os seguintes procedimentos: a) realização do levantamento de escolas estaduais públicas no caso específico, em Belo Horizonte, Minas Gerais, através da rede mundial de computadores que divulgassem em seus sítios propostas de trabalho relacionadas à juventude; b) mapeamento de 9 (nove) instituições escolares e, a partir dos dados obtidos no Censo Escolar de 201124, foi feito uma análise minuciosa de cada uma delas. Os dados do Censo possibilitaram-nos averiguar a heterogeneidade do alunado referente às seguintes categorias: étnico-racial, faixa-etária, gênero, deficiência, etc.
Com isso, identificamos que a realização de pesquisas nas instituições estaduais públicas de ensino não tem sido uma tarefa fácil. Neste caso, nossa entrada no campo ocorreu devido à relação de amizade entre o pesquisador com a coordenadora pedagógica da instituição.
A pesquisa foi então realizada numa escola estadual25 durante sete meses. A
instituição localiza-se na Regional Centro-sul de Belo Horizonte, que tem uma população estimada de 260.524 habitantes26. Ela está localizada num ponto da cidade cercado de construções de alto padrão construtivo. O turno diurno foi escolhido para a realização do
23 A sigla GDE significa Grupo de Discussão de Estudantes e a numeração subsequente é referente ao grupo em
que o depoimento foi extraído. No caso do Grupo de Discussão realizado com os Docentes, a sigla utilizada é GDD. Por motivos éticos de pesquisa, todos os nomes próprios utilizados, além de serem fictícios, vinculam-se a nomes de autores e autoras da Literatura Afrobrasileira, bem como eminentes professores e professoras negras de ontem e de hoje. Essa singela homenagem é relacionada à produção da memória, da história e da luta da população negra brasileira. A lista completa dos nomes das personalidades encontra-se no apêndice do trabalho.
24 Agradecemos ao sociólogo Matheus Faleiros Silva pelo auxílio no tratamento dos dados do Censo Escolar. 25 Após algumas tentativas para conseguir a entrada no campo foi concedido o aceite por esta instituição no
início do ano letivo de 2013.
26 A história da região Centro-Sul confunde-se com a criação da cidade de Belo Horizonte. A região concentra o
polo do comércio e serviços da cidade. Durante a década de 80, a região sofreu as mais intensas transformações. É a região mais rica e densamente povoada da Grande BH. Atualmente, a região Centro-Sul é formada por 49 bairros, possui área territorial de 32,49 Km2 e população de 260.524 habitantes. Dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Resultados da Amostra do Censo Demográfico 2000. Disponível em: <http://www.pbh.gov.br/prodabel>. Acesso em: 07 mai.2013.
trabalho. Nesse turno, verificamos um número reduzido de estudantes cursando o 3º ano, e que apresentam defasagem série/idade. O público estudantil atendido na escola reside em diferentes bairros da região metropolitana de BH. São 3.000 jovens atendidos na escolaridade média, que se encontram distribuídos em três turnos: 1.370, manhã; 975, tarde e 655, noite.
O início da observação participante27 foi no final do mês de abril de 2013. A acolhida da pesquisa pelos estudantes na turma 30928 foi receptiva. Afinal, eles ficaram lisonjeados com o fato de a sala deles ter sido a escolhida. Com o passar do tempo, minha presença na sala foi por eles ressignificada a ponto de tornar-me um dos principais interlocutores de escuta para os seus desabafos: “nossa, somos importantes, pois faremos parte de uma pesquisa de doutorado da UFMG!”, “está vendo aí como nós sofremos”, “já dá para imaginar o resultado desta pesquisa, pois o comportamento desta turma não é fácil, risos”. Não obstante, conseguir a confiança deles constituiu-se num processo lento e gradativo. O estabelecimento de uma relação dialógica mais direta com os líderes de determinados agrupamentos juvenis demorou vários meses.
A seleção da turma para realizar a observação participante seguiu os seguintes procedimentos: a) a coordenadora do diurno disponibilizou as listas de todos os estudantes matriculados naquele turno, sendo que nelas constavam informações29 do número de alunos por sala, idade de nascimento e sexo; b) foi feito um mapeamento de sala, o que, além de possibilitar a visualização do perfil discente, permitiu-nos construir o quadro panorâmico da situação do ensino médio diurno. A própria instituição não possuía essa informação de maneira mais organizada.
27 As observações foram realizadas nos seguintes dias da semana: segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira.
Concordamos com Vianna (2007, p. 52), quando se refere que, neste tipo de observação, o pesquisador tem a oportunidade de observar e interagir com os sujeitos. Permite ainda ao pesquisador participar e obter acesso à atuação e a ação das pessoas.
28 Por motivos éticos de pesquisa este e demais números utilizados para identificar as turmas são fictícios. 29 Quanto à identificação de raça/cor dos estudantes, não foi possível mapear, pois apenas a secretaria da escola
a dispõe. Em conversa informal, a secretária identificou como “problemática” a informação referente à identificação racial. Por se tratar de uma heteroatribuição étnico-racial realizada pelos familiares e/ou responsáveis, pois, por lei os jovens lhes são tutelados, não significa necessariamente que a cor/raça atribuída seja a mesma identificada pelos jovens. Essa informação alertou-nos para o fato de que os dados contidos no Censo Escolar, referentes ao quesito cor/raça dos estudantes, merecem ser mais problematizados.
TABELA 1 - O Perfil Discente do 3º ano do Ensino Médio Mapeamento Diurno Salas Sexo M / F Idade/série adequada nascidos em 1996 N. de alunos que consta
na sala
Defasagem Idade/série nascidos em 1995 N. de alunos que consta
na sala 301 14 18 12 31 302 11 22 12 33 303 15 16 13 31 304 12 22 15 34 N. elevados 305 11 21 8 31 306 12 20 17 32 N. elevados 307 12 20 17 32 N. elevados 308 12 20 23 32 19 32 309 11 21 22 32 8 32 310 13 18 7 31 311 12 19 14 31 312 11 20 11 31 313 12 20 8 31 314 11 20 19 31 20 31 315 15 17 11 31 317 11 21 9 32 319 11 21 17 32 N. elevados 321 11 20 11 31 323 13 20 11 33 325 13 20 13 33 327 14 19 15 33 N. elevados 329 14 17 10 31
Fonte: Extraído do Diário de Campo, 29/04/2013. Legenda:
Maior número de estudantes em série/adequada.
Maior número de estudantes em defasagem idade/série levando em consideração os anos 1993, 1994 e 1995. Sala selecionada para realizar a observação participante.
Após o mapeamento, a turma 309 foi escolhida por apresentar estudantes com baixo índice de defasagem idade/série, uma representatividade distributiva por sexo, e a presença de jovens negros e brancos. Algum tempo depois, tomamos conhecimento de que esta turma, na opinião dos docentes, é a que apresenta o desempenho escolar mais satisfatório, entre as demais turmas do terceiro ano.
A esse respeito, desde a nossa entrada a campo, a direção da escola apresentou- nos a demanda de fazer o mapeamento sobre o perfil dos estudantes do 3º ano. Neste caso, além de coletar os dados da turma 309, decidimos aplicar também um questionário nas demais turmas. Nele, buscamos assegurar questões que nos permitissem identificar as expectativas, os projetos de vidas, bem como as percepções das desigualdades sociorraciais, tanto dos jovens negros, quanto dos brancos. Cabe ressaltar que a aplicação desse instrumento alterou a rotina escolar. A presença da equipe de aplicadores despertou bastante i
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a curiosidade, tanto dos jovens estudantes, quanto a dos seus professores. Afinal, por se tratar de um número considerável de estudantes, a equipe de aplicadores foi constituída por 11 pessoas30. As entrevistas foram realizadas no corredor central da escola, com duração em média de cinco minutos por entrevistado. O procedimento de coleta de dados ajudou na troca de informações a respeito da percepção dos entrevistados. Nesse momento, foi possível coletar impressões mais gerais dos estudantes do 3º ano do ensino médio. Nele percebermos, por exemplo, a reação contrária de muitos estudantes à adoção de cotas na universidade. Cada reação ou impressão coletada foi registrada no diário de campo e, posteriormente, aprofundada e debatida na entrevista em grupo. O questionário foi aplicado em todas as salas do ensino médio do diurno, durante quase uma semana.
A seleção dos jovens respondentes do questionário se deu de maneira aleatória. A escolha de participação deles obedeceu ao critério de um sorteio por meio do número de chamada. Após a categorização dos dados coletados, foi entregue à direção uma cópia do material. Ela, então, se comprometeu em apresentá-los aos demais profissionais da educação que atuam na instituição.
Foram aplicados 243 questionários para a composição amostral. Para efetuarmos os cálculos da amostragem, conferimos a quantidade de alunos frequentes nas salas de aula, a partir das listas de chamadas disponibilizadas. Verificamos que 595 estudantes frequentavam o terceiro ano no mês de aplicação do questionário. A partir daí, fizemos o cálculo da amostragem, com erro de 4%. O resultado obtido consistiu em uma amostragem estatística31 significativa de um total de 243 questionários respondidos. Para realizarmos a organização e o tratamento de dados coletados utilizamos o Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 11.
Do total de jovens entrevistados, 97 (39,9%) são do sexo masculino, e 146 (60,1%), do sexo feminino. Essa informação corrobora com os dados obtidos do Censo de 2010 realizado pelo IBGE (2010), que apontam o índice de maior escolaridade do sexo feminino na educação média em todo país.
No tocante à interação entre pesquisador (adulto), estudantes (jovens) e docentes (adultos), buscamos privilegiar a participação em todas as atividades realizadas extrassala, sobretudo nos momentos de socialização. Buscamos participar em praticamente todas as brincadeiras propostas pelos jovens durante o momento do intervalo das aulas. Geralmente,
30 O questionário foi aplicado oralmente com a duração média de 5 minutos cada, durante uma semana.
31 A realização do cálculo da amostragem e a elaboração da versão inicial do questionário contou com a
nessas ocasiões jogávamos. Num desses jogos, cada participante tinha que adivinhar as ações do outro jogador. Esses momentos foram importantes para realizar a aproximação, no sentido, de tentar diminuir a hierarquia existente entre o pesquisador e os sujeitos de pesquisa.
Nesse momento, os jovens se sentiam à vontade para desabafar. Assim, era possível perceber a maneira que eles construíam as estratégias para lidar com determinado docente. Sem contar com as trocas afetivas realizadas pelos casais e/ou futuros pretendentes. A organização das festas comemorativas para arrecadação da comissão de formatura ocorria também nessa hora. Além disso, era esse o momento que se apresentava propício para confirmar ou não a participação no dia ‘D’. O dia D era um dos principais eventos organizado e promovido pelos próprios jovens na escola.
Enfim, as interações juvenis ocorridas no momento do intervalo se davam de maneira lúdica, espontânea e “livre”, constituindo assim, interações de sociabilidade, conforme os dizeres de Simmel (1983). Os eventos de sociabilidade são entendidos por ele como “liberados de todos os laços com os conteúdos; existem por si mesmo e pelo fascínio que difundem pela própria liberação destes laços. É isto precisamente o fenômeno a que chamamos sociabilidade” (SIMMEL, 1983, p. 168).
Com relação aos docentes, a aproximação aconteceu, sobretudo, nos momentos do intervalo na sala de professores. A identificação com alguns deles se deu de maneira amistosa. Conversávamos a respeito de tudo. Desde a impressão de seus alunos na sala, até o show de rock que iria acontecer no final de semana. Nesse sentido, participar e interagir juntamente com os sujeitos em espaços de sociabilidade favoreceu a constituição de vínculos afetivos e dialógicos.