O primeiro evento que relaciona Jaguariúna a alguma importância econômica vem da época da descoberta de metais preciosos no Centro-Oeste, no século XVIII. A cidade de então era parte da rota conhecida como o Caminho dos Goyazes, que ligava a cidade de São Paulo ao Estado de Goiás.
A notícia da existência do ouro fez aumentar o tráfego nesse caminho, e o interesse da Coroa em facilitar tal percurso levou à formação dos primeiros núcleos não indígenas na região, voltados a atender esse fluxo de pessoas com locais de pernoite e por meio do comércio do excedente que era produzido localmente. À produção local de arroz, feijão, milho, mandioca, aguardente e rapadura eram agregados outros serviços, como pasto para mulas.
O fato de estar circundada por três rios – hoje conhecidos como Jaguari (rio que acabou por identificar o local), Atibaia e Camanducaia – , por se situar em local próximo ao ponto de travessia do rio Jaguari no Caminho dos Goyazes, e pela existência de um tanque de abastecimento para os muares, que possibilitava o repouso dos tropeiros, Jaguariúna passou a atrair posseiros que constituíram a primeira população da cidade (RIBEIRO, 2008).
O primeiro “surto” de desenvolvimento econômico de Jaguariúna está associado ao cultivo da cana de açúcar. Jaguariúna faz parte do quadrilátero do açúcar (Jundiaí, Piracicaba, Campinas e Mogi-Mirim), tendo sido administrativamente ligada à cidade de Mogi-Mirim até
26 Firjan é a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Obtido em <http://ifdm.firjan.org.br/>.
Acesso em: 23 ago. 2009.
27 Conforme disponível em: <http://www.jaguariunaonline.com.br/noticia-277.html>. Acesso em: 06 set. 2008.
Apesar de não ter cumprido essa meta, Jaguariúna lidera o ranking de desenvolvimento ambiental da Região Metropolitana de Campinas (conforme disponível em:
<http://amparonews.spaceblog.com.br/295441/Jaguariuna-lidera-ranking-de-Desenvolvimento-Ambiental/>; acesso em: 03 fev. 2010)
o século XX, quando obteve sua emancipação política. Devido às excelentes condições hídricas, graças à proximidade dos três rios, os engenhos de cana de Campinas se concentravam no eixo que ligava Campinas a Mogi-Mirim. Esse momento econômico não chegou durar um século e foi substituído pela cultura do café (RIBEIRO, 2008).
Nesse processo de novo interesse pela terra, ocorrido em função da migração de fazendeiros vindos do Rio de Janeiro para o interior de São Paulo, as antigas sesmarias foram divididas, dando origem a latifúndios. A grande produção passou a exigir, em determinados períodos, muita mão de obra, o que trouxe mudanças às fazendas, como, por exemplo, construção de casas, entre outras melhorias. Isso facilitava a permanência dos proprietários nas fazendas nesses momentos específicos de produção agrícola, dado que, via de regra, eram moradores de Campinas. Ainda no período escravista, mas já em seu final, as fazendas passam a receber italianos para trabalharem na lavoura do café, no regime de colonato (RIBEIRO, 2008).
Ainda no século XIX, a chegada do trem visando o escoamento da produção cafeeira, estimulou a formação do primeiro núcleo urbano ao lado da estação. As fazendas foram sendo gradativamente desmembradas e, em uma delas, a Fazenda Florianópolis, foi estabelecido um projeto de ocupação urbana estimulado pelo próprio proprietário. Isso se concretizou com a vinda de um projetista alemão que desenhou um conjunto de ruas em uma geometria linear e quadriculada, formando uma vila: a “Villa Bueno”. Essa vila se eleva à condição de distrito no final do século XIX, mas permanece, ainda, ligada administrativamente a Mogi-Mirim (RIBEIRO, 2008).
A partir dos anos 1930, em função da crise mundial, a cultura do café entrou em decadência. Em Jaguariúna, outras culturas como o algodão, o arroz, o milho e o feijão, além da pecuária, tomaram seu lugar. No entanto, sem a força do café, ocorreu a estagnação da economia local (RIBEIRO, 2008).
Era a década de 1940 e até então a cidade se chamava Jaguary. Devido à existência de outras duas cidades homônimas, um decreto estadual alterou o nome da cidade para Jaguariúna, cuja tradução oficial seria “rio da onça preta”28. À época da mudança de nome,
Jaguariúna ainda permanecia administrativamente ligada a Mogi-Mirim. A emancipação ocorreria dez anos depois, em 1954 (RIBEIRO, 2008).
28 Apenas como curiosidade, a fusão das palavras em tupi “uma”, significando preta, “i”, significando rio, e
“jaguar”, significando onça, pode levar, segundo estudiosos, a outros dois significados: “rio preto da onça”, ou ainda, “rio pardo das onças”, mas o “rio da onça preta” permanece o oficial, e a onça preta, viria posteriormente a fazer parte da bandeira do município.
O momento seguinte refletia o ideal desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitscheck. Estabelecimentos industriais ligados aos ramos cerâmico (porcelana, tijolo e telhas) e alimentício (produção de polpa de frutas) se estabeleceram na cidade, e, acrescentados às empresas familiares, já contabilizavam 65 operários na região, ou seja, mantinha-se a vocação agrícola, e cerca de dois terços da população ainda morava na zona rural. O café permanecia liderando a economia local, seguido por frutas cítricas, mas em pequenas propriedades havia pecuária de corte, leite e granja. Havia, ainda, e permanece até hoje, a criação de cavalos Puro Sangue em haras estabelecidos na região (RIBEIRO, 2008).
A área urbana cresceu. Em 1964, a população duplicou com relação à década anterior, mas mesmo com a proporção de habitantes cidade/campo permanecendo a mesma, aumentava a demanda por infraestrutura de saneamento básico, o que começaria a ser corrigido ao final daquela década, com a construção de uma estação de captação e tratamento de água. Pequenas indústrias recém instaladas sobrecarregaram o sistema elétrico local, o que passou a impedir o desenvolvimento industrial da cidade, que permanecia dependente economicamente da agricultura e da pecuária.
O problema da eletricidade seria corrigido na década seguinte e, a partir de então, com o declínio da produção agrícola devido à extinção da cultura do café e à diminuição das produções de laranja, cana e milho, a agricultura, que ainda era a base da economia local, começava a perder importância econômica no município para a incipiente indústria (RIBEIRO, 2008), mas ainda tinha na produção de laranja, milho em grão, arroz com casca e algodão em caroço as culturas mais importantes (PREFEITURA MUNICIPAL, 1965).
As grandes indústrias começariam a chegar na década de 1980. Aquelas até então estabelecidas ainda eram ligadas, de certa forma, ao universo rural: indústrias de óleo vegetal e animal (Socinol), produtos químicos para a indústria açucareira e agropecuária (Rotita), polpa de frutas (Jaguari Ltda), frigorífico (Ficapo – Frigorífico Capotuna), equipamento de pesca (Equipesca S/A) e máquinas agrícolas (IMAVI). Além dessas empresas, o setor cerâmico também procurava Jaguariúna (Cerâmica Santa Maria e Fábrica de Pisos Jaguari), como ocorrera no passado. Gradualmente, a cidade ia mudando sua base econômica, com impactos diretos na estrutura social. A área urbana já possuía mais habitantes que a zona rural, e com a superação dos gargalos de infraestrutura, abria caminho para a industrialização (RIBEIRO, 2008; PREFEITURA MUNICIPAL, s.d). Faltava definir que tipo de industrialização a cidade procurava.