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2.2. TÜRKİYE’DE KADINA YÖNELİK ŞİDDET ÜZERİNE YAPILAN

2.2.1. Sosyo-Ekonomik Düzey ve Kadına Yönelik Şiddet

A análise das entrevistas demonstrou que todos os participantes referiam ter suas facilidades relacionadas ao pensamento lógico e um fascínio por tentar descobrir o porquê das coisas, como elas funcionam, sua lógica, despendendo horas a fio buscando conhecimentos para suprir esse desejo.

Carla tem ânsia por informação, pelo entendimento das coisas e isso é desesperador

“eu sempre busco alguma coisa que me explique um porque”. Gosta de entender o processo, como a coisa acontece. “Se tivesse Internet quando eu tinha 7 anos de idade, eu tinha

enlouquecido, porque era tudo, é o que eu faço até hoje, às vezes, eu varo madrugada lendo (...) é a informação que eu precisava e que eu não tinha naquela época e não adianta eu te dizer que é, o que eu sinto é diferente do que você sente, com certeza, a minha ânsia, com s

[risos], é desesperadora, é uma coisa desesperadora. (...) Não tem fim. Eu to aqui e fico

assim, arranco os pedaços do dedo, é essa ansiedade latente”.

João “tinha mais facilidade para entender a lógica das matérias, para entender,

eu tinha uma facilidade ali de não precisar muito decorar, eu tinha na verdade uma resistência a matérias que tinha que decorar”. Gostava de realizar a atividade de modo diferente daquele que o professor havia lhe solicitado “Quando eu percebo pelo enunciado

que se espera que você escreva um texto assim, assim, eu tinha uma mania de querer fazer diferente (...) sempre tive esse cacoete de querer fazer diferente”. João buscava a lógica das coisas, mas procurou fazer comunicação, como uma forma de extravasar seus sentimentos, sempre gostou de ouvir, mas queria falar “Eu gostava muito de me comunicar, de estar em

contato com as pessoas e falando, não sei se por questões e ego, não sei, às vezes eu acho que é porque eu quero que as pessoas me escutem, mas, normalmente, porque quero ouvir também, quero falar com as pessoas”.

Marcos acredita que sua grande curiosidade lhe causou e causa alguns incômodos, “eu

não consigo ficar com uma dúvida na cabeça (...) é um incômodo, nenhum sofrimento, mas é muito engraçado isso, essa curiosidade terrível. Procura entender o funcionamento das coisas, sempre foi “um ávido leitor” e chegou a “aprender inglês para poder ler

determinadas obras”. Certa vez, conseguiu um livro que lhe despertou interesse, no entanto, era em francês e “com aqueles rudimentos de francês que a gente aprendia na escola, na

época, eu toquei em frente e quando cheguei ao fim do livro eu lia fluentemente em francês. Então, a curiosidade sempre foi a mola mestra das coisas”.

Rafael diz que na adolescência gostava de criar teoremas, queria descobrir as coisas, sua lógica e demonstrava grande habilidade com a matemática. “Teve uma época na

adolescência que eu li muito sobre autores que descrevem como você descobre teoremas e aí eu comecei a descobrir teoremas. Obviamente, esses teoremas já eram conhecidos, eu não conhecia, então comecei a brincar com isso, eu me lembro que eu tinha uma aula de astronomia, acho que no 2º colegial, e o professor achava que eu tava inventando aquilo lá, na época ninguém usava computador, era tudo na mão, eram coisas que eu fazia mesmo”.

Paulo sempre gostou de “estudar, pesquisar... também gosto do passado e colecionar

coisas velhas”. Reconhece “ter boa memória e capacidade de guardar muitas informações

sobre diversos tópicos e também com profundidade”. Dessa forma, sempre se relacionou com o conhecimento formal e quando se interessava pelos assuntos abordados na escola e era questionado pelo professor “fazia questão de responder às perguntas para mostrar que

“São os indivíduos superdotados aqueles com melhores condições de apresentar uma produtividade superior e de se tornar produtores do conhecimento e de artes, e não apenas simples consumidores da informação existente” (ALENCAR, 1986, p. 22).

Essa necessidade em passar muito tempo lendo, tentando se apropriar de conceitos que lhes permitiam compreender o funcionamento das coisas, demonstra que, por meio do conhecimento, buscam entender o mundo, apoiando-se no modo lógico, em que ocorre a cisão entre sujeito e objeto, não havendo espaço para o segundo modo de ser, o pré-lógico, tão necessário para que possa acessar e integrar seu mundo interno.

Carla e Marcos demonstram certa dificuldade em se relacionar com a dúvida, ao dizerem que sempre procuram entender o porquê das coisas, tentando sanar dúvidas que os deixam angustiados. Assim, por meio da lógica formal eles buscam resolver essas questões, amenizando a ansiedade que emerge nessas situações de angústia.

A dúvida seria a capacidade de aceitar o vazio, o não saber, e conseguir se relacionar com ele. Milner (1991) afirma que todo ser humano precisa reconhecer, pacientemente, que aquilo que o pensamento difere das coisas e essa descoberta se dá por meio da experimentação. É fundamental que a criança adquira a dúvida de que tudo que ela pensa é real, duvide da onipotência do seu pensamento para conseguir se relacionar melhor com o mundo interno e externo. Sem essa dúvida ela sempre pensara que sabe tudo. No entanto, essa disponibilidade em relação ao não saber, que mobiliza mudanças em busca do saber, pode trazer à tona sentimentos que nem sempre podem ser tolerados, fazendo com que a pessoa abdique do desejo de conhecer sua própria experiência, ocupando-se e preocupando-se, de modo excessivo, com as coisas externas.

Benzer Belgeler