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Os dados demonstram que o desempenho dos alunos-retextualizadores alterou-se de modo significativo nas quatro coletas. Essa alteração torna-se mais evidente quando comparamos as duas versões do resumo e verificamos que ocorreram mudanças nas estratégias de textualização adotadas, o que acaba por repercutir positivamente nas (re)formulações de objetos-de-discurso. Esses avanços nos fazem supor que as intervenções dos professores envolvidos nas disciplinas que focalizam a produção de textos acadêmicos devem ter contribuído de alguma maneira para que o aluno redimensionasse suas ações no processo de construção dos gêneros em foco. Isso sinaliza para a necessidade de desenvolvimento de pesquisas futuras, pautadas em diretrizes metodológicas que permitam um acompanhamento sistemático de aulas ministradas para a realização de uma análise minuciosa do tipo de intervenção efetuada por professores na abordagem do resumo e da

resenha em situações de ensino e os prováveis impactos dessa abordagem no processo de inserção do graduando nas práticas discursivas do domínio acadêmico.

Para identificar esses prováveis impactos e os critérios adotados pelos alunos na seleção de informações do texto-base, poderia ser testada, em investigações futuras, a metodologia do ‘protocolo verbal’, ou seja, seria proposta aos alunos a produção de resumos ou resenhas, em grupo, e seriam gravadas as negociações realizadas no processo de construção dos textos. Essa metodologia foi utilizada por Lopes (2004), que registrou em áudio sessões de discussão desenvolvidas por estudantes universitários a partir de roteiros de leitura de crônicas. A autora obteve resultados que lhe permitiram identificar vários aspectos envolvidos nos processos interpretativos vividos pelos leitores na interação com o texto e demonstrar que a referenciação é construída, por meio de estratégias inferenciais do sujeito- leitor em contextos sócio-interativos.

Outra frente de pesquisa que se mostra bastante promissora diz respeito à realização de um estudo sistemático dos movimentos de refacção27 de textos acadêmicos, orientados pelas intervenções do professor formador, buscando analisar o processo de (re)construção de objetos-de-discurso por parte dos sujeitos pesquisados, focalizando, especificamente, a apropriação de conceitos da área de estudo à qual se vinculam os professores em formação. Uma pesquisa dessa natureza pode trazer importantes contribuições para as práticas formativas cujo foco seja a inserção dos sujeitos nas práticas discursivas em que se constroem saberes relativos à sua área de formação acadêmica e profissional.

Pretendo, portanto, dar continuidade às minhas pesquisas investigando a interferência das intervenções do professor formador na (re)construção de objetos-de-discurso

27 Neste trabalho, considero, assim como Matencio (2002a), refacção como um processo diferente da

retextualização, uma vez que não ocorre a produção de um novo texto a partir de um ou mais texto(s)-base. O autor atua sobre o texto produzido procurando adequá-lo às condições de produção e, ao longo desse processo, certamente que as correções do professor vão orientando o produtor quanto aos aspectos que precisam ser alterados. Dentre os principais estudos que abordam o processo de refacção de textos, destaca-se o de Abauure at al (1997), em que as autoras ressaltam que os movimentos de refacção dos textos constituem indícios das aprendizagens dos alunos no processo de aquisição de escrita. Ruiz (2001) também aborda a refacção de textos no Ensino Fundamental, mas focalizando-a a partir dos tipos de correção que o professor faz no texto do aluno.

em diferentes versões de resenhas temáticas produzidas por graduandos em Letras e corrigidas/avaliadas28 pelo professor formador.

Por que continuar focalizando a resenha temática nessa nova frente de pesquisa? Os dados coletados nesta pesquisa reforçam a idéia de que a resenha temática constitui um gênero que emerge das práticas discursivas desenvolvidas em cursos universitários que traz importantes contribuições para a formação do graduando, uma vez que lhe permite confrontar perspectivas teórico-metodológicas com as quais determinados objetos de estudo são abordados. Isso é fundamental, conforme já ressaltado, para a produção de outros gêneros que emergem das práticas discursivas do universo acadêmico (projetos de pesquisa, relatórios de pesquisa, monografias, artigos, etc.).

28

Para uma discussão detalhada da noção de correção/apreciação/análise de textos, conferir Assis (2008). No âmbito do grupo de pesquisa LePTeCCo – Leitura, produção de textos e construção de conhecimentos, a pesquisadora vem desenvolvendo projetos de pesquisa, nos últimos anos, voltados para o estudo dos modos como o professor formador intervém nos textos produzidos por graduandos em cursos de licenciatura, buscando identificar estratégias lingüísticas, textuais e discursivas implicadas nessa ação do professor. Dentre as contribuições de suas pesquisas destacam-se as reflexões sobre as implicações dos procedimentos de avaliação adotados pelo professor no processo de inserção do professor em formação nas práticas discursivas do mundo acadêmico.

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ANEXO –

Texto-base para as

atividades de resumo e