Eski Rus “İgor Destanı” Adlı Eserdeki Eski Türk Kökenli Kelimeler Üzerine Bir İnceleme
SOSYAL TERMİNOLOJİ Ticaret ile ilgili kelimeler
Região central da cidade de São Paulo nas imediações da Praça da República e do bairro dos Jardins na região da Avenida Paulista. Destaques para as ruas Augusta e Frei Caneca (direita acima) e para as
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Uma falsa harmonia sobrevoa por estes territórios, mas podemos perceber que nem todas as ruas permitem circulação livre sem exigência de condutas de passagem e permanência. Os jovens fazem escolhas de onde passar e de como passar segundo seus interesses. As diferenças de grupo e de classe emergem constantemente, por vezes de forma sutis, por vezes constrangedoras. O encontro na rua é inevitável, mas a freqüência ou ocupação de determinados lugares exige o compartilhamento de códigos e valores.
5.3. Jovens caminhantes: vencerão as fronteiras?
5.3.1. “G”: Adaptar-se às condições e ser discreto na travessia
Ansioso para realizar a primeira entrevista com o jovem, sai da minha casa no bairro do Paraíso rumo à zona leste de São Paulo. Enfrentei o Metrô disputado do horário de pico, carregando como bagagem a pesada ansiedade de começar o trabalho de campo. No caminho de cerca de 40 minutos fui a pensar no roteiro de perguntas e nas estratégias que teria que utilizar para tocar em assuntos que pudessem ser delicados tanto a mim quanto ao meu entrevistado. Não cheguei pontualmente ao nosso lugar de encontro e mesmo assim tive que esperar por G, alimentando minha angustia na possibilidade de que ele não comparecesse. Depois de pequena espera G chegou com seu pedido de desculpas e com o fim de minha aflição.
G tinha 18 anos, era mais um estudante pré-vestibular que sofre as tensões da escolha da carreira profissional. Um jovem que estava na dúvida entre a medicina e a comunicação social, entre as dificuldades de acesso à universidade pública e as dispendiosas mensalidades da educação particular. Mais um morador da densa e longínqua zona leste do imaginário de milhões de paulistanos, atravessa a cidade desde o bairro do Itaim Paulista para freqüentar os espaços de sociabilidade gay concentrados nas regiões centrais de São Paulo.
Conheci G no segundo semestre de 2006 quando trabalhava como educador em mais um daqueles projetos de responsabilidade social que se tornaram moda nas grandes
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empresas. Minha atribuição no programa da corporação era orientar grupos de trabalho dentro das temáticas de gênero, raça e sexualidade. G fazia parte de um desses grupos e com outros jovens desenvolvia um “projeto de ação” no campo da “sexualidade e educação”. O processo de orientação do grupo possibilitou que questões sobre sexualidade e orientação sexual fossem debatidas nos encontros de formação. Na ocasião, durante um dos debates, falei um pouco sobre meu projeto de mestrado e o perfil do público que possivelmente seria entrevistado. G manifestou interesse em participar das pesquisas. Ao final do ano me desliguei do projeto e não mantive mais contato com os jovens.
A partir de um longo e árduo processo de reformulação de meu projeto que possibilitou a percepção de novos caminhos e, sobretudo, deu consistência às minhas inquietações, no final de junho de 2007, entrei em contato por e-mail com os jovens daquele grupo a fim de realizar uma sondagem. Perguntei sobre os desdobramentos de suas ações e se estavam interessados em participar da pesquisa. G concordou com a participação e então liguei para esclarecer objetivos, reforçar interesses e marcar local, data e horário para este primeiro encontro. Seguindo sugestão dele, combinei encontrá- lo no Shopping Metrô Tatuapé.
Iniciamos ali mesmo no corredor do shopping, no princípio, a desconfortável conversa até que decidimos encontrar um lugar mais apropriado. Caminhamos um pouco em busca de um local mais tranqüilo enquanto G me dizia sobre sua freqüência àquele estabelecimento impulsionado pelos encontros de grupos gays que ocorriam às segundas-feiras na praça de alimentação. Perguntei se ele queria se sentar por ali para conversarmos e por conta do grande movimento do estabelecimento sugeriu que fossemos a um bar na Praça Silvio Romero, localizado nas proximidades, tomar uma cerveja e assim conversar. Aceitei a proposta e caminhamos cerca de dez minutos pela rua até chegarmos ao bar sugerido. Durante a caminhada G adiantou que na zona leste existiam “poucos lugares legais” para se freqüentar e que prefere os bares do Centro e da região próxima à Avenida Paulista.
G falou sobre alguns aspectos sócio-econômicos de sua vida, destacando que pertence a uma família pobre e residente da zona leste da capital onde habitava numa casa de aluguel que compunha um terreno com três outras. Foi nesta casa que G experimentou as primeiras tensões em relação ao desenvolvimento da sexualidade. Quando adolescente, um vizinho mais velho fazia uma série de investidas para beijar G
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o que o deixava constrangido ao mesmo tempo em que despertava certo desejo pela experiência. Dada vez, brincando de esconde-esconde com outros meninos, G e o amigo se beijaram, iniciando uma relação de cumplicidade entre os dois que passaram a freqüentemente se esconder juntos e de culpa para G que considerava a prática um pecado que não poderia ser revelado a ninguém. A experiência dos beijos às escondidas de um lado permitia que G exercitasse sua sexualidade ao mesmo tempo em que exigia a descoberta de mecanismos para colocar essa prática em clandestinidade protegendo-a de uma possível repressão dos adultos e das chacotas de outros colegas. Entretanto, outros traços e características colocavam G no alvo das indiretas dos colegas e no cerne dos conflitos de infância e adolescência, exigindo uma postura que classificou de “anti- social e discreta”.
Quando tinha doze anos de idade o número de amigos era bem limitado em comparação com os outros adolescentes do bairro e da escola. Evitava participar das brincadeiras por medo de sofrer constrangimentos. Lembrou que na sexta série, um dia que resolveu brincar de “verdade ou desafio” com os colegas de classe e ouviu de um dos rapazes – Agora que o G entrou na brincadeira, poderei beijar muito. O comentário surtiu com força de coação para G que preferiu manter distância daquele grupo. Por outro lado a distância o aproximou de outras pessoas que, como ele, enfrentava conflitos na escola. Um colega de classe tronou-se grande confidente e protetor de G no colégio. Os laços de amizade firmados por eles foram fortalecidos ao longo do tempo e os dois os mantiveram até este dia. G considerava e ainda considera o amigo mais maduro e forte do que ele: – Na sexta série, [nome do amigo] jogava indiretas [sobre a
homossexualidade] e eu fui me tocando mais da vida – contou G.
Inserido em outra roda na escola e incentivado por colegas, G procurou um grupo de teatro que ali atuava. Fez teatro durante cinco anos. A primeira peça a ser ensaiada e encenada foi Beijo no Asfalto de Nelson Rodrigues. A temática do texto do dramaturgo somada às relações que existiam entre os membros do grupo parece ter permitido que G imaginasse novos modos de vida que rompiam com os paradigmas em que ele estava inserido. Certa vez G foi flagrado por um dos atores, qual tinha ressalvas por considerá-lo “muito machista”, beijando um amigo. Imaginou que a partir de então teria problemas de convivência no grupo, mas surpreendeu-se quando o ator – “o machista” –, percebendo o constrangimento evidenciado por G, o abraçou e num gesto solidário disse aceitar toda aquela história, reconhecendo que as pessoas poderiam ser
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diferentes. Por alguns motivos que arriscaríamos suspeitar, a experiência vivida no grupo de teatro acrescida da intensidade do texto dramatizado surtiu como um alívio para G – A primeira peça que fiz e mudou minha relação com o mundo. O teatro foi minha libertação, percebi que o mundo poderia ser diferente. Fui percebendo como o mundo é – contou G com ar de descoberta.
No grupo de teatro também conheceu o primeiro namorado com quem aos quinze anos visitou um estabelecimento destinado ao público gay. Uma boate que por ironia do destino ou por puro jogo de marketing chamava-se “Freendom” e não diferente de outras freqüentadas por gays, estava localizada na região do Largo do Arouche no centro de São Paulo. A visão do aglomerado de pessoas que no entorno daquela casa noturna experimentavam publicamente sem culpa aquilo que G demorou em aceitar, mostrou-lhe um caminho – Não sabia que naquela região existia essa possibilidade – referindo-se aos encontros entre homossexuais. Passou a sair mais de casa em busca de vivenciar essa nova possibilidade e com isso alargar os quadros de relações com outros jovens que compartilhavam similares angústias ou que já se refrescavam depois da travessia das fronteiras da vida.
Conheceu jovens moradores da zona leste ou de municípios da Grande São Paulo: São Matheus, Cidade A. E Carvalho, Santo André, Mauá e Guarulhos foram lembrados por G. Os amigos utilizavam o transporte público para irem aos bares gays da cidade e por isso marcavam encontros em alguma estação de metrô que pudesse ser estratégica a todos. G se encontrava com os novos colegas para irem ao “Bar do
Bocage”, outro nome sugestivo, situado na Rua da Consolação, na porção em que ela se adentra ao bairro dos Jardins. Fazia os mesmos percursos todas às sextas-feiras. Por vezes, costumava permanecer no bar com os colegas até a 1h da manhã e depois utilizar uma das escassas linhas de circulares noturnos a fim de retornar a sua residência na zona leste. O fato de ainda não possuir maioridade (condição para freqüentar as casas noturnas da região) e de não ter recursos financeiros suficientes para sustentar o lazer por toda a madrugada, forçava G a realizar, sem vontade, o percurso de volta à origem. Esse costume, ou força das circunstâncias, não raras vezes foi reprovado por sua mãe que fazia lhe restrições, por medo da insegurança talvez, quanto ao horário de chegada de G em casa.
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Com dezessete anos de idade, costumava encontrar-se com a “turma” na Galeria
do Rock56. No grupo falavam sobre questões cotidianas e sobre as expectativas depositadas na noite. Tinham o hábito de fazer uma parada na adega situada próxima à galeria, comprar bebida alcoólica por menor valor do que comercializado nos bares - geralmente vinho de baixa qualidade e alto teor alcoólico -, caminhar pelas ruas do Centro até chegar ao “Bar do Bocage”. A longa caminhada durava cerca de duas horas, não que as distâncias fossem tão grandes, mas a caminhada era parte da diversão e por isso deveria ser feita com calma. Mesmo com uma estação de metrô próxima ao destino dos jovens, andar se tornava uma boa opção por dois motivos em princípio: primeiro porque poderiam beber na rua e chegar “colocados” ao bar, economizando com o valor da conta do estabelecimento; depois poderiam “observar o movimento” das pessoas nas ruas e quiçá encontrar alguém com quem compartilhar a noite. G e os amigos por vezes chegavam embriagados ao bar, bom ensejo para libertar os impulsos: – Um dia ficamos bêbados e fizemos o rapa no Bocage, beijamos de três, de quatro, de cinco... Foi uma loucura – lembrou G.
Foto de Mario Rodrigues