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CONHECIMENTO ACERCA DAS UNIVERSIDADES CORPORATIVAS CONHECIMENTO ACERCA DE PARCERIAS ESTABELECIDAS INTERESSE NO ESTABELECIMEN -TO E/OU RENO- VAÇÃO DESTAS PARCERIAS RAZÕES QUE MOTIVAM ESSE DIRECIONA- MENTO COOPERAÇÃO OU COMPETIÇÃO

ABMES não não sim

consistência pro- fissional na pres- tação de serviços educacionais competição CRUB superficial

sim, porém não exatamente com universidades corporativas sim serviços educa- cionais de qualida- de prestados pelas empresas cooperação ANUP superficial

sim, porém não exatamente com universidades corporativas sim redução de custos nas empresas, mais alunos nas instituições de ensino

competição

SEMESP superficial

sim, porém não exatamente com universidades corporativas sim professores nas instituições de en- sino para atender esta demanda

competição

FEA/USP superficial

sim, porém não exatamente com universidades corporativas sim serviços educa- cionais de quali- dade prestados pelas empresas competição

POLI/USP superficial sim sim

serviços educa- cionais de quali- dade prestados pelas IES cooperação/ competição Fonte: Entrevistas

6 – CONCLUSÃO

A investigação sobre a identificação das universidades corporativas no contexto da educação superior visando, especialmente, a determinação da representação de concorrência potencial ou oportunidades estratégicas para as instituições de ensino superior, conduziu a algumas conclusões.

As três universidades corporativas americanas investigadas vislumbraram situações de concorrência entre universidades corporativas e instituições de ensino superior, porém, restritas a algumas áreas específicas. Apenas ao considerar sua atuação específica é que uma delas não enxergou tal condição. Possibilidades de cooperação foram citadas apenas por uma universidade corporativa, embora uma segunda realize ações que evidenciam a prática de cooperação com instituições de ensino superior.

Das quatro universidades corporativas brasileiras, uma delas visualiza uma situação de concorrência, e três delas visualizam a coexistência de universidades corporativas e instituições de ensino superior no mesmo ambiente, especialmente no âmbito da pós-graduação. Apenas uma universidade corporativa investigada enxerga possibilidades de cooperação, ainda que uma segunda realize ações pautadas nessa direção.

Antes de avançar, se faz necessária a discussão do que significa a coexistência em um mesmo ambiente de universidades corporativas e instituições de ensino superior. A disputa por um mesmo mercado, ainda que marcadamente no âmbito da pós-graduação e restrita a algumas áreas específicas de conhecimento, configura concorrência, pelo menos, em termos de participação no mercado. A mesma população que antes buscava, individual ou institucionalmente, atualização profissional e especialização na sua área de atuação exclusivamente junto às instituições de ensino superior, passa a contar com uma outra possibilidade.

Sendo assim, a visualização de situações de concorrência entre universidades corporativas e instituições de ensino superior predominam nas

análises de dados realizadas, tanto no contexto americano, como no contexto brasileiro.

A mesma opinião foi predominante na análise dos dados coletados junto aos órgãos representativos e representantes de áreas de conhecimento destacadas de instituições de ensino superior. Os entrevistados igualmente visualizaram situações de concorrência entre instituições de ensino superior e universidades corporativas, sem entretanto, fazer diferença entre segmentos específicos, como a graduação e a pós-graduação. Essa não distinção é decorrente, provavelmente, do surgimento recente da figura dos cursos seqüenciais, que embora não sejam de graduação, são considerados de nível superior, e contam com orientação profissionalizante, o que torna a aproximação com a realidade das empresas, praticamente, uma exigência. Em contraste com a apuração junto às universidades corporativas, brasileiras e americanas, não foi apontado um maior nível de competição no âmbito da pós- graduação. Por outro lado, o atendimento ao público adulto foi destacado uma vez que os cursos seqüenciais atendem, preponderantemente, esse perfil.

Respondendo-se especificamente a pergunta de pesquisa: “São as universidades corporativas instituições representativas de concorrência potencial ou de oportunidades estratégicas para as instituições de ensino superior?”, pode-se afirmar que as universidades corporativas são, nas condições atuais, mais representativas de situações de concorrência. Tais situações de concorrência estão restritas a algumas áreas de conhecimento e atuação, com destaque para a pós-graduação, e outros segmentos onde concentram-se o público adulto.

Antes as instituições de ensino superior tradicionais reinavam, praticamente, de forma absoluta no mercado de educação superior. Isso não é mais verdade. Novos entrantes, como as universidades corporativas, vêm abocanhando uma parte do market share no que compete à prestação de serviços educacionais. Tal parcela de mercado pode ainda ser incrementada, especialmente no caso da outorga de certificados e/ou diplomas pelas universidades corporativas, em sistema de parceria com instituições de ensino superior tradicionais, ou mesmo, de forma independente.

É importante destacar que embora a inserção das universidades corporativas no contexto do ensino superior traga em seu bojo elementos significativos de competição, tal pode ser tratado estrategicamente de diferentes formas, inclusive revertendo em oportunidades para as instituições de ensino superior como é o caso da formação de parcerias que, agindo orientadas nessa direção, podem tomar a iniciativa e obter o controle de alguns elementos, além de reprimir o avanço independente dessas universidades corporativas.

Além de oportuno, se faz necessário esclarecer que a enaltecida função das instituições de ensino superior de geradoras de conhecimento por meio da prática de pesquisa, não é suficiente para arrefecer, ou mesmo negar, o grau de competição estabelecido entre instituições de ensino superior e universidades corporativas, mesmo assumindo que a maior parte das universidades corporativas não são geradoras de conhecimentos, excetuando- se aqueles específicos para o negócio da empresa.

Nesse sentido são pertinentes três observações. Em primeiro lugar, cabe lembrar que as instituições de ensino superior não são todas caracterizadas como “universidades”. Considerando-se o contexto brasileiro, conforme determina o Decreto n. 2.306 de 1997, que regulamenta a Lei n. 9.394 de 1996, mais conhecida como LDB, são consideradas instituições de ensino superior, além das “universidades”, os “centros universitários”, as “faculdades integradas”, as “faculdades” e os “institutos superiores ou escolas superiores”.

As universidades, por definição, têm que apresentar atividades consistentes em todos os elementos que compõem a tríade ensino-pesquisa- extensão. De fato as funções da universidade são bem mais amplas e não podem ser reproduzidas facilmente pelas universidades corporativas. Além do ensino, são funções da universidade a pesquisa e a extensão, dificilmente replicáveis.

O enfoque dos centros universitários é a excelência no ensino, não sendo o desenvolvimento da pesquisa, portanto, uma exigência a ser atendida. Muito menos constitui exigência, o desenvolvimento da pesquisa nas demais