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Sosyal Politika Çalıştayları Anket Sonuçlarına Göre Bölgenin Öne Çıkan Sosyal Sorunları

4. SOSYAL YAPI ANALİZİ

4.2 Sosyal Politika Çalıştayları Anket Sonuçlarına Göre Bölgenin Öne Çıkan Sosyal Sorunları

Consagrado no artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos43, o direito à liberdade de locomoção, também conhecido como o direito ir e vir, é assegurado, nos termos da lei, a qualquer pessoa que se encontre no território nacional em tempos de paz. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º diz:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo- se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

[…]

XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;

[…]

LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

Na doutrina de George Marmelstein44, encontra-se que uma das principais funções

do direito de locomoção é limitar o poder de polícia do Estado, resguardando o indivíduo de sofrer prisões arbitrárias. Entende-se que, a priori, todas as pessoas devem ser livres para escolherem os lugares a que frequentar. Exceto nos casos de prisões nos termos da lei, de limitações naturais ou de intervenções cotidianas – como se configuraria o dever de parar diante

43DUDH. “Art. 13º 1-Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de

um Estado.” Disponível em: <http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por>. acesso

em 24 out. 2014.

de um sinal de trânsito – ninguém pode intervir sobre uma pessoa, impedindo-a de exercer sua liberdade de ir e vir.

Após o lançamento do Programa Mais Médicos para o Brasil, foram veiculadas denúncias sobre o desrespeito que seria praticado contra os médicos cubanos quanto à liberdade

de locomoção. Na reportagem “PSDB quer investigar condições de trabalho de cubanos no Mais Médicos”45 do sítio da Revista Veja, de 20 de abril de 2014, noticia-se a representação

protocolada pelo líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy, junto à Procuradoria Geral da República (PGR) contra o Programa Mais Médicos. Apontava-se nela a "prática de crimes de redução à condição análoga à de escravo" devido à "vigilância ostensiva" sofrida pelos profissionais participantes nos locais de trabalho.

Sobre este tema, a médica cubana Ramona Matos Rodriguez, desertora do Programa, afirmou em seu depoimento46 ao PRT da 10ª Região Sebastião Vieira Caixeta, no Inquérito Civil 707/2013, que era proibida de deixar a cidade onde prestava serviços sem autorização de um responsável cubano no Brasil e que o contrato não permitia que eles discutissem suas cláusulas com terceiros, devendo guardar confidenciabilidade estrita.

Em entrevista47 à Veja, quando indagada sobre se, quando ela pedia permissão para

sair, era autorizada, afirmou que nunca pedira pois sabia que não iriam autorizá-la. Não tinha liberdade para pedir diretamente e as médicas cubanas que moravam com ela diziam que se quisesse ir a algum lugar, deveria informá-las para que pedissem ao coordenador.

Ramona também afirmou que, ao fugir da cidade aonde fora lotada, Pacajá (PA), sofrera perseguição da Polícia Federal, o que foi posteriormente negado pelo órgão. O que de fato ocorrera fora uma busca decorrente da denúncia de desaparecimento feita pela família que a hospedava, antes que se soubesse de sua deserção48.

Como já afirmado anteriormente, os termos dos contratos estabelecidos entre o governo de Cuba e os médicos do Programa são formalmente desconhecidos. Oficialmente, até a data da conclusão desta monografia, nada foi divulgado. Há, no entanto, alguns documentos

45 VEJA. PSDB quer investigar condições de trabalho de cubanos no Mais Médicos. Veja. São Paulo Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/psdb-quer-investigar-condicoes-de-trabalho-de- cubanos-no-mais- medicos>. acesso em 22 out.2014.

46EXAME. Cubanos não podem nem namorar; leia depoimento de médica. Exame.com. São Paulo, 10 fevereiro 2014. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cubanos-nao-podem-nem-namorar-veja- depoimento-de-medica>. acesso em 22 out 2014.

47MATTOS, Marcela. 'Querem me demoralizar', diz médica cubana. Veja. Brasília, 8 fevereiro 2014. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/querem-me-desmoralizar-diz-medica-cubana>. acesso em 22 out. 2014.

48MATTOS, Marcela. Cardozo: PF não monitorou cubana do mais médicos. Veja. Brasília, 5 fevereiro 2014. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/cardozo-pf-nao-monitirou-cubana-do-mais-medicos>. acesso em 23 out. 2014.

apresentados pela médica Ramona e outros contratos que circulam na internet que, supostamente confirmariam os fatos. Destaca-se dentre eles o “Reglamento Disciplinario”49, resolução 38/2005, da Colaboração Médica Cubana a Bolívia (anexo A), que trata das regras disciplinares a que os médicos que participaram da missão na Bolívia deveriam se submeter.

Embora haja indicação de que o referido regulamento não se aplicaria aos médicos que prestassem serviços no exterior por contrato direto nem por meio de organismos internacionais, há indícios de que algumas das regras nele impostas sejam aplicadas aos médicos que estão no Brasil. Isto porque eles mantém vínculo com Cuba e não com a OPAS/OMS ou com a União, logo, nada impediria que o governo da ilha buscasse estender sua influência através de seu contrato com os médicos, e as denúncias feitas corroboram esta possibilidade.

Nesse sentido, cita-se, como ilustração os itens “i”, “k” e “m” do citado

“Reglamento Disciplinario”, que impunham restrições à saída dos médicos após as 18 horas, à

saída fora da circunscrição dos municípios que trabalham e atendem e a proibição de sair do território do país, exceto se houvesse autorização da Direção de Colaboração daquele país e com a devida documentação aprovada.

Há, também, um suposto contrato que seria o correspondente ao que os médicos em missão ao Brasil teriam assinado com a Sociedad Mercantil Cubana Comercializadora de Servicios Médicos Cubanos, S.A, em sua forma abreviada CSMC, S.A., divulgado pelo sítio eletrônico Caféfuerte50. Este documento51 (Anexo B) indica que os cubanos em missão no

Brasil deveriam obedecer ao regulamento “Reglamento Disciplinario para los trabajadores

civiles cubanos que prestan servicios en el exterior como colaboradores”, estabelecido na resolução nº 168, de 29 de março de 2010, divulgado extraoficialmente no sítio venezuelano RunRunes52 (Anexo C). Este regulamento, apesar de não constar a restrição de saída após as 18 horas, mantém as restrições no sentido de se ausentar da localidade em que preste serviços sem autorização do seu chefe imediato e prescreve também que as férias de 30 dias por ano a

49PORTAL CFM. Disponível em: <http://portal.cfm.org.br/images/PDF/regulamento_medicos_cubanos.pdf>. acesso em 24 out 2014. (Anexo A)

50CaféFuerte é um sítio de notícias e informação, dedicado a cobrir a atualidade de Cuba e Miami. Foi fundado em 5 de julho de 2010 pelos periodistas Wilfredo Cancio Isla e Ivette Leyva Martínez, com o propósito de dar cobertura a temas noticiosos a partir da produção de conteúdos únicos, e não recebe financiamento de nenhuma instituição pública, governamental ou privada. Disponível em <http://cafefuerte.com/> Acesso em: 26 out. 2014.

51 O referido documento corresponde ao Anexo B desta monografia e está disponível em: <http://cafefuerte.com/wp-content/uploads/2014/06/ContratoMedico-BRASIL.pdf>. acesso em 25 out. 2014. 52 O referido documento corresponde ao Anexo C desta monografia e está disponível em:

<http://runrun.es/runrunes/5737/cuba-con-control-y-amenazas-a-barrio-adentro-y-a-otros-misioneros-para- que-no-se-escapen.html>. acesso em 26 out 2014.

que os médicos fazem jus devem ser gozadas em Cuba.

Ora, em qualquer hipótese, resta inadmissível que brasileiros ou estrangeiros em território nacional sofram restrições às suas liberdades individuais sem que haja previsão legal condizente com os princípios da dignidade da pessoa humana. Ademais, sendo a médica hipossuficiente frente ao governo cubano e à Sociedade Mercantil por que fora contratada, deve-se investigar a existência de erro, dolo ou coação na formação destes contratos, vez serem estes motivos para a anulação de negócios jurídicos conforme o Código Civil de 2002.

Aliás, há fortes motivos para levantar tal hipótese. A médica Ramona afirmou que, antes de vir para o Brasil, não tinha conhecimento de que os médicos de outras nacionalidades receberiam bolsas de valor superior à dos médicos cubanos. Sabendo das limitações que o governo cubano impõe aos seus cidadãos, no que concerne ao controle da mídia e dos meios de comunicação, é possível inferir que a maior parte, se não a totalidade dos que aderiram ao contrato, também não sabiam da distinção. Além disso, há previsão contratual que diz que, caso o médico não conclua sua missão nos termos do contrato, não terá direito à parte dos seus rendimentos confiscada em Cuba, podendo tal fato ser considerado uma forma de coação.

Diante do exposto, resta ao governo brasileiro não se omitir diante das denúncias, mas investigar seriamente o que aponta e fazer cumprir os seus próprios princípios em seu território.