I. GENEL BİLGİLER
1.6. İDAREYE İLİŞKİN BİLGİLER
1.6.5. Sunulan Hizmetler
1.6.5.4. İdari Hizmetler
1.6.5.4.1. Sosyal, Kültürel ve Sportif Hizmetler
Definir o que representa juventude contemporânea aparenta-nos certo grau de complexidade, principalmente se nos referimos à juventude oriunda de setores rurais, que se apresentam tão distantes dos padrões culturais e econômicos e dos sistemas de valores estabelecidas pelas mídias. Neste estudo sobre juventude tomarei como base inicial as contribuições de Pais (1990), Groppo (2000), Sales (2010), Damasceno (2001), Carneiro (2007) e Brumer (2007).
Segundo Pais (1990, p. 140), a sociologia da juventude divide-se em duas tendências sobre o conceito de juventude:
a) Numa delas, a juventude é tomada como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por indivíduos pertencentes a uma dada «fase da vida», prevalecendo a busca dos aspectos mais uniformes e homogéneos que caracterizariam essa fase da vida— aspectos que fariam parte de uma «cultura juvenil», específica, portanto, de um geração definida em termos etários;
7
Considero mais apropriado utilizar o termo juventudes para apontar a existência de diversas culturas juvenis. Essa minha posição é baseada na literatura chamada de “sociologia da juventude” (PAIS, 1993). Contudo, reconheço que há uma unidade na diversidade, sendo assim, possível reportar-se à juventude no singular.
b) Noutra tendência, contudo, a juventude é tomada como um conjunto social necessariamente diversificado, perfilando-se diferentes culturas juvenis, em função de diferentes pertenças de classe, diferentes situações económicas, diferentes parcelas de poder, diferentes interesses, diferentes oportunidades ocupacionais, etc.
Percebe-se que não existe uma unidade entre os jovens. Os elementos apresentados na citação acima podem ser provenientes da individualidade de cada jovem, da sua fase etária, ou podem ser assimilados de gerações anteriores. (PAIS, 1990)
Groppo (2000) considera que a sociologia da juventude mais “indefine” do que
define a juventude, pois, para ele, os critérios etários e socioculturais, na realidade, não se conciliam. Para o autor, há juventudes. A juventude é definida como uma categoria social representando uma situação social e uma representação sociocultural. Dessa forma, a juventude seria “[...] uma concepção, representação ou criação simbólica, fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tidos como jovens, para significar uma série de
comportamentos e atitudes a ela atribuídos.” (GROPPO, 2000, p. 8)
Definir a juventude como categoria social torna-a algo superior à classe e vai muito além de apenas defini-la em uma faixa etária, restringindo-a temporalmente. Nessa lógica, podem-se considerar outras faixas etárias como a infância, a fase adulta e a terceira idade como outras categorias sociais. (GROPPO, 2000, p. 8) “Trata-se não apenas de limites etários pretensamente naturais e objetivos, mas também, e principalmente, de representações simbólicas e situações sociais com suas próprias formas e conteúdos que têm importante
influência nas sociedades modernas”.
Bourdieu (1983, p.113) também contribui com a análise sobre a limitação etária na conceituação da juventude.
A idade é um dado biológico socialmente manipulado e manipulável; e que o fato de falar dos jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído dotado de interesses comuns, e relacionar estes interesses a uma idade definida biologicamente já constitui uma manipulação evidente. Seria preciso pelo menos analisar as diferenças entre as juventudes.
A atividade de definir juventude é muito complexa. Por muito tempo não há entre as diversas áreas do conhecimento um diálogo que torne essa discussão viável para que possa apontar para horizontes comuns. Tomamos o exemplo da medicina, que por muito usou o
termo puberdade para definir o período das mudanças fisiológicas no qual a criança passa a ser um ser adulto; da psicologia e da pedagogia, que utilizaram o termo adolescência para definir o período de transformações cognitivas e comportamentais do individuo que deixa de ser criança para se tornar um adulto; e da sociologia, que tinha o termo juventude para designar o período que o individuo deixa de ter funções sociais próprias da infância para ter funções sociais do mundo adulto. (GROPPO, 2000)
Conceituar a juventude como categoria social é entendê-la a partir das realidades sociais e culturais próprias de cada jovem. Significa considerar suas experiências, suas potencialidades, além de compreendê-lo a partir do contexto histórico no qual está inserido, pois este se coloca como um dos principais fatores que influenciam a sua formação. Pensar juventude denota garantir a esses jovens relações sociais que não suprimam ou sufoquem sua
capacidade de formar e de se autoformar, sempre buscando o “ser mais”.
Muito se fala sobre a importância do jovem para a sociedade enquanto “futuro da
nação”. Paradoxalmente, essa mesma sociedade limita o potencial crítico do jovem,
instituindo um modo de pensar, de agir e se expressar, padronizando o seu comportamento social diante dos apelos consumistas da mídia. Sobre essa questão, Sales (2001, p.27) faz a seguinte observação.
A desqualificação do discurso dos jovens leva a sociedade a tratá-los como indivíduos que não podem falar por si. Dessa maneira, a mídia, a religião e diversos campos de conhecimento, disputam a hegemonia de uma discursividade sobre a juventude. Quando lhes é dada a palavra, é apenas simbolicamente, uma vez que a fala é controlada, selecionada, para conter o perigo que dela pode advir.
Outros desafios enfrentados pela juventude concentram-se nos domínios do desemprego, da vida afetiva e sexual, da violência, das drogas, da construção de própria identidade e da conquista de sua liberdade. O que o jovem precisa identificar é que os seus problemas também são problemas sociais, ou seja, não se restringem à juventude. A respeito de como a juventude é compreendida, Pais (1990, p. 141) pondera:
Histórica e socialmente, a juventude tem sido encarada como uma fase de vida marcada por uma certa instabilidade associada a determinados «problemas sociais». Se os jovens não se esforçam por contornar esses
«problemas», correm mesmo riscos de serem apelidados de «irresponsáveis » ou «desinteressados».
No que tange à juventude rural, essas dificuldades se intensificam provocando o êxodo rural. Muitos jovens, à procura de salários melhores e de condições sociais favoráveis, buscam na vida urbana estabilidade financeira e social.
Para Brumer (2007, p. 37), existem fatores de atração e expulsão que influenciam na decisão de migrar para as áreas urbanas:
Apesar do peso dos fatores estruturais, as decisões sobre a migração são tomadas por indivíduos, que variam na avaliação de fatores de atração ou de expulsão. Ademais, na decisão de migrar, provavelmente os fatores de expulsão são anteriores aos de atração, na medida em que os indivíduos fazem um balanço entre a situação vivida e a expectativa sobre a nova situação. Dependendo de como se examina a questão, os estudos sobre a migração de jovens focalizaram ora os atrativos no novo ambiente ora os aspectos vistos como negativos no local de origem. Entre os ‘ruralistas’ predominam as análises que apontam antes os fatores de expulsão do que os de atração, como causas de migração.
O termo rural foi marginalizado por muitos, ou seja, o rural tornou-se o que não é urbano, bom e tecnologicamente civilizado. Dessa forma, criou-se um estereótipo que discrimina os moradores da região rural, inclusive a população jovem. A juventude rural sofre com diversos dilemas internos e externos a sua região demográfica, como: trabalhar no campo
ou tentar ganhar salários melhores na cidade? Ser agricultor significa “ser alguém na vida”? Ter “estudo” significa destruir o que está preestabelecido para quem mora no campo? Seria
necessário urbanizar o rural? A cidade é a única alternativa para um projeto de vida? (CARNEIRO, 2007)
Como não cair em desespero diante de tais dificuldades? A juventude é alvo constante da desesperança, crescente em uma sociedade opressora, como a em que vivemos atualmente. Acreditamos que o grande desafio está em não aceitar a condição de “ser menos” imposta pelos opressores, uma vez que, aceitando-a, os indivíduos caem em um processo de desumanização. Nesse sentido, Freire (2005, p. 16) faz a seguinte consideração sobre a luta da humanização do Homem.
A desumanização, que não se verifica apenas nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais. [...] ‘A luta pela humanização, pelo trabalho livre, pela desalienação, pela afirmação dos homens como pessoas, como seres para si’, não teria significação. Esta somente é possível porque a desumanização, mesmo que um fato concreto na história, não é, porém, destino dado, mas resultado de uma ‘ordem’ injusta que gera a violência dos opressores e esta, o ser menos.
A busca da humanização, do “ser mais”, é uma necessidade ontológica dos
indivíduos. Lidar com as dificuldades impostas pela vida ou pela história e superá-las, com consciência e resignação, são atitudes essenciais para sobrepujar o paradigma opressor. Mas
acima disso tudo está a esperança. Freire (1992, p. 6) ressalta que “sem um mínimo de
esperança não podemos sequer começar o embate, mas sem o embate, a esperança, como necessidade ontológica, se desarvora, se desendereça e se torna desesperança que, às vezes, se
alonga em trágico desespero”
Ter esperança não significa cruzar os braços diante das “situações-limites” e
esperar que as soluções das nossas dificuldades provenham dos outros. Ter esperança constitui a luta por um mundo melhor, ou seja, deve ser prática, concreta. Entregarmo-nos à desilusão, ao pessimismo e ao fatalismo significa privarmo-nos do direito de sonhar com uma vida melhor. Como os jovens podem desenvolver a esperança ante as diversas crises inerentes à sua faixa etária e os apelos de uma sociedade consumista? Como os jovens podem sonhar quando, aparentemente, não possuem perspectivas de um futuro melhor?
Assim como a esperança, a educação moral se coloca como fator preponderante no desenvolvimento da “humanização”. Kardec (2008), no item 685 de O Livro dos Espíritos, pontua:
[...] Há um elemento que não se costuma considerar, sem o qual a ciência econômica torna-se apenas uma teoria: é a educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral; não ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar o caráter [...] Quando essa arte for conhecida e praticada, o homem trará hábitos de ordem e de previdência para si e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos angustiado os maus dias inevitáveis.
Dessa forma, a educação moral não deve ser limitada aos ensinos teóricos e ilustrativos, mas sim vivida. Diferentemente da ideologia neoliberal, da qual o consumismo e
o poder são os alicerces, a educação moral tem como base o amor que tem como fim o aperfeiçoamento do individuo e a autonomia moral. (PESTALOZZI, 1946, p. 16)