III. FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRME SONUÇLARI
3.2. PERFORMANS BİLGİLERİ
3.2.3 Stratejik Planın Değerlendirilmesi
No que tange à aceitação e adesão aos trabalhos do CEPD, a comunidade de Oiticica se mostra divida, pois há aqueles que participam e há outros que apenas assistem. No início, havia certa resistência e preconceito, principalmente por dois aspectos: um relacionado
à juventude daqueles que idealizaram e que organizavam a obra e outro, ao fato de os mesmos serem espíritas. Piadas e zombarias eram ouvidas pela Vila, disseminado, principalmente, pelos mais idosos, que criticavam tais atitudes. A novidade assustava aqueles que, de certo modo, estavam acostumados com a vida que levavam.
Quando iniciou, existia muito preconceito. Eu lembro que muitas pessoas não iam ao centro, porque acreditavam que lá aparecia, quando fechávamos os olhos para prece, um bode dos olhos vermelhos. As pessoas diziam que não deviam ir pra lá, que lá era coisa do demônio e que ninguém fosse. Eu vejo que era por conta da ignorância e do pouco conhecimento. O fato de atendermos a comunidade, isso foi tirando o medo e o preconceito deles, pois é muito fácil eu ensinar a fazerem o bem, e outra coisa é fazerem o bem. E quando eles viram que lá fazíamos o bem perderam o medo, e agora têm respeito. A comunida de tem muito respeito pelo Centro apesar de não serem Espíritas. (Luzia)
Com o crescimento e o aparecimento dos frutos, a comunidade acaba se rendendo aos trabalhos executados pelo CEPD. As mães passaram a ver os seus filhos lendo e escrevendo, praticando esportes saudáveis e participavam de oficinas artísticas. A marcenaria funcionava como mais um ponto de trabalho e profissionalização para os homens de Oiticicas. Cursos eram oferecidos no sítio, na escola e no próprio Centro Espírita. Enfim, a pequena vila situada em meio ao sertão do Vale do Lambedouro conhece novos ares. Tais benefícios apontavam um caminho de esperança no crescimento e no desenvolvimento humano e social de Oiticicas.
Nesse processo de conquista da comunidade, os trabalhadores do CEPD tinham o cuidado para que a crença e a aceitação das atividades do Centro Espírita não se restringissem apenas ao aspecto material. Essa postura teria um resultado negativo, pois, com as crises que naturalmente apareceriam na instituição, essa crença esmoreceria, inviabilizando a verdadeira transformação do ser. O CEPD, como uma instituição espírita, fundamenta-se no cuidar do corpo e da alma. De nada adiantaria alimentar os sonhos no campo da matéria se os indivíduos não melhorassem sua moral, não buscassem a grande meta que é constituir-se conscientemente em Homem de bem.
Todas as famílias são convidadas a participar das reuniões públicas, que ocorrem na quadra da Escola Allan Kardec, devido ao pouco espaço físico na sede do CEPD para
acomodar muita gente. Essas reuniões abordam temas do cotidiano delas sempre atrelados aos ensinamentos do Evangelho de Jesus e aos princípios e fundamentos da Doutrina Espírita.
Certa feita, para exemplificar tais reuniões, o tema do mês foi “Família e Melhoria da
Qualidade de Vida”. Esse tema foi desenvolvido através de encontros familiares nas casas de cada coparticipante, com palestras sociais, estudos do Evangelho à luz do Espiritismo e projeção de vídeos sobre qualidade de vida física e espiritual.
Muitas famílias gostam das reuniões públicas e participam ativamente de todas as atividades do Programa Sociofamiliar. Outras, apenas frequentam de modo esporádico, sem demonstração de laços de compromissos. Não há preocupação por parte do CEPD se as famílias são ou não espíritas. Não existe o interesse de formar espíritas, mas sim, pessoas mais lúcidas quanto ao seu papel no mundo em que vivem. O CEPD busca oferecer às pessoas que passam pelas suas atividades educativas uma educação integral, que forme o ser em sua multidimensionalidade, que considere nesses processos educativos o desenvolvimento da inteligência, da moral, do espírito e do corpo, atrelado sempre a um método que interligue o amar, o pensar e o fazer.
Apesar de todo o esforço do grupo de trabalho em promover as atividades sociais e educativas, o CEPD sofre com diversos embates. Quanto à questão religiosa, o CEPD não sofre, hoje, nenhum confronto pelo fato de ser um grupo espírita. É inegável que, no inicio, os embates religiosos existiam pela estranheza da população, massivamente católica, com a proposta espírita. Os conflitos resumiam-se a atitudes descorteses e ofensivas por parte de devotos que, tomados pela ignorância e intolerância, repugnavam a ideia de que se formasse um Centro Espírita e de que esse trabalhasse com a comunidade.
Hoje se estabelece um respeito recíproco entre os credos que compõem o quadro religioso de Oiticicas. O padre da paróquia apoia as atividades executadas pelos espíritas, não excitando nenhum tipo de preconceito. Houve até um fato inusitado: o próprio bispo visitou as dependências do CEPD para conhecer seus trabalhos e após a visita também reconheceu a importância das ações daquela instituição cristã. Quanto aos evangélicos, também existe uma relação cordial. Muitos participam, por exemplo, das atividades esportivas e dos cursos profissionalizantes.
Atualmente, os maiores embates encarados pelo CEPD acontecem na esfera política. Tais conflitos perduram desde 1996 e ocasionam um desgaste de ambas as partes. Em algumas cidades interioranas, infelizmente, ainda existe uma coerção por parte de alguns políticos sobre o que é feito na cidade, principalmente quando eles não têm o controle das
ações de modo a obter resultados eleitorais ou financeiros. Luzia expressa sua visão em relação à atitude dos políticos nos seguintes termos:
Acontece o que acontecia no tempo de Jesus. Por que Jesus foi crucificado? Porque os homens poderosos tinham medo de perder o poder pra ele, e eu acho que da mesma forma quando uma instituição como o Centro Espírita passa a fazer trabalhos no lado social, os nossos irmãos políticos não veem como parceiros, eles veem como pessoas que vão atrapalhá-los, então os embates são por causa disso, eles têm medo de perder o poder que eles têm [...] Isso começou com o projeto marcenaria. Por que, na época, eles propagaram nas ruas que tinham conseguido o projeto para a Escola Allan Kardec. Quando dissemos na frente deles que isso não era verdade, acho que eles se doeram.
Everaldo também tece comentários a este respeito:
Quando você tem qualquer ajuntamento, você desperta uma preocupação dos governantes,
dos políticos, porque eles começam a questionar “aí tem coisa, aí não vai dar certo, eu tenho que ter um pezinho aí.” Eles buscam criar uma raiz ali, ter o referendo daquele grupo, ou então ele combate. Ou ele recebe aprovação para entrar ou então ele passa a combater. E numa cidade do interior isto é muito ostensivo. Eles não querem a nossa amizade e o nosso respeito, eles querem é ter um pé e mão lá. A gente sempre teve essa dificuldade.
O principal argumento utilizado pela gestão municipal o fato de acreditar que Everaldo, fundador do CEPD, possui um posicionamento político contrário ao da gestão atual. Em 2004, alguns populares da cidade apontavam que Everaldo iria ser candidato ao cargo de prefeito de Viçosa do Ceará, evento negado por ele mesmo. Essa propalada oposição de Everaldo à atual gestão do município, inviabiliza parcerias com o CEPD.
Outro argumento que advém da gestão do município é que os critérios de auxílio à população de Oiticicas são feitos de modo discriminatórios, pois o CEPD tem como critério ajudar, em um primeiro momento, aqueles em situação mais vulnerável. Para a prefeitura, se é para ajudar, tem de fazer para todos, e não apenas para alguns selecionados. Falta uma cultura política de respeito à autonomia das instituições da sociedade civil e a persistência da cultura
da subserviência ancorada no medo. Como em muitas cidades do interior, o trabalho no setor público é uma espécie de garantia de um bom salário e de bem estar. Segundo trabalhadores do CEPD, a prefeitura por muitas vezes os procura para trabalharem como funcionários públicos ou terceirizados nessa repartição. O salário e o medo de se opor aos gestores levaram alguns a deixarem o trabalho do CEPD para se vincularem à prefeitura.
Everaldo comenta algumas estratégias utilizadas pelo poder público municipal visando à desestruturação do trabalho empreendido em Oiticicas:
Uma das primeiras formas de desmonte, de tentativa de desmonte da Escola Allan Kardec foi uma espécie de coerção, de compra de nossos colaboradores/professores, é dando Bolsa Família pra eles, que não tinham perfil. Infelizmente eles aceitaram, foi uma tristeza danada, a gente brigou com o mundo por causa deles, e eles aceitaram isso. Depois eu fui lá e
conversei com eles “Minha gente, não façam uma coisa dessas”, mas aí, de repente, eles
quiseram realmente sair e aceitar.
Diante dessa triste situação, os trabalhadores do CEPD buscam a tranquilidade e continuam trabalhando e superando ameaças e insultos. Segundo Luzia, as reações dos coordenadores do CEPD já foram mais enérgicas, mas agora preferem ter uma postura mais pacífica, ao se opor ao conflito. Provavelmente, tais embates não se resolverão da noite para o dia. Infelizmente, os interesses que movem boa parte das gestões públicas são gerados em torno da garantia e manutenção do poder sobre os indivíduos. Enquanto aqueles que se responsabilizam em gerir órgãos públicos estiverem utilizando cabrestos e rédeas como ferramentas de coerção sobre a população, principalmente sua parcela mais pobre, continuará
o estado de opressão e de perpetuação de uma “cultura do silêncio” (FREIRE, 2005).
É inegável, diante dos fatos, a grande contribuição das atividades sociais e educativas do CEPD para a população de Oiticicas. Dessa forma, o Centro decidiu não cruzar os braços diante do quadro social da Vila. Como instituição espírita, aceitou o desafio de propor o desenvolvimento multidimensional para os oiticiquenses. A Doutrina Espírita não é contrária à assistência social, desde que esta esteja atrelada, também, à busca da consciência espiritual do ser e da assistência das necessidades espirituais dos indivíduos. Na realidade, não é a oposição política que distancia o CEPD da atual gestão, mas a incompatibilidade das ideias defendidas por ambas. Na avaliação dos espíritas, é preferível que se descarte o apoio
de políticos ou de qualquer instância e seus aportes financeiros, se esse apoio estiver contra os ideais cristãos de uma vida digna vivida em abundância.