• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 4: YAŞLILIK

4.8. Sosyal Hizmetler ve Sosyal Bakım

O papel do escritor, como representante de uma elite intelectual, é de suma importância na formação social de um povo, justamente por conseguir trazer a estética e o social , “mantidos num estado de tensão irreconciliável”, como observa Said (2003, p. 30). Sua função não pode estar associada a uma performance meramente ilustrativa, pois ele atua numa esfera pública, dominada por uma política globalizante.

É nesse ponto que o intelectual crítico tem o distanciamento necessário e sem ser neutro, no sentido de se posicionar, torna-se uma voz compromissada que independente de sua posição, é capaz de iluminar os problemas na busca pela igualdade entre os homens. Cabe ao escritor comprometido mostrar ao grande público as manipulações e as contradições apregoadas pela classe hegemônica.

Segundo Said (2003, p. 35), o intelectual não deve ser imparcial, pois seu papel, “(...) de modo geral, é elucidar a disputa, desafiar e derrotar tanto o silêncio imposto quanto o silêncio conformado do poder invisível, em todo lugar e momento em que seja possível”. As palavras servem de alerta sobre os discursos que se apresentam escamoteados, justificando ideologias que buscam consenso e aprovação coletiva, por meio de farsas que não contribuem para o bem estar do povo. A globalização propaga seus interesses por meio da neutralização da diferença discursiva, passando a idéia de que o diferente é inferior.

Sobre o discurso que tem a si próprio como modelo ideal e que domina o mundo moderno, Bosi (2000, p. 164) diz:

A extrema divisão do trabalho manual e intelectual, a Ciência e, mais do que esta, os discursos ideológicos e as faixas domesticadas do senso comum preenchem hoje o imenso vazio deixado pelas mitologias. É a ideologia dominante que dá, hoje, nome e sentido às coisas.

Nesse cenário, a arte e algumas profissões se tornam inúteis e, por isso, são rejeitadas pelos grandes centros que dominam o poder econômico. A falta de

4 Cf. Bosi (2004, p.10), resistência pressupõe “diferença: história interna específica; ritmo próprio; modo peculiar de existir no tempo histórico e no tempo subjetivo”.

autonomia, tanto nos pensamentos como nas ações, é capaz de reduzir o ser humano à simples sombras. Idéia alusiva à antiga questão da ciência e da ignorância, tratada no livro VII de A república (2000), de Platão, cujo assunto é atualizadíssimo pela condição em que se encontra a humanidade.

Invertendo os valores de uma tradição, os efeitos do neoliberalismo, da globalização e do capitalismo são sentidos pelas pessoas e representam uma forma de acelerar o processo de desumanização da sociedade, com a alienação dos homens escravizados pelo consumismo.

Imprime-se um novo comportamento, num ritmo que instaura o modelo do que Bosi (2004, p. 9) chama de “tempo cultural”. Nesse tempo, é imperativa a fabricação ininterrupta de bens com vistas ao consumo; o que, na prática, pode ser associado aos mercados que atendem 24 horas por dia.

Octavio Paz (1991, p. 57) trata distintamente a arte e os objetos que são frutos da industrialização. Para o autor,

A obra de arte, como coisa, não é eterna. E como idéia? Também as idéias envelhecem e morrem. Mas os artistas não raro esquecem que sua obra é dona do segredo do verdadeiro tempo: não a eternidade vazia, mas a vivacidade do instante. Ademais, a obra de arte tem a capacidade de fecundar os espíritos e de ressuscitar, até como negação, nas obras que são sua descendência. Para o objeto industrial não há ressurreição: ele some com a mesma rapidez com que aparece.

Nesse paralelo estabelecido por Paz, mais um ponto destaca a arte literária como forma de fuga à reificação, pois nela está latente a crítica do mundo e de si mesma. Apresentando essa mesma tônica, o livro A caverna, de José Saramago, traz algumas passagens que lembram trechos de Fronteiras múltiplas, identidades plurais. Dentre elas, a que ilustra a tendência do mercado moderno:

Vejam esta situação, um homem traz aqui o produto do seu trabalho, cavou o barro, amassou-o, modelou a louça que lhe encomendaram, cozeu-a no forno, e agora dizem-lhe que só ficam com a metade do que fez e que lhe vão devolver o que está no armazém, quero saber se há justiça neste procedimento. (...) Pode dizer-me o que é que fez que as vendas tivessem baixado tanto, Acho que foi o aparecimento aí de umas louças de plástico a imitar o barro, imitam-no tão bem que parecem autênticas, com a vantagem de que pesam muito menos e

são muito mais baratas, Não é razão para que se deixe de comprar as minhas, o barro sempre é barro, é autêntico, é natural, Vá dizer isso aos clientes, não quero afligi-lo, mas creio que a partir de agora a sua louça só interessará a coleccionadores, e esses são cada vez menos. (SARAMAGO, 2000, p. 22-23).

No livro ficcional do escritor português, é notória a alusão ao sistema capitalista que atende aos requisitos da globalização. Os produtos são industrializados em escala global, criando na necessidade de uma moda única, outra estratégia de negar as singularidades.

Numa postura de crítica ao sistema capitalista, Wharhol (1930-87) faz telas que enfocam temas popularmente divulgados pelas propagandas, mostrando como elas atingem a massa. Seu trabalho denuncia a perda de identidade da sociedade industrial.

FIG 2. 100 latas de sopa Campbell Fonte: Strickland, (2002, p. 175)

Baseado no reprocessamento de imagens repetidas, colhidas a partir de anúncios do cotidiano, o artista pinta uma espécie de linha de montagem.

A idéia explorada é a da semelhança. À sua maneira, ele mostra a despersonalização de uma vida repetitiva e monótona, saturada em si mesma.

Faltam à indústria e ao comércio cultural os processos cíclicos e de enraizamento. Rádios, TVs e a mídia de maneira geral se mantêm pela novidade; especialmente os canais de televisão apresentam programas seriados, como forma de exigir do telespectador um compromisso, para atualização das informações. Assim, somente juntando as várias partes do que é apresentado de forma fragmentada, ele pode ter idéia do todo.

Fora da arte e da ficção, razões financeiras e o interesse em comercializar em larga escala faz com que a produção se adapte ao mercado consumidor, em que representações devem durar pouco, para que logo sejam substituídas por algo novo.

A idéia do descartável se estende aos bens culturais, não bastam os copos, as roupas e os produtos de R$ 1,99 não ser duráveis. A indústria cultural adota um ritmo acelerado também em seu meio: as revistas têm periodicidade cada vez mais curta; a arte é multiplicada em série, fazendo-a susceptível de reposição. Dessa forma, o caráter de unidade e de exclusividade se perde.

Abdala Junior (2002, p. 12) ao tratar da padronização dos produtos e a tendência de uniformização das diferenças, afirma que

Tudo pode ser transformado em mercadoria no Império do capital, e o relevo à natureza heterogênea dos bens materiais simbólicos favorece a criação de novas expectativas, habilitando novos padrões de consumo.

É comum o direcionamento dos produtos a modelos que rapidamente satisfazem os gostos e os padrões ditados pela mídia que logo saturam o mercado. Estimulados pela sucessão crescente de necessidades, chegam a criar uma obsessão consumista.

Por sua vez, o mercado, com estratégias de manutenção e de divulgação, trabalha na tentativa de convencer as pessoas da possibilidade de compra, venda e consumo, inclusive com coisas cujo valor não é cambiável, como o tempo.

Benzer Belgeler