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I. BÖLÜM

2.3. Sosyal Bilgiler ve Demokrasi

2.3.6. Sosyal Bilgiler Derslerinin Demokrasi Konularının Öğretimindek

A metalingüística10 de Mikhail Bakhtin constitui o espaço teórico-analítico no qual construímos os significados das diversas relações entre inovação curricular, a nova proposta curricular de Química e as diferentes vozes e concepções que orientam sua apropriação, conforme expresso nos discursos dos professores. De acordo com esse autor, “as relações dialógicas (inclusive as relações dialógicas do falante com sua própria fala) são objetos da metalingüística” (BAKHTIN, 1963/1997, p. 182).

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Bakhtin denomina “metalingüística” a abordagem que desenvolveu para o estudo de textos e discursos, identificados por ele, de forma geral, como enunciados. Mais precisamente, a ênfase de Bakhtin está na

enunciação. Todorov fala em “translingüística” e “pragmática” seria o termo mais em uso atualmente

para identificar o tipo de abordagem desenvolvido por Bakhtin (TODOROV, 2000, p.15). Relativamente disperso por sua obra, encontramos um Bakhtin preocupado com os temas da linguagem e da produção discursiva em Marxismo e filosofia da linguagem, Problemas da poética de Dostoiévski, O discurso no

romance (presente na coletânea Questões de literatura e de estética) e nos textos Os gêneros do discurso

e O problema do texto, que foram reunidos em Estética da criação verbal. Essa coletânea foi organizada em 1979, após a morte de Bakhtin, em 1975; seus dois textos aqui utilizados foram escritos, respectivamente, em 1952-53 e 1959-60. Para uma apresentação mais extensa e bem situada dessa vertente da obra de M. Bakhtin, ver Todorov (2000), Barros (1996) e Faraco (1999).

[...] as relações dialógicas são extralingüísticas. Ao mesmo tempo, porém, não podem ser separadas do campo do discurso, ou seja, da língua enquanto fenômeno integral concreto. A linguagem só vive na comunicação dialógica daqueles que a usam. É precisamente essa comunicação dialógica que constitui o verdadeiro campo da vida da linguagem. Toda a vida da linguagem, seja qual for o seu campo de emprego (a linguagem cotidiana, a prática, a científica, a artística etc.) está impregnada de relações dialógicas. [...] Essas relações se situam no campo do discurso, pois este é por natureza dialógico e, por isto, tais relações devem ser estudadas pela metalingüística, que ultrapassa os limites da lingüística e possui objeto autônomo e metas próprias (BAKHTIN, 1963/1997, p. 183).

Ainda que desenvolvidas num contexto de análise literária, o próprio Bakhtin renova, continuamente, como na citação acima, o alcance ampliado de suas construções. Todo e qualquer discurso está marcado pela correlação dinâmica entre vozes diversas que nele se atualizam e que assim estabelecem seu pertencimento a uma rede de discursos.

Para Bakhtin, o enfoque dialógico é possível até mesmo para palavras isoladas:

As relações dialógicas são possíveis não apenas entre enunciações integrais (relativamente), mas o enfoque dialógico é possível a qualquer parte significante do enunciado, inclusive a uma palavra isolada, caso esta não seja interpretada como palavra impessoal da língua, mas como signo da posição semântica de um outro, ou seja, se ouvimos nela a voz do outro. Por isso, as relações dialógicas podem penetrar no âmago do enunciado, inclusive no íntimo de uma palavra isolada se nela se chocam dialogicamente duas vozes (BAKHTIN, 1963/1997, p. 184).

De acordo com Bakhtin, tanto o enunciado quanto a experiência que nele se expressa são de natureza social (VOLOCHINOV, 1929/1973). Todo enunciado tem um sentido definido e único, expressão da situação histórica concreta que lhe deu origem. A isso, Bakhtin/Volochinov denomina o tema de um enunciado, em contraposição ao seu significado, que caracteriza os elementos do enunciado “que são reiteráveis e idênticos cada vez que são repetidos” (1929/1981, p. 129). Em conformidade com essa posição, consideramos, nos dois próximos capítulos, um conjunto de eventos sócio-culturais associados ao nosso objeto de estudo, indo de concepções e críticas de estudiosos em publicações especializadas até os programas de formação continuada dos quais os professores entrevistados participaram.

Para quem considera limitado fundamentar o estudo de um processo a partir da análise dos seus discursos, Bakhtin fala assim sobre as palavras que pronunciamos:

Na realidade, não são palavras o que pronunciamos ou escutamos, mas verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais, agradáveis ou desagradáveis etc. A palavra está sempre carregada de um conteúdo

ou de um sentido ideológico ou vivencial (1929/1981, p. 95).

É esse “conteúdo” e esse “sentido ideológico ou vivencial” que pretendemos captar na nossa busca por compreensão dos significados, expressos nos discursos dos professores, das diversas relações entre inovação curricular, a nova proposta curricular de Química e as diferentes vozes e concepções que orientam sua apropriação.

A nossa pretensão de compreensão está, também, envolvida pela maneira com que Bakhtin considera tal fenômeno:

Compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente. A cada palavra da enunciação que estamos em processo de compreender, fazemos corresponder uma série de palavras nossas, formando uma réplica. (1929/1981, p. 131- 132)

Então, nossas palavras, as dos professores entrevistados, a dos autores da nova proposta curricular, expressas em seu texto, devem ser compreendidas como respostas dadas aos enunciados com os quais estão a contracenar. A natureza dinâmica responsiva dos discursos refere-se não somente à estratégia de produzir um discurso persuasivo e conveniente a determinado auditório mas também de dar forma ao auditório (ou interlocutor, como diz Bakhtin) a que se dirige.

A obra, assim como a réplica do diálogo, visa à resposta do outro (dos

outros), uma compreensão responsiva ativa, e para tanto adota todas as

espécies de formas: busca exercer uma influência didática sobre o leitor,

convencê-lo, suscitar sua apreciação crítica, influir sobre êmulos e continuadores etc. A obra predetermina as posições responsivas do outro

nas complexas condições da comunicação verbal de uma dada esfera cultural (1952-53/2000, p. 298).

Há dois temas específicos, elaborados sob a lógica conceitual fornecida por Bakhtin, que se relacionam aos nossos principais focos de problematização da inovação curricular em Química, em Minas Gerais. Tratamos deles a seguir.

1) A relação entre o discurso da proposta de inovação curricular e o discurso dos

Benzer Belgeler