TASLAK PROGRAMLARIN DEĞERLENDİRİLMESİ HAYAT BİLGİSİ PROGRAM TASLAĞ
ORTAOKUL 5. SINIF SOSYAL BİLGİLER TASLAK PROGRAM
da divisão social do trabalho assumem particularidades diferentes, tanto especializa seu trabalho, quanto pluraliza suas necessidades e, por isso mesmo, é condição para que exista a produção de mercadorias. O caráter útil do trabalho é abstraído do dispêndio de força humana
de trabalho e sob os desígnios produtivos, o dispêndio de força de trabalho humano gera o valor (da mercadoria) chamado de trabalho abstrato.
Sobre a atuação dos trabalhadores nos campos de atividades, assinala Marx (2010, p. 355): “um filosofo produz ideias, um poeta, poemas, um pastor, sermões, um professor, compêndios, etc.”. Incita a pergunta: e um/a assistente social, produz? É possível inferir que, a partir da difundida construção sócio histórica da constituição do Serviço Social como trabalho, o/a assistente social produz e seu trabalho possui uma forma socialmente útil, a medida em que o produto de seu trabalho satisfaz necessidades sociais imediatas ou emergentes e pode criar novas necessidades e novos modos de satisfação, assim como produz ideias e dispõe de sua força de trabalho como mercadorias.
Na acepção marxiana, os produtos passam a representar a força de trabalho humana gasta em sua produção, ou seja, o trabalho humano que nele se armazenou e, como configuração dessa substancia social, são valores (valores mercadorias). Logo, na gênese da divisão social do trabalho, o Serviço Social se insere no circuito do valor por meio da mercantilização da sua força humana de trabalho e, dentro desse mesmo processo, tanto especializa seu trabalho quanto pluraliza suas necessidades e também gera direitos do trabalho. Nessa linha de pensamento, Iamamoto (2004, p. 24) sustenta que “o processo de compra e venda da força de trabalho especializada em troca de um salário faz com que o Serviço Social ingresse no universo da mercantilização, no universo do valor”.
Em O Capital Marx (2011) define a divisão social do trabalho107 como a totalidade de
formas heterogêneas de trabalho útil, que se classificam por ordem, gênero, espécie e variedade. Nessa perspectiva de análise, o assistente social situa-se no seio do processo de produção e torna-se componente da divisão de trabalho entre trabalhadores especializados, cujo resultado é o produto social do trabalho coletivo.
Na divisão do trabalho, cada trabalhador é um componente do trabalhador coletivo – soma das atividades especializadas. A utilização da força de trabalho é o próprio trabalho e a produção é, naturalmente, uma atividade de objetivação do trabalho em produtos. Sendo assim, assistentes sociais, ao trabalharem, tornam-se força de trabalho em ação, portanto, trabalhadores que criam valores na dinâmica do processo de trabalho. Vale considerar que o
107 Em o Capital, Marx (2011) analisa que há duas divisões de trabalho a serem consideradas: a primeira é a
divisão social do trabalho que se dá na troca entre capitais individuais e independentes que se competem uns com os outros – existe em todos os tipos de sociedade e tem origem nas diferenças da fisiologia humana e a troca se dá entre unidade sociais, que impulsionam a especialização da produção e, uma divisão do trabalho; em segundo, portanto, a divisão do trabalho que se se dá na produção, aquela entre os trabalhadores, onde é reservado a cada um a execução de uma operação parcial, de um conjunto de operações, e que, com a execução conjunta, tem-se como resultado, o produto social do trabalho coletivo (mercadorias).
trabalho para criar valor, tem de ser despendido em forma útil e, é pela força de trabalho que se materializa o valor.
Salienta a literatura especializada, no campo político ideológico da profissão, especialmente fundamentada na teoria social crítica que, o Serviço Social como trabalho, na divisão do trabalho possui uma objetividade social, se expressa sob a forma de Serviços e, como todo trabalho, resulta em produtos (IAMAMOTO e CARVALHO, 2003; IAMAMOTO, 2004, 2008, 2009, 2011; MARTINELLI, 2007; NETTO, 2001, 1996, 2008; MONTAÑO, 2007; SILVA, 2002; MOTA, 1998; SIMIONATTO, 2004; KARCH, 2011; CFESS/ABEPSS, 1999; CFESS/ABEPSS, 2009, etc.).
O acumulo teórico sustenta a reprodução do Serviço Social como trabalho especializado na sociedade, sua legitimidade108 e necessidade social e o trabalho dos
trabalhadores assistentes sociais se inscrevem na dinâmica da produção e reprodução da vida social. Portanto, o trabalho do assistente social possui uma determinação útil e de trabalho abstrato.
O trabalho abstrato que realizam deposita um valor de uso e um valor e assim, meio de troca – o valor de uso satisfaz as necessidades do trabalhador que depois, busca realizar sua mercadoria como valor em outras mercadorias, no mercado.
O trabalho concreto e o trabalho abstrato consistem a mesma atividade, em seus aspectos diferentes. O trabalho concreto se materializa no caráter utilitário do trabalho, cujo produto é o valor de uso. Logo, o valor de uso encerra valor porque nele, se materializa o trabalho humano abstrato que se mede pela quantidade de trabalho nele contida, pois é pelo trabalho que se cria o valor.
A dimensão de trabalho concreto, compreende o seu valor de uso social, com atividade que persegue finalidades e orienta-se por conhecimentos e princípios éticos, requisitando suportes materiais e conhecimentos para sua efetivação (IAMAMOTO, 2008). Portanto, sendo socialmente útil, o trabalho do assistente social objetivado, é criador de valor na medida em que se materializa como um tipo específico de trabalho e dá origem a um valor de uso social.
A força de trabalho só pode aparecer como mercadoria enquanto for e por ser oferecida ou vendida como mercadoria pelo seu próprio possuidor, pela pessoa da qual ela é a força de trabalho (MARX, 2011, p.198). Na dinâmica das relações entre capital e trabalho, se
realizam como trabalhador coletivo na compra e venda da força de trabalho, do número de trabalhadores necessários e a disposição de sua força de trabalho por partes destes.
Desde a década de 1980, elucidado por meio da análise de Iamamoto e Carvalho (2003, p. 85) “o trabalho do assistente social se insere numa relação de compra e venda de mercadorias em que sua força de trabalho é mercantilizada”; reiterado pela autora Iamamoto (2004)109 da necessidade de entender a profissão como uma especialização do trabalho que
não foge aos determinantes dos processos macroscópicos que atravessam todas as especializações do trabalho; e em Iamamoto (2008) sobre as particularidades do estatuto assalariado e projeto profissional, também difundido no acumulo teórico e recentes produções, fruto de resultados de pesquisas científicas na área de conhecimento do Serviço Social.
Sendo o Serviço Social uma especialização do trabalho na sociedade, não foge a esses determinantes (novas formas de organização e gestão do trabalho, no interior das estruturas produtivas) exigindo apreender os processos macroscópicos que atravessam todas as especializações do trabalho, inclusive o Serviço Social (IAMAMOTO, 2004, p.22).
O assistente social participa da divisão organizada do trabalho proclamada como a organização que aumenta a força produtiva do capital, ao mesmo tempo que são confinados às operações parciais que tolhem e deformam suas possibilidades humanas, convenientemente ignoradas. A subordinação do trabalho aos meios de produção, que se concentram como propriedade privada daqueles que compram a força de trabalho.
Considera-se que, com base em um debate de forças teórico metodológicas e ético- políticas sobre os fundamentos do Serviço Social, no âmbito da teoria social crítica, se definiu o Serviço Social como trabalho especializado, que possui uma objetividade social e se expressa sob a forma de Serviços, e, como todo trabalho, resulta em produtos (IAMAMOTO, 2004).
Os “Serviços”, para Marx (2011, p. 226) “nada mais é do que o efeito útil de um valor de uso, mercadoria ou trabalho” (trata-se de valor de troca). O eixo teórico central recai sobre o trabalho, processo em que o ser humano faz mediações (ação) para transformações de elementos materiais, seu objeto e seus meios. É durante o processo de trabalho que o trabalho se transforma de ação em produto.
109 Analisa Iamamoto (2004, p. 69) “o assistente social é um profissional que é parte de um trabalhador coletivo,
A profissão, portanto, participa da criação e prestação de serviços que atendem às necessidades sociais (da sociedade110) e, por outro lado, satisfaz as necessidades da
reprodução de sua própria força de trabalho, na condição de trabalhadores que dispõem de seu trabalho, em troca de salários.
O trabalhador assistente social também é livre - primeiro porque personifica sua capacidade de trabalho como mercadoria e depois, é livre e são alheias as condições objetivas de realização de sua capacidade de trabalho. Ou seja, insere-se no universo do mercado de mercadorias (circulação), onde, como proprietários de sua força de trabalho, de modo livre, trocam por dinheiro e entram no processo social construído pelos proprietários privados da mercadoria.
A capacidade de trabalho aparece como pobreza absoluta, na medida em que o mundo inteiro da riqueza material, o valor de troca, a ela se opõe como mercadoria estranha e dinheiro estranho, mas o trabalhador mesmo, é a mera possibilidade de trabalhar, presente e encerrada em sua corporeidade viva, uma possibilidade que, entretanto, é absolutamente separada de todas as condições objetivas de sua realização, e que existe em oposição autônoma a elas, delas despojada (MARX, 2010, p. 52).
Sendo o assistente social um trabalhador assalariado, vende sua força de trabalho especializado aos empregadores, em troca de um equivalente expresso na forma monetária (IAMAMOTO, 2008).
A mercantilização da força de trabalho do assistente social, pressuposto do estatuto assalariado, subordina esse trabalho de qualidade particular aos ditames do trabalho abstrato e o impregna dos dilemas da alienação, impondo condicionantes socialmente objetivos à autonomia do assistente social na condução do trabalho e à integral implementação do projeto profissional (IAMAMOTO, 2008, p. 416).
É, portanto, no processo de trabalho que o trabalhador ao dispor de sua força de trabalho à venda, como qualquer outra mercadoria, realiza seu valor de troca e aliena seu valor de uso. Ao comprador pertence a utilização desse trabalho, durante uma jornada inteira e a reprodução no período contratual dos serviços. Ou seja, o comprador consome o valor de uso, que é o próprio produto.
Sendo a própria mercadoria unidade de valor de uso e valor, o processo de produzi- la tem de ser um processo de trabalho ou um processo de produzir valor de uso e, ao mesmo tempo um processo de produzir valor (MARX, 2011, p. 220)
Portanto, conduz-se ao reconhecimento da centralidade do trabalho assalariado dos assistentes sociais – são trabalhadores partícipes da classe que vive do trabalho e, nos termos
110 O Serviço Social reproduz como um trabalho especializado na sociedade por ser socialmente necessário; se
inscreve na no campo da defesa e/ou realização de direitos sociais de cidadania, na gestão da coisa pública; pode contribuir para o partilhamento do poder e sua democratização, no processo de construção de uma contra hegemonia no bojo das relações entre as classes (IAMAMOTO, 2004, p. 24).
de Antunes (2006), sujeitos que agem e fazem mediações em processo de trabalho de naturezas diferentes, aplicando suas forças vitais em prol de projetos conscientes, com objetivos e fins. Os trabalhadores formam um sujeito coletivo heterogêneo – a categoria profissional – que elaboram e conduzem o projeto profissional na divisão do trabalho.
Ao sustentar que a profissão se insere em diferentes processos de trabalho, se faz contundente a compreensão de que o desenvolvimento do trabalho se organiza conforme as condicionalidades e variáveis dos próprios elementos que compõem o processo de trabalho. Não é fortuito considerar que, na condição de trabalhadores assalariados, os assistentes sociais se submetem ao poder e condições sociais concretas ofertadas pelas instituições empregadoras.
Vale considerar que, historicamente, o Estado tem sido o maior empregador de assistentes sociais, também salientado pela literatura especializada da área111. “Na orbita do
Estado, a alienação enraizada na divisão do trabalho manifesta-se sob formas particulares, impregnando as atividades dos servidores públicos” (IAMAMOTO, 2008, p. 430).
A disponibilidade dos meios e instrumental de trabalho torna-se condição para a realização das atividades dos profissionais que atuam sobre a questão social, o objeto de trabalho. Assinala Marx (2011) que o meio é uma coisa ou complexo de coisas que o trabalhador insere entre si e o objeto de trabalho e que lhe serve para dirigir sua atividade sobre o objeto e também indicam as condições sociais em que se realiza o trabalho.
Todavia, nas particularidades do trabalho do assistente social, compreendem recursos, materiais e humanos para efetivamente materializar trabalho, por meio do dispêndio de força de trabalho e vontade adequada aos fins determinados pelos empregadores, na intermediação entre demandas, sujeitos sociais específicos e competências e atribuições profissionais.
As diferenciadas condições e relações sociais que envolvem esse trabalho redimensionam socialmente o significado das projeções profissionais, cuja viabilização é determinada por condicionantes que ultrapassam os indivíduos singulares, ao materializarem interesses dos sujeitos sociais contratantes (IAMAMOTO, 2008, p. 338).
A realização do trabalho subordinado a um determinado fim (criação de valor de uso), utilizando-se do instrumental de trabalho a ele disponível, supõe a sua identidade profissional112, na gênese do processo de trabalho. Nesse sentido, a natureza qualitativa desse
111 Iamamoto (2008); Netto (2001, 2008); Montaño, 2007; Silva e Silva (2002); etc.
112 A identidade profissional referida por Martinelli (2007, p. 17) como “elemento definidor de sua participação
na divisão social do trabalho e na totalidade do processo social”, considerada “uma categoria política e sócio- histórica que se constrói na trama das relações sociais, no espaço social mais amplo da luta de classes e das contradições que a engendram e são por ela engendradas”.
trabalho não é realizado apenas através de sua qualidade (formação especializada) ou seja, numa dimensão teleológica, criativa e útil e, mas também se preserva nas várias inserções ocupacionais, pois, o significado social do seu processamento não é idêntico nas diferentes condições em que se realiza o trabalho.
Na medida em que se consome os meios, por meio do próprio trabalho, o trabalhador contribui para a reprodução capitalista e não a si mesmo, reduzindo a um trabalho simples, medido pelo tempo de duração e fixado num processo social de alienação do valor do trabalho, pela própria natureza de trabalhar para outro e, caracteriza a forma social do trabalho.
Tomar o trabalho na forma de trabalho assalariado – o produto do trabalho como mercadoria é característica da sociedade capitalista. Homens livres que trabalham com meios alheios e empegam sua força de trabalho social. Para o trabalhador, implica a alienação da força de trabalho, numa relação livre de adiantamento do valor de uso dessa, mediante contrato de compra e venda.
O contrato é a expressão jurídica das relações de propriedade e liberdade, onde se definem preço, salário, estabelecem-se prazos para pagamento. Em consequência, os trabalhadores realizam o trabalho sob controle e regulação dos empregadores e o produto pertence ao capital, não àquele que dispendeu forças humanas imediatas, no processo de produção.
Para decifrar o significado do trabalho concreto ou abstrato, exige-se conhecer as condições e relações sociais, nos diferentes processos de trabalho em que se inscreve, pois estas condicionam, sob a ótica do valor, as contribuições desse trabalhador ao processo de produção e reprodução das relações sociais, em seus vínculos com o processo de produção e distribuição da riqueza social.
O trabalho do assistente social ganha significados diferentes, condicionado às particulares relações a que se vincula e se envolve na condição de trabalhador especializado. Ainda que inscrito no universo do valor, não atua na produção direta de riquezas (mais valia) mas é parte de um trabalhador coletivo que combinam trabalhos especializados, na ótica de interesses capitalistas, na divisão técnica do trabalho (IAMAMOTO, 2004; 2008).
Nesse estudo, se considera que o Serviço Social teve reconhecimento como profissão liberal113 no Brasil, embora a legitimidade profissional esteve dependente da regulação
contratual com Instituições empregadoras em regime de assalariamento, portanto, salienta
113 Promulgado na Portaria n.º 35, de 19.04.1949, do Ministério de Trabalho, Industria e Comercio que enquadra
Iamamoto e Carvalho (2003, 2011) entra em choque com sua prática efetiva. A sua identidade da profissão esteve atrelada às Instituições públicas e privadas, da intervenção do Estado e Sociedade Civil frente a questão social, sendo que seu produto não se faz independente da inserção dos espaços sócio ocupacionais onde se vinculam.
O caráter contraditório é reiterado por Iamamoto (2004)114, em um contexto em que a
autora salienta que a profissão não tem essa tradição na sociedade brasileira, sendo que as relações de venda da capacidade de trabalho são, predominantemente de caráter patronal, empresarial ou estatal. Em nota, considera:
[...] O trabalho do assistente social tem como alvo privilegiado os segmentos mais pauperizados da população, excluídos dos direitos sociais ou com precário acesso efetivo aos mesmos. Em tais condições o que se requer como prioridade é a prestação de serviços públicos, não mercantilizados, para o atendimento de segmentos majoritários da população. Por outro lado, as múltiplas expressões da questão social nos campos da saúde, educação, assistência, previdência, saúde, etc., impõem programas amplos e articulados por políticas estatais e/ou empresariais que envolvem ações integradas entre diferentes especializações profissionais e volumosos recursos não passiveis de serem acionados por profissionais autônomos [...] (IAMAMOTO, 2004, P.96).
Portanto, na construção histórica do exercício profissional, o assistente social não tem sido autônomo, de modo a exercer de forma independente o trabalho, na acepção de profissão liberal115. Apesar das experiências restritas, face ao panorama do mercado de trabalho
especializado, a definição jurídica abre possibilidades de exercício independente, caracterizada por alguns traços: existência de uma relação singular no contato direto com os usuários – “os clientes” – o que reforça um certo espaço para a atuação técnica, abrindo a possibilidade de se reorientar a forma de intervenção, conforme a maneira de se interpretar o papel profissional. A isso se acresce outro traço peculiar ao Serviço Social: a indefinição ou fluidez do “que é” ou do “que faz” o Serviço Social, abrindo ao Assistente social a possibilidade de apresentar propostas de trabalho que ultrapassem meramente a demanda institucional (IAMAMOTO e CARVALHO, 2003).
114 No livro “O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional”.
115Não existe uma única definição geralmente aceita para profissão liberal. Acompanhando a crescente
complexidade da divisão do trabalho (sociedade pós-industrial) as profissões reivindicam status de liberais, desejando assegurar monopólios jurídicos de títulos, exercício e criar controles de colegas sobre a admissão e treinamento. Após a Segunda GM se sustentou que, como só os profissionais liberais entendiam plenamente as implicações de sua prática, também era natural que lhes fosse atribuído um papel predominante no controle de seu exercício e os recompensassem generosamente em termos materiais e status por assim procederem (OUTHWAITE e BOTTOMORE, 1996).
Na definição Bottomore (2001) uma das características das profissões liberais é o reconhecimento de superioridade de saber, que torna o cliente vulnerável e explorável e suporte dos códigos de ética e formas de autoridade corporativas. O que tem se revisado, é de que os autores de Serviço Social, da vertente crítica, abordados neste estudo, fazem menção à condição de liberal do Assistente social, mas com a ressalva de que seu exercício profissional não se concretiza como liberal, em função da sua condição de trabalhador assalariado.
Uma característica ressaltada por Iamamoto e Carvalho (2003) é de que, embora o profissional trabalhe a partir de uma situação de vida o trabalhador, não é por ele solicitado, atua a partir de uma demanda - e demandas dos serviços profissionais tem um caráter de classe, oficializada pelo Estado. Para a busca de serviços sociais, o usuário precisa passar pelo assistente social, enquanto agente que participa da implementação de tais serviços.
Assim como a maioria das profissões contemporâneas, originariamente, a profissão assalariada emerge em decorrência da expansão do aparelho estatal e das empresas do setor produtivo privado e o profissional em relação assalariada a serviço das mesmas, na implementação de políticas sociais. A profissão emerge e se consolida voltada para a intervenção na realidade e prestação de serviços sociais à população, utilizando-se de conhecimentos epistemológicos produzidos por outras ciências116.
Diniz (1998) sinaliza ainda a existência de ocupações com um menor “status” devido à ausência de uma consistente base cognitiva. A autora pontua que a maioria das situações em que ocorre “racionalização do trabalho mental” está relacionada a profissionais assalariados que ocupam posições subordinadas e que não ingressaram nas organizações pelo seu conhecimento técnico/especializado. Nessa perspectiva, Iamamoto e Carvalho (2003) sustentam que a profissão não surge da tecnificação da filantropia, ao contrário, as bases históricas da profissão são criadas da progressiva ação do Estado na regulação da vida social, para gerir o conflito entre capital e trabalho e as demandas motivadas pelas funções políticas,