Este trabalho de pesquisa partia, inicialmente, de alguns pressupostos, quais sejam:
49 Numa reunião de gestores realizada na Secretaria Municipal de Assistência no primeiro semestre de 2001, foi justamente perguntado o que aconteceria se a comunidade, num processo político-pedagógico, optasse por fazer um movimento reivindicatório junto à Prefeitura, como ficariam os profissionais, e a diretora do Departamento de Operações da Assistência Social respondeu que o papel de educador político estava sendo cumprido e que este era o objetivo da ação.
- na viabilização prática, as novas diretrizes propostas na reformulação das políticas sociais descentralizadas poderiam repercutir em dificuldades para muitos dos assistentes sociais que sempre fizeram o trabalho desenvolvendo suas ações profissionais de forma fechada e segmentada;
- a clivagem histórica da profissão, os perfis profissionais e o próprio significado e forma de estruturação das políticas sociais brasileiras poderiam causar, também, muita influência neste quadro;
-o histórico de um volume de trabalho administrativo excessivo demandado pelos programas e serviços, poderia contribuir para a supremacia do tecnicismo e burocracia nas ações do profissional, que muitas vezes também se acomoda com a situação dada.
- uma dificuldade também seria o fato do assistente social se destacar como executor de políticas, mas ter pouca vivência de planejamento e proposição de ações;
- estas e outras dificuldades gerariam, aparentemente, fortes resistências e a dificuldade, por parte de alguns assistentes sociais, de se perceberem enquanto educadores no processo de intervenção social.
- por outro lado, havia profissionais que se identificavam com a linha de trabalho delineada e estes acabariam por se constituir nos grandes impulsionadores da proposta de trabalho comunitário;
- há os profissionais que passariam a se identificar e desenvolver o trabalho comunitário a partir do processo de descoberta do mesmo como alternativa às práticas profissionais tradicionais;
- estes dois últimos tipos de profissionais destacados, aparentemente, teriam mais facilidade no reconhecimento do seu papel de educador.
- uma das causas de insegurança do profissional na formulação de propostas de trabalho comunitário pode ser a formação acadêmica do assistente social que pouco destaque
dá ao trabalho comunitário. Por outro lado, isso gera (embora não por parte de todos) o movimento de busca de conhecimento e reflexão, talvez uma das principais características do processo;
- a possibilidade de várias propostas educativas estarem sendo desenvolvidas e do profissional se colocar como educador, mas com posturas diferenciadas;
- o próprio movimento de rompimento com a segmentação dos programas e serviços descentralizados da assistência social pública na cidade, teria repercutido na mudança da prática do assistente social com destaque ao caráter educativo, já que há uma tendência de resgate das categorias de totalidade e historicidade, com uma direção no sentido de eixos transversais cruzarem as ações (família, ação comunitária, formação para o trabalho e cidadania).
Para se conseguir a análise proposta, foi feita uma apropriação das informações e avaliação de dados a partir de estudo bibliográfico e pesquisa qualitativa, considerando como sujeitos os profissionais de Serviço Social da Secretaria Municipal de Assistência Social que desenvolvem ações ligadas ao trabalho com comunidades na cidade de Campinas.
Pretendia-se conseguir uma amostra aleatória a partir da listagem de todos os profissionais que desenvolvem o trabalho comunitário no município. Entretanto, os procedimentos propostos inicialmente no projeto desta pesquisa sofreram algumas alterações em decorrência de iniciativas adotadas pelos gestores da Secretaria Municipal de Assistência Social de Campinas. Foi enviado um documento à diretoria do Departamento de Operações da Assistência Social do município (vide cópia em anexo) pedindo que fosse informado à pesquisadora quem eram os assistentes sociais que atuam, diretamente, no trabalho com comunidades com vistas à realização de entrevistas semi-estruturadas.
A gestora da Assistência Social encaminhou cópia do documento para as cinco coordenadoras das regiões com o fim de que já indicassem as interessadas em participar da
pesquisa. Algumas coordenadoras, confusas, procuraram a pesquisadora com o fim de esclarecer dúvidas a respeito de quais seriam os profissionais que atuam com comunidades e lhes foi explicado que elas é que definiriam, dentro do processo de trabalho da Assistência Social descentralizada.
Elas apresentaram o documento às equipes, algumas já definindo, por exemplo, que os profissionais do Serviço de Núcleos Comunitários de Crianças e Adolescentes (caso da SUL), ou dos Centros de formação para o trabalho e cidadania (caso da Noroeste) não deveriam participar, pois não fazem parte da equipe de trabalho com comunidades. Em outras regiões, todos os assistentes sociais descentralizados foram consultados. Resultado: 12 assistentes sociais se prontificaram, sendo: 03 da Região Norte, 0 da Sul, 02 da Leste, 04 da Noroeste e 03 da Sudoeste.
A partir de levantamentos efetuados, pôde-se constatar que havia, em 2004, 55 assistentes sociais atuando nos serviços descentralizados nas 05 regiões, o que nos aponta que os 12 profissionais disponíveis conformam uma amostra de 21,81% do total, com representação de 80% das 05 regiões quais sejam: Norte, Leste, Noroeste e Sudoeste, faltando apenas a Sul.
Foram desenvolvidas as seguintes técnicas e instrumentos:
Entrevistas semi-estruturadas, com questões abertas e registradas por gravador; Análise de documentos (leis, Programa de governo do PT para a cidade, relatórios, ofícios, plano municipal da assistência social, outros documentos produzidos pela Secretaria etc.).
As entrevistas foram feitas no período de 16/10 a 29/11/2004, com horários previamente agendados e em locais de preferência das entrevistadas (algumas optaram pela residência da pesquisadora, outras, seus locais de trabalho e apenas uma solicitou que fosse em sua casa). A duração das entrevistas foi bastante variável, de 30 minutos a 1h35.
Algumas optaram por responder pergunta a pergunta, pausando o gravador entre cada resposta e a maioria preferiu ir respondendo com poucas interrupções.
Apenas as entrevistas realizadas na CRAS Sudoeste apresentaram algumas dificuldades em decorrência do barulho local, mas isso não chegou a prejudicar a sua realização.