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Infecções humanas, particularmente aquelas envolvendo pele e mucosa, constituem um sério problema, especialmente em países tropicais e subtropicais em desenvolvimento. As dermatofitoses, infecções superficiais cutâneas produzidas por dermatófitos, são um exemplo de enfermidade infecciosa com elevada prevalência na América Latina (LACAZ, 2002).

Os dermatófitos crescem na queratina presente nos pêlos, nas unhas e na camada externa da epiderme. A infecção é transmitida de um indivíduo para outro ou a partir de um animal para o homem por contato direto ou por contato com cabelo infectado e células epidérmicas. Três gêneros de fungos são envolvidos nas micoses cutâneas. O Trichophyton pode infectar os cabelos, a pele ou as unhas; o

Microsporum usualmente envolve somente os cabelos ou pele e o Epidermophyton

afeta somente a pele e unhas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2000).

Quanto à distribuição geográfica, os dermatófitos são ubiquitários, não havendo área ou grupo de pessoas que se encontrem isoladas destes fungos (PALÁCIO et al., 1999). A variada distribuição etiológica das dermatofitoses pode ser explicada por áreas onde condições geoclimáticas e sociais são extremamente diferenciadas, fatalmente influenciando nas espécies de dermatófitos isolados (SIDRIM; MOREIRA, 1999).

Os dermatófitos apresentam uma predileção ecológica no que diz respeito à sua adaptação ao meio ambiente, podendo ser divididos em 3 grandes grupos, em relação ao seu habitat, sendo classificados como geofílicos, zoofílicos e

antropofílicos (SIDRIM; MOREIRA, 1999). Os dermatófitos antropofílicos causam micoses apenas no homem, estão entre eles: Microsporum audouinii, Trichophyton

rubrum, Trichophyton schoenleinii, Trichophyton mentagrophytes var. interdigitale, Trichophyton tonsurans, Trichophyton violaceum, Epidermophyton floccosum, etc.

Entre os dermatófitos zoofílicos, que causam micoses nos animais, a partir dos quais a infecção é transmitida ao homem, podemos citar: Microsporum canis, Trichophyton

mentagrophytes var. mentagrophytes, Trichophyton verrucosum, Trichophyton equinum, Microsporum gallinae, etc. Os geofílicos são espécies que se encontram

no solo, são eles: Microsporum gypseum, Microsporum fulvum, Microsporum nanum,

Microsporum cookei.

A epidemiologia é importante no controle das dermatofitoses. Os agentes predominantes da tinea capitis na América do Norte são o Trichophyton tonsurans e o Microsporum canis. O Trichophyton tonsurans é usualmente adquirido a partir de infecções humanas e vem causando uma epidemia progressiva de 40 anos de duração (BRONSON, 1983). O Microsporum canis é usualmente adquirido a partir de gatos e cães infectados (SHAH et al., 1988; SNIDER; LANDERS; LEVY, 1993). Ele é o agente predominante da tinea capitis nas áreas rurais e em algumas partes da Europa, do Mediterrâneo Oriental e da América do Sul (ALTERAS et al., 1986, SINSKI; FLOURAS, 1984).

Outras tinhas quando causadas por fungos antropofílicos tendem a estar associadas a adultos e adolescentes, apesar de que infecções em crianças também podem ocorrer (WEITZMAN; SUMMERBELL, 1995). O Trichophyton rubrum, o

Epidermophyton floccosum e o Trichophyton mentagrophytes antropofílico mostram

um padrão comum de associação com a tinea corporis, tinea cruris e tinea pedis. Além disso, o Trichophyton rubrum e o Trichophyton mentagrophytes estão

associados com a tinea manuum e com as onicomicoses (SINSKI; FLOURAS, 1984). Parece que a exposição a estes dermatófitos é uma ocorrência comum (WEITZMAN; SUMMERBELL, 1995).

Os dermatófitos zoofílicos, além da tinea capitis, causam mais comumente

tinea corporis em indivíduos de qualquer faixa etária (SINSKI; FLOURAS, 1984).

Existem vários dermatófitos zoofílicos que ocasionam enfermidades em humanos, sendo o Microsporum canis e o Trichophyton mentagrophytes os de maior relevância médica por sua freqüência e aspectos clínicos característicos (SEGUNDO et al., 2004). Os dermatófitos zoofílicos constituem importantes agentes de dermatofitoses ou tinhas em humanos no mundo (CABAÑES, 2000).

Os dermatófitos zoofílicos e geofílicos em geral tendem a formar lesões que são mais inflamatórias que aquelas formadas por dermatófitos antropofílicos, mas que também tendem a uma cura espontânea mais facilmente (RIPON, 1988 apud WEITZMAN; SUMMERBELL, 1995). Este padrão é visto na tinea capitis causada por

Microsporum canis (RIPON, 1988 apud WEITZMAN; SUMMERBELL, 1995).

Estima-se que 10 a 15% da população humana poderá ser infectada por estes microrganismos no decorrer de sua vida (RUBIO et al., 1999). Estudos epidemiológicos indicam que as dermatofitoses estão entre as doenças mais comuns do mundo, sendo consideradas o terceiro distúrbio de pele mais freqüente em crianças menores de 12 anos e o segundo em população adulta (GREER, 1994).

Vários motivos são aventados para explicar o aumento da incidência destas infecções nas últimas décadas, entre eles: o uso abusivo de antibióticos, drogas imunossupressoras e citostáticas, bem como o aparecimento de pacientes com

síndrome da imunodeficiência adquirida, os quais constituem alvo para o desenvolvimento das dermatofitoses (LACAZ, 2002; SIDRIM; MOREIRA, 1999). Aliado a esses fatores, os dermatófitos encontram nas condições de temperatura e umidade do clima tropical, o habitat ideal para sua disseminação.

As drogas tópicas disponíveis sem prescrição para as dermatofitoses incluem o miconazol e o clotrimazol, dentre outras. Um antibiótico oral, a griseofulvina, é freqüentemente útil nestas infecções, pois pode localizar-se no tecido queratinizado. O cetoconazol oral também pode ser prescrito. Quando as unhas estão infectadas, o itraconazol é a droga de escolha (TORTORA; FUNKE; CASE, 2000).

As drogas utilizadas no tratamento das dermatofitoses exibem alguns efeitos colaterais e possuem eficácia limitada (CARAZO; LOSADA; SANJUAN, 1999; GUPTA et al., 1998). Por este motivo, existe a necessidade do descobrimento de uma droga antifúngica segura e de maior eficácia.

Nos últimos anos tem sido dada especial atenção aos fungicidas derivados de plantas, baseado no conhecimento de que as plantas possuem sua própria defesa contra fungos. Na presença de patógenos (fungos, bactérias e vírus) as plantas podem produzir compostos para se protegerem contra ataques. O uso de plantas medicinais no tratamento de doenças de pele incluindo infecções fúngicas é uma prática antiga em muitas regiões do mundo (IROBI; DARAMBOLA, 1993). Este uso tem sido apoiado pelo isolamento de compostos com atividade antifúngica a partir de extratos de plantas (COSTA et al., 2000; PASSOS et al., 2002; SILVA et al., 2001; SOUZA et al., 2002). Pesquisas realizadas com plantas podem levar ao desenvolvimento de novas drogas efetivas contra fungos patogênicos humanos (ALI- SHTAYEH; ABU GHDEIB, 1999; KIM; CHOI; LEE, 2003; NAVARRO GARCIA et al.,

2003; NAVICKIENE et al., 2000; RAJENDRA PRASAD et al., 2004; SOUZA et al., 2003).

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