• Sonuç bulunamadı

3.1. Ekonomik Büyümenin Tanımı ve Kaynakları

3.1.2. Ekonomik Büyüme Türleri

3.1.2.1. Sopantane Büyüme

Os estudos sobre transposição didática têm em Yves Chevallard (1998), didata francês do campo do ensino da matemática, uma importante referência. O autor chama de transposição didática o trabalho de transformação de um objeto de saber em um objeto de ensino.

Um conteúdo de saber que tenha sido definido como saber a ensinar, sofre, a partir de então, um conjunto de transformações adaptativas que irão torná-lo apto a ocupar um lugar entre os objetos de ensino. O trabalho que faz de um objeto de saber a ensinar, um objeto de ensino, é chamado de transposição didática.” (CHEVALLARD, 1998, p.39).

A partir dessa citação, torna-se imprescindível refletirmos, acerca de, no mínimo, dois pontos em relação ao objeto de estudo proposto em nossa tese. Em primeiro lugar, os aspectos da ANL a serem transformados em objetos de ensino e, em segundo, as transformações adaptativas necessárias para que essa transposição didática ocorra.

Temos a clareza de que a Teoria da Argumentação na Língua possibilita uma mudança de perspectiva para o ensino da leitura na escola desde a Educação Básica, pois está fundamentada em um estudo semântico na língua e não fora dela. Ensinar os discentes a pensar acerca das possibilidades da língua pelo uso, pela noção de relação estabelecida no emprego da língua é, sem dúvida, capacitá-los a serem competentes, tanto no aspecto da leitura como no da produção de textos. Contudo, para chegarmos a essa mudança no ensino da leitura, faz-se necessário que pensemos nas transformações adaptativas pelas quais os aspectos selecionados da ANL para a presente pesquisa devam passar para se tornarem escolarizáveis e, também, nas transformações didáticas do professor frente a esse saber.

Falar de um saber e da sua transmissão, com efeito, é reconduzir a imagem da caixa preta, aquela da sala de aula onde se supõe a transmissão de um suposto saber, onde não iremos olhar e, se formos, veremos primeiro o professor, depois os alunos, e quase nunca o saber, sempre invisível, como a filosofia medieval, segundo Alain de

Libera. De fato, carecemos cruelmente de conhecimento sobre a vida “íntima” dos

saberes nas salas de aula: a metáfora substancialista que comporta a pretensa transmissão do saber explica, em grande parte, esse desconhecimento (CHEVALLARD, 1998, p.4).

A citação de Chevallard aponta um aspecto que consideramos essencial para toda e qualquer discussão que tenha como foco o ensino, que é a necessidade de conhecermos, realmente, o objeto a ser ensinado. A ANL, no nosso entendimento, subjaz a essa condição no momento em que trabalha com a natureza da própria linguagem. A ANL busca na língua explicar o sentido construído no discurso. Assim, ao estudar a Teoria da Argumentação na Língua, o docente terá a oportunidade de reconhecer, na língua, e não fora dela, o seu objeto a

ser ensinado, pois é como se a “vida íntima” da linguagem fosse desvelada pela ANL a partir

do princípio de interdependência semântica, no qual as relações estabelecidas pelos segmentos linguísticos constituem sentido e constroem diferentes discursos.

Ao apresentar sua teoria de transposição didática, Chevallard discute a concepção equivocada e tradicional de que os saberes escolares estariam em um segundo plano, pois a ênfase é dada à relação professor-aluno a partir de um enfoque psicológico. Para esse autor, o sistema didático é representado de forma triangular, em que se encontram o saber escolar, aquele que ensina/professor e aquele que aprende/aluno partindo de uma perspectiva epistemológica do saber ensinado. Ao propor essa concepção epistemológica, Chevallard demonstra preocupação quanto ao conhecimento de forma justificada na sua origem e, consequentemente, na sua natureza, o que implica em uma postura não mais subjetiva por parte de quem ensina.

Essa postura defendida por Chevallard, segundo a qual um educador deve ter conhecimento do seu objeto de estudo, é muito importante para esta pesquisa. Ao escolhermos a ANL como teoria que embasa nossa proposta, definimos uma postura não mais subjetiva por parte de quem ensina, pois a ANL é, por natureza, uma teoria explicativa: a língua é argumentativa; a argumentação está na língua. A ANL possibilita rigor científico para o profissional que possa vir a trabalhar com a teoria. Acreditamos, pela prática em sala de aula, que a escola trabalha muitas vezes com teorias que intensificam seu estudo no processo ensino-aprendizagem e pouco se preocupam com o conceito que representa o objeto de estudo em questão. A posição aqui defendida, conforme Chevallard, é da necessidade de que o educador perceba o quanto o saber a ser ensinado está no meio da relação ensino- aprendizagem, cabendo ao professor conhecê-lo profundamente para orientar seus alunos na construção desse conhecimento. A transposição didática do conceito de relação da ANL ao ensino nos parece ser o caminho para uma mudança significativa em nossas salas de aula.

Também Ducrot e Carel, ao proporem uma teoria semântica da linguagem, preocupam-se com o conhecimento de forma justificada desde a sua origem, sendo relevante um olhar nas bases filosóficas da teoria. A busca e o reconhecimento de pressupostos teóricos

em Platão e Saussure faz com que pensemos seriamente sobre a linguagem e, como não poderia deixar de ser, nos aproximemos de sua singular complexidade que é o encontro com o outro. Pensar a esse respeito é refletir acerca da complexa relação de como cada um de nós usa a língua a partir de escolhas que produzam significações. O princípio de alteridade, de Platão, assim como as noções de relação e de valor, de Saussure, constituem as bases da ANL e, na transposição didática, estarão na base para um trabalho eficaz de leitura.

Assim, transformar o conhecimento em conhecimento escolar a ser ensinado significa definir o tratamento a ser dado a esse conteúdo com o objetivo de tomar as decisões didáticas e metodológicas que irão orientar a atividade do professor e do aluno. Diante dessa necessidade de transposição didática, Chevallard (1998), em seu livro La transposición didáctica: del saber sábio al saber enseñado, parte do pressuposto de que o ensino de um

determinado elemento do saber só será possível se esse elemento sofrer certas “deformações”

para que esteja apto a ser ensinado. Para o autor, os conteúdos de saber designados como aqueles a ensinar são verdadeiras criações didáticas, suscitadas pelas necessidades do ensino. Em outras palavras, na transposição didática ocorre uma recontextualização do saber.

Esta pesquisa pretende mostrar que, por necessidade de um ensino que leve à qualidade da compreensão leitora, a Teoria da Argumentação na Língua apresenta princípios norteadores que podem ser transpostos ao ensino.

O primeiro destaque está no conceito de relação presente na ANL. Ao realizarmos sua transposição didática, é necessário trabalharmos com o conceito junto aos docentes, levando- os à comprovação de que um texto se organiza a partir dessas relações e, portanto, as atividades de leitura propostas aos discentes deverão centrar-se nelas.

Outros conceitos igualmente importantes na ANL são de Argumentação Interna (AI),

Argumentação Externa (AE) e encadeamento argumentativo. A ideia é de o professor,

consciente desses saberes científicos, transformá-los em saberes escolares a serem ensinados e aprendidos pelos alunos. Na recontextualização desses saberes, destaca-se que não serão os termos técnicos ou científicos que serão estudados, mas a concepção inerente a eles. Assim, os exercícios propostos de leitura sinalizarão para o trabalho com a paráfrase e com as relações entre as palavras e enunciados. Não serão os conceitos da ANL que levarão o aluno a ler, mas a adaptação desses conceitos em atividades de leitura a serem desenvolvidas. Dessa forma, os estudos de Chevallard servirão de base para que as adaptações necessárias sejam feitas ao propormos um ensino diferenciado para a leitura e, mais especificamente, ao apresentarmos o roteiro com atividades de leitura à luz da ANL.

Benzer Belgeler