III. Bu Kitaptan Nasıl Yararlanılır?
8. Arşivleme Aracılığıyla Kıdemli Araştırmacılarla Etkileşim
8.2. Sonundan Başlayarak: UiT Norveç Arktik Üniversitesi'nde Kıdemli Araştırmacıların Araştırma
A internacionalização dos Direitos Humanos constitui uma das características marcantes da segunda metade do século XXI, malgrado as violações sistemáticas e, em alguns casos, institucionais dos direitos da pessoa, assumindo diferentes formas, porém, cuja tônica de conteúdo perfaz-se recorrente em todo o mundo. Destarte, é crucial assimilar o sentido da expressão Direitos Humanos55 e encontrar meios, tanto no interior dos Estados quanto na
órbita global, para que eles sejam efetivamente respeitados.
Embora comumente usados como sinônimos, direitos fundamentais e direitos humanos se diferenciam quanto a sua aplicação, pela doutrina, enquanto o primeiro busca referir “os direitos do ser humano reconhecidos e positivados na esfera do direito constitucional positivado de determinado Estado”, o termo direitos humanos relaciona-se com as “posições jurídicas que se reconhecem ao ser humano como tal, independentemente de vinculação a uma determinada ordem constitucional, e que, portanto, aspiram à validade universal, para todos os povos e tempos, de tal sorte que revelam um inequívoco caráter supranacional (internacional)”. 56
Os Direitos Humanos correspondem àqueles direitos fundamentais, aos quais todo homem deve ter acesso, em virtude puramente de sua qualidade de ser humano e, que, portanto, toda a sociedade, que pretenda-se ser uma sociedade autenticamente humana, deve
53 BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 2000,
p. 53.
54 Até hoje, o sistema de referendum não pôde substituir a democracia indireta. Então, convém que fique claro
que, dentro dos limites onde a democracia direta assim compreendida é realizável, a democracia representativa e a democracia não representativa não são realmente incompatíveis. Ao contrário, se é verdade que a segunda pode integrar utilmente a primeira, é também verdade que não pode substituí-la. BOBBIO, Norberto. Quais as alternativas para a democracia representativa? In: O marxismo e o Estado. Rio de Janeiro: Graal, p. 49.
55 No tocante a questão conceitual, constata-se o uso corrente das expressões direitos humanos, direitos do
homem e direitos fundamentais, de forma que o emprego mais frequente das denominações direitos humanos e direito do homem ocorre entre autores anglo-americanos e latinos, em coerência, aliás, com a tradição e a história de luta destes povos, enquanto que a expressão direitos fundamentais parece ficar circunscrita à preferência dos publicistas alemães. [a posição de BONAVIDES endossada nesta pesquisa filia-se à doutrina alemã] BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 24 ed., São Paulo: Malheiros, 2009, p. 560.
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NUNES, Anelise Coelho. A titularidade dos direitos fundamentais na Constituição de 1988. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007, p.24.
assegurar aos seus membros. Corolário desta expressão hão de se entender as prerrogativas inerentes à dignidade da espécie humana e que são reconhecidos na ordem constitucional. 57
Consoante a lição de Joaquim Gomes Canotilho os direitos fundamentais abrangem os direitos humanos constitucionalizados, posto que traduzem “os direitos do homem, jurídico- institucionalmente garantidos e limitados espacio-temporalmente”. Já a noção de direitos humanos reverbera-se num gênero, pois são “direitos válidos para todos os povos e em todos os tempos”. 58
Percebe-se que, a concepção contemporânea dos Direitos Humanos surge com a Declaração Universal de 1948, sendo estes o código comum a ser seguido pelas nações mundiais e que se prestam, portanto, a consolidar a “afirmação de uma ética universal, ao consagrar um consenso sobre valores de cunho universal a serem seguidos pelos Estados”. 59
Tal declaração é, portanto, compreendida pela doutrina abalizada como o marco para a determinação dos Direitos Humanos universais. Segundo preleciona Norberto Bobbio: (...) “os direitos do homem nascem como direitos naturais universais, desenvolvem-se como direitos positivos particulares, para finalmente encontrarem sua plena realização como direitos positivos universais”. 60
A tônica conceitual hodierna em torno dos Direitos Humanos, notadamente, intitulados Direitos Fundamentais para os alemães, procura proteger o indivíduo, independentemente do país ao qual reside, ou do grau de desenvolvimento da sociedade, considerando-se apenas a sua feição de universalidade. 61
Apesar da dificuldade na capitulação de um conceito universal para o termo em comento, é patente sopesar que se revestem nos direitos fundamentais da pessoa humana, considerada tanto no aspecto individual como comunitário, que lhe correspondem em razão de sua própria natureza (de essência ao mesmo tempo corpórea, espiritual e social) e que devem ser reconhecidos e respeitados por todo Poder ou autoridade e toda norma jurídica positiva,
57 CHIMENTI, Ricardo Cunha et al. Curso de direito constitucional. 2 ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 45. 58 CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição, 4 ed. Coimbra: Almedina, 2000,
p. 359.
59 PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. São Paulo: Max Limonad,
2002, p. 145.
60 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 2004, p.
30.
61 O fato sobre o qual se funda a titularidade dos direitos humanos é, pura e simplesmente, a existência do
homem, sem necessidade alguma de qualquer outra precisão ou concretização. (...) Os direitos humanos são direitos próprios de todos os homens, enquanto homens, à diferença dos demais direitos, que só existem e são reconhecidos em função de particularidades individuais ou sociais do sujeito. COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 2 ed., São Paulo:Saraiva, 2001, p. 43.
materializados na Carta Magna de 1988, cedendo, não obstante, em seu exercício, ante as exigências do bem comum.
É salutar destacar que, no cenário internacional, diante da necessidade de efetivação dos Direitos Fundamentais, os movimentos sociais se organizaram no sentido de pleitear a codificação das suas reivindicações, possibilitando a criação de um sistema global de proteção e tutela destes, interagindo segundo a perspectiva da primazia do ser humano. O Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos se tornou relevante por conferir notoriedade a certos casos de violações sistemáticas de direitos. O Brasil encontra-se inserido em duas comunidades internacionais, a saber: a ONU – Organização das Nações Unidas e a OEA – Organização dos Estados Americanos.
Imbuído do propósito protetivo de resguardo aos Direitos Fundamentais em todas as suas dimensões, na contemporaneidade emerge de importância à discussão quanto à responsabilidade dos Estados em face da promoção da democracia participativa, mediante a criação e a aplicabilidade de instrumentos de sua efetivação, tais como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular, cuja tônica de estímulo à participação cidadã (direito fundamental de quarta dimensão) mais consciente pode contribuir bastante para uma mudança qualitativa na produção legislativa dos países, sobretudo, aqueles em desenvolvimento, intensificando o combate às mazelas sociais e a desigualdade entre povos.
Assim, denota-se que, para o combate às condutas ilícitas e abjetas aos valores da sociedade mundial, perante o Direito Internacional, foi digna de louvor a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos trazendo às Nações politicamente organizadas um caráter mais humanitário, com vistas à elaboração das legislações subsequentes ao período do Pós-guerra (1948). De um modo geral, o documento busca contemplar a vida e a dignidade para todas as pessoas de forma igualitária, ou seja, considerando o princípio da isonomia, tanto no aspecto material como no formal, inerente a todo e qualquer ser que pertença à simples condição de ser humano. Também, prevê o direito de participação62 no governo
diretamente ou por meio de representantes eleitos, como marco visionário para o seu tempo da ideia, hoje, emergente de democracia participativa.
62 Artículo 21. 1. Toda persona tiene derecho a participar en el gobierno de su país, directamente o por medio de
representantes libremente escogidos. 2. Toda persona tiene el derecho de accceso, en condiciones de igualdad, a las funciones públicas de su país. 3. La voluntad del pueblo es la base de la autoridad del poder público; esta voluntad se expresará mediante elecciones auténticas que habrán de celebrarse periódicamente, por sufragio universal e igual y por voto secreto u otro procedimiento equivalente que garantice la libertad del voto. Declaración Universal de Derechos Humanos. Adoptada por las (UN) Naciones Unidas el 10 de diciembre 1948. Disponible en: <http://www.un.org/es/>. Consultado el 20 de marzo de 2013.
O retrospecto internacional influenciou positivamente o direito brasileiro, de maneira que no âmbito das Nações Unidas, ratificou em 1992, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966), que dispõe explicitamente acerca da participação direta63, enquanto direito
do homem, na condução dos negócios públicos. Na seara jurídica pátria, torna-se patente, portanto, o reconhecimento da possibilidade de participação do cidadão diretamente na condução dos assuntos públicos, de modo que é perceptível a importância da blindagem da ordem internacional estabelecida, que só vem a reforçar o sistema normativo interno64
sedimentando a democracia participativa como princípio de matiz constitucional.
Denota-se a relevância de depurar a participação política enquanto direito fundamental, cabendo à Constituição, como estatuto do poder, tão somente reconhecer o seu exercício e conferir os canais institucionais, estabelecendo os limites e condições de sua concretização em termos práticos. Doravante, “(...) o poder de participar preexiste às constituições e aos Estados. O que necessita da ordem juspolítica são os canais institucionais para sua expressão disciplinada”. 65Data vênia, o Brasil, a partir de 1992, incide em dupla
proteção jurídica em face à democracia participativa, no âmbito internacional (Declaração Universal dos Direitos Humanos, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos) e no cenário interno (arts. 1º, I e 14, inc. I, II e III da CF/1988 c/c Lei nº 9.709/1998).
Ao delimitar o âmbito de proteção do sistema regional (OEA), encontra-se na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, ratificada pelo Brasil em 1992, mais conhecida como Pacto de São José da Costa Rica66
(1969) dicção condigna ao direito de participação na direção dos assuntos públicos, demonstrando coesão em face aos demais
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Artículo 25. Todos los ciudadanos gozarán, sin ninguna de lãs distinciones mencionadas em el artículo 2, y sin restricciones indebidas, de lós siguientes derechos y oportunidades: a) Participar em La dirección de lós asuntos públicos, directamente o por medio de representantes libremente elegidos; b) Votar y ser elegidos enelecciones periódicas, auténticas, realizadas por sufragio universal e igual y por voto secreto que garantice la libre expresión de la vontad de los electores; c) Tener acceso, em condiciones generales de igualdad, a las funciones públicas de su país. Pacto Internacional de Derechos Civiles y Políticos. Aprobada en 16 de diciembre de 1966. Disponible en:<http://www.un.org/spanish/documents/instruments/docs_sp.asp?year=1969>. Consultado el 20 de marzo de 2013.
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Os Tratados Internacionais ratificados pelo Brasil se incorporam ao Direito Constitucional Interno, conforme disposto no § 2º do art. 5º da CF/88.
65 SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 2.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2001, p. 124.
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Artículo 23. Derechos Políticos 1. Todos los ciudadanos deben gozar de los siguientes derechos y oportunidades: a) de participar en la dirección de los asuntos públicos, directamente o por medio de representantes libremente elegidos; b) de votar y ser elegidos en elecciones periódicas auténticas, realizadas por sufragio universal e igual y por voto secreto que garantice la libre expresión de la voluntad de los electores, y c) de tener acceso, en condiciones generales de igualdad, a las funciones públicas de su país. 2. La ley puede reglamentar el ejercicio de los derechos y oportunidades a que se refiere el inciso anterior, exclusivamente por razones de edad, nacionalidad, residencia, idioma, instrucción, capacidad civil o mental, o condena, por juez competente, en proceso penal. Convención Americana sobre Derechos Humanos (Pacto de San José – Costa Rica). Aprobada en 22 de noviembre de 1969. Disponible en: <http://www.oas.org/dil/esp/tratados_B- 32_Convencion_Americana_sobre_Derechos_Humanos.htm>. Consultado el 20 de marzo de 2013.
dispositivos sobre o assunto já citados no sistema global. Registra-se que, cristalino entendimento já era consagrado na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem em idos de 1948.67
Pesquisa realizada na década de 9068 já evidenciava a relação existente entre a
democracia e a necessidade da proteção aos direitos fundamentais no contexto mundial revelando que se encontra devidamente resguardada no plano dos Tratados Internacionais o direito da participação direta nos atos do Estado, porém, o mesmo não sucedendo quando se trata dos diversos documentos produzidos em âmbito regional (OEA), posto demonstrarem uma flagrante preocupação com a defesa da democracia no continente, sob o modelo representativo. 69
Felizmente, milita em favor da democracia participativa a força normativa dos Tratados Internacionais, de forma que, apesar dos documentos produzidos no sistema regional (OEA) optarem pela prevalência da democracia representativa enquanto mola propulsora para o continente é possível à conciliação entre os dois modelos, na medida em que os Estados adotem, internamente, instrumentos de participação direta do cidadão na tomada de decisões políticas (a exemplo do plebiscito, referendo e iniciativa popular), concretizando o direito fundamental à democracia, já capitulado pelo sistema global (Declaração Universal dos Direitos Humanos, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, Convenção Americana sobre Direitos Humanos).
O Brasil tornou-se Estado signatário de tratados e convenções internacionais para a proteção e promoção dos Direitos Fundamentais, se filiando as tendências contemporâneas de colaboração entre os povos no plano do Direito Internacional, assumindo, portanto, direitos e deveres perante o sistema global, e bem como, se submetendo as potenciais repressões morais, quando cabíveis, impostas pelas Cortes Internacionais, sempre que a ação do Poder Público nacional for ineficaz no combate à violação desses direitos, de modo a perseguir como fito último à paz universal.
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Artículo XX - Derecho de sufragio y de participación en el gobierno. Toda persona, legal‐ mente capacitada, tiene el derecho de tomar parte en el gobierno de su país, directamente o por medio de sus representantes, y de participar en las elecciones populares, que serán de voto secreto, genuinas, periódicas y libres. Declaración Americana de los Derechos y Deberes del Hombre. Aprobada en la Novena Conferencia Internacional Americana - Bogotá, Colombia, en abril de 1948. Disponible en: <http://www.oas.org/es/cidh/mandato/Basicos/4.DECLARACION%20AMERICANA.pdf>. Consultado el 20 de marzo de 2013.
68 NIKKEN, Pedro. La cooperacion internacional para la promocion y defesa de la democracia. In: Antologia
básica en derechos humanos. San José: Instituto Interamericano de Derechos Humanos, 1994, p. 166.
69 No âmbito regional (OEA) encontram-se documentos que enaltecem a democracia representativa, a saber:
Declaração de Asunción (1990), Compromisso de Santiago (1991), Declaração de Manágua (1993), dentre outros.
Neste sentido, é relevante o ensinamento de Artur Cortez Bonifácio70, segundo o qual a
ideia de paz universal e a própria cooperação internacional, quando voltadas para a promoção do ser humano devem estabelecer o mínimo de convergência e aproximação das ordens jurídicas parciais. Doravante, evidencia-se que na órbita internacional e, bem como, no plano interno dos Estados pós-modernos existe um vínculo indissociável entre os direitos humanos, a democracia e a paz. Sem a garantia dos direitos humanos não há democracia e sem democracia faltam as condições para a solução pacífica dos conflitos. 71 Nesta senda, a
proteção dos direitos fundamentais na seara global torna-se expediente essencial à construção da própria pilastra da democracia72 cosmopolita. 73
Resta clarividente que, o Direito Internacional tutela a Democracia Participativa como mecanismo legítimo para a emancipação dos povos, na medida em que lança luzes aos Estados para investir na ampliação dos instrumentos legais, que no cenário interno possam promover a concretização dos direitos fundamentais em todas as suas dimensões (civis, sociais, políticas, econômicas, etc).