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Daha Kapsamlı Arşiv ve Kayıt Yönetimi Çalışmalarının Bir Parçası Olarak Üniversite Tarafından

III. Bu Kitaptan Nasıl Yararlanılır?

8. Arşivleme Aracılığıyla Kıdemli Araştırmacılarla Etkileşim

8.1. Daha Kapsamlı Arşiv ve Kayıt Yönetimi Çalışmalarının Bir Parçası Olarak Üniversite Tarafından

Ecoa nos quadros da Ciência Política e do Direito Constitucional, a partir do século XVIII, a inabalável tensão causada pela dicotomia democracia indireta versus democracia direta, epicentro de uma celeuma, cujo retrospecto filosófico suscita argumentos plausíveis, através do pensamento de Montesquieu e de Rousseau, cujas teorias de índole democrática buscavam, cada uma ao seu modo, a organização do sistema político ancorada na ideia de soberania. O primeiro espargiu os fundamentos do regime representativo, que serviu de base à forma do Estado Moderno, que vigora e prepondera na maioria dos países até hoje. O segundo apresenta-se como defensor radical da soberania popular ou um utopista romântico, para

37 Segundo Carole Pateman, a participação consiste “num processo no qual cada membro isolado de um corpo

deliberativo tem igual poder de determinar o resultado final das decisões.” PATEMAN, Carole. Participação e teoria democrática. Trad. Luiz Paulo Rouanet. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 98.

alguns críticos, posto defender a democracia direta enquanto mecanismo indispensável à concretização da soberania popular, que não admite, neste contexto, ser representada. 38

Ao teorizar sobre a Soberania Popular, Jean-Jacques Rousseau defendeu a supremacia da Democracia Direta. Para o filósofo, o povo é totalmente soberano, pelo que a sua vontade, deve prevalecer sempre, não sendo transmitida nem cindida. 39 Segundo ele, apenas a vontade

geral40, ou seja, a vontade do povo dirigida ao bem comum deve fundamentar as decisões do

Estado, sendo toda forma de representação desta uma flagrante fraude a sua titularidade. Como meio de exercício da Soberania Popular, Rousseau apontou a Lei. Para ele, a lei é a forma de dar vida à vontade geral do povo e efetivar os seus desígnios. Por essa razão, as leis deveriam ser aprovadas pelo povo, e estar sempre de acordo com os interesses deste. Pode-se dizer, pois, que a teoria de Rousseau fortaleceu a tese da democracia exercida diretamente pelo povo. Ademais, as suas ideias formam a base teórica de instrumentos participativos, que permitem aos cidadãos a interferência ativa e constante nas decisões públicas, através de meios como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular.

Em corrente oposta, Montesquieu41 resignava-se diante da impossibilidade material de

organização do povo em assembleias, de forma que em sua concepção o modelo

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Segundo semelhante concepção da soberania popular, defendida e preconizada por Rousseau, a soberania não pode nunca alienar-se, porquanto a soberania é o exercício da vontade geral, e esta não se fará representar senão por si mesma, o que equivale a dizer não pode ser ela objeto de representação. Com efeito, Rousseau assevera que é possível transmitir o poder, impossível, porém, transmitir a vontade. Ou a vontade do povo soberano é vontade ativa, vontade onipresente, ou não o é, desde que se postule outra vontade, como no caso do sistema representativo, em que a vontade será nova e diferente da vontade anterior, da vontade do mandante que instituiu um mandatário. BONAVIDES, Paulo. O regime representativo e a democracia. In: Doutrinas Essenciais de Direito Constitucional, vol. 2 , p. 4. São Paulo: Revista dos Tribunais, Mai./ 2011.

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A soberania não pode ser representada pela mesma razão que não pode ser alienada consiste essencialmente na vontade geral, e a vontade não se representa ou é a mesma, ou é outra não existe meio termo. Os deputados do povo não são, pois, nem podem ser os seus representantes são simples comissários, e nada podem concluir definitivamente. Toda lei que o povo não tenha ratificado diretamente é nula, não é uma lei. O povo inglês pensa ser livre, mas está redondamente enganado, pois só o é durante a eleição dos membros do Parlamento assim que estes são eleitos, ele é escravo, não é nada. Nos breves momentos de sua liberdade, pelo uso que dela faz bem merece perdê-la. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social: princípios de direito público. Trad. Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 114.

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A volonté générale é o conceito de maior relevância no pensamento político do pensador genebrino. Ela é o cerne de seu ideal de sociedade civil, o coração e, principalmente, o cérebro pensante do corpo político que o filósofo gostaria de ver nascer. Serviria ela como meio para conduzir os cidadãos, unidos voluntariamente por força de um contrato social, a um estado de liberdade e igualdade, garantindo, inclusive, aquilo que os iluministas buscaram incessantemente por meio do seu racionalismo: legitimar o poder do Estado. OLIVEIRA, Bruno Batista da Costa de. A relação entre soberania popular e governo democrático na filosofia política de Jean Jacques Rousseau. In: Revista de Direito Constitucional e Internacional, vol. 73, p. 35. São Paulo: Revista dos Tribunais, Out./ 2010, p. 2.

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A grande vantagem dos representantes é que são capazes de discutir os negócios públicos. O povo não está apto a isso, o que representa um dos grandes inconvenientes da democracia (...) Ele só deve ingressar no governo para escolher seus representantes, o que está de fato a seu alcance. Pois, se há poucas pessoas que conhecem o verdadeiro grau da capacidade dos homens, cada um é, entretanto, capaz de saber, em geral, se o escolhido é mais esclarecido do que a maioria.MONTESQUIEU. O espírito das leis. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 158. [Livro Décimo Primeiro, Capítulo VI]

representativo corresponde a uma insuperável conquista histórica, devendo ser constantemente aperfeiçoado, mas nunca abolido. Denota-se que, para ele, a liberdade política só encontra o seu espaço de realizaçãosomente no Estado representativo, sendo neste cenário que o povo detémo poder de fazer as leis, embora o faça através de representantes eleitos.

Verifica-se que, com o advento da Revolução Francesa, o princípio representativo se consolida, notadamente, na tese da soberania da nação elaborada pelo abade Sieyès, que vislumbra a questão da legitimidade do poder do monarca como diretamente proporcional à sua capacidade de expressar o interesse da nação, consubstanciada no parlamento. Data vênia, conceituava a nação como: “corpo de associados que vivem sobre uma lei comum e representados pela mesma legislatura”. 42

Emmanuel Sieyès, na França, elaborou as linhas clássicas do governo representativo, base da democracia moderna, dentro da órbita do pensamento rousseauniano. Ele traça o modelo de governo representativo, mas distinto de democracia, em função da ideia de nação, que nele ganha dimensão maior e necessita a nação de representantes para ser governada. 43A

nação é uma entidade distinta dos homens que a constituem, pois ela perdura enquanto as gerações se sucedem e desaparecem. A soberania reside na nação e não no povo. A nação atua e manifesta sua vontade por meio dos representantes. Os representantes têm essa função, a de manifestar a vontade da Nação. Esta nasce do pacto social. Para Sieyès, a nação não constitui uma entidade étnica, mas um ente produzido pela vontade dos homens que a integram. 44

Diante das contribuições teóricas perfilhadas na doutrina, fica evidente que a partir da reordenação da identidade nacional dos Estados, mediante a elaboração das Constituições modernas o debate circundante sobre a questão da democracia passou a desembocar na sua titularidade e operacionalização no sistema de legalidade. Destarte, a democracia dos modernos pressupõe uma nova antropologia política, onde o cidadão trafega pela ordem jurídica, na medida em que reivindica a garantia das liberdades do cidadão. A soberania

42 SIEYÈS, Emmanuel Joseph. O que é o terceiro Estado. Trad. Norma Azevedo. 3 ed. Rio de Janeiro: Liber

Juris, 1997, p. 56.

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Com efeito, no que se refere ao mecanismo representativo, Sieyès pensa de modo diametralmente oposto a Rousseau: para este, a representação torna vã a liberdade política, enquanto para aquele constitui a única realização possível da democracia. Ambos, porém, partilham uma imagem demiúrgica de soberania: a imagem de um povo que, titular supremo do poder, é chamado a decidir seu próprio futuro sem estar impedido por algum vínculo. O sentimento palingenético (a ideia de uma nova estação histórica inaugurada pela revolução) pressupõe e ao mesmo tempo potencializa o sentido força do demos. COSTA, Pietro. Soberania, representação, democracia: ensaios de história do pensamento jurídico. Trad. Alexander Rodrigues de Castro et al. Curitiba: Juruá, 2010, p. 241.

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MOURA, José Fernando Ehlers de. Condições da democracia. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2007, p. 37-38.

encontra na lei fundamental a sua máxima expressão, sendo a vontade popular a condição necessária e suficiente para justificar a própria ordem constitucional.

Apesar da indubitável consolidação da democracia representativa45 no ocidente, a

partir de um processo histórico-evolutivo gradual, perpassando pela conquista das liberdades políticas, em seguida, pela crescente organização dos partidos e dos parlamentos, até a incorporação do sufrágio universal como símbolo dos direitos políticos46 é indiscutível que a

democracia direta, em vários momentos, ressurge no âmago da sociedade enquanto pauta de reivindicação pela efetivação dos direitos fundamentais de quarta dimensão, mais especificamente do direito à democracia, que somente encontra espaço de concretização mediante o exercício da participação popular legítima, tendo em vista a correção das corrupções do poder e, bem como, da superação dos limites das instituições representativas, não mais condizentes com a nova ordem social.

A propalada crise no modelo representativo denuncia o sentimento coletivo comum em muitas nações politicamente organizadas da falta de legitimidade na qual se revestem os Estados, em plena era contemporânea, de maneira tal que há uma nítida sensação de distanciamento entre representantes e representados. Somado a isto é perceptível, a forte tendência dos partidos políticos de monopolizar a ação política, favorecendo a formação de oligarquias, mediante a composição de comitês dirigentes altamente burocratizados, cujos desígnios nem sempre atuam na elaboração de leis para o benefício do povo que os elege através do voto.

O exercício do sufrágio proporciona ao eleito, o denominado mandato político representativo, que figura como elemento basilar da democracia moderna, sob o influxo inspirador dos princípios da representação e da autoridade legítima. O primeiro denota que o poder, que jaz no povo, é exercido, em seu nome, por seus representantes periodicamente eleitos, mediante mandato temporário. O segundo versa em que o mandato efetiva-se como a técnica constitucional por meio da qual o Estado, que carece de vontade real e própria, adquire condições de revelar-se e decidir, atuando na composição inclusive dos órgãos governamentais, dotando-os de titulares, mediante os quais a vontade do Estado encontra

45 A democracia representativa exige ainda adoção de certos procedimentos e instituições básicas indispensáveis

para consecução de seus objetivos, dentre eles: funcionários eleitos; eleições livres, justas e frequentes; liberdade de expressão; fontes de informação diversificadas; autonomia para as associações e cidadania inclusiva. No entanto, estes elementos são insuficientes, e a democracia representativa não prescinde de inúmeras críticas. DAHL, Robert A. Sobre a democracia. Trad. Beatriz Sidou. Brasília: Universidade de Brasília, 2001, p. 99.

46 Os direitos políticos são direitos fundamentais próprios do homem-cidadão, porque titularizados e exercidos

por pessoas que participam da vida política e da organização governamental e administrativa do Estado democrático. CUNHA, André Luiz Nogueira da. Direitos políticos. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2004, p. 21.

meios adequados para ser formulada, expressada e realizada na promoção dos interesses sociais corporificados na Constituição Federal.

Inicialmente, buscou-se equiparar a representação política com o mandato tal qual previsto no Direito Privado, onde o representante ficava vinculado em seu agir as ordens do representado, passando a atuar em seu nome e nos limites dos poderes outorgados, tendo até mesmo que prestar contas de sua gestão, de modo a ficar suscetível a desaprovação e a possível retomada do poder pelo mandante. Tal concepção de mandato imperativo47,

juridicamente, demonstra-se inviável para o exercício pleno da democracia representativa, posto que obsta a livre atuação do parlamento na valoração dos interesses da nação. Na verdade, o mandato se diz político-representativo48 porque constitui uma situação jurídico-

política, com base na qual alguém, designado por via eleitoral, desempenha uma função política na democracia representativa, sendo dotado de autonomia para desempenhar o mister de legislar, consoante previsão constitucional.

Uma outra perspectiva argumentativa vislumbra que a representação justifica-se através da teoria do órgão, segundo a qual, pela compreensão de seu idealizador Raymond Carré de Malberg, não se confunde com a vontade pessoal do soberano, posto que a vontade expressa por alguns homens não precisa ser necessariamente a sua vontade própria. O soberano ou o Estado na verdade age, enquanto ente público, mediante os seus órgãos, para fins de atender interesse de alcance coletivo. 49

47 O mandato imperativo foi formalmente proibido pela maioria das Constituições francesas e implicitamente por

todas. Essa proibição se explica naturalmente e decorre do fato de que o deputado não é o representante de sua circunscrição, mas, juntamente com seus colegas, o de toda nação e de todo o povo. HAMON, Francis; TROPER, Michel; BURDEAU, Georges. Direito constitucional. Trad. Carlos Souza. 27 ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2005, p. 171.

48 Segundo a teoria da representação política, que se concretiza no mandato, o representante não fica vinculado

aos representados, por não se tratar de uma relação contratual; esse mandado se diz geral, livre, irrevogável em princípio, e não comporta ratificação dos atos do mandatário. Diz-se geral, porque o eleito por uma circunscrição ou mesmo por um distrito não é representante só dela ou dele, mas de todo o povo que habita o território nacional. É livre, porque o representante não está vinculado aos seus eleitores, de quem não recebe instrução alguma, e se receber não tem obrigação jurídica de atender, e a quem, por tudo isso, não tem que prestar contas, juridicamente falando, ainda que politicamente o faça, tendo em vista o interesse na reeleição. Afirma-se, a propósito, que o exercício do mandato decorre de poderes que a Constituição confere ao representante, que lhe garante a autonomia da vontade, sujeitando-se apenas aos ditames de sua consciência. É irrevogável, porque o eleito tem o direito de manter o mandato durante o tempo previsto para sua duração, salvo perda nas hipóteses indicadas na própria Constituição (arts. 55 e 56). SILVA, José Afonso da. O sistema representativo, democracia semidireta e democracia participativa. In: Revista do Advogado. São Paulo, ano XIII, n. 73, p. 94-108, nov. 2003. Disponível em: <http://biblio.juridicas.unam.mx/libros/1/345/3.pdf>. Acesso em: 20 de março de 2013, p. 11.

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Da mesma forma que as palavras que saem da boca de um homem a ele são imputadas, igualmente os atos que emanam do governo ou do Parlamento são imputados ao Estado. Do mesmo modo que não se afirma que uma boca representa um homem, não se deve dizer que o Parlamento representa o soberano. Ele é seu órgão. O soberano não pode ter outra vontade senão aquela que seu órgão expressa e pode-se dizer até que ele só existe porque possui órgãos. BURDEAU, Georges. Direito constitucional. Trad. Carlos Souza. 27 ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2005, p. 167.

Diante da impossibilidade de apontar uma teoria fidedigna, capaz de justificar a relação representativa enquanto ideal democrático de profunda identificação entre a vontade do povo e a vontade de seus representantes, talvez mais lúcida seja a conclusão kelseniana50

em depurar do mandato representativo uma ficção, embora necessária como técnica de formação dos órgãos governamentais.

As vicissitudes51 do modelo representativo contribuem para a crise de legitimidade

instalada na órbita internacional acerca da utilização estatal deste expediente para operar verdadeira alienação das massas, que subsistem privadas do direito fundamental à democracia na acepção mais pura do termo, posto, letargicamente, impedidas de modificar o status quo e perfilhar novos caminhos de emancipação social. Tal cenário pessimista corrobora, para a propalada tese da impossibilidade de salvação da democracia representativa52, galgando em

seu lugar o apogeu da democracia participativa, neste momento compreendida como mais adequada à concretização dos direitos fundamentais e fortalecida pelo contributo da Nova Hermenêutica.

É uma pauta, relativamente recente, a reivindicação das sociedades mundiais pela

substituição da democracia representativa edificando-se em seu lugar a democracia direta, de modo a resgatar as exigências de Rousseau quanto à impossibilidade de representação da

50 Se os autores políticos insistem em caracterizar o parlamento da democracia moderna, a despeito da sua

independência do eleitorado, como um órgão ‘representativo’, se alguns autores chegam mesmo a declarar que o mandat impératif é contrário ao princípio do governo representativo, eles não apresentam uma teoria científica, mas advogam uma ideologia política. A função dessa ideologia é dissimular a situação real, é sustentar a ilusão de que o legislador é o povo, apesar do fato de que, na realidade, a função do povo – ou, formulando mais corretamente, do eleitorado – limita-se à criação do órgão legislativo.KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do estado. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 286.

51 Contra a democracia, alegam que parte do falso pressuposto de que a quantidade supera a qualidade; que

afasta os valores pessoais, já pelas vicissitudes das eleições, já pela própria temporariedade das funções; que os governos democráticos são geralmente perdulários, conduzindo à demagogia ou às oligarquias; que acarreta a falta de continuidade política e administrativa pela temporariedade dos mandatos; que não se adapta à complexidade crescente dos problemas sociais, pois não outorga aos governos força suficiente para resolvê-los; que a opinião pública é dirigida pela falsa propaganda dos demagogos e aventureiros, ou por interesses inconfessáveis, às vezes muito bem disfarçados, de classes ou de grupos; que o custo da manutenção do organismo democrático e da realização das eleições é extraordinariamente elevado, constituindo grande ônus para o país; que a democracia não resiste a certas crises sociais, como as guerras, reclamando então governos fortes e disciplinadores (ditaduras) etc. SHIRAI, Masako. A problemática da democracia como processo de democratização. In: Revista de Direito Constitucional e Internacional, vol. 9. São Paulo: Revista dos Tribunais, Out./ 1994, p. 3-4.

52 É impossível salvar a democracia representativa, porque ela contém uma contradição intrínseca: a

impossibilidade de uma representação legítima (seu pressuposto), isto é, não-eivada de manipulação – manipulação que apenas cresce e se agiganta e toma as formas de um moloch na sociedade de massas –, pela exigência de instrumentos de mediação que se constituem, ao mesmo tempo, incontornáveis instrumentos de defraudação da vontade cidadã original. AMARAL, Roberto. Apontamentos para a reforma política: A democracia representativa está morta; viva a democracia participativa. In: Revista de Informação Legislativa. Brasília, vol. 38, n. 151, p. 29-65, jul./ set. de 2001, p. 53-54. Disponível em: <http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/699/4/r151-02.pdf>. Acesso em: 20 de março de 2013. [Biblioteca Digital do Senado Federal].

soberania. 53 Não obstante, a democracia representativa e a democracia direta não serem dois

sistemas alternativos excludentes busca-se, incessantemente, uma integração recíproca entre ambas. 54

2.3 A PROTEÇÃO DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA NO ÂMBITO DO DIREITO