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5. SONUÇLAR ve TARTIŞMA

No dia-a-dia é muito comum às pessoas a referência ao termo concepção. Nos textos acadêmicos esse é utilizado como se o seu significado fosse tão consensual que não necessitasse precisá-lo.

Segundo sua etimologia, concepção deriva do latim conceptione, que quer dizer ato ou efeito de conceber.

Conforme os estudos de Ferreira (2007), conceber consiste numa modalidade cognoscitiva do ato de pensar. A autora esclarece que o ser humano, quando colocado em situações de aprendizagem favoráveis, torna-se capaz de desenvolver funções, processos e procedimentos psíquicos que o possibilita debruçar-se sobre os fenômenos e apreender suas propriedades, nexos e relações e a partir dessa apreensão atribuir-lhes sentidos e significados, elaborando diversas e complexas modalidades de conhecimentos, entre os quais situam-se as concepções, uma modalidade específica de conhecimento, distinta e singular.

Nesse sentido, o ato de conceber pressupõe a combinação de funções mentais de imaginar e pensar, para produzir tanto imagens mentais quanto materiais, abrangendo todos os campos da atividade humana (social, político, prático, técnico, material e mental), contendo em si diversidade e multiplicidade de sentidos e significados, com predominância do pensamento.

A autora ressalta, no entanto, que ninguém pensa no vazio. A capacidade de conhecer somente se efetiva na interação com os semelhantes e com o mundo cultural, no qual nos encontramos imersos desde o nascimento. É essa interação que possibilita o desenvolvimento

da condição humana de produzir cultura, ativando todas as funções mentais, com predominância do pensamento.

A concepção apesar de estar, inicialmente, diretamente vinculada à singularidade intuitiva, subjetiva, dada pela representação, supera a limitação fenomênica ao descobrir aspectos essenciais em sua mútua vinculação, sem, no entanto, buscar as conexões que dão especificidade aos conceitos, isto é, a relação – singularidade/particularidade/generalidade. Assim, toda concepção pressupõe um conhecimento preexistente, supõe que se saiba o que se quer dizer.

Nessa perspectiva, as concepções envolvem tanto os significados quanto os sentidos que o ser humano atribui ao seu entorno, uma vez que implica em uma significação.

Conceber então significa o que se quer dizer e ao mesmo tempo o que se pretende, ou seja, a finalidade daquilo que está sendo dito. Significa explicar o entorno, conhecer as causas e compreendê-lo, encontrar um sentido, para poder reconhecê-lo. Porém, o sentido de uma concepção, como qualquer sentido, não está na concepção em si, mas nas relações entre significante e significado.

Conforme Ferreira (2007), considerando as peculiaridades do conceito e as características da concepção, essa pode ser conceituada como o produto da atividade cognoscitiva do pensamento humano que explica e interpreta os fenômenos a partir de todas as propriedades que lhes são peculiares e inerentes. Nesse sentido, pode ser distinguida a partir de três dimensões diferenciadas - descritiva, circunscrita e transformadora - já explicitadas no capítulo anterior.

A concepção integra a relação sintética e dialética significante / significado / referente. Essa forma esquemática de caracterizar as modalidades apresentada por Ferreira (2007), não significa dizer que devemos considerá-las como dissociadas ou isoladas, ou estabelecer hierarquia valorativa entre elas, pois, apesar de distintas, são consideradas intercambiantes.

No movimento interpretativo das narrativas das professoras, foi possível apreendermos, de acordo com o nosso aprendizado da leitura de Ferreira (2007), que os nossos sujeitos sociais elaboraram sistematizações de caráter descritivo sobre a concepção de Necessidade de Formação. Eles se apropriaram de uma enunciação descritiva, restringindo-se a enumeração dos aspectos característicos das Necessidades Formativas.

No entanto, esses aspectos, além de definir as concepções de necessidades atribuídas pelas professoras, expressam uma enunciação articulada que inclui, ao mesmo tempo, possibilidades para satisfazer as necessidades atuais, conforme apresentamos a seguir:

 Carência ou ausência de práticas de ensino que possibilitassem aprendizagens fundamentais para o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo durante o período escolar e, em consequência, à trajetória formativa;

 Exigências no contexto escolar, pelas imposições das práticas pedagógicas tradicionais, como também exigência de práticas formativas para a obtenção da profissionalização docente, oriundas das experiências vividas nos âmbitos pessoal, familiar e social.

 Desejos de qualificação profissional através da conclusão da formação inicial em movimento a oportunidades de formação continuada, pós-graduação e autoformação.  Motivações em busca de desenvolvimento formativo, escolar e profissional, em decorrência do apoio e incentivo da família e da aquisição de novas práticas culturais;  Como ações imprescindíveis à formação/atuação docente e práticas formativas continuada a partir da apreensão das atividades educativas como processos dinâmicos vinculados às vidas cotidianas dos professores privilegiando suas experiências vividas nas práticas pedagógicas com uma carga eminentemente sentimental em prol de um ensino de qualidade a partir do ideário político-social da conjuntura atual.

Diante do exposto, podemos afirmar, segundo Ferreira (2007), que a concepção abrange sentidos e significados interligados . Ela é, ao mesmo tempo, subjetiva / objetiva, exterior / interior, estranha / íntima, periférica / central, fenomênica / essencial. Essas propriedades não são redutíveis umas em relação às outras, mas essencialmente complementares. Assim, para conceber, é necessário a elaboração e a internalização de elementos essenciais dos fenômenos a serem concebidos, pressupondo assim um estágio de conhecimento sobre eles de forma relacional entre significante e significado, pretendendo-se encontrar sentidos, elaborar significações, para assim poder reconhecê-los.

Portanto, evidenciamos que as professoras foram capazes de elaborar sentidos e significados descritivos que se restringiram a enumeração dos aspectos característicos do fenômeno em estudo – Necessidades de Formação - na sua aparência, oriundos do pensar subjetivo/objetivo produzidos por meio de enunciações articuladas, que incluíram, paralelamente, aspectos e possibilidades atreladas às suas práticas pedagógicas e

perspectivas formativas futuras. Sendo assim, constatamos a ausência de atribuições de significados pertinentes a uma reelaboração teórica das Necessidades Formativas, como também de questionamentos dos seus princípios organizadores. Isso significa dizer, que para alcançar esse estágio de conceber o fenômeno em estudo, faz-se necessário às professoras uma capacitação pedagógica formal que sistematize leituras essenciais à temática em foco.

Benzer Belgeler