Buscou–se analisar a comportamento das pontuações obtidas por área e por dimensão simultaneamente com o objetivo de avaliar a participação de cada dimensão na composição da pontuação final das áreas do cenário. Esta análise permite uma visão mais aprofundada e estratificada das áreas.
Cada uma das 7 áreas serão descritas em termos de resultados das dimensões com base na avaliação feita pelo pesquisador utilizando os questionários auto–administrados.
4.1.3.1 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo na Produção por dimensão
A presente subseção visa avaliar a implantação do Modelo Shingo na área Produção da fábrica de Recife. Esta avaliação será feita com base na análise das pontuações atingidas por cada uma das 4 dimensões do modelo dentro desta área.
O gráfico 4-4 apresenta a pontuação obtida em cada uma das dimensões do Modelo Shingo na área Produção.
Gráfico 4–4 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área Produção
Fonte: Elaborado pelo autor
Pode–se perceber pela análise do gráfico 4-4 acima que a área Produção apresenta duas dimensões com a pontuação no nível de excelência operacional, as mesmas são a dimensão 4 e a dimensão 1 com 83,33% e 80,56% de pontuação obtidas respectivamente. As dimensões 2 e 3 apresentaram–se no nível 4 com as pontuações 68,12% e 63,89% respectivamente.
A área Produção possui a maior proporção da população de funcionários da fábrica de Recife, com isso os aspectos vinculados a pessoas mais fortemente desenvolvidos na dimensão puderam ser mais facilmente avaliados pelo pesquisador. Da mesma forma os resultados avaliados na dimensão 4 em função da consistência desta área.
4.1.3.2 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo na Manutenção por dimensão
Foi avaliado o nível de implantação das 4 dimensões do Modelo Shingo na área Manutenção da fábrica de Recife. Todas as atividades ou segmentos da manutenção (mecânica, elétrica e ferramentaria) foram avaliados pelo pesquisador durante a aquisição das informações, ou seja, todas as dimensões foram consideradas em todos os segmentos da manutenção para permitir uma avaliação geral da área.
O gráfico 4-5 apresenta as pontuações obtidas na área Manutenção em cada uma das 4 dimensões do modelo Shingo.
Gráfico 4–5 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área Manutenção
Fonte: Elaborado pelo autor
Com base na avaliação do gráfico 4-5 de adequação do modelo à Manutenção pode–se observar que as dimensões 3 e 4 apresentaram um resultado que as classifica no nível 5, ou seja, e, excelência operacional. Essas dimensões pontuaram 83,3% e 80,00% respectivamente. A
dimensão 1 obteve uma pontuação de 77,78% o que a classifica no nível 4 enquanto que a dimensão 2 apresentou uma pontuação de 55,07% o que significa uma classificação de nível 3.
As áreas Produção e Manutenção possuem uma série de similaridades que vão desde o perfil de qualificação de seus funcionários quanto à rotina de atividade e metas a serem alcançadas. Com base nisso, esperava–se uma certa semelhança no comportamento dessas área com relação a adequação ao Modelo Shingo, o que não foi observado. Uma série de fatores podem ter influenciado nestas divergências, alguns desses fatores podem ser identificados a partir do levantamento das barreiras à implantação do modelo.
4.1.3.3 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo na Qualidade por dimensão
A avaliação do Modelo Shingo na área Qualidade apresentou, assim como nas demais áreas já avaliadas, os resultados de cada dimensão. Este departamento apresenta uma pequena quantidade de funcionários se comparados com Produção e Manutenção, porém exercem bastante influencia nestas duas áreas.
Segundo Rachid, Truzzi e Bento (1999) a qualidade é necessária para legitimar os processo de mudanças de qualquer empresa. Com base nessa afirmação, uma área de Qualidade baseada em princípios de excelência operacional pode fazer com os processos de mudanças baseados em melhoria contínua possam ser conduzidos de forma mais robusta.
O gráfico 4-6 apresenta os resultados da área Qualidade da fábrica de Recife nas 4 dimensões do modelo.
Gráfico 4–6 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área Qualidade
Fonte: Elaborado pelo autor
O resultado obtidos na dimensão 4 da área Qualidade foi de 86,67% o que a classifica como nível 5 nesta dimensão. Esta pontuação foi a mais alta atingida por todas as áreas nesta dimensão o que vem a corroborar Oakland (1994) que menciona que a Qualidade impacta fortemente nos resultados e na operação de qualquer negócio.
A dimensão 2 também apresentou uma pontuação de excelência operacional com 81,16% porém as dimensões 1 e 3 pontuaram respectivamente 72,22% e 69,44%sendo classificadas no nível 4 do escala.
A classificação no nível de excelência operacional na dimensão 2 pela área Qualidade também se vincula com uma atribuição que é a busca contínua não apenas da satisfação mas também da superação das expectativas dos cliente internos e externos do negócio (OAKLAND, 1994).
4.1.3.4 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo no Financeiro por dimensão
O Modelo Shingo prega a aplicação de seus princípios tanto na área de operações quanto nas áreas de apoio. Segundo Thompson (1997) esta abordagem visa incorporar os conceitos chave do sistema Lean nos ambiente de escritório.
Com isso, foi avaliado nível de adequação dos fundamentos do Modelo Shingo no Financeiro. Reforçando que esta área engloba as atividades vinculadas a Custos, Fiscal e Compras da fábrica de Recife.
O gráfico 4-7 apresenta os resultados obtidos da avaliação desta área com relação às 4 dimensões do modelo Shingo.
Gráfico 4–7 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área Financeiro
A dimensão 3 do Modelo Shingo obteve a maior pontuação individual quando comparada a todas as dimensões em todas as área. O resultado atingiu o valor de 88,89% de atendimento dos requisitos desta dimensão nesta área. Este resultado está compatível com a principal responsabilidades da área que é apura todos os resultados gerados por todas as demais áreas e garantir que todas as informações provenientes dos planos estratégicos estão sendo cumpridos, ou seja, esta área tem como principal objetivo fortalecer o alinhamento de todas as áreas entre elas mesmas e entre as diretrizes da companhia.
Por outro lado, a dimensão 1 apresentou um resultado de 63,89% o que representa uma classificação de nível 4 porém bem próxima do limite inferior desta faixa de classificação. Já com relação às dimensões 2 e 4 os resultados foram 46,38% e 43,33% respectivamente o que indica um baixo envolvimento com as práticas de melhoria contínua propriamente dita e também com a geração dos resultados da empresa.
4.1.3.5 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo no RH/EHS por dimensão
Segundo Locher (2011) o real propósito do departamento de recursos humanos é continuamente melhorar as competências dos ativos humanos da organização. O mesmo autor reforça que a aplicação do Lean e princípios de melhoria contínua devem garantir a agregação de valor deste departamento à companhia e seus funcionários.
Com base nas afirmações de Locher (2011) a aplicação dos elementos de melhoria contínua no Recursos Humanos é de fundamental importância para o negócio. Com isso, foi avaliada a aplicação dos elementos do Modelo Shingo no RH/EHS da fábrica de Recife.
O gráfico 4-8 apresenta os resultados obtidos da avaliação desta área com relação às 4 dimensões do modelo Shingo.
Gráfico 4–8 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área RH/EHS
Fonte: Elaborado pelo autor
Assim como ocorrido como os resultados do Financeiro, a área RH/EHS apresentou o mais alto resultado na dimensão 3. A pontuação alcançada foi de 88,89%, classificando esta área no nível 5 com relação a dimensão 3 do Modelo Shingo Alinhamento. Tal resultado pode ter sido influenciado por alguns fatores tais como: baixo quadro de funcionários o que facilita o fluxo de informação entre os mesmos, proximidade geográfica dos departamentos nas instalações da fábrica, inter–relação entre as áreas devido ao grande volume de demandas compartilhadas entre essas áreas.
O resultado da dimensão 1 obtido pela área RH/EHS foi o mais alto juntamente com a área Produção. Foi atingida a pontuação de 80,56%, classificando a área no nível de excelência operacional ou nível 5. Esse resultado já era esperado em função do alinhamento entre as responsabilidade da referida área e o escopo principal da dimensão 1.
A dimensão 4 apresentou um resultado de 60,00% o que representa uma pontuação no limite inferior do nível 4. Porém a pontuação da dimensão 2 foi de 53,62% o que classifica a área no nível 3 para esta dimensão. Estes resultados são reflexos dos baixos envolvimentos nas ferramentas de melhoria contínua e nos resultados gerais da fábrica pela área RH/EHS nas suas rotinas e atribuições.
4.1.3.6 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo no Lean/SGI por dimensão
A área Lean/SGI é a responsável pela gestão de todas as atividades de melhoria contínua na fábrica de Recife. Toda a disseminação dos fundamentos do Modelo Shingo é conduzida pelos profissionais desta área. Todo o projeto de implementação do modelo estudado neste trabalho foi gerenciado por está área.
Apesar de toda a orientação desta área ser direcionada para gestão dos princípios pregados pelo Modelo Shingo, esta área também foi avaliada quanto a adequação de suas práticas ao modelo em questão.
O gráfico 4-9 apresenta os resultados obtidos da avaliação desta área com relação às 4 dimensões do modelo Shingo.
Gráfico 4–9 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área Lean/SGI
Fonte: Elaborado pelo autor
A partir da análise do gráfico 4-9, pode–se observar o alinhamento entre os resultados das dimensões 1 e 4 com ambas apresentando 83,33% de pontuação o que classifica a área como sendo padrão em excelência operacional nessas dimensões. Tais resultados são de certa forma esperados em função das atribuições da área.
As dimensões apresentaram resultados um tanto inesperados. As pontuações dessas dimensões foram 63,77% e 66,67% respectivamente. Uma possível causa para esta divergência pode ser devido ao fato de a área se envolver na gestão porém não se envolver na rotina operacional do uso das ferramentas e princípios do Modelo Shingo. Já a baixa pontuação na dimensão pode ser um indicativo de desalinhamento entre a gestão e as perspectivas da fábrica de Recife e da companhia como um todo.
4.1.3.7 Avaliação da adequação ao Modelo Shingo no PCP/EXP/ALM por dimensão
A área PCP/EXP/ALM foi a última área a ser avaliada pelo pesquisador através do questionário auto–administrado. A referida área possui forte influência direta tanto na relação com o cliente externo quanto com o cliente interno e assim com o Financeiro corresponde a uma área de apoio cujos desafios de implantação do Modelo Shingo são tanto práticos quanto conceituais.
As 4 dimensões do Modelo Shingo foram avaliadas em sua integridade dentro desta área visando avaliar o nível de adequação da mesma ao modelo. O gráfico 4-10 apresenta os resultados obtidos com a avaliação.
Gráfico 4–10 – Nível de adequação ao Modelo Shingo por dimensão na área PCP/EXP/ALM. Fonte: Elaborado pelo autor
Conforme a avaliação por áreas realizada no presente trabalho, observou–se que a área PCP/EXP/ALM apresentou o menor nível de adequação ao Modelo Shingo dentre todas as áreas provenientes da subdivisão do cenário estudado.
A análise desta área por dimensão permite a identificação dos componentes que mais contribuirão para a baixa performance desta área. Pode–se verificar com a análise do gráfico que a dimensão 2 obteve uma pontuação de 39,13% compatível com o nível 2 da escala de classificação do Modelo Shingo, representando a pontuação mais baixa dentre toda a avaliação do das dimensões em todas as área. Essa classificação indica um baixo entendimento dos elementos do processo de melhoria contínua pregados por esta dimensão.
As dimensões 1 e 4 pontuaram respectivamente 52,78% e 43,33% figurando desta forma no nível 3 da escala classificatória do Modelo Shingo. Esta baixa pontuação na dimensão 1 pode estar relacionada com a alta rotatividade presente nesta área que consequentemente gera conhecimento tanto dos princípio propostos no modelo quanto da cultura da fábrica de Recife de uma maneira geral. A baixa pontuação na dimensão 4 pode estar relacionada com o desconhecimento das pessoas da contribuição da área para os resultados da empresa e também da contribuição dos funcionários para o alcance das metas corporativas.
A dimensão 3 apresentou um resultado de 66,67%, classificando–a no nível 4 um resultado que de certa forma destoou positivamente dos demais índices alcançados pela área nas demais dimensões.