• Sonuç bulunamadı

que a nota

do Provão

deveria ser

sigilosa,

para não

prejudicar

o aluno.

O ministro

lutou, lutou

e perdeu;

ganhou o

sigilo.

ABMES para fazer um seminário e orientá-las sobre como poderiam melhorar, porque não era só no Provão, era também conceito baixo na avaliação das condições de ensino.

A partir de determinado momento, o ministro deliberou que a SESu, a Secretaria de Ensino Superior do MEC, não se responsabili- zaria mais pela avaliação, e passou o encargo para o Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, no qual a presidente Maria Helena Guimarães Castro, foi a grande entusiasta da avaliação e muito fez neste campo. Isso foi uma briga de seis meses no MEC, mas a Maria Helena ganhou e chamou a mim, a Cláudio de Moura Castro, Edson Nunes, Eunice Durham, Carlos Alberto Serpa, Jocimar Archangelo, entre outros; éramos 12 no grupo, mas estamos reduzi- dos a quatro ou cinco. Contribuímos de alguma forma para a feitura de um manual de avaliação das condições de ensino, no qual traba- lhamos duro para tirar o ranço do “pedagogês” e das exigências aci- ma da lei. O ranço do pedagogês era incrível: Fundamentação teó- rico-metodológica do projeto pedagógico! Em que isso vai interessar? Não vai resolver nada. Que aluno eu quero formar? É isso que é im- portante, é isso que tenho que dizer e anunciar para as pessoas. E ser verdadeiro. A avaliação institucional é extremamente difícil, mas tem que ser feita para efeitos de recredenciamento, e mais a avaliação de curso para efeito de renovação do reconhecimento. É dificílimo porque os padrões quantitativos são muito complicados. E depois, conforme a vocação da instituição, é de um jeito que tem que ser analisada.

Outra questão é a dos avaliadores. O MEC elaborou um cadas- tro de quem quer ser avaliador de curso, e quatro mil pessoas se inscre- veram, entre mestres e doutores. O MEC vai selecionar 360 e dar um curso de dois dias em abril, treinar na utilização do manual que foi re- digido. Só que esses avaliadores não são funcionários do MEC, são designados, sem nenhum compromisso com o Ministério. O proble- ma é que o MEC não tem funcionários para supervisionar essas avali- ações, e esse é um formato falido. Eu quero compromisso. Insisto nisso, porque acho que o MEC já poderia ter avançado, estar munido de uma certa estrutura. Quando o ministro extinguiu as Delegacias do MEC — só não extinguiu no Rio e em São Paulo — o negócio piorou.

Como a avaliação das condições de oferta e o Provão incidiram sobre a Unama?

De posse do manual que elaboramos, os coordenadores estão fazendo aqui na Unama a avaliação de seus cursos e poderão concluir: “Vou tirar A, B ou C. Onde preciso mexer?” É uma situação preventiva. Você fazendo auto-análise é mais judicioso, de um modo geral, do que o sujeito que vem de fora. Não reclamo das comissões de avalia- ção, a não ser em um ou outro caso, com relação à demora na entre- ga dos relatórios. Não temos problema na avaliação das condições de ensino porque estamos preparados. Agora, no Provão, sim.

Verificamos que nosso sistema de avaliação não leva em consideração as competências que o Provão leva. Ou seja, elas não es- tão coerentes com as competências que nós queremos ao final. Agora estabeleci que trabalho não pode passar de 20% do valor da prova. Estou forçando a barra. Por quê? Porque muitos professores fazem trabalho em equipe. E trabalho em equipe, a gente sabe que, no Bra- sil, é de “euquipe": um faz e os outros assinam. E as provas têm de ser interdisciplinares. Por exemplo, no colégio estou fazendo com que a prova de matemática seja enunciada em inglês. Não sabe inglês na primeira série do ensino médio? Tem que saber.

Estamos começando a desenvolver ainda outras medidas. Por exemplo, vamos chamar os pais dos alunos e dizer que queremos sua ajuda para tirar A no Provão. Se o aluno estiver empregado, cha- maremos o seu patrão. A universidade vai ser falada, eu garanto. Por- que aí não é falar para 15 mil, é falar para os que estão fora. Depois, precisamos de uma maior aproximação com os discentes: discussão do Provão com os alunos para eles entenderem. Estou querendo fazer um CD chamado Show do Provão, igual ao do Sílvio Santos, e dar para os alunos, com todos os Provões já feitos e mais o que a gente imagi- nou. Pensamos também em premiar todo aluno que tirar oito no Pro- vão, dando a ele de graça uma pós-graduação na Unama. E aula tem que ser horário nobre do professor. Ou seja, ele ali tem que ser show, eletrizar seus alunos. Se não encantar, não vale. Por isso, temos de tra- balhar os professores.

Então, de alguma maneira o Provão está provocando um choque na instituição? Com certeza absoluta.

Um tema igualmente polêmico é o da autonomia acadêmica das universidades. Como as instituições particulares lidam com esse problema?

Isso é interessante. As universidades federais têm como man- tenedor o governo federal. Querem autonomia, mas com o dinheiro do governo federal. Na iniciativa privada, existe uma entidade man- tenedora e uma universidade particular. Adotada a mesma linha de autonomia, qual é o papel da mantenedora? Apenas repassar recur- sos? Acho extremamente complicado isto. Qual é a fórmula que ado- to na Unama? Aprovo o orçamento no Conselho Universitário, onde também têm assento representantes da mantenedora; se está todo mundo de acordo com ele, fim de papo. O resto a mantida sabe fazer melhor do que a mantenedora, talvez, em vista de sua estrutura. Adoto a autonomia universitária nessa linha. Claro que não ultrapas- so limites razoáveis, mas não tenho um centésimo dos entraves da Federal, cuja legislação é complicada. Tem Tribunal de Contas, tem não-sei-o-quê. Aqui não tem tribunal de contas, mas se eu não sou- ber economizar, não poderei fazer o que quero. Tenho que gastar de acordo com a missão, com os objetivos, com o propósito.

A maioria das universidades particulares nasceu como empresa familiar. As crises entre as famílias mantenedoras contribuem para conferir um traço de instabilidade institucional ao setor?

Realmente, em princípio a universidade pública é mais per- manente; sua instabilidade se origina nos processos eleitorais inter- nos, na política sindical etc. A universidade particular pode, eventual- mente, acabar; existe até pesquisa sobre isso. Meu raciocínio é o se- guinte: família é muito bom, se for competente. Nisso estou em opo- sição a muitos mantenedores, que acham que deve ser empregada toda a família na universidade particular; vejo muitos exemplos

Meu

Benzer Belgeler