• Sonuç bulunamadı

um pouco de

pesquisa, mas

até o final dos

anos 90 a

demanda

por ensino

superior era

tão maior

que a oferta,

que qualquer

curso que se

abrisse dava

certo.

sitivo, mas que não estudam; estes entram em escolas do tipo Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), ESPM (Escola Superior de Pro- paganda e Marketing), Mackenzie e Anhembi Morumbi.

Sou presidente do Semesp, o Sindicato das Entidades Man- tenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo, e recentemente fizemos uma pesquisa que foi publicada na Veja, onde ficou provado que quem tem sucesso é quem quer sucesso.1O aluno da faculdade particular que já está trabalhando faz amizades com pessoas que trabalham; os próprios professores são do mercado. Então, o passo lógico é eles entrarem em boas empresas, caminho um pouco diverso da universidade pública, onde, por orientação dos pro- fessores, que são mais da área acadêmica, o caminho natural dos alu- nos é a carreira no Estado ou na própria universidade.Tenho um ami- go que é presidente do Sindicato dos Professores e filiado ao PT, o Par- tido dos Trabalhadores. Outro dia, ele estava me contando que seu filho estudou administração no Centro Universitário Barão de Mauá e está trabalhando na Danone. Meu amigo estava chateado, porque disse que o filho virou “mauricinho”. Atualmente, o menino já saiu da Da- none e está trabalhando em outra multinacional; vai até fazer curso no exterior. Em suma, depende muito do interesse da pessoa.

O senhor nos disse que a Anhembi e a Morumbi atendiam a uma população de classe alta e média alta. Isso é verdade, sobretudo nos primórdios. Em 1971, quando começamos, muitas mulheres que tinham parado de estudar no co- legial, tinham casado e já estavam com os filhos em idade estudan- til, não tinham mais nada a fazer em casa. Assim, principalmente nos cursos da manhã, começamos a atender mulheres da mais alta socie- dade de São Paulo. O curso de turismo, por exemplo, atraía muitas delas, e também como era um curso com um currículo muito cultu- ral, digamos, houve um interesse da alta sociedade. Agora, ao mesmo tempo, no curso noturno a maioria era de alunos que trabalhavam durante o dia, pessoas de classe média. Esse é o perfil do nosso aluno, até hoje: de manhã, estudantes sustentados pelos pais, e à noite uma boa percentagem de alunos que moram com a família, mas que tra- balham e se responsabilizam financeiramente por seus estudos. Éra-

Universidade

Anhembi Morumbi Gabriel Mário Rodrigues

1 Em 20 de março de 2002, a revista Veja publicou a matéria “As escolas do PIB” em que apresenta os dados de uma pes- quisa encomendada pelo Semesp segundo a qual 77% dos exe- cutivos de grandes empresas são oriun- dos de faculdades particulares. Revista

Veja de 20/3/2002.

São Paulo, Ed. Abril, ano 35, n. 11, p. 100-103.

diferenciado, mais classe média.2Atualmente contamos com 65% dos alunos freqüentando os cursos noturnos e 35% pela manhã.

Quando o senhor começou a pensar em transformar a instituição em universidade?

Ainda na década de 80. As escolas tradicionais e aquelas com uma boa percepção começaram a sentir, ali por 1985, que o desenvol- vimento da instituição era totalmente dependente do Conselho Fe- deral de Educação, e para se livrar do Conselho e ter autonomia para abrir cursos era preciso ser universidade. Para isso, era necessário ofe- recer quatro cursos da área profissional e quatro da área básica. A par- tir de 1985, uma série de faculdades fez isso: transformou-se em univer- sidade, cumprindo o ritual de oferecer quatro mais quatro.3

Entre 1975 e 85, o Conselho Federal de Educação passou por períodos em que não permitia a criação de nenhum curso novo e, de- pois de alguns anos, mudava de idéia. De 1985 em diante, com a possi- bilidade de se transformar em universidade a partir da oferta de “qua- tro mais quatro”, houve o grande salto. Os dados mostram que em 1980 devia haver umas 15 universidades particulares em todo o país, apenas; a partir de 1985 esse número se multiplica. As universidades criadas até 1990 levaram vantagem de mercado, sendo que naquele tempo a voracidade da competição era mais controlada do que é hoje.

Eu só entrei com o processo em 1990. Apanhei muito, porque precisei entrar pela via da autorização. Havia duas possibilidades: pela via da autorização e pela do reconhecimento. As faculdades que já tinham os quatro cursos da área profissional e mais os quatro da área básica entravam com o pedido pela via do reconhecimento — já era direto; naquele tempo, era um processo mais fácil, apesar de pre- cisar de apoio político. As faculdades montavam o processo e aten- diam a todas as exigências. Era criada uma comissão de acompa- nhamento e, no final de um ano, o projeto era aprovado e a institui- ção era reconhecida como universidade. Já as faculdades que, como a minha, não tinham os “quatro mais quatro”, pediam a transformação pela via da autorização, processo mais longo, mais demorado.

desenvolve suas atividades desde a década de 1970. O

campus compreende

várias unidades no Bairro Vila Olímpia, na zona Sul de São Paulo. 3 A Resolução n. 3/83 do Conselho Federal de Educação, que dispu- nha sobre a autoriza- ção e o reconhecimen- to de universidades, definia (artigos 4o e 5o) que uma universidade deveria oferecer pelo menos quatro cursos nas áreas fundamen- tais do conhecimento (ciências exatas e na- turais, ciências huma- nas, letras ou artes) e quatro cursos de cará- ter técnico-profissional. Ver Documenta, 268. Brasília, Conselho Fede- ral de Educação, 1983. 4 Em agosto de 1994, o ministro da Educação Murílio Hingel extin- guiu o Conselho Fede- ral de Educação (CFE), envolvido em várias denúncias de irregula- ridade publicadas no jornal O Estado de S.

Paulo, criando, em seu

gabinete, uma comis- são encarregada das atribuições do órgão, tais como autorização para o funcionamento de novos cursos e para a transformação de faculdades em univer- sidades. Já na gestão de Paulo Renato Souza foi criado o Conselho Nacional de Educação (CNE) pela Lei n. 9.131, de 24 de novembro de 1995, instalado em 26 de fevereiro do ano seguinte. Ver DHBB.

Primeiro, era necessário criar os cursos que faltavam. No nosso caso, tínhamos seis cursos na área profissional e apenas um na área básica: letras. Precisamos pedir autorização para abrir matemá- tica, desenho artístico e química. Em seguida, aprovada a abertura do curso, era preciso esperar que eles fossem reconhecidos; o processo levava quatro anos. Foi o que aconteceu conosco. Em 1994 eu estava com todos os cursos reconhecidos. Nessa hora, foi extinto o Conselho Federal de Educação, o que paralisou o andamento do processo.4

A nova legislação posta em vigor não falava mais em reco- nhecimento, mas em credenciamento. Assim, em 1997, tive a Univer- sidade Anhembi Morumbi credenciada; ela não foi autorizada. A difi- culdade foi tamanha que,num determinado momento,briguei dizendo que eu queria o mesmo tratamento de antes, queria ser universidade autorizada. Mas não consegui ser homologado como autorizada, por- que essa figura deixou de existir. A Anhembi Morumbi foi a penúlti- ma universidade aprovada, em 1997; a última foi a Cândido Mendes, que já entrou sob a nova Lei de Diretrizes e Bases, como uma universi- dade especializada por campo de saber.5

Mas foi uma luta! O Conselho Nacional de Educação foi cria- do em novembro de 1995, sem saber nada do passado. Procuraram re- cuperar os processos daquelas 20 faculdades que aguardavam uma resposta, entre as quais umas 10 ou 12 estavam em condições de serem reconhecidas. Este processo de credenciamento foi acontecendo pou- co a pouco: Universidade Tuiuti, do Paraná; Universidade Severino Sombra… Quando chegou a nossa vez, José Arthur Giannotti, conse- lheiro de São Paulo, homem da academia, consertador do mundo, li- gado ao presidente da República, foi contra, achando que não tínha- mos condições, naquele momento.6

Por quê?

O que aconteceu foi o seguinte: sempre tivemos um perfil bem diferenciado, oferecíamos curso de Turismo, de Moda… Lembro até que numa discussão um conselheiro fez uma gozação, querendo saber se o Clodovil era professor nesse curso.7Mas aí outro conselhei- ro, desta vez do Rio Grande do Sul, explicou que a indústria do ves- tuário era a segunda indústria no seu estado.

Universidade

Anhembi Morumbi Gabriel Mário Rodrigues

5 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.394/96), em seu art. 52, parágrafo único, determina: “É facultada a criação de universidades espe- cializadas por campo de saber.” O Decreto n. 2.306, de 19/8/1997, em seu art. 9o, pará- grafo único, determina que a criação das uni- versidades especializa- das “dar-se-á mediante a comprovação da exis- tência de atividades de ensino e pesquisa tanto em áreas básicas com nas aplicadas”. Ver Coleção das Leis da

República Federativa do Brasil. v.188, n.12. Brasí-

lia, Imprensa Nacional, 1996. Coleção das Leis

da República Federativa do Brasil. v.189, n.8. Bra-

sília, Imprensa Nacio- nal, 1997.

6 José Arthur Giannotti (1930- ) é presidente do Centro Brasileiro de Análises e Planejamen- to (Cebrap) e professor da Universidade de São Paulo (USP). Foi mem- bro do Conselho Nacio- nal de Educação entre 1996 e 1997.

7 Clodovil Hernandez (1937- ) é estilista e apre- sentador de programas de televisão.

mar em universidade naquele momento. Leiam,por exemplo,o parecer do relator Jacques Velloso, de Brasília: no final, ele não recomenda que se crie a universidade, mas um centro universitário. Acontece que nossa luta era pela transformação em universidade, e esta solução nos pareceu uma diminuição. Analisando bem, posso perceber que ser um centro universitário teria sido mais interessante, porque não nos obrigava a manter pesquisa acadêmica. Mas naquele momento, foi claramente percebido como uma diminuição, por isso não aceitei. O conselheiro Lauro Zimmer, que tinha pedido vistas do processo, fez uma declaração de voto favorável à transformação em universidade. No final, na reunião de 14 de agosto de 1997 a transformação em universidade teve seis votos favoráveis e cinco contrários; passou apertado, por um voto. Foi um sofrimento, mas isso faz parte do pas- sado. Hésio Cordeiro se absteve, deu para trás na hora H, ficou neutro. Myriam Krasilchik e José Arthur Giannotti, daqui de São Paulo, votaram contra, assim como Jacques Velloso, Silke Weber e Éfrem de Aguiar Ma- ranhão, reitor da Universidade Federal de Pernambuco.

Quando Fernando Henrique assumiu o governo, Éfrem de Aguiar foi trabalhar junto com a primeira-dama. Aqui em São Paulo, tínhamos criado o projeto Universidade Solidária, no âmbito do Semesp. Um dia, recebo um telefonema do Éfrem, perguntando se podería- mos ceder o nome para um projeto que eles estavam criando em Bra- sília. Eu lhe respondi: “Cedo, Éfrem, mas com uma condição. Sei que você se dá bem com a primeira-dama. Estou com meu processo de transformação em universidade em tramitação no Conselho Nacio- nal de Educação. Quero o apoio dela.” O Éfrem respondeu: “Não tem problema, tudo bem.” E votou contra.

Lauro Zimmer era também ligado às universidades públicas?

Ele tinha sido da Universidade Estadual de Santa Catarina, mas na época trabalhava na Estácio de Sá. O Lauro já tinha uma cultura mais voltada para o segmento privado. Além dele, votaram a favor o Arnaldo Niskier, que já era conselheiro do antigo Conselho Federal de

…no final,

Benzer Belgeler