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5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

5.1. Sonuçlar

Entrevista 1: Elisa – “A Mendinga”

Elisa tem 41 anos, não é alfabetizada (“ou se esqueceu”, “tá aprendendo a

escrever o seu nome”), trabalhou por cinco anos em empresa de reciclagem, tem seis

filhos de pais distintos. Cinco meninos foram criados pelos pais e uma menina que completou um ano (de pai desconhecido) foi retirada de Elisa na maternidade e levada para um abrigo. A criança está sob a guarda provisória de uma prima de Elisa e de seu marido, e o contato com ela não está autorizado por responsáveis pela criança. A retirada da criança da mãe, o encaminhamento para abrigo, a solicitação de guarda pelo casal foram realizados sem o conhecimento de Mário (filho) e de Cleonice, sobrinha por consideração. Elisa era moradora de rua, sobreviveu do lixo durante a gravidez, e era conhecida como “A mendinga”. Seus irmãos foram responsáveis pela autorização e entrega da criança na maternidade. Elisa é portadora de transtorno mental, e em sua família existe histórico de duas irmãs com quadros psiquiátricos, sendo que uma delas suicidou. Seus irmãos se apropriam de seus benefícios, se utilizam de seu dinheiro, e se desfizeram de uma casa e de um barraco, que eram de sua propriedade. Enquanto isso, Elisa permanecia na rua, vivia do lixão e era exposta a diferentes privações e violência. Cleonice não pode resolver a situação de Elisa “por não ter grau de parentesco legalmente reconhecido”. Com a maioridade de Mário, e com a iniciativa de Cleonice de trazê-lo do nordeste para São Paulo, foi possível internar Elisa. Ela permaneceu em hospital psiquiátrico por 10 dias e, à época da entrevista, tinha tido alta e encontrava-se em acompanhamento ambulatorial no CAPS. Mário buscou o tratamento para a mãe, deu início aos processos de sua interdição junto à DPESP e ao de solicitação da guarda da irmã.

PARTICIPANTES: filho e sobrinha

Mário é filho de Elisa, tem 21 anos, é casado, pai de um menino e mora em uma fazenda do pai, no nordeste, juntamente com esposa e filho. Aos quatro anos, mudou-se para o nordeste com o pai, ocasião em que Elisa havia resolvido deixar a família, e o

filho não teve mais contato com a mãe.

Cleonice é sobrinha do pai de Mário, e de Elisa por “consideração”. Atendente de Unidade Básica de Saúde e tem um casal de filhos. Mora com seus filhos na casa de seus pais, com mais dois irmãos e um primo. A casa de seus pais também abriga Mário e Elisa, enquanto Mário permanece em São Paulo para resolver a situação da mãe. Cleonice relata ter sido cuidada por Elisa quando criança e que era na casa da mãe de Cleonice que Elisa buscava ajuda, de tempos em tempos, nos períodos em que vivia na rua.

Entrevista 2: “A veia louca”, “O aleijado” e “A retardada”

Mãe e filha buscam a DPESP por serem vítimas de violência doméstica por parte do filho mais velho da família, Abel, 54 anos, vigia, pai de cinco filhos de relacionamentos distintos. Ele morava na casa dos pais até determinação judicial recente para sair. Abel as agredia física e emocionalmente assim como ao pai acamado. Além de sofrerem agressões, o filho entrou com processo de interdição dos pais e da irmã alegando insanidade, motivo pelo qual acionaram a DPESP para se defenderem. Abel havia entrado com esse processo de interdição, também pela DPESP. De acordo com mãe e filha, por interesse no imóvel do pai, em que a família mora, e em uma pensão que a irmã recebia (atualmente não recebe mais). Segundo as entrevistadas, Abel se dirige aos familiares como “a veia louca”, “o aleijado” e “a retardada”. Relatam diversas situações de agressões; ocorrências policiais constantes; tentativa de internação da mãe e da irmã alegando insanidade (que não se concretizou por intervenção dos vizinhos). Abel chegou a ser preso após agredir o pai. Atualmente, é impedido de entrar na casa dos pais, mora de aluguel e os processos de interdição da mãe e da irmã estão em andamento. Embora tenha sido mencionado na entrevista que havia solicitação de interdição do pai, as referências de terem passado por audiência e por perícia psiquiátrica se restringiram a mãe e a filha. Os resultados são parcialmente conhecidos, a mãe não foi considerada incapaz – “louca”.

PARTICIPANTES: mãe (idosa) e filha (deficiente mental)

que tem sequelas de acidente e de AVC, e é acamado. Ela também foi vítima de AVC e tem algumas dificuldades de fala, faz acompanhamento medicamentoso, tem também dificuldades de locomoção por problemas nos pés, tendo se submetido a uma cirurgia à época da entrevista.

Cristal, 40 anos, solteira, estudou até a terceira série e permaneceu em escola especial por 20 anos. Fez tratamento no Hospital das Clínicas, no CAPS, atualmente faz tratamento neurológico e faz uso de medicamentos que são retirados no CAPS. Entretanto, não soube informar seu diagnóstico, embora tenha posse de um laudo. Ela cuida da casa, faz serviços de banco, de farmácia e de supermercado, acompanha a mãe em todas as suas atividades em casa e fora.

Entrevista 3: O “Clínico Geral” e o “Especialista em pintura”

Senhor Messias busca a DPESP encaminhado pelo CAPS para solicitar internação compulsória para seus dois filhos usuários de drogas:

Tim, 40 anos, em segundo relacionamento, 3 filhos (18, 21 e 5 anos), usuário de maconha, cocaína e crack (“ele se diz Clínico geral: o que vier eu pego”). Já passou por 11 ou 12 internações em diferentes hospitais e Comunidades Terapêuticas, ficou internado por cinco meses e meio e teve alta antecipada porque a clínica teve seu convênio encerrado com a prefeitura. Está em tratamento no CAPS e frequentando o Amor Exigente. A última internação foi compulsória, ele estava falando de suicídio, estava “louco”, havia emagrecido 12 quilos em 2 meses, o médico tinha dado no máximo 6 meses de vida pra ele, caso não fosse internado. Ele mesmo dizia que se não fosse internado iria morrer. Foi por esse motivo que foi encaminhado à DPESP. Quando menor de idade, se envolveu em ocorrência policial por causa de drogas, mas não ficou preso.

Leandro 31 anos, solteiro, mora com os pais, “especialista em pintura”, usuário de crack, passou por 8 ou 9 internações em comunidades terapêuticas em diferentes municípios. Ele sumia com objetos da casa, dinheiro, mentia na rua pra pedir dinheiro para droga. A família tinha que deixar tudo trancado na casa para ele não trocar por drogas. Envolvia-se em dívidas. O pai assumiu suas dívidas de carro e de cartão de crédito. Chegou a se envolver em situações de desacato à autoridade, roubo para

comprar drogas e ser intimado a pagar cesta básica. A última internação foi compulsória porque se recusava a ir ao CAPS, entretanto não se opôs à internação. Está internado em Clínica Terapêutica em município vizinho ao de seus pais.

PARTICIPANTE: o pai

Senhor Messias, 68 anos, aposentado por invalidez, faz tratamento de câncer, já passou por 12 cirurgias, morou na roça, estudou por três meses e trabalhou na lavoura. Na cidade, trabalhou em fábrica e em posto de gasolina. Viúvo, tem um filho do primeiro casamento, casou-se pela segunda vez, tem uma filha e um filho do segundo casamento e 3 netos. Sua esposa tem 67 anos e é diarista. Procurou a DPESP por necessidade de internação de dois filhos. Há 22 anos lida com o problema deles com as drogas.

Benzer Belgeler