BÖLÜM V: SONUÇLAR VE ÖNERĠLER
V.1. SONUÇLAR
Neste núcleo de significação, abordaremos as experiências profissionais destacadas pelas professoras, nas entrevistas, e focalizaremos suas atividades profissionais relacionadas à temática ambiental e à atuação docente.
No relato sobre sua trajetória profissional, a Professora A frisa que, após a conclusão da graduação, além de ter a oportunidade de participar de um curso de especialização em educação ambiental, como já mencionamos, também começa a trabalhar como técnica do Projeto Rondon. Embora sua experiência esteja vinculada à atuação profissional, entendemos que esta demarca um ponto em comum entre a sua trajetória e a trajetória da Professora B, que pôde vivenciar o contexto do Projeto Rondon como aluna.
A atuação da Professora A no Projeto Rondon esteve, em seu momento inicial, voltada a um trabalho operacional, em Brasília. Porém, sua mudança para Cuiabá, no Mato Grosso, e posteriormente sua experiência em Barreiras, na Bahia, criaram oportunidade para que ela entrasse em contato direto com as comunidades atendidas pelo Projeto, deparando-se com a
realidade e as condições de vida dessas pessoas. Em seu depoimento, a Professora A procura descrever um pouco de sua experiência nestas comunidades:
Depois, eu fui pra Cuiabá por questões pessoais. Na verdade, eu me casei na época e levei meu cargo pra lá. Aí, eu vivenciei experiências mais chocantes ainda com relação à comunidade que era atendida. Uma região com muita lepra, muita gente morando debaixo de lona preta, igual em Barreiras, as pessoas recebiam água uma vez por dia, por exemplo. Uma coisa horrível. [...] Agora, em Cuiabá, aí tinha que ir nos locais, por exemplo, os alunos da área médica se dirigiam aonde existiam assentamentos, 40 graus, média em Cuiabá, debaixo de lona preta. Eu vou só descrever uma cena pra ilustrar. [...] Chegando lá, íamos interrogar aquelas pessoas, identificar pessoas com problemas e, é claro, que teriam vários problemas. Então, esta senhora, por exemplo, estava debaixo de uma lona preta por volta do sol das 11, muito quente, ela estava com a perna cruzada, sentada numa cama que tinha um cobertor por baixo. E ela, com o dedo cruzado, nós vimos que no dedo dela tinham várias larvas de insetos, de inseto. O inseto pousou e como ela tinha lepra ela não sentia nada e as larvas se desenvolvendo. A senhora não foi até o médico. Ela falou que não tinha dinheiro para pegar um ônibus. Então, os alunos da área médica e enfermagem, eles tinham que buscar uma solução pra isso, inclusive com seu professor lá, então esse intercâmbio. Outras ações que fazíamos, final de semana, por exemplo, a gente tinha que identificar, no caso era lepra, em pessoas que trabalhavam em zona rural, identificar onde eles colocavam os sanitários. Se eles não estavam próximo do rio ou da própria água que eles beberiam. (Transcrição da entrevista com a Professora A, T4 e T6).
A trajetória e as vivências destacadas pela Professora A, especialmente sua participação no curso de especialização em EA, possibilitaram, ainda, a experiência de elaborar um curso de educação ambiental para professores, em articulação com as Secretarias de Meio Ambiente e Educação do município de Barreiras, na Bahia, onde havia o Campus Avançado do Projeto Rondon. Esta ação é apontada como a sua primeira atuação docente: Nós realizamos um curso, então ficou eu do projeto Rondon, o Wanderley, que está até no exterior. Wanderley, que era da Educação, da Secretaria da Educação e uma colega, que era do Meio Ambiente. Nós realizamos um curso em Barreiras para professores. Nós chegamos lá, na década de 80, eles não sabiam nem o que era DNA, pra você ter uma ideia. Então, nós fizemos um curso pra eles de atualização, de educação ambiental e identificando o problema local foi até interessante, outro dia até me lembrei disso. Tinha um problema grave com estilingues lá, muita gente com estilingue, então os próprios participantes, a maioria mulheres, professoras, propuseram fazer um “queimaço” lá de estilingues, bacana, né? Mas, foi deles este desejo, foram delas. (Transcrição da entrevista com a Professora A, T8).
Nesse trecho de seu depoimento, percebemos que a Professora A enfatiza a participação das professoras na escolha do tema a ser trabalhado, o que podemos apontar como um dos possíveis pressupostos que ela constrói para a sua atuação docente, reconhecendo a necessidade de uma proposta que estimule e oriente os envolvidos a olhar para a sua comunidade e identificar o problema de sua realidade.
No relato da Professora A, ela reconhece nunca ter pensado em ser professora durante a graduação, o que só ocorreu anos depois de já estar formada. Após encerrar sua experiência profissional no projeto Rondon, a Professora A tem sua primeira atuação enquanto professora do ensino básico, começando em uma escola particular de ensino médio, da região de São José do Rio Preto, e passando, também, por um Centro de Ressocialização, no qual a professora relata ter buscado diferentes estratégias para o ensino de biologia e química, pois
havia restrições rigorosas de utilização de materiais, não sendo possível realizar aulas práticas. No excerto que apresentamos a seguir, a Professora A retrata a sua primeira experiência enquanto docente do ensino básico e alguns fatos de sua vida que acabaram por afastá-la da educação e da biologia por um determinado período:
Pesquisadora: E essa foi sua primeira experiência enquanto professora? Professora A:
Foi. Não, eu tive no projeto Rondon [...] Agora com o ensino médio mesmo foi na escola América [em São José?] em São José. Lá o esquema era o seguinte, eu entrei como professor monitor. Professor monitor de quinta a oitava. Eu tinha que dar aulas para os alunos, aulas de recuperação, que na verdade eram aulas para os alunos que estavam com baixo rendimento. E ficava com as provas do terceiro ano, “terceirão”, corrigindo todas num prazo absurdo de 48 horas, quinze questões dissertativas, era uma coisa de louco. Então, eu trabalhei lá no América. E comecei a cursar disciplinas na UNESP de lá que era um lugar que eu já conhecia as pessoas. Na época, eu pensei em fazer mestrado, mas como eu tinha estudado na UNB, eu precisaria ficar um ano pra eles conhecerem quem eu sou. Isso pra mim não dava naquele momento, porque eu tinha uma filha pequenininha e em Rio Preto, assim, continuar no América com o salário que eles pagavam pra mim também não era... eu não sei se este assunto faz parte da... então pra mim financeiramente foi melhor trabalhar num banco. Eu fiquei onze anos no banco. Trabalhei em banco, lá dentro. Eu saí... () vários cargos. E durante este período eu não deixei de estudar. Eu fiz vários cursos na UNESP de Rio Preto tanto na biologia quanto na educação. Então, aí teve um problema pessoal, meu marido faleceu. Eu tinha resolvido que eu ia largar o banco, em 99, e fazer mestrado. [...] Aí, quinze dias antes da prova, de entregar o projeto, meu marido sofreu uma acidente e faleceu, até na hora eu estava digitando. Aí eu tive que adiar mais uma vez isso, adiar o mestrado e fiquei mais alguns anos trabalhando no banco por causa do fundo de garantia, porque eu tinha que pagar o financiamento da casa e outras coisas. Neste período, abriu um concurso do Estado pra professor. Eu prestei e passei, em 2003. Aí, eu falei: “Agora eu volto”. Eu voltei em 2003. Tive uma experiência diferente, que eu também trabalhei no centro de ressocialização feminino lá de Rio Preto, dando aulas de química e biologia. (Transcrição da entrevista com a Professora A, T7 e T8).
É possível observarmos no relato da Professora A a necessidade de adiar os planos e sonhos que envolviam sua atuação profissional e acadêmica por algumas questões pessoais e, até mesmo, pela escolha por uma situação financeira melhor e mais estável; mas, ao mesmo tempo, podemos reconhecer que a sua busca permaneceu sempre presente, o que é retratado nas passagens em que ela aponta ter continuado a estudar e a fazer cursos; e, pelo reforço expressado na frase “agora eu volto”, voltando a lecionar depois de ter passado um período atuando como funcionária de um banco. A partir de seu vínculo como professora do Estado, a Professora A muda-se para o município de Mauá, região delimitada para nossa pesquisa, continuando, até os dias atuais, sua atuação docente no ensino formal.
Na trajetória da Professora B, a participação no Projeto Rondon a mobilizou para atuar nas comunidades próximas à sua região e, após a sua formação em biologia, a conduziu a voltar ao local onde realizou as atividades: Rondônia. As experiências vivenciadas neste território fizeram com que a Professora B constatasse que sua formação era insuficiente para lidar com os problemas e conflitos presentes no local, como é apontado neste trecho de seu depoimento:
Eu me formei e eu fui pra Rondônia, pra poder saber como é que era. Eu tinha muita vontade de ficar lá, de conhecer um pouco mais. Eu cheguei lá eu fiz assim: “poxa, eu não sei nada”. Realmente, imagina, eu estava com vinte e poucos anos, você fala assim: “Gente, eu não sei nada mesmo. Eu tenho que voltar pra São Paulo e tenho que me formar”. Eu senti isso, que eu precisava ter mais formação pessoal para poder enfrentar uma barra que era aquela, porque, não sei se você já foi pra lá, imagina na década... Hoje é ruim, imagina na década de 80 como era, realmente muito precário. E eu não tinha estrutura para aguentar isso. (Transcrição da entrevista com a Professora B, T4).
A ênfase dada pela Professora B sobre a necessidade de uma formação “pessoal” pode ser relacionada aos questionamentos levantados pela Professora A em sua experiência de estágio no Acre, onde esta também identifica insuficiência em sua formação técnica para lidar com os conflitos presentes naquele território. Os depoimentos de ambas as professoras (Professora A e Professora B), assim, nos permitem compreender que suas vivências em contextos sociais bastante precários e com condições humanas degradantes, acabaram por apontar a necessidade da relação entre as ciências naturais e as ciências humanas, ao reconhecerem a insuficiência de suas formações para atuarem nessas realidades, e contribuíram para a construção de suas visões de mundo e para orientar o seu trabalho para as relações entre o social e o ambiental.
Esse posicionamento pode ser observado no depoimento da Professora A, quando ela aborda, já em sua atuação profissional no Projeto Rondon, que havia um respaldo essencial de alunos e professores das áreas de ciências humanas nestas regiões e, também, na entrevista da Professora B, que aponta que seu envolvimento inicial com as questões ambientais estava voltado à defesa e proteção das plantas, dos animais, dos espaços; e ela afirma ter percebido, somente depois, que sua preocupação estava realmente relacionada às pessoas, como apresentado neste fragmento de seu depoimento:
Mas, eu sempre fui aquela assim: ai, eu quero proteger o mico-leão, a baleia Jubarte, o golfinho, a mata atlântica, porque eu brigava muito por conta da mata atlântica. Nossa, a gente fez muita briga por causa da Anchieta, a duplicação, por causa da Imigrantes. A gente fez muita briga porque eu falava assim: “Poxa, gente, a mata atlântica”. Mas, muito preocupada com o espaço e com os animais e com as plantas, sem me dar por conta que na realidade eu era preocupada com as pessoas, porque na realidade não adianta nada você proteger um monte de coisa e você não fazer nada com as pessoas. (Transcrição da entrevista com a Professora B, T4).
Na aproximação da Professora B com a educação ambiental, mais adiante, em sua trajetória, ela considera que a EA propõe justamente trabalhar com a formação de pessoas e que este processo abre possibilidades de melhorar as relações com as questões voltadas à temática ambiental, como podemos perceber neste trecho:
[...] porque aí eu falei assim: “Gente, realmente você cuidar do bicho, da planta é importante mas e as pessoas?”. Então, a educação ambiental, ela vinha inicialmente com esta proposta, que eu acho que é a proposta de você trabalhar o ser humano para que ele seja melhor, obviamente, aí ele trata melhor as questões ambientais. É uma coisa que vem de bandeja. (Transcrição da entrevista com a Professora B, T7).
Na trajetória da Professora B, a aproximação com a educação ambiental ocorre em dois momentos distintos: o primeiro vinculado ao curso de especialização em ecologia, como já citado; e, o segundo ocorre após retornar ao Brasil, em meados dos preparativos da Rio 92, momento em que a questão ambiental e a própria educação ambiental estavam presentes no discurso público. Na região do ABC, este período reforçou iniciativas para a criação de órgãos municipais de meio ambiente e, no município de São Caetano do Sul, determinou a criação da Escola de Ecologia, onde a Professora B iniciou sua atuação mais efetiva com a educação ambiental. O trecho a seguir apresenta um pouco desse percurso e a busca da Professora B em compreender, naquele momento, o que era a educação ambiental:
Bom, voltei no fim de 91 e estava articulando as coisas para a Eco 92. Na época, eu voltei meio que sem saber o que fazer direito. Fiquei meio perdida mesmo. Um monte de coisa. Eu voltei. Tentei fazer os contatos, falei... o Vinícius sempre teve um pouco assim, o Torres sempre. Aqui no ABC o povo estava começando a formar umas secretarias de meio ambiente nos municípios e aí a gente começou a articular algumas coisas bem bacanas e, na época, a universidade que eu trabalhava tinha uma parceria, porque ela era aqui em São Caetano e tinha uma parceria com a prefeitura e aí eles criaram um espaço que chama Escola de Ecologia. Esta Escola de Ecologia que tem até hoje. E hoje é a Secretaria de Meio Ambiente de São Caetano. Na época, era um prefeito que ele queria um espaço verde e a universidade começou a fazer umas articulações lá. No final das contas a gente acabou assumindo a Escola de Ecologia e, por conta disso, eu nem sabia o que era educação ambiental. Não sabia. Eu falei assim: “Gente, eu tenho que começar a pesquisar quem é que está falando disso”. [...] Mas, imagina, eu estava chegando de um laboratório de pesquisa e aí ficando lá, aquela coisa da pesquisa. De repente eu caio nesta condição. (Transcrição da entrevista com a Professora B, T4, T5 e T6).
Esta articulação com a EA e com diversos sujeitos da região contribuíram para sua efetiva atuação no campo, estimulando-a em outras ações importantes na região do ABC, como a realização de Encontros Regionais de EA, na Região Metropolitana de São Paulo e Baixada Santista, nos quais a Professora B se envolveu com as discussões sobre as práticas de EA desenvolvidas nesses territórios; e a criação do Núcleo de EA do ABC, implementado em diálogo com iniciativas do poder público estadual. Este percurso abriu outras oportunidades para a atuação da Professora B, incluindo o desenvolvimento de um programa de formação de educadores ambientais, na região do ABC, em parceria com a SABESP. Este trabalho, denominado: “Educando para a Cidadania”, orientou seu caminho para o envolvimento com a questão das bacias hidrográficas e, posteriormente, com o Comitê de Bacia Hidrográfica Billings-Tamanduateí, onde ela coordenou o primeiro Grupo de Trabalho de Educação Ambiental, o que reforçou novamente os seus contatos com os sujeitos envolvidos com a temática ambiental na região.
A experiência profissional da Professora B enquanto docente no ensino básico é iniciada a partir do segundo ano da graduação e começa com a atuação em um supletivo particular da região do ABC. Embora, após a sua formação, ela tenha se afastado por um período da escola, indo para Rondônia. Ao voltar, retoma a atividade na mesma instituição de
ensino. Notamos que o envolvimento com a comunidade e com as suas condições sociais e ambientais vão marcar as ações propostas por ela na prática educativa, buscando, de fato, contribuir para a transformação dos problemas da localidade. Novamente, a Professora B se reporta ao apoio e articulação com outros sujeitos envolvidos com a questão ambiental local, como apontado no trecho que segue:
Eu fiquei lá no supletivo e trabalhando só com formação de adultos, mais no ensino fundamental. Na época, era fundamental que era o ginásio, até a oitava série e o colégio que é até o terceiro colegial. Lá, como eu estava em divisa de São Bernardo com Diadema, lá nós fizemos muitas ações, muitas, porque a comunidade tinha problema com esgoto, com resíduo, com animais abandonados, com maus-tratos, um monte de coisa. A gente fazia sempre, muito, umas campanhas e as ações de formação de agentes comunitários, então a gente trabalhou muito isso. Foi bem bacana pra mim, assim, esse trabalho com essa comunidade e sempre com apoio do pessoal daqui do ABC, então quem trabalhava com a questão ambiental, a gente tinha esse apoio e tal. (Transcrição da entrevista com a Professora B, T4).
Outra experiência no ensino básico que marca o relato da Professora B é sua atuação, por cerca de vinte anos, em uma escola particular de São Paulo. Segundo seu depoimento, esta experiência criou oportunidade para que a professora pudesse construir um amplo repertório de atuação no ensino formal e serviu como uma espécie de laboratório para a realização de práticas educativas voltadas à temática ambiental, mesmo tendo neste percurso que enfrentar alguns desafios, como a origem socioeconômica dos alunos ou as implicações para o cumprimento dos conteúdos programáticos do currículo. Esse último fator desencadeou sua saída recente da instituição, em função de não atender aos objetivos e propostas da mesma.
A atuação profissional da Professora B, enquanto professora universitária, também ficou marcada em sua trajetória e inicia-se logo após a conclusão de sua especialização, perdurando até os dias atuais. Um aspecto relevante do seu trabalho como docente universitária é a articulação com diversos projetos de extensão e programas governamentais que envolvem ações em comunidades do ABC e, até mesmo, em outros estados do Brasil. Uma característica dessas diversas ações elencadas no depoimento da Professora B é a orientação sempre voltada à compreensão da realidade local e do contexto onde ela esteve inserida, e sua busca por articular a temática ambiental às suas experiências profissionais, mesmo quando essas pudessem parecer contraditórias.
A trajetória profissional da Professora C é bem distinta da trajetória das professoras apresentadas até aqui, o que podemos atribuir à sua formação técnica na área de cerâmica e posteriormente em química. Sua experiência profissional esteve ligada, principalmente, ao desenvolvimento de pesquisas na área de refratários, cerâmica e borracha e a relação com o
meio ambiente e com a educação ambiental é sempre colocada como uma condição existencial da Professora C, como podemos observar no trecho de seu depoimento:
E como eu trabalhava na área de refratários, na área de cerâmica, durante um tempo, antes de trabalhar com borracha... Eu trabalhei também com borracha e estas coisas todas... Aí você acaba trabalhando com tudo o que é material que vem da natureza, então você tem que conhecer sobre a preservação, porque num lugar preservado, a natureza do minério é melhor, em um lugar degradado este minério é contaminado, então você acaba estando envolvida, não tem como. Eu não consigo me imaginar sem estar envolvida com a educação ambiental, com o meio ambiente ((risos)). (Transcrição da entrevista com a Professora C, T8).
A atuação da Professora C como profissional da educação inicia-se no começo dos anos 1990 e foi impulsionada pelas mudanças econômicas do país, que refletiram na situação das indústrias onde ela trabalhava. No trecho de seu depoimento que descreve essa passagem podemos observar que a entrada na sala de aula mudou suas perspectivas em relação à trajetória profissional:
Eu sai do SENAI e trabalhei com refratários. Eu sempre trabalhei com pesquisa e desenvolvimento. Eu sou pesquisadora por essência, eu sempre trabalhei em laboratório de pesquisa e fazia faculdade junto e foi na época dos planos Collor, todos, que aconteceu, mulher era a primeira que eles mandavam embora na época. Nós éramos as vítimas favoritas dos empresários. Eu trabalhei em uma indústria de refratários, fui trabalhar com pesquisa, depois fui trabalhar com pisos e azulejos, também na parte de pesquisa. Depois eu trabalhei com borracha, metal borracha também. Trabalhei só com a parte de desenvolvimento de vários tipos de borracha. Até que um dia eu entrei na sala de aula, como professora eventual e aí o bichinho entrou no sangue e nunca mais eu consegui sair da sala de aula, porque eu sou apaixonada por lecionar. Eu adoro ensinar. O brilho