6. SONUÇLAR VE ÖNERĠLER
6.1 Sonuçlar
Uma vez que o objetivo deste estudo é relacionar os fatores envolvidos na mudança da fecundidade em Minas Gerais, utilizar-se-ão as seguintes variáveis explicativas:
4.3.1 ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH) 1970, 1980, 1990 e 2000
Esse índice foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), no início da década de 90, com o intuito de medir o desenvolvimento humano dos países a partir de alguns indicadores previamente selecionados. O IDH varia entre 0 a 1, sendo que, quanto maior o índice, maior é o desenvolvimento do país/região. A ONU classifica os países em três níveis de desenvolvimento: de 0 a 0,499 são os países com baixo desenvolvimento humano; de 0,500 a 0,799, países com médio desenvolvimento e, de 0,800 a 1, são os países com alto desenvolvimento. O IDH tem mantido a sua concepção básica ao longo dos anos, apesar de ter apresentado algumas alterações em sua metodologia de cálculo. A construção do IDH segue três etapas. Na primeira delas, são definidos os indicadores que compõem o índice, aos quais foram atribuídos pesos iguais: IDH longevidade, IDH educação e IDH renda (ATLAS..., 2003). A segunda etapa consiste em transformar os diversos indicadores em índices, cujos valores variem entre 0 e 1, de tal forma que os valores mais elevados indiquem melhor desenvolvimento humano. Assim, para obter um índice com essas características, torna-se necessário escolher o pior e o melhor indicador e, com base no valor observado para o indicador e nos limites estabelecidos para ele, obter o índice através da fórmula: índice = (valor observado para o indicador-pior valor)/ (melhor valor-pior valor). A terceira etapa requer, na construção do índice sintético, a escolha de pesos a serem atribuídos a cada indicador.
No caso do IDH educação, foram considerados dois indicadores, com pesos distintos: taxa de alfabetização de pessoas acima de 15 anos de idade (peso dois) e taxa bruta de freqüência à escola (peso um). O primeiro indicador é o percentual de pessoas com mais de 15 anos, capazes de ler e escrever um bilhete simples, ou seja, adultos alfabetizados. O segundo indicador é o resultado da soma de pessoas (independentemente da idade) que freqüentaram o
32
curso fundamental, secundário e superior, dividido pela população na faixa etária de 7 a 22 anos. Foram incluídos os alunos de cursos supletivos de primeiro e de segundo graus, de classes de aceleração e de pós-graduação universitária.
O IDH longevidade é o indicador da esperança de vida ao nascer que mostra o número médio de anos que uma pessoa residente naquela localidade espera viver no ano de referência. Ele sintetiza as condições de saúde e salubridade do local.
O cálculo IDH renda levou em consideração a soma da renda de todos os habitantes de uma determinada localidade, dividida pelo número de pessoas ali residentes, incluindo crianças ou pessoas com renda igual a zero. Esse cálculo foi realizado a partir de um questionário especial do Censo.
As variáveis explicativas IDH educação, IDH renda e IDH longevidade utilizadas neste estudo, referentes aos anos de 1970 e 1980, correspondem aos valores calculados pela Fundação João Pinheiro (1996). Para os anos de 1990 e 2000, os valores foram retirados do Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil (ATLAS..., 2003).
4.3.2 GRAU DE URBANIZAÇÃO 1980, 1990 e 2000
Esta variável representa, para cada microrregião, o percentual da população residente em área urbana em relação à população total (ATLAS..., 2003). Estes indicadores foram calculados a partir dos dados dos respectivos censos demográficos
4.3.3 PARTOS HOSPITALARES (1980, 1990 e 2000) E PARTOS POR CESARIANA (2000)
Existem poucas fontes de dados, de abrangência nacional, que informam sobre a realização de partos hospitalares e partos por cesariana nos municípios e/ou microrregiões. Até 1990, as Estatísticas do Registro Civil constituíam as únicas fontes de informações referentes ao número de nascimentos ocorridos no país. O IBGE é o órgão responsável pela coleta, processamento e a elaboração desses dados. Ao longo desses anos, vários autores têm chamado a atenção para as deficiências qualitativas e quantitativas das informações contidas no Registro Civil (WONG & GIRALDELLI, 1998; MELLO-JORGE et al, 1993). Do ponto de vista qualitativo, os problemas estão relacionados com a fidedignidade das respostas fornecidas pelo responsável pelo registro do recém-nascido e, quantitativamente, as questões
33
mais importantes se referem à baixa cobertura dos eventos, o sub-registro dos nascimentos, ou seja, muitas pessoas são registradas com anos de atraso e uma pequena parcela não se registra. Para garantir um nível melhor das informações sobre os nascidos vivos, o Ministério da Saúde propôs a implantação de um novo sistema fundamentado em informações contidas na Declaração de Nascido Vivo (DN) acerca das condições gerais da mãe, do parto e do recém-nascido. Os funcionários dos hospitais e das instituições de saúde seriam os responsáveis pelo preenchimento da DN, no caso de partos hospitalares, e por funcionários de cartórios quando os nascimentos ocorressem no domicílio. A operacionalização do sistema se deu de forma descentralizada, através das secretarias estaduais e municipais de saúde de todo o país, e esse processo não ocorreu de forma homogênea, devido à disponibilidade e capacidade técnica das secretarias de saúde. Dessa maneira, a qualidade das informações coletadas pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), através das DN’s, varia em estados e municípios. Nos locais onde a implantação do SINASC está consolidada, tornou-se possível a obtenção de informações muito mais precisas sobre os principais determinantes da morbi-mortalidade das mães e recém-nascidos.
Uma avaliação sobre o grau de cobertura e a qualidade de preenchimento das DN’s no estado de Minas Gerais para o início dos anos 2000, mostrou que a cobertura do SINASC no estado é de 88%, próximo aos 90% preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As categorias de ignorados para algumas variáveis das DN’s foram bastante baixas, tais como a idade da mãe (0,6%), tipo de parto (0,5%), local de ocorrência (0%) e consulta de pré-natal (3,1%) (SOUZA, 2004). A autora conclui que a qualidade dos dados do SINASC em Minas Gerais é considerada adequada, podendo fornecer bons indicadores sobre a saúde materna e infantil. Isso se aplica para o período mais recente, sendo necessário lembrar, no entanto, que, por ser um valor médio para o estado, obviamente há regiões onde a qualidade do dado ainda deixa a desejar.
Essas duas fontes de dados foram utilizadas para a construção do indicador percentual de partos hospitalares: o Registro Civil para os anos de 1980 e 1990 e o SINASC em 2000. Apesar da pouca qualidade dos dados do Registro Civil, analisada anteriormente, as informações usadas no indicador foram o número de nascidos vivos e registrados no ano e número de nascidos em hospital no mesmo ano. Apesar de o problema do sub-registro persistir entre os nascidos no ano em relação ao total de nascimentos, é possível que essa omissão não ocorra no indicador proposto, porque, quando uma criança nasce em um hospital, dificilmente não será registrada. Esse indicador mostra a mudança do acesso aos serviços de saúde de maior complexidade.
34
4.4 MEDIDAS, DESENHO DO ESTUDO, FORMAS DE ANÁLISES E NÍVEL DE