5. SONUÇ VE ÖNERİLER
5.1. Sonuçlar
Tendo como referência as diferentes etapas de planeamento de uma investigação, após a determinação da população de interesse para o estudo, segue-se como chegar até ela (Flick, 2005). Cabe ao investigador determinar o tipo de instrumento de medida que melhor convém, descrever as técnicas seleccionadas e a aplicação dos instrumentos elaborados (Marconi & Lakatos, 2007).
No presente estudo as técnicas de pesquisa recaíram sobre a observação directa extensiva (Marconi & Lakatos, 2007). Esta é definida como o levantamento de informação através de um instrumento de recolha de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador – questionário de auto-preenchido (Marconi & Lakatos, 2007). Recorreu-se ainda para suporte, do processo de investigação, a uma pesquisa bibliográfica temática de fontes secundárias contemporâneas e retrospectivas, como sejam relatórios de acompanhamento dos CSP; estudos sobre a satisfação dos profissionais de saúde dos CSP e dos cidadãos; literatura sobre a temática dos CSP e o desenvolvimento organizacional; e escritos de imprensa.
Para Fortin (2003), o questionário comporta diferentes níveis de estruturação, que podem ir desde de questões de resposta fechada, em que o sujeito é submetido a escolhas de respostas possíveis, até a questões de resposta aberta, que pedem respostas escritas por parte dos participantes. Flick (2005) define como semi-estruturado um instrumento de recolha de dados, tipo questionário, em que no guião são incorporadas questões de resposta fechada e de resposta aberta. No contexto desta investigação, a opção incidiu na elaboração e aplicação de um questionário semi-estruturado aos coordenadores das USF em actividade [anexo nº 2]. Este foi acompanhado por um texto de cobertura onde se incentivava
o participante a colaborar no estudo, se justifica o seu objectivo, assim como se assegura o anonimato dos dados e o carácter voluntário da participação, solicitando o consentimento para a inclusão no estudo (Hill & Hill, 2005). A título de reforço, os mesmos autores afirmam que em questionários anónimos, como é este o caso, os participantes tendem a responder mais sinceramente e a escolher opções que traduzem verdadeiramente as suas opiniões.
Sendo o questionário um instrumento de medida que traduz os objectivos do estudo com variáveis mensuráveis (Fortin, 2003), a sua elaboração requereu o cumprimento de normas precisas a fim de aumentar a sua eficácia (Marconi & Lakatos, 2007). Para a sua organização teve-se em conta o tipo, a ordenação e a formulação das perguntas (idem) de acordo com os oito parâmetros de caracterização das USF. A ausência de uma caracterização sócio-profissional-demográfica dos coordenadores deveu-se ao facto de se querer salvaguardar o anonimato do participante, uma vez que em certas ARS o número reduzido de USF facilita a possibilidade de existir uma correspondência de pessoa a dados.
O tipo de variável contemplada no questionário aplicado está dependente da pergunta efectuada, classificando-se como qualitativa quando utiliza uma escala de medição ordinal ou nominal, ou quantitativa nas escalas de medição rácio/intervalar (Hill & Hill, 2005). Foram, ainda, incluídas questões de resposta aberta, sendo as respostas sujeitas à análise de conteúdo. Introduziu-se a opção de resposta ―não responde‖ para salvaguardar situações em que o participante não tinha conhecimento ou não queria responder relativamente ao parâmetro exposto. (idem)
O processo de construção deste questionário passou progressivamente por diferentes fases. Após uma estrutura base apoiada na revisão da literatura específica, utilizaram-se duas fontes de contributos e validação:
1) Solicitou-se a consultores temáticos propostas de questões alinhadas com as necessidades de conhecimento das problemáticas abordadas, através de uma parceria com a USF-AN;
2) Recorreu-se a peritos técnicos na construção de questionários de modo a assegurar a construção de um questionário de acordo com as boas práticas.
O acesso dos questionários aos participantes foi efectuado via web, entre os dias 18 de Janeiro e 13 de Fevereiro de 2010, através da utilização da ferramenta Google Form23.
Esta foi utilizada tanto para a aplicação/distribuição do questionário como também para a constituição de códigos de acesso unipessoal, preservando o anonimato dos dados.
Anterior à sua aplicação o questionário foi submetido a um pré-teste (Hill & Hill, 2005), com o propósito de avaliar a qualidade do instrumento de medida. Considerando que o pré-teste deverá ser aplicado em populações com características semelhantes às da investigação e sendo suficiente uma mensuração entre 5% a 10% do tamanho da amostra (Marconi & Lakatos, 2007), de 10 a 14 de Janeiro de 2010 recorreu-se a 10 profissionais de saúde das USF, que não exerciam funções de coordenação mas que pertenciam aos Conselhos Técnicos das USF, para o preenchimento do questionário. Este processo de aplicação do pré-teste foi efectuado nos mesmos moldes do questionário, sendo também testada a utilização da ferramenta Google Form. De realçar que o texto de cobertura, foi
23―Google recently released a revolutionary gem into its increasingly robust Google Docs platform - Google
Forms: a flexible form and survey development interface with built-in reporting‖ (http://www.mattsilv
erman.com/2008/10/introduction-to-google-forms.html). Ferramenta da plataforma Google Docs que permite elaborar formulários online, sem custos adicionais e, em caso de necessidade, sem identificação dos participantes.
alterado para o seu carácter de fase de pré-teste. Deste pré-teste resultaram sugestões de alterações de semântica e ordem por três dos dez inquiridos.
Para que todo este processo de recolha de dados ocorresse com o sucesso pretendido, foi essencial constituir uma parceria entre o investigador e a USF-AN, em prol de interesses comuns. Propôs-se à USF-AN que fosse a promotora do processo de recolha de dados (uma vez que tem acesso directo aos participantes) e consulta de peritos temáticos. Como compromisso final, será cedido à USF-AN um relatório final onde constem as principais conclusões da investigação. [ver capitulo: considerações éticas e legais e conflito de interesses]