A abordagem de comunicação escolhida foi o questionário autoadministrado (survey), entregue diretamente ao respondente, via Banco do Brasil. Observou-se que a oportunidade de combinar contatos telefônicos
prévios com a entrega e recepção pessoal dos questionários, foi de extrema conveniência para o presente projeto.
Nas instruções iniciais do questionário (Apêndice A), foi comunicado que o foco dado seria a gestão de riscos operacionais, envolvendo as políticas e preocupações das empresas com todos os eventos que possam trazer prejuízos de quaisquer espécies, excetuando-se os riscos financeiros e os riscos de mercado. Foram informados, ainda, alguns exemplos de cada um dos riscos citados.
O questionário foi elaborado com 15 perguntas com opções de respostas fechadas, ou estruturadas, para serem assinaladas pelos respondentes. Quatro delas apresentaram-se como de múltipla escolha, com uma opção semiaberta do tipo “outro (citar)”. Destas, duas admitiram mais de um assinalamento para a resposta “Sim”. As demais questões caracterizaram- se como de resposta dicotômica, com opções excludentes. A primeira questão foi a única que apresentou alternativa de ranqueamento (COOPER e SCHINDLER, 2003).
O pré-teste foi realizado com duas indústrias de fora do universo de pesquisa. O experimento apontou que as perguntas não suscitaram dúvidas relevantes. Entretanto, ficou evidenciado que a ordem das questões não seguia uma sequência lógica, fazendo com que o respondente retornasse a assuntos já abordados. Assim, o questionário foi reordenado, figurando inicialmente questões relativas a percepções do respondente sobre os riscos operacionais (as quatro primeiras perguntas), vindo em seguida questões envolvendo a estrutura existente na empresa para lidar com tais riscos.
As perguntas do questionário, reordenadas, foram relacionadas aos objetivos específicos da pesquisa, conforme a seguir.
Identificar, na percepção dos gestores, qual o grau de importância dada à gestão dos riscos operacionais: utilizadas as respostas dos quesitos 2 e 3. A pergunta 2, a primeira do questionário, visou quantificar, em uma escala de dez opções, a importância dada à gestão de cada um dos riscos, a saber: riscos operacionais, financeiros e de mercado. Iniciar o questionário com esta
indagação buscou reduzir a possibilidade de que o aprofundamento do assunto, decorrente da própria apresentação dos demais itens, pudesse influenciar a opinião do respondente. Já o quesito 3 objetivou levantar a percepção dos gestores quanto à gestão de riscos operacionais poder reduzir custos, elevar receitas, ambas as opções ou nenhuma delas.
Determinar qual a barreira mais significativa que impede maiores investimentos na gestão dos riscos operacionais: utilizadas as respostas do quesito 4, que apresentou seis opções fechadas mais uma semiaberta do tipo “Outro (Citar)”.
Levantar os riscos operacionais que mais preocupam tais organizações:
utilizadas as respostas do quesito 5, que apresentou quatro opções fechadas mais uma semiaberta do tipo “Outro (Citar)”.
Estabelecer a estrutura implantada para gerenciar os riscos operacionais: utilizadas as respostas dos quesitos 6, 12, 13 e 15, sendo o primeiro e o terceiro dicotômicos e os demais com quatro opções fechadas, além de uma última, semiaberta, do tipo “Outro (Citar)”, com a possibilidade de mais de um assinalamento “Sim”. Pergunta 6: levantou a quantidade de funcionários envolvidos exclusivamente com a gestão de riscos operacionais; pergunta 12: verificou a adoção ou não de algum modelo de gestão de riscos; pergunta 13: indagou sobre a existência ou não do cargo de Gerente de Risco; pergunta 15: investigou a presença ou não de estruturas qualitativas na gestão dos riscos operacionais.
Descrever como as empresas estudadas lidam com os riscos operacionais: as questões 6 a 16, incluindo as acima descritas, foram elaboradas de maneira a se conhecer o posicionamento da gestão de riscos das indústrias conforme a classificação proposta pelo pesquisador Culp (2001). Os quesitos envolveram questões como a existência de registros formais de perdas nos últimos três anos, indicadores de riscos operacionais previamente definidos, emissão periódica de relatórios e definição de políticas aceitáveis de limites de riscos. As opções de respostas foram todas elas excludentes, com opções do tipo “Sim” ou “Não”, exceto as perguntas 13 e 15, já apresentadas no item precedente.
O trabalho de campo ocorreu em dois momentos. Primeiramente, os Gerentes das agências do Banco do Brasil, detentoras dos cadastros dos clientes a serem pesquisados, foram informados, por funcionários da Superintendência Estadual de Pernambuco, da existência da pesquisa e de sua importância para melhor se conhecer o ambiente de risco em que a empresa está inserida. Em seguida, o pesquisador realizou outro contato com os gerentes do Banco do Brasil, buscando prestar informações complementares com relação à obtenção dos dados. Entre as orientações repassadas, foi enfatizada a necessidade das perguntas serem respondidas pelos gestores mais diretamente envolvidos com os riscos operacionais da indústria.
Juntamente com o questionário da pesquisa e a relação das indústrias selecionadas foram enviadas duas cartas de apresentação destinadas aos respondentes, uma emitida pelo Banco do Brasil e outra pela Faculdade Boa Viagem (Anexos B e C).
Os contatos com os gerentes das agências do Banco do Brasil e o subsequente envio do material de pesquisa ocorreram na primeira quinzena de novembro de 2011. O pesquisador manteve controle sobre os questionários recebidos, possibilitando a cobrança semanal das respostas ainda pendentes, até o alcance das quantidades mínimas estabelecidas de elementos (Quadro 4, do item 3.2, retro).
O maior problema enfrentado na coleta de dados foi com relação à disponibilidade dos respondentes no período em que ela ocorreu. Funcionários encontravam-se assoberbados de tarefas e, após o fim do ano de 2011, muitos deles tiraram férias.
A primeira Região de Desenvolvimento a ser concluída foi a Metropolitana, seguida pela São Francisco e concluída pela Agreste Central. Tal fato ocorreu em função da região Metropolitana possuir maior quantidade de agências do Banco do Brasil, de maneira que cada uma delas ficou encarregada de pesquisar no máximo quatro indústrias. No caso das outras regiões, os elementos a serem pesquisados apresentaram concentração em duas agências, nas cidades de Petrolina e Caruaru. Esta configuração
provocou uma dilação maior do tempo para a coleta de dados, a qual veio a ser concluída na última semana de fevereiro de 2012.
Foram observadas duas formas de abordagem de comunicação: ou o questionário foi entregue a algum representante da indústria e devolvido posteriormente, ou o seu preenchimento ocorreu de imediato, seja durante as visitas dos gerentes aos seus clientes ou, ao contrário, nas visitas dos funcionários das empresas ao Banco do Brasil.
A coleta de dados foi concluída ao ser atingido o número mínimo de respostas em cada estrato amostral. Ao final, foram entrevistadas 116 indústrias (Apêndice B).