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Para o mainstream da economia, tudo é questão de indicadores quantitativos. Tanto para a análise do crescimento econômico, que simplesmente utiliza os indicadores de produção nacional, como para o desenvolvimento, que utiliza outros indicadores que importam como os indicadores de saúde e educação. Mais comumente utiliza-se o Índice de Desenvolvimento Humano para este tipo de análise (IDH). No entanto, sabe-se que ainda há muito a se considerar para medir o desenvolvimento das nações, regiões, estados ou municípios.

Nesse cenário, a variável ambiental é de alta relevância. Há grande concordância quanto a isso, no entanto, ainda é um desafio encontrar uma medida simples e de fácil aceitação como o PIB ou o IDH.

A Agenda 21 (2000), no seu capítulo 40, faz um chamamento aos países e à comunidade internacional para desenvolver indicadores de desenvolvimento sustentável. A

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adoção de indicadores é uma importante forma de auxiliar os tomadores de decisão a adotarem políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável em todos os níveis.

Dez anos depois de lançada a Agenda 21, o Plano de implementação de Joanesburgo (2002), no capítulo 10, assim como recomendado nas 11ª e 13ª sessões da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU (CSD), fazem convite à comunidade internacional para apoiar incitativas relacionadas aos indicadores de desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento.

O tema de indicadores de desenvolvimento sustentável tem crescido muito nos últimos anos. São várias metodologias sendo construídas como, por exemplo, a Pegada Ecológica, o Índice de Bem Estar Econômico Sustentável (ISEW sigla em inglês), o barômetro da sustentabilidade, Índice de Sustentabilidade Ambiental (ESI sigla em inglês), Indicador de Progresso Genuíno (GPI sigla em inglês), entre outros. No entanto, nenhum conseguiu ainda uma aceitação comparada aos indicadores econômicos como PIB e IDH (VEIGA, 2006; VAN BELLEN, 2002; MADURO-ABREU et al.,2009).

Dada a natureza multidimensional do desenvolvimento, não é possível juntar todas informações referentes ao desenvolvimento sustentável em um único índice, sendo imprescindível uma análise em fontes diversas. E, como coloca Veiga (2006, p.45,), mesmo que ainda se esteja longe de uma medida consensual acerca da sustentabilidade ambiental, é imprescindível entender que os índices e indicadores atuais já desempenham papel importante nas relações de fiscalização e pressão sobre os governos.

Van Bellen (2006), identificou 18 metodologias de indicadores de sustentabilidade, representados por índices agregados, sistemas de indicadores ou indicadores isolados. Entretanto, nenhum deles conseguiu unanimidade. De acordo com Parris e Kates (2003), os principais motivos para essa falta de consenso sobre qual o melhor indicador são: a) ambiguidade do termo desenvolvimento sustentável; b) pluralidade do propósito de caracterização e medição do desenvolvimento sustentável; e c) certa confusão na sua terminologia, dados e formas de medição.

Na tentativa de estabelecer padrões de comparação e indicadores que sirvam de referência para todos os países, é importante reconhecer a iniciativa que vem sendo coordenada pala Comissão para Desenvolvimento Sustentável da ONU (CSD/DESA)

Em 2006, um grupo de pesquisadores de diversas partes do mundo chegou a um acordo sobre 96 indicadores, incluindo 50 subcategorias como referência para que os países desenvolvam uma base de indicadores.

De acordo com DESA (2007), os 96 indicadores são relacionados aos temas que seguem: pobreza, governança, saúde, educação, demografia, riscos de desastres naturais (natural harzards), atmosfera, terra, oceanos, mares e zonas costeiras, água doce,

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biodiversidade, desenvolvimento econômico, parceria econômica internacional, padrões de consumo e produção.

É importante mencionar também o esforço que vem sendo desempenhado por três grandes pesquisadores, Joseph Stiglitz, da Universidade de Columbia, Amartya Sen, da Universidade de Harvard e Jean-Paul Fitoussi, do Instituto de Estudos Políticos de Paris. O trabalho faz parte da Commission on the Measurement of Economic Performance and Social Progress , uma comissão criada pelo Governo Francês, em 2008, para estudar os limites do PIB como um indicador de performance econômica e progresso social, bem como trabalhar na produção de um instrumento mais abrangente.

A Comissão tem três grupos de trabalho, nos quais outros cientistas renomados como Nicholas Stern, Kenneth Arrow, Daniel Kahneman, Robert Putnam, entre outros, dividiram-se nas áreas temáticas de: Assuntos relacionados ao PIB; Desenvolvimento e Meio Ambiente; e Qualidade de Vida.

Em relação aos indicadores voltados mais especificamente para as cidades, podem ser citadas algumas experiências internacionais e nacionais.

a) Indicadores Urbanos Globais (Global City Indicators):

Iniciativa apoiada pelo Banco Mundial por meio do Trust Fund do Governo do Japão e tem diversos parceiros como o Iclei e a ABNT. O projeto visa estabelecer um conjunto de indicadores urbanos planejados metodologicamente de forma a permitir comparação da performance das cidades ao redor do mundo.

Os indicadores estão sendo trabalhados de acordo com 2 grandes índices5 que são

formados pelos seguintes tópicos:

i. Índice de serviços urbanos: educação, energia, serviços financeiros, incêndios e serviços, governança, saúde, lazer, segurança, serviços sociais, resíduos sólidos, transporte, planejamento urbano, esgoto, abastecimento de água,

ii. Índice de qualidade de vida: participação cívica, cultura, economia, meio ambiente, habitação, equidade social, bem estar subjetivo, tecnologia e inovação,

5É importante notar que índice é um valor agregado que utiliza diversas variáveis em seu cálculo, podendo

inclusive utilizar indicadores na sua composição. Indicadores são dados individuais ou agregados. Numa hierarquia, como base em Shields et al. (2002), tem-se a seguinte ordem crescente do menos complexo para o mais complexo: dados primários; dados agregados; sub-indicadores; indicadores; sub-índices; e índices.

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b) Índice de Desenvolvimento das Cidades (City Development Index – CDI):

Outra iniciativa internacional que busca formas de avaliar o grau de desenvolvimento das cidades é o CDI, que foi criado em 1997, pelo Programa de Indicadores Urbanos do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat). A ideia é possibilitar a elaboração de um ranking das cidades baseados em 5 sub-índices: infraestrutura, lixo, saúde, educação e renda.

c) Munic:

No Brasil tem destaque a pesquisa sobre o Perfil dos Municípios Brasileiros que é conduzida pelo IBGE, cujo principal objetivo é produzir informações sobre as administrações locais com foco na análise da gestão pública dos municípios. É uma das poucas iniciativas que se dedica à análise da capacidade institucional para gestão ambiental, utilizando variáveis como a estrutura administrativa, disponibilidade de recursos financeiros, implementação da Agenda 21 local, a existência de legislação ambiental, entre outras.

d) Ranking Municípios Verdes do Estado de São Paulo:

Também é válido registrar a experiência que o estado de São Paulo vem desenvolvendo com o ranking dos municípios verdes. É uma iniciativa que buscou, por meio de uma parceria do governo do estado com 332 municípios, elaborar um ranking para as ações locais relacionadas com a descentralização da agenda ambiental.

Dessa forma, são avaliados os seguintes temas: esgoto tratado, lixo mínimo, recuperação da mata ciliar, arborização urbana, educação ambiental, habitação sustentável, uso da água, poluição do ar, estrutura ambiental e conselho de meio ambiente.

A avaliação de cada um dos itens acima citados é feita utilizando-se os seguintes critérios:

i. Esgoto Tratado: nota do ICTEM/Cetesb (indicador de coleta e tratabilidade de esgoto do município); Ações de melhorias no sistema de coleta e tratamento do esgoto.

ii. Lixo Mínimo: nota no IQR/Cetesb (Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos); Ações de coleta seletiva e reciclagem.

iii. Recuperação da Mata Ciliar: Proporcional a área de cobertura vegetal natural - teto 20%; Projeto de conservação e recuperação de mata ciliar; Programa de recuperação e proteção de nascentes.

iv. Arborização Urbana: Proporcional a área de arborização urbana atual - teto 12m2/hab; Plano de Arborização; Existência de viveiros municipais ou consorciados.

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v. Educação Ambiental: Instrumento legal que institui a educação ambiental como matéria transversal nas escolas públicas municipais; Realização de eventos ambientais temáticos: ex: dia da água, dia do meio ambiente; Participação nos Mutirões Ambientais; Ações de capacitação de dirigentes e agentes multiplicadores.

vi. Habitação Sustentável: Instrumento legal que favoreça a expedição de alvarás para construções civis que utilizem madeiras legalizadas e de origem comprovada; Ações visando a diminuição da utilização de recursos naturais. vii. Uso da Água: Programa municipal de combate ao desperdício; Atuação no

Comitê de Bacias; Instrumento legal voltado para a proteção das águas para abastecimento público (mananciais).

viii. Poluição do Ar: Instrumento legal que institui a inspeção veicular da frota municipal e terceirizada; Ações voltas à redução das emissões de gases de efeito estufa.

ix. Estrutura Ambiental: Instrumento legal que estabeleça estrutura ambiental dentro de prefeitura; Capacitação dos agentes públicos municipais.

x. Conselho Ambiental: Existência de Conselho Municipal de Meio Ambiente instituído por instrumento legal; Ata sobre o panorama do município com relação ao cumprimento das 10 diretivas do projeto Município.

Por fim, sempre que se fala em indicadores é importante compreender que existem limitações e nem sempre eles dizem tudo o que se gostaria. De acordo com Meadows (1998), os indicadores, sejam eles de desenvolvimento sustentável ou não, surgem de valores das pessoas, ao mesmo tempo em que criam novos valores, por meio de suas medidas. Por isso, os indicadores tem uma carga subjetiva e ideológica forte, porém sutil.

Na definição de indicadores, podem acontecer ainda alguns enganos, como agregação de dados, medição do que é possível em lugar do que é importante, apoio em falsas pressuposições, excesso de confiança e incompletude. Daí a proposta de Meadows (1998) quanto ao desenvolvimento de “sistemas de indicadores” e não um único índice que reflita a condição de sustentabilidade. Para a autora, indicadores devem ser vistos com parte de sistemas de monitoramento, dos quais possam ser retirados conforme a necessidade do momento (MADURO-ABREU et al., 2009).

Dessa forma, entendendo os possíveis problemas, Bossel (1999) indica alguns requisitos a serem cumpridos para que se tenha um bom indicador de desenvolvimento sustentável:

a) ser aplicável para guiar políticas públicas em diversos âmbitos (internacional, nacional, regional, local);

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b) representar aspectos importantes e que se relacionam entre si, numa

compreensão sistêmica;

c) ser, ao mesmo tempo, simples e completo, e elaborado a partir da participação de outros atores sociais; e

d) oferecer uma visão dos caminhos que estão sendo trilhados e das alternativas existentes.

Benzer Belgeler