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O exercício de ―rememoração‖ acontece nos Appunti a partir de um movimento dialético entre Erfahrung e Erlebnis. Fenoglio, num duplo movimento, parte de uma experiência que conceitua como vivida coletivamente – a Resistência italiana –, aproxima a ela uma vivência individual própria de seu tempo (com todas as suas impossibilidades) e narra a partir da rememoração; por outro lado, coloca a experiência da Resistência italiana como uma vivência individual, mas recorre à tradição oral e coletiva na hora de narrá-la, a partir das escolhas formais que realiza, que também têm início no esforço de rememorar.

Nessa dupla articulação, o texto faz uso de alguns artifícios para alcançar os efeitos desejados. O primeiro, mais importante e mais recorrente é a autobiografia, que se utiliza de um pacto previamente estabelecido com o leitor de que o narrador está contando um fato em que esteve presente em primeira pessoa, envolvido, tanto afetivamente quanto na prática, no desenrolar dos acontecimentos.

Assim, o livro tem início com o narrador, personagem e autor Beppe, que se despede de sua mãe para voltar às montanhas. O padeiro da cidade consola a mãe e revela seu

verdadeiro nome: ―Senhora... senhora Rita...‖124. Ainda na mesma página, na subida das montanhas, Beppe passa por um pequeno vilarejo e o dono de uma pensão lhe pergunta: ―Você é o Beppe, filho do Amilcare. Tá indo lá pra cima?‖125

, confirmando também o nome do pai.

Mais adiante, Beppe reflete sobre a importância de não ter documentos consigo caso seja capturado por um fascista ou alemão, decide então jogar fora sua carteira de identidade, mas, antes, lê para o leitor o que tem escrito nela e acrescenta: ―Tá toda certa, menos pela idade e a profissão. De fato declara que eu sou de 1920, e eu sou de 1922. Que sou marceneiro: mas eu estudo, todo mundo sabe‖126.

Seguindo viagem, Beppe decide parar para dormir, identifica no escuro a maior quantidade de luz e se dirige até o que, segundo ele, é a Chácara Cervasco, a maior da região. Chegando lá, mais uma prova autobiográfica:

– Sou o filho do Amilcare. Esta é Fazenda Cervasco?

– Bom, se o senhor é filho do Amilcare, esta é Fazenda Cervasco (...)127 .

Quando Beppe, na manhã seguinte, chega até o comandante e pede para ser locado perto de Alba, onde estão seus amigos, o comandante permite, mas, antes de se despedir, se assegura que ele continue usando o lenço azul, distintivo dos azzurri, em que todos bordam o nome de batalha:

– Mandou bordar teu nome de batalha nele?

Rio que não. E depois digo que a mim o nome de batalha nem me serve nem me acrescenta. Quem não me conhece por Beppe por essas Langhe?128.

124 ―Signora... signora Rita...‖ (FENOGLIO, 1994, p. 1).

125 ―Tu sei Beppe, figlio di Amilcare. Sei che vai sú?‖ (FENOGLIO, 1994, p. 1).

126 ―È tutta giusta, salvo che per l‘età e la professione. Infatti dichiara che sono del 20, e io sono del 22.

Che faccio l‘ebanista: ma io studio, si sa‖ (FENOGLIO, 1994, p. 7).

127– Sono il figlio di Amilcare. Questa è Cascina Cervasco?/ – Bè, se voi siete figlio di Amilcare, questa

è Cascina Cervasco‖ (FENOGLIO,1994, p. 10).

128 ―– Gli hai fatto ricamare il tuo nome di battaglia?/ Rido di no. E poi dico che a me il nome di battaglia

A maior prova autobiográfica, porém, aparece muito depois. Quando Beppe e seus companheiros enfrentam os piores dias de perseguição, quando o frio e a névoa se abate sobre eles, no penúltimo dia de narrativa, Beppe recebe uma carta de casa. Nela a estratégia ficcional é a de dar detalhes da vida privada da Família Fenoglio para mais um vez reforçar a coincidência entre autor e narrador.

Querido Beppe,

nós todos bem, ainda que um pouco aflitos, porque a república daqui sabe que você é partigiano e poderia se vingar em cima de nós. Recebemos teu recado do casaco de pele. Mamãe encomendou imediatamente, acho que vai ficar até bastante elegante. O difícil vai ser fazer passar pelo bloqueio, mas esperamos fazer chegar em ti de todo modo e o quanto antes. Enquanto isso vai em Valdivilla no senhor... dono da fazenda... Esteve em casa até sábado passado, e a mamãe lhe deu mil liras e um par de meias pra ti. Em cada meia você vai encontrar dois maços de cigarro. Vá com certeza. Sabe aquela tua fotografia grande que tem na sala de jantar? Vieram os republicanos para nos fazer a perquisição e cobriram ela de cuspes, depois começaram a gritar que você era um traidor e um bastardo. Então a mamãe disse a eles que ela pode dizer que você não é um bastardo. Procura uma maneira de nos fazer saber do que você precisa. A mamãe te diz para dormir protegido e com um olho só, pra não querer sempre ser o primeiro, e quer que você faça algumas noites as orações.

Marisa.

P.S. Nos deram de presente um filhote. Os donos de antes o chamavam de Michelangelo, nós o chamamos de Micky129.

129

Caro Beppe, noi tutti bene, quantunque un pò affannati, perché la repubblica di qui sa che sei partigiano e potrebbe vendicarsi su di noi. Abbiamo ricevuto il tuo biglietto del pellicciotto. La mamma lo ha subito dato a fare, credo che riuscirà anche abbastanza elegante. Il difficile sarà farlo passare al posto di blocco, ma speriamo di fartelo avere a ogni costo e quanto prima. Intanto vai a Valdivilla dal signor... padrone della cascina... È stato da noi fin dall‘altro sabato, e la mamma gli ha dato mille lire e un paio di calze per te. In ogni calza troverai due pacchetti di sigarette. Vacci di sicuro. Sai quella tua fotografia grande che c‘è in sala da pranzo? Son venuti i repubblicani a farci la perquisizione e l‘hanno coperta di sputi, poi si son messi a gridare che eri un traditore e un bastardo. Allora la mamma ha detto loro che lei può dire che non sei un bastardo. Cerca la maniera di farci sapere cosa ti manca. La mamma ti dice di dormire al sicuro e con un occhio solo, di non voler sempre fare il primo, e vuole che dici qualche sera le orazioni.

Marisa. P.S. Ci hanno regalato un cucciolo. I suoi padroni di prima lo chiamavano Michelangelo, noi lo chiamiamo Micky (FENOGLIO, 1994, p. 76).

Na carta, a omissão do nome da pessoa que ele deve procurar e da chácara em que está é sinal de que ele poderia sofrer retaliações se seu nome fosse revelado. O ―P.S.‖ quase humorístico, dada a situação em que é lido, confirma a intenção em reforçar o caráter autobiográfico. E temos aqui a confirmação do nome da irmã de Fenoglio, Marisa.

A outra estratégia de que o autor faz uso para o que chamei de ―exercício de rememoração‖ é o destaque que o partigiano Beppe mostra ter dos outros partigiani. Beppe, narrador autobiográfico, apesar da sua reivindicada presença em primeira pessoa nos eventos históricos e fatos cotidianos narrados, assume sempre algum destaque do grupo, como que ressaltando duas coisas: o isolamento moral, ético e ideológico que o narrador mantém e o isolamento do sujeito histórico de seu tempo, num procedimento que retoma os preceitos benjaminianos de não adequação ao tempo histórico para acessar suas entranhas. Ambas as tomadas de distância dão ao texto de Fenoglio o ar fresco e a possibilidade de continuar significando ao longo dos anos.

Exemplos dramáticos dessa não adequação são encontrados na postura do narrador e

partigiano Beppe diante dos inimigos. Algo de animalesco é por ele identificado em seus companheiros e, embora se descreva como quem acredita na justiça daquele fuzilamento, nunca dele participa ativamente. Por vezes optando por não bater nos prisioneiros, quando todos os partigiani o fazem, outras não querendo ver de perto seus fuzilamentos, sejam eles de partigiani traidores, ou fascistas ou alemães, o narrador Beppe os encara sempre com certa compaixão.

No trecho a seguir, Beppe cruza com um partigiano que mantém um prisioneiro já surrado por muitos outros partigiani:

Johnson me faz: – Você é partigiano? Digo: – Não te parece?

– E então bate, – e me aponta aquele rosto que já se ofereceu. – Por que eu devo bater nele?

– Traidor. Traição.

A cabeça dele caiu de novo sobre o peito. – Que traição? – digo.

– Traição, não?

O sentado levanta de novo o seu horrível rosto e geme: – Eu, um partigiano como eu...

Johnson o cala com uma pancada do Sten. Digo: – Mas ele é partigiano?

– Sim, mas traidor. Você vai ou não vai dar esses dois murros nele? Você é o primeiro que se faz implorar. Devem ter passado uns cem e todos lhe deram. Bate, vai!

– É obrigatório?

– Obrigatório, não... – Johnson está atônito e eu sigo adiante130 .

Ou num segundo momento, em que todo um destacamento e alguns civis presenciam o fuzilamento de um fascista, o narrador descreve lentamente todos os preparativos, caracteriza todos os participantes, com olhar atento aos detalhes, que demonstram a crueldade e os atos animalescos daquela cena em que ninguém duvida de que a coisa certa a ser feita é fuzilar o fascista, nem mesmo Beppe:

Depois Barba se vira pra me dizer pra descer com ele que de onde estou não vou ver. Digo que vejo muito bem, movo apenas alguns passos com o pároco que encostou do meu lado e reza em latim com taquicardia. Olga apoiou a cabeça atrás das costas do Comandante e olha o fogo do cigarro e pergunta em vão se vai ser um barulho alto. Na margem estão os partigiani em uma fila só, com as mãos no bolso. Um partigiano pequenininho que o chamam Topo diz a Barba que afaste um dedo, que ele também possa ver. Mas Barba não o ouve, e Topo corre rapidíssimo a procurar um outro lugar. Mas eis a descarga, e Topo se empena como se o disparo tivesse acertado ele e blasfema seco. Aqueles poucos civis são os primeiros a ir embora dali, dizendo simplesmente que aquele prado é um pouco perto demais da cidade. Os partigiani ficam vendo Caminito fazendo as vezes de coveiro. Depois

130

Johnson mi fa: – Sei partigiano?/ Dico: – Non ti pare?/ – E allora picchia, – e mi addita quella faccia che già si è offerta./ – Perché ho da picchiarlo?/ – Traditore. Tradimento./ A quello la testa è ricascata sul petto./ – Che tradimento? – dico./ – Tradimento, no?/ ll seduto rialza la sua orribile faccia e geme: – Io, un partigiano come me.../ Johnson lo zittisce con uno scarto dello Sten./ Dico: – Ma è partigiano?/ – Sì, ma traditore. Glieli dai questi due pugni o non glieli dai? Sei il primo che si fa pregare. Ne saran passati cento e tutti han dato. Picchia, dai!/ – Obbligatorio?/ – Obbligatorio no... – Johnson è interdetto e io passo oltre‖ (FENOGLIO, 1994, p. 13).

de um momento Barba sobe e me diz que eu não vi que antes ele mijou nas calças131.

Outro momento em que o narrador se descreve totalmente diferente de seus companheiros é quando os partigiani, em meio a uma perseguição, são levados por um comandante, descrito como um incompetente e cheio de má intenção, a um almoço farto e prazeroso, regado a vinho, entrada, prato principal e sobremesa, em tempos de total escassez. O clima é todo surrealista, os republicanos estão chegando, e eles, em vez de irem embora, são tomados pela euforia e mandam um partigiano avisar com um assovio quando os republicanos estivessem mais perto. Apenas Beppe parece manter a noção de perigo, e a reforça com uma revelação que o distingue totalmente de seus companheiros: ―Todos bebem e começam a fazer bagunça e entoar a canção Il partigian del bosco que conta de uma moça que o partigiano do bosque lhe rompeu o véu. Eu sou abstêmio, e grito que se continuam assim não ouvimos o assobio‖ 132.

Beppe, porém, não é um personagem simples de delimitar, pois, apesar de se descrever diante dos fuzilamentos e das violências exacerbadas como quem não seria capaz de cometê-las, ele nunca as julga. Nunca acena para nenhum juízo de valor e nem descreve quem é capaz de fuzilar como um personagem inferior a ele. Em alguns momentos ele até se iguala a eles, em crueldade e frieza. Principalmente em relação às mulheres. No trecho a seguir, Beppe trata de uma garota que fazia parte dos partigiani e com a qual ele tinha transado durante toda a noite; ela sobe depressa num caminhão e ele, de longe,

131―Poi Barba si volta a dirmi di scendere con lui che da dove sono non vedrò. Dico che vedo benissimo,

muovo solo qualche passo coi parroco che mi si e affiancato e prega in latino col batticuore. Olga ha appoggiato la testa dietro la schiena del Comandante e guarda il fuocherello della sigaretta e chiede invano se sarà un rumore forte. Sul ciglio stanno i partigiani su una fila sola, con le mani in tasca. Un partigiano piccolino che lo chiamano Topo dice a Barba di spostarsi d‘un dito, che anche lui possa vedere. Ma Barba non l‘intende, e Topo corre velocissimo a cercarsi un altro posto. Ma ecco la scarica, e lui s‘impenna come se la raffica avesse inchiodato lui e bestemmia secco. Quei pochi borghesi sono i primi a partirsene, dicendo semplicemente che quel prato è un pò troppo vicino al paese. I partigiani restano a veder Caminito far da becchino. Dopo un momento Barba sale e mi dice che non ho visto io che prima s‘è pisciato addosso‖ (FENOGLIO, 1994, p. 37).

132―Tutti bevono e cominciano a far bordello e intonare la canzone ‗Il partigian del bosco‘ che dice di una

ragazza che il partigian del bosco le ha rotto il velo. Io sono astemio, e urlo che se fanno cosí non sentiamo il fischio‖ (FENOGLIO, 1994, p. 62).

pensa: ―É bonito ver que uma garota que foi tamburelada a noite toda ainda faz destas espargatas‖133.

Momento em que o narrador se utiliza do ―exercício de rememoração‖ é também aquele em que traz à tona a parte pouco nobre da guerra civil – Resistência italiana. A partir dos Appunti, somos colocados em contato com uma realidade em que, na verdade, os

partigiani faziam muitas elucubrações, mas pouca guerra. E, quando acontecia, o inimigo era tão superior em armas e munição, que as perdas eram sempre dramáticas. Por isso o dia a dia da guerrilha narrado por Beppe não glorifica nem enche de retórica seus dias, mas, ao contrário, mostra partigiani eternamente em fuga e seu superiores sempre às voltas com problemas mínimos, tais como a organização das refeições ou reclamações dos civis de galinhas roubadas, além dos muitos problemas com as outras facções. A seguir, vemos o partigiano Beppe presenciando uma dessa reclamações:

– O partigiano Caccia me requisitou o meu único bezerro. Não por nada, mas a fazenda Caffa tem três bezerros no estábulo, e todos três mais maduros que o meu. O Comandante lhe diz para resolver com o intendente Rolando e assim o manda embora‖134

.

Outra característica do texto de Fenoglio que, acredito, o mantém entre Erfahrung e Erlebnis é a voluntária estruturação da narrativa com resquícios de diário. A escolha visa reforçar a pretensa veracidade das informações e está presente desde o título da breve narrativa até as marcações temporais ao longo de todo o texto, que, juntas, servem para tornar o leitor ativo dentro da narrativa, com sua carga de memória partilhada, leitor com o qual o texto pretende uma quase total consonância de sensações. Marcas como ―a vigília da Imaculada‖, ―uma semana antes do Natal‖, ―é dia 21 de dezembro‖ e muitas outras servem para dar ao leitor uma precisão histórica, mas unidas a orações

133 ―È bello vedere che una ragazza che l‘hanno stamburata tutta la notte fa ancora di queste spaccate‖

(FENOGLIO, 1994, p. 79).

134―Mi ritiro alla finestra e vedo Madonna della Rovere e Castino e, sull'ultima collina, la torre di

Roccaverano. E sento il mezzadro:/ – ll partigiano Caccia mi ha requisito il mio unico vitello. Tanto per dire, la cascina Caffa ha tre vitelli in stalla, e tutt‘e tre più maturi del mio./ Il Comandante gli dice di vedersela con l‘intendente Rolando e cosí lo manda via‖ (FENOGLIO, 1994, p. 14).

vazias e ausência de fatos, para dar o tom das anotações de diário: ―Nada mais pelo resto da tarde‖135.

Ou ainda, sobre o esforço em anotar a caçada de novembro:

Agora que escrevo da grande caçada de novembro continuo a não entender nada dela, como dela não entendi nada então quando a sofri toda. Nem lembro o intinerário, tanto mais que, os três dias que durou, outra coisa não foi que um marchar em círculo(...). E houve bastante também para nós, mesmo que tivéssemos feito o calo em novembro. Mas talvez erro em dizer assim, porque às grandes caçadas a gente não se acostuma nunca‖136

.

A última estratégia dialética de Fenoglio trata da inserção, dentro de sua narrativa, dos resquícios fascistas no interior das facções resistentes. Ruptura e continuidade reforçam um ―exercício de rememoração‖ que nunca exalta forçosamente um momento cheio de nuances, ambiguidades e retrocessos. Os gestos fascistas são sempre narrados com alguma graça, quase como que avisando ao leitor que o narrador percebe que é um retrocesso, mas que o ambiente da Resistência era inevitavelmente cheio deles: ―Na ponte de Cossano o guarda se precipita para levantar a cancela do bloqueio, depois se esticam para nos cumprimentar alla Régio Exército‖137.

Assim, percebo a narrativa presente nos Appunti partigiani, de Beppe Fenoglio, um exaustivo exercício de não simplificação daquele momento histórico, não pertencimento a este ou aquele grupo, não total concordância com os partigiani, com a violência. Uma escolha difícil para aquele período a de optar por narrar ao seu leitor alguns fenômenos ridículos, escolhendo a banalização da guerrilha, sem abrir mão de certa esperança de

135 ―Nient‘altro per il resto del pomeriggio‖ (FENOGLIO, 1994, p. 20).

136 ―Adesso che scrivo del grande rastrellamento di novembre continuo a non capircene niente, come non

ne ho capito niente allora che l‘ho buscato tutto. Né ricordo l‘itinerario, tanto più che, i tre giorni che è durato, altro non è stato che un marciare in tondo. (...) E ce ne fu anche per noi, anche se noi ci si era fatto il callo a novembre. Ma forse sbaglio a dir cosí, perché ai grandi rastrellamenti non ci si abitua mai‖ (FENOGLIO, 1994, p. 48).

137 ―Al ponte di Cossano le guardie si precipitano a sollevare la sbarra del blocco, poi s‘impalano a

que naquele microcosmo houvesse um germe transformador da sociedade como um todo. Esperança que está presente nos Appunti e foi sumindo dos textos da maturidade.

A partir dessas escolhas prévias, seguem-se outras escolhas formais um narrador que possui uma memória de fatos difusos, que cruza com muitos personagens e narra muitas paisagens e que não se atém à narrativa da aventura de uma trajetória, uma vida, um sujeito, um herói. O narrador-personagem de Fenoglio está inserido numa coletividade e narra acontecimentos ocorridos a um grupo de pessoas, embora se utilize da autobiografia como via de acesso à ―rememoração‖: é a partir do pacto de veracidade conseguido a partir da autobiografia que Beppe narra os acontecimentos partilhados de uma guerrilha vivida por ele em primeira pessoa, mas também por seu leitor, direta ou indiretamente, e o narrador, ao longo de todo o livro, parece saber disso.

Benzer Belgeler