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A legislação brasileira em seu Decreto n.º 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, Art. 80 da LDB lei n.º 9.394/96, conceituou Educação a Distância como:

uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.

Dada a velocidade e a força das transformações dessa modalidade de ensino, em 2005 redefiniu-se75 esse conceito:

Educação a Distância (EAD) é a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, envolvendo estudantes e professores no desenvolvimento de atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

Uma das grandes dificuldades de conceituar EAD é encontrarmos primeiramente, uma definição para o termo “distância”. Belloni (2002, p.1) afirma que:

o próprio conceito de distância está se transformando, como as relações de tempo e espaço, em virtude das incríveis possibilidades de comunicação a distância que as tecnologias de telecomunicações oferecem. Também o conceito de interatividade carrega em si grande ambigüidade, oscilando entre um sentido mais preciso de virtualidade técnica e um sentido mais amplo de interação76 entre sujeitos, mediatizada pelas máquinas.

75 Redefinição do termo: Decreto 5.622, de 19.12.2005 (que revoga o Decreto 2.494/98), e que regulamenta o

Art. 80 da Lei 9394/96 (LDB).

76 Interação e Interatividade: a interação pode ocorrer diretamente entre dois ou mais entes atuantes, ao contrário

Moran (2002, p. 2) complementa que EAD

é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a internet.

Os autores acima, sempre fazem referências ao aspecto tempo e espaço e, inevitavelmente, a grande maioria da população, os alunos, alguns professores e profissionais, acabam também fazendo comparações desse tempo e espaço virtuais com o do ensino presencial tradicional. Como sempre tiveram contato apenas com o ensino presencial tradicional, involuntariamente o fazem. Intuo ser perfeitamente compreensível e perdoável a comparação. Mas, na verdade, não cabe aqui, nenhuma comparação, pois são modalidades de ensino diferentes em muitos aspectos, embora não sejam antagônicas.

Segundo Kenski (2003, p.68),

o ambiente educacional virtual não suprime o espaço educacional presencial. Ao contrário, ele o amplia. Os projetos de educação permanente, as diversas instituições e os vários cursos podem ser oferecidos para todos os níveis de ensino e para todas as idades, a internacionalização do ensino - através das redes - criam novas dimensões para o acesso à educação, novas possibilidades de comunicação e agregação, novas oportunidades para o avanço na ação e na formação do cidadão que habita os múltiplos espaços das escolas - e das suas múltiplas linguagens.

Levy (1999) corrobora com os autores acima e esclarece que “o virtual não se opõe ao real, mas se manifesta como uma potência”. Araujo & Marquesi (2009, p.358) afirmam que a virtualidade “potencializa a comunicação sem restrição de tempo e espaço” e que “os recursos que permitem o virtual são as TICs. Estas constituem os recursos tecnológicos, softwares e hardware que realizam as tarefas de receber, processar, distribuir e armazenar os dados e informações, permitindo a interação e interatividade [...]”. Ainda segundo os mesmos autores, na “verdade, as situações do presencial e a do virtual promovem a aprendizagem de maneira diferenciada e podem complementar-se”. (Ibid, p.360)

Ainda sobre o aspecto tempo e espaço, é sabido que a educação presencial tradicional nunca foi totalmente presencial. Na educação presencial sempre tínhamos “tarefas para fazer em casa” e trabalhos individuais e/ou grupos que eram realizados fora da sala de aula (nos corredores ou na biblioteca da escola, na biblioteca pública da cidade, na residência do aluno entre outros) e também em outro momento à tarde, à noite, no sábado, no domingo... Esses são exemplos que comprovam verdadeiramente que já se fazia educação a distância no ensino presencial (FUJITA, 2007a, p.9).

Na EAD, também não é diferente. Dependendo da metodologia pedagógica adotada, podemos ter cursos híbridos (blended learning), isto é, cursos a distância intercalados com encontros presenciais. Almeida (2003) esclarece que as interações presenciais dentro dos cursos a distância, somente têm aspectos positivos, pois após os encontros presenciais os alunos podem

[...] continuar o diálogo de qualquer outro espaço físico que permita o acesso à Internet e em qualquer momento que se tenha disponível. Rompe- se assim com a limitação espaço-temporal da aula, o que possibilita a abertura da sala de aula e dos espaços pedagógicos para o mundo, bem como a integração das organizações educacionais com os demais setores da atividade humana que também constituem espaços produtores de conhecimento. (ALMEIDA, 2003, p.208)

Independente do objetivo do curso, sempre que possível evidentemente, é recomendável termos momentos presenciais nos cursos a distância. O “olho-no-olho”, o contato físico e pessoal faz parte do ser humano, pois por natureza, somos seres sociáveis.

Para Lima (1998), essas relações e o ambiente de sala de aula (seja ela física ou virtual) estão tomando novos rumos e dimensões. Em “Mutações em educação segundo McLuhan”, Lima esclarece que concorrência e competição são frutos de uma sociedade meritocrata, cujas bases se firmaram na economia industrial, quando a educação era restrita somente ao conhecimento oferecido pelo professor e pelo livro didático (único instrumento de consulta) e que as potencialidades e vivências individuais dos alunos eram desprezadas. Ainda segundo o autor, na sociedade da informação, o conhecimento extrapola os limites das escolas e passa a contar com os meios de comunicação de massa (internet e chats, videoconferência, teleconferência) – como extensão do ser humano - e a educação começa a ser vista como um processo de comunicação e de permuta. A competição não é mais a mola propulsora do sucesso e sim a colaboração, a união das diferenças, a qual se dá por meio do que McLuhan chama de discussões em grupo, que compreende um processo coletivo de engajamento, integralidade, diversificação - aprendizagem colaborativa.

Mesmo diante dessa pluralidade, sabemos que todo o processo coletivo somente poderá ser concretizado a partir das escolhas corretas que os dirigentes das IES fizeram quando da confecção do projeto político-pedagógico do curso. Essas escolhas refletem diretamente na qualidade educacional do curso e na sua qualificação profissional.

Dentre essas escolhas, uma das mais importantes a serem realizadas está no tipo de curso e nas propostas pedagógicas (que discutiremos a seguir) que conduzem um curso a distância.

Benzer Belgeler