As etapas e diretrizes descritas na Figura 20, do processo de aquisição do conhecimento de um agente textual para seu posicionamento no frame MORPH e seu detalhamento é apresentado nos subitens a, b e c. Esse processo consiste em três etapas, onde a primeira trata da extração dos objetos da Rede Proposicional Fundamental, a segunda do posicionamento dos mesmos no frame e a terceira, a definição do relacionamento entre os objetos.
a. Etapa 1 – Extração dos Objetos
Esta etapa compreende a extração dos Objetos (Objk) da Rede Proposicional P e se
subdivide em quatro diretrizes. A primeira compreende a declaração da Rede Proposicional Fundamental (P), onde todo o processo de aquisição do conhecimento de um agente especialista é iniciado. Para a elicitação do conhecimento de um agente, Costa (2012) afirma que é fundamental a declaração da P, ou seja, a declaração do problema que se deseja solucionar ou compreender, ou ainda sobre o contexto que se deseja decidir. Nesse processo utiliza-se um método identificado como heurística de meios e fins que segundo Costa (2012), significa dividir o problema em vários subproblemas, tentando reduzir a diferença entre o estado inicial e o desejado para cada subproblema e pressupõe uma atitude, onde os fins
requeridos devem ser identificados para que se possa imaginar os meios, sendo essa uma relação de causa e efeito.
Para a definição de P é necessário ao menos uma oração de período simples ou composto, devendo ser estruturada por frase nominal (FN) ou sintagma nominal, e uma frase verbal (FV) ou sintagma verbal. A FN é dividida em um determinante e um núcleo, que necessariamente deve ser um substantivo. A FV é dividida em um verbo seguido de outra frase nominal (LEVINE; DRANG; EDELSON, 1986).
A oração que constitui P pode ser do tipo declarativa ou interrogativa, segundo a linguística e deve conter pelo menos dois conceitos, que são identificados como substantivos. Essas figuras de linguagem desempenham um papel importante na P e podem ser considerados como agente, alvo e destinatário da ação (MESQUITA, 1999). A Figura 21 evidencia a estrutura gramatical básica para a constituição da P.
Figura 21 - Árvore da estrutura gramatical básica da P.
Fonte: Adaptado de Levine; Drang; Edelson (1988, p. 28); Dubois-Charlier (1981, p. 163)
A segunda diretriz refere-se à divisão da P em Conceitos (Ci), em que Ci é uma ideia
sobre algo, uma representação mental de uma categoria, uma proposição que se obtém pela decomposição de uma rede proposicional fundamental (P) (COSTA, 2012).
Com isso, a terceira diretriz é evidenciada, em que para cada Ci define-se um conjunto
de critérios (cj) que determinam o significado relacionado dos Objetos (Objk). O cj é tudo que
serve como critério de julgamento e que une Ci ao Objk, devendo ser declarado para que seja
possível reconhecer os objetos. Costa (2012, p. 66) afirma "Para que os objetos sejam trazidos
à memória de trabalho, os “critérios” (cj) tornam possível o acesso à memória de longo prazo
Desta maneira a pergunta que se faz à P para a obtenção do cj é "Com que se define Ci
na P?" e a resposta que se obtém é "Com cj".
A Figura 22 evidencia a decomposição da P para a extração dos objetos e as relações entres os conceitos, critérios e objetos.
Figura 22 - Representação esquemática da extração de objetos.
Fonte: Costa (2012, p. 63).
Na quarta diretriz os Objetos (Objk) são extraídos da P, estes objetos são figuras de
linguagem capazes de nomear o componente central de uma narrativa. Objk é um sintagma
nominal que contém o sentido conotativo do termo ou um conjunto de palavras, não é necessariamente um objeto material ou abstrato, pode ser qualquer coisa, sensação, evento, conceito que possa gerar uma ideia na mente do agente e pode ser inclusive outra ideia, não precisa ter existência real no mundo (COSTA, 2012).
Desta maneira a pergunta que se faz ao texto para a obtenção do Objk é "Como cj
define Ci?" a resposta que se obtém é "Com Objk".
Vale ressaltar que as perguntas são feitas até esgotar a identificação de todos os objetos no texto.
b. Etapa 2 - Posicionamento dos objetos no frame MORPH
Conforme pode ser observado na Figura 23, esta etapa consiste no posicionamento dos objetos nas zonas do frame, nos eixos de Temporalidade e Controlabilidade. A primeira diretriz posiciona os objetos no eixo horizontal da Temporalidade (Tp), neste encontram-se os atributos: memórias Imediata (IM), Recente (RC) e Remota (RM), que determinam o tempo existente entre os objetos relacionados com a dinâmica do evento. Costa (2012) afirma que a
memória de trabalho (IM) refere-se à capacidade do agente em focar a atenção sobre um determinado conteúdo, enquanto que a memória recente (RC) refere-se à capacidade do agente de associar o conteúdo a questões menos focais, de orientação geral e de estudo de possibilidades, que convergem para um aprofundamento em teorias e conhecimentos básicos e generalistas, descritos na memória de longo prazo (RM). Dessa maneira, a RM e a RC, se complementam para descrever o caminho de recuperação da informação na IM.
Figura 23 - Representação dos eixos do frame MORPH, evidenciando o caminho de recuperação da informação e do poder.
Fonte: Adaptado de Zambon (2006 apud COSTA, 2012, p. 43).
Desse modo, a pergunta que se faz ao texto para a obtenção do posicionamento do Objk no frame (eixo da Temporalidade) é "O Objk contribui diretamente para atingir o que se
deseja em relação ao Ci?" se não contribuir, estará na posição Remota (RM), mas se
contribuir, uma segunda questão deverá ser respondida, a saber: "Se Objk deixar de existir
haverá uma mudança no Ci?" se não houver, estará na posição Recente (RC) e se houver,
estará na posição Imediata (IM).
A segunda diretriz posiciona os objetos no eixo vertical da Controlabilidade (Ct), neste encontra-se uma relação de domínio, os atributos Controlável (CN), Penumbra (PN) e Não Controlável (NC), ou seja, uma relação de poder do agente especialista sobre os objetos em relação à rede proposicional (P). No atributo NC mesmo os objetos fazendo parte da explicação da P, não podem ser controlados pelo agente especialista; no atributo PN, o objeto
causa a incerteza em controlar ou não a situação; e no atributo CN, o objeto é declarado controlável pelo agente especialista. Desta maneira, pode-se notar que o sentido de recuperação do poder caracteriza-se de baixo para cima, isto é, do atributo NC para o CN, conforme evidenciado pela Figura 11.
Desse modo, a pergunta que se faz ao texto para a obtenção do posicionamento do Objk no frame (eixo da Controlabilidade) "É possível controlar integralmente a ação do Objk
sobre o Ci?", se sim, estará na posição Controlável (CN), mas se não, uma segunda questão
deverá ser respondida, a saber: "É possível controlar parcialmente a ação do Objk sobre o
Ci?", se sim, estará na posição Penumbra (PN), se não, estará na posição Não Controlável
(NC).
c. Etapa 3 – Definição dos relacionamentos e pesos entre os objetos
Nessa última etapa é possível atribuir os relacionamentos (→) e pesos de balanço (B) e reforço (R) aos objetos. A primeira diretriz corresponde à definição dos relacionamentos, ou seja, o sentido da relação. Estes são estabelecidos por setas que podem indicar força ou sentido e estabelecer, em termos de causalidade, dependência ou influência. Como exemplo, "Obj1 → Obj2", um objeto influencia outro objeto de alguma forma. Esta forma pode ser positiva, negativa ou equilibrada, dependendo da intensidade da força da relação (COSTA, 2012).
Assim sendo, o sentido da relação se dá por meio da pergunta "O Objk e Objk+1
encontram-se no mesmo Ci e cj?", se sim, será uma relação de mutualidade (↔), ou seja, nos
dois sentidos. Se não, o sentido da relação ocorre do Objk(→) para Objk+1".
A intensidade com que essa influência ocorre entre os objetos pode ser uma situação de balanço ou reforço, como evidencia a segunda diretriz. O Balanço consiste em uma situação que não despende de energia para ocorrer, pois tende a um equilíbrio, de acordo com Costa (2012, p.81) "isto demonstra a pressão do “objeto-causa” sobre o “objeto-efeito” para que este segundo atinja um ponto adequado", regulando o estado. O Reforço versa uma situação que amplifica a relação, tanto positivamente quanto negativamente, polarizando o estado. A intensidade da relação se da por meio da pergunta "O Objk influencia a situação do
Objk+1?", se sim, assume uma relação de Balanço (B), se não, Reforço (R). Cabe salientar