De acordo com a Tabela 11, abaixo, existem em Pernambuco 890 empresas do setor EMM, das quais apenas 118 são filiadas ao Simmepe. Dessas, apenas 33 obtiveram incentivos fiscais através do Prodepe e geraram 6.714 empregos diretos, enquanto as demais criaram apenas 5.470 oportunidades de trabalho, com média de 64 empregados/empresa. No caso das indústrias incentivadas, a média alcançou 203 empregos por estabelecimento.
TABELA 11 - MÉDIA DE POSTOS DE TRABALHO POR ESTABELECIMENTO EM PERNAMBUCO – 2006
EMPREGOS ESTABEL. MÉDIA EMPREGO POR
ESTABELECIMENTO SETOR EMM
EMPRESAS FILIADAS (1)
• FILIADAS COM PRODEPE • FILIADAS SEM PRODEPE
18.063 12.184 6.714 5.470 890 118 33 85 20 103 203 64 INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO 171.591 7.631 22,5
FONTE: Dados primários Fiepe e MTE (2006). ELABORAÇÃO: Autor.
NOTA:
(1) Empresas filiadas ao Simmepe.
Como se vê, 27,97% das empresas filiadas ao Simmepe obtiveram incentivos fiscais e geraram 55,11% dos empregos criados pelo total de indústrias vinculadas, quando 72,03% delas geraram apenas 44,89% dos empregos. Se considerarmos todas as empresas do segmento, filiadas ou não ao Simmepe, poderemos afirmar que 3,71% das empresas obtiveram incentivos fiscais e geraram mais de 37% dos empregos do segmento EMM, em Pernambuco.
Ao todo, segundo dados extraídos do Cadastro Industrial da Fiepe (2006), 215 estabelecimentos industriais foram fundados no segmento EMM em Pernambuco, no período de 1998 a 2006. Destes, 35 eram passíveis de enquadramento no Prodepe, mas apenas 13 obtiveram o incentivo fiscal. De acordo com a tabela abaixo, as 13 empresas, juntas, geraram 1.483 empregos diretos, o que corresponde a 55,21% dos empregos totais, ou seja, 16,28% das empresas responderam por mais da metade dos empregos do setor EMM do Estado, o que pode ser explicado, em boa parte, pelo porte dessas empresas, uma vez que 180, das 215 entidades fundadas no período, são consideradas microempresas, assim como mostra a Tabela 12 disponível na página seguinte.
TABELA 12 - EMPRESAS DO SETOR EMM COM ANO DE FUNDAÇÃO ENTRE 1998 E 2006 EM PERNAMBUCO – 2006
Categoria Nº de
estabe.
Part. % No. empregados Part. % Média de em- pregados p/es- tabelecimento Total no Período (1998-2006) 215 100,00 3.646 100,00 17 • Micro porte 180 83,72 960 26,33 5 • Demais portes 35 16,28 2.686 73,67 77 o Incentivadas 13 6,05 1.483 40,67 114 o Não Incentivadas 22 10,23 1.203 33,00 55
Participação dos 13 estabelecimentos incentivados no mercado de trabalho, no período 40,67% Participação dos 13 estabelecimentos incentivados no mercado de trabalho da categoria - Demais
Portes 55,21%
FONTE: Dados primários do Cadastro Industrial Fiepe 2006. ELABORAÇÃO: Autor.
Apesar disto, se levarmos em consideração todos os empregos gerados por todas as empresas do segmento, fundadas entre 1998 e 2006, veremos que as 13 empresas que obtiveram os benefícios do Prodepe correspondem a apenas 6,05% do universo de empresas criadas, mas respondem por 40,67% dos empregos diretos do setor EMM que foram gerados pelas 215 empresas criadas no mesmo período. Na média de empregos gerados por estabelecimento, observa-se que a média das 13 empresas incentivadas foi de 114 empregados, enquanto as 202 não-incentivadas criaram apenas 10,7 vagas por unidade industrial. Excluindo-se as microempresas, para estabelecer um comparativo entre empresas de mesmo porte, verifica-se que as 22 empresas não-incentivadas geraram uma média de 55 empregos por estabelecimento ou menos da metade (48,25%) da performance obtida pelas empresas incentivadas, evidenciando a importância e a excelente contribuição das empresas incentivadas do Estado no mercado de trabalho, nesse período.
De acordo com o Cadastro Industrial da Fiepe (1998-2007), a quantidade de empresas do setor EMM de Pernambuco, filiadas ao Simmepe, aumentou 26,88% enquanto o número de
empregos gerados por essas mesmas empresas cresceu 43,29%. Dos 12.184 empregos gerados, mais da metade está nas pequenas e médias empresas (60,4%), conforme demonstra a Tabela 13.
TABELA 13 - RELAÇÃO EMPREGADOS X EMPRESAS DO SETOR EMM FILIADAS AO SINDICATO PATRONAL DE PERNAMBUCO - 1998-2007
Quantidade Empresas Quantidade Empregados Var % 2007/1998 PORTE 1998 2007 1998 2007 Quantidade Empresas Quantidade Empregos Micro Pequena Média Grande
Sem Definição de Porte
27,00 17,00 8,00 7,00 34,00 52,00 40,00 22,00 4,00 0,00 285,00 767,00 1.558,00 5.893,00 0,00 425,00 1.913,00 5.446,00 4.400,00 0,00 92,59 135,29 175,00 - 42,86 - 100,00 49,12 149,41 249,55 - 25,34 0,00 TOTAL 93,00 118,00 8.503,00 12.184,00 26,88 43,29
FONTE: Dados primários do Cadastro Industrial FIEPE 1998-2007. ELABORAÇÃO: Autor.
Segundo dados de 2006, do Cadastro Industrial Fiepe (presentes na Tabela 13, acima), 12.184 empregos foram gerados pelas 118 empresas do setor EMM, filiadas ao Simmepe. Observe-se que, conforme Tabela 14, abaixo, apenas 7% das empresas possui mais de 100 empregados, 19% mais de 30 funcionários e 71% dos empregados do setor EMM estão em empresas que geram mais de 100 empregos. Por outro lado, 86% dos colaboradores estão em empresas que geram mais de 30 empregos.
TABELA 14 - DISTRIBUIÇÃO DO EMPREGO NO SETOR EMM, SEGUNDO O TAMANHO DAS EMPRESAS EM PERNAMBUCO – 2006
Intervalo de emprego
Número de Empresas (%) Número de
Empregados (%) 0 a 10 270 60 1.162 6 11 a 30 96 21 1.760 9 31 a 100 54 12 2.928 15 101 a 300 16 4 3.111 16 301 a 500 10 2 4.095 21 501 a 2.700 6 1 6.792 34 452 100 19.848 100
FONTE: Cadastro Industrial da Fiepe 2006. ELABORAÇÃO: Autor.
Assim, verifica-se que 71% dos empregos do segmento EMM são gerados por apenas 7% das empresas e, se incluídas as empresas que empregam mais de 30 funcionários, verificar-se-á que 86% dos empregos do segmento estão concentrados em apenas 19% das empresas.
Dentre as empresas filiadas ao Simmepe, segundo dados de 2006, considerando-se as nove empresas que obtiveram maior percentual de crescimento, na geração de empregos, e que não obtiveram incentivos fiscais, verifica-se que houve um incremento de 157,58%, no período de 1998 a 2006. Em média, essas empresas geraram 22 empregos por empresa e passaram a gerar, em 2006, quase 57 empregos, cada. Quando se avalia o crescimento das empresas incentivadas, verifica-se que nas nove empresas que obtiveram incentivos no período o crescimento nos postos de trabalho foi mais modesto, situando-se na casa de 126,70%. De 839 empregos gerados até 1998, essas empresas saltaram, no conjunto, para 1.902 empregos diretos, elevando a média per capita para 211 empregos, quando em 1998 a média era de 93 empregados por indústria.
Deve ser levado em conta que, embora as empresas não-incentivadas tenham alcançado melhor crescimento relativo, o volume de empregos gerados pelas empresas incentivadas correspondeu a 78,86% dos empregos do setor EMM. Outros 1.375 novos empregos foram gerados no segmento, no período de 1998 a 2006, pelas empresas filiadas ao Simmepe, dos quais 1.063 foram criados pelas indústrias incentivadas.
É interessante observar que, no caso das empresas não incentivadas, se forem consideradas apenas as cinco empresas que, em 1998, geravam mais de nove empregos diretos, o crescimento relativo no período 1998/2006, caiu para 125,84%, tornando-se semelhante ao das empresas incentivadas, que foi da ordem de 126,70%. Se também forem excluídas, dentre as incentivadas, a única empresa que gerava menos de 10 empregos diretos, o percentual sobe um pouco mais e atinge 126,95%, permanecendo muito próximo do geral.
O que se pode concluir é que o incentivo fiscal e o crescimento relativo do número de empregos não têm, entre si, uma co-relação direta. Também não é o fato de a empresa ter um maior ou menor número de empregados que vai determinar o maior ou menor crescimento
relativo, já que da mesma forma que uma das empresas incentivadas que gerava 34 empregos diretos cresceu 820% em oito anos, outra, não incentivada e que gerava apenas sete empregos diretos, passou a gerar 57, numa elevação de 714%
Fatores como o nível da tecnologia empregada no processo produtivo e o crescimento da participação da empresa no sub-segmento em que atua, por exemplo, podem influenciar fortemente a maior ou menor necessidade de contratação de pessoal. O ponto importante a ressaltar é que cerca de 80% dos empregos existentes no setor EMM têm origem nas empresas incentivadas, as quais, em boa parte, não estariam em Pernambuco se não obtivessem o incentivo fiscal.
O crescimento do emprego, no setor EMM brasileiro, tende a aumentar, em que pese o cenário de crise internacional que se anuncia e já atinge vários países do mundo e, no Brasil, alguns setores mais específicos. Alguns sub-setores deverão ter redução nas encomendas e, com isso, tenderão a reduzir turnos e jornadas de trabalho, implicando redução na quantidade de empregos. Mesmo assim, acredita-se que outros sub-segmentos e também algumas empresas que produzem para setores vitais e de economia emergentes venham a realizar novos investimentos para ampliar sua capacidade produtiva e, com isto, gerar mais empregos. Há que se considerar que as grandes indústrias, que geralmente desenvolvem uma melhor administração tributária e delimitam melhor os seus custos para se manterem competitivas no mercado, fazem planejamento de longo prazo e tendem a ocupar melhores espaços relativos em época de crise. A escala de produção pode ser um grande diferencial, quando associado a um fôlego financeiro maior, para se manter ou até mesmo ampliar sua participação relativa no mercado.
Exemplo claro dessa visão de longo prazo pode ser extraída da última pauta de projetos aprovados pelo Condic, em reunião realizada em 23.12.08, quando 43 projetos industriais obtiveram aprovação dos seus pleitos para terem acesso aos incentivos fiscais, visando à implantação e/ou ampliação de unidades fabris, com investimentos totais da ordem de R$ 570 milhões e geração estimada de cerca de 4.300 novos empregos.
Ainda na mesma reunião, oito indústrias do setor EMM pleitearam incentivos, sendo seis para implantação e duas para ampliação de plantas existentes, com investimentos totais previstos de R$ 66 milhões e geração de 725 novos empregos diretos. Deve ser levado em conta, ainda, que ao longo dos anos de 2007 e 2008 diversos projetos do setor EMM foram aprovados e ainda não entraram em produção, deixando de influenciar as estatísticas disponibilizadas pelos organismos oficiais e de classes empresariais.
Para se ter uma idéia sobre o que ainda está por vir, é importante re-visitar as pautas anteriores do Condic, nos anos de 2007 e 2008, quando, no total, 226 empresas obtiveram aprovação dos seus pleitos. Em 2008, 17 indústrias do setor EMM obtiveram aprovação dos seus projetos, com estimativa de geração de mais 1.504 empregos diretos. De janeiro de 2007 a dezembro de 2008, 29 indústrias do setor EMM conseguiram aprovar o pedido de incentivos fiscais, com investimentos da ordem de R$ 195.717.460,00 e geração estimada de 2.764 novos postos de trabalho.
Segundo dados do Cadastro Industrial da Fiepe, 12.184 empregos foram gerados pelas empresas filiadas ao Simmepe, até dezembro de 2007. Destes, 3.681 foram empregos líquidos gerados entre 1998 e 2007, cabendo observar que um total de 2.180 (59,2%) foi gerado por empresas com ano de fundação entre 1998 e 2007 e 1.405 (64,45%) por empresas que obtiveram incentivos fiscais pelo Prodepe. Em resumo, 36,36% das empresas fundadas no período receberam incentivos e geraram 64,45% das novas vagas de trabalho, conforme demonstra a Tabela 15.
TABELA 15 - EMPREGOS GERADOS PELAS EMPRESAS DO SETOR EMM, FUNDADAS ENTRE 1998 E 2005 (*), FILIADAS AO SIMMEPE – 2007
Quantidade de Empregados 1998 2007 Total
Empresas incentivadas Empresas não-incentivadas
Participação % das empresas incentivadas
8.503 5.116 3.387 60,17 12.184 6.714 5.470 55,11 Saldo de empregos gerados no período 3.681
TABELA 15 - EMPREGOS GERADOS PELAS EMPRESAS DO SETOR EMM, FUNDADAS ENTRE 1998 E 2005 (*), FILIADAS AO SIMMEPE – 2007
(continuação)
Quantidade de empregados Quantidade de empresas Total Empresas incentivadas Empresas não-incentivadas 2.180 1.405 775 33 12 21
Participação % das Empresas Incentivadas 64,45 36,36
FONTE: Dados primários do Cadastro Industrial da Fiepe. ELABORAÇÃO: Autor.
NOTA:
(1) último ano de fundação, em função de a pesquisa ter ido a campo em 2006.