América Latina e Brasil - Análise
A segunda onda dentro do chamado processo neoliberal que empurrou o mundo para um controle ainda maior da economia pelas grandes corporações desencadeado com a reforma dos modelos de regulação e fusões empresariais em curso (uma re-monopolização privada dos setores produtivos) espera ver no mercado latino-americano no final da primeira década do século XXI uma nova explosão no setor de telecomunicações, impulsionado pelo crescimento da banda larga e das comunicações móveis amparadas pela terceira geração de celulares (3G)151.
A telefonia celular até o momento constitui-se como o mais importante investimento (e lucros) na região com importantes níveis de crescimento que tendem a se potencializar com a disseminação da convergência digital que integrará mais fortemente as tecnologias da Internet à mobilidade. Segundo dados do Atlas brasileiro de telecomunicações (2008) a penetração regional da comunicação móvel em toda a América Latina já é da ordem de 60%, fruto de fortes subsídios estatais na implantação de terminais e da expansão da telefonia pré-paga, chegando em alguns países da América Latina em penetrações de 90% da população152.
151 3G é a terceira geração de padrões e tecnologias de telefonia móvel, substituindo o 2G. É baseado na família de normas da União Internacional de Telecomunicações (UIT), no âmbito do Programa Internacional de Telecomunicações Móveis (IMT-2000).
As tecnologias 3G permitem às operadoras da rede oferecerem a seus usuários uma ampla gama dos mais avançados serviços, já que possuem uma capacidade de rede maior por causa de uma melhora na eficiência espectral. Entre os serviços, há a telefonia por voz e a transmissão de dados a longas distâncias, tudo em um ambiente móvel.
152 Ao final de 2007 foram registrados 121 milhões de aparelhos celulares ativos no Brasil, com uma penetração acima de 60% da população. Fonte: Atlas brasileiro das Telecomunicações, 2008.
FIGURA 31A – Telefonia Celular Brasil
Fonte: Atlas brasileiro de telecomunicações. Converge Comunicações, 2008
Os maiores problemas para a expansão das novas tecnologias ligadas ao 3G revela-se no baixo poder aquisitivo da população (fato que explica a enorme adesão aos planos pré-pagos, que permitem períodos longos de uso apenas para o recebimento de chamadas). O desafio das grandes empresas é conseguir que seus clientes realmente utilizem seus dispositivos não apenas como um meio de comunicação de voz, mas também para ter acesso a uma importante gama de serviços que vem sendo desenvolvidos, segundo os novos padrões tecnológicos, que permitem uma extensão maior de ganhos sobre os SVA (ou serviços de valor adicionado), tipos de serviços que permitem ganhos com maior poder de lucratividade na exploração de redes de telecomunicações.
que neste final de década o foco estará na implantação de 3G e WiMAX153. Para alcançar o objetivo assinalado por todas as operadoras, que é melhorar sensivelmente a penetração da banda larga em toda a região latino-americana que ainda gira em torno de 3% a 5% enquanto que nas regiões mais desenvolvidas do Cone Sul esta penetração é da ordem de 20%.
Há uma pressão muito forte tanto de setores corporativos, como também de órgãos estatais para que ocorra um grande salto em matéria de acessos de banda larga, no sentido (em termos do discurso preferido pelos atores hegemônicos) de não atrasar a região no contexto de uma economia mundial globalizada. Os principais argumentos defendem uma utilização massiva das tecnologias da informação como forma de catalisar novos desenvolvimentos na economia latino-americana além de possibilitar a execução de diversos planos governamentais que tem como objetivo não somente informatizar a administração pública, como também servir como ferramenta para encurtar o crescente abismo digital que se observa na população latino-americana.
No Brasil, o mercado de celulares constitui-se um dos mais lucrativos e bem sucedidos do mundo. Atualmente (dados de janeiro de 2008) as operadoras de telefonia móvel chegam a 3357 mil municípios, que representam quase 96% do Índice Potencial de Consumo brasileiro, 90% da população e 98% dos domicílios A e B. Os 2204 municípios onde o celular ainda está longe de ser uma realidade não apresentam atratividade econômica alguma (representam apenas 4% do potencial de consumo brasileiro) e uma expansão nessas áreas está vinculada a iniciativas de políticas públicas, como a dos leilões das frequências de 3G, onde o ganhador das concessões fica obrigado a atender em contrapartida áreas economicamente pouco atrativas.
Fica claro neste contexto que um número tão alto de municípios são excluídos das tecnologias de informação pelo simples fato de não comporem
153 WiMAX é uma tecnologia de redes e transmissão de dados sem fio. O benefício crucial do padrão WiMAX é a oferta de conexão internet banda larga em regiões onde não existe infra-estrutura de cabelagem telefónica ou de TV por Cabo, que sem a menor dúvida são muito mais custosos. Este benefício econômico do padrão sem fio para redes proporciona a difusão dos serviços de banda larga em países em desenvolvimento, influenciando diretamente na melhoria da capilaridade da rede.
mercados com potenciais de lucros para as empresas, evidenciando o lado mais obscuro das práticas empresariais, que excluem do chamado progresso e da evolução tecnológica consideráveis grupos sociais. A capilarização da rede obedece a uma relação entre território-ocupação em sua relação com o potencial de consumo local como mostramos nos mapas abaixo. Aonde observa- se que a exclusão ao acesso aos meios de informação desenvolve-se espacialmente, uma forma renovada de segregação, nesse caso, das novas tecnologias do conhecimento vem acontecendo.
Percebemos também a importância da intervenção estatal nesse setor, regulando de fato estas práticas tornando o meio técnico informacional não apenas um espaço para a realização de negócios, mas também de desenvolvimento social.
Em seguida apresentamos, um conjunto de mapas que expressam a atual situação das redes de comunicação no Brasil, segundo as diferentes corporações atuantes no território nacional:
FIGURA 31 – Brasil Telecom que está em processo de fusão com a antiga Telemar (Oi) e sua rede de cabos, satélites e cabos submarinos. Fonte:Atlas brasileiro de telecomunicações. Converge Comunicações,
FIGURA 32 – Rede Nacional da Telemar (Oi) em processo de fusão com a Brasil telecom e redes estaduais da Neovia e NQT voltadas para serviços corporativos. Fonte:Atlas brasileiro de telecomunicações.
FIGURA 33 – Mapa do backbone da Embratel (Telmex) e da GVT (empresa espelho da Brasil Telecom). Fonte:Atlas brasileiro de telecomunicações. Converge Comunicações, 2008.
FIGURA 34 – Mapa da rede da Global Crossing, uma das maiores provedoras de rede do Mundo e prestadora de serviços para Telefonica. Fonte:Atlas brasileiro de telecomunicações. Converge
FIGURA 35 – Rede da Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CTBC) pertencente ao Grupo Algar e da Eletronet, uma empresa de capital misto (Eletrobrás e AES Corporation – EUA).
FIGURA 36 – Rede da Intelig (Consórsio que integra as empresas National Grid -Inglaterra, France Telecom, Sprint –EUA e o grupo Docas nacional) e da Infovias. Fonte:Atlas brasileiro de telecomunicações.