4. EĞĠK RESĠM FOTOGRAMETRĠSĠ (OBLĠK FOTOGRAMETRĠ)
4.2. Eğik Resim Fotogrametrisinin Genel Kullanım Alanları
As redes de telecomunicações no Brasil iniciaram seu processo de expansão e modernização a partir do começo dos anos 60 com a elaboração tardia de seu primeiro código de Comunicações (1962). Nessa época o meio de comunicação à distância mais confiável era ainda o telégrafo. A telefonia já existia, no entanto, para chamadas de longa distância funcionava de maneira precária (DANTAS, 2002, p.209).
Os governos militares foram responsáveis pela expansão e modernização das redes de telecomunicações no Brasil a partir da criação da Embratel em 1965, voltada para o desenvolvimento de uma rede em escala nacional e posteriormente a criação da Telebrás em 1972, com a função de fortalecer os sistemas estaduais e a telefonia urbana.
Estas iniciativas estavam ligadas ao desenvolvimento das infra-estruturas que buscavam atrair investimentos internacionais e garantir as próprias condições para a expansão do capitalismo (modernização) no território nacional. Para se ter uma idéia da importância estratégica do setor (e de seu controle), o engenheiro Rômulo Villar Furtado, exerceu o cargo de secretário geral do Ministério das Comunicações desde o início do governo Médici (auge da ditadura e repressão militar) até o ano de 1990, ao final do governo Sarney, ultrapassando o ciclo militar e deixando o governo as vésperas do processo que levaria a privatização do sistema de telecomunicações brasileiro.(DANTAS, 2002, p.215).
A partir da década de 90, as contradições de uma economia corporativa de grandes empresas transnacionais (baseadas em redes) e as estruturas monopolistas nacionais de transporte da informação fazem emergir um choque de interesses em escala global, aliadas a um conjunto de doutrinas denominadas neoliberais que terão o apoio e fomento de grandes e importantes instituições mundiais, responsáveis pela regulação do sistema financeiro
mundial, assim como, pelos créditos concedidos aos países em desenvolvimento como o Brasil (leia-se FMI, Banco Mundial, BID).
Esse choque acarreta uma mudança no cenário das telecomunicações em escala mundial, com um processo gradativo de privatização de grandes grupos estatais, controlados pelos governos que foram sendo adquiridos por grandes empresas e investidores (os chamados “players”) do “novo” mercado global de negócios. Esse novo cenário caracteriza-se pela enorme abertura à circulação dos chamados FDT's (ou fluxos de dados transfronteiriços), além de uma enorme expansão das infra-estruturas de telecomunicações (a chamada camada física), visando toda uma expansão da rede de informações voltadas à gestão do sistema capitalista mundial, bem como a exploração dos serviços oriundos deste renovado e ampliado contexto global-mundial que tem por base a informação.
Ao governo brasileiro, no caso do então presidente, Fernando Henrique Cardoso e do já falecido Ministro das Telecomunicações Sérgio Motta, caberia a função de “facilitar” e promover o processo de venda da enorme estrutura de telecomunicações criada pelo Estado brasileiro em três décadas e paga através de recursos igualmente públicos, através da fragmentação do monopólio do Estado em empresas menores, reduzindo assim seu custo e atraindo diversos grupos internacionais do setor para a então propagandeada “competição” sadia.
No processo de privatização criou-se um discurso que previa a abertura do mercado e de sua livre concorrência entre empresas, mas que de fato acabou por não ocorrer. Segundo Dantas (2002, p.43) estudos elaborados no período, por consultorias internacionais contratadas pelo governo diziam claramente que a concorrência não era possível no Brasil, exceto em alguns mercados selecionados. Mesmo assim, os leilões de privatização foram feitos e a Embratel e a Telebrás com suas subsidiárias regionais foram fatiadas e oferecidas a diferentes grupos de empresas seguindo um modelo de áreas de outorga (concessão de mercados por regiões) onde cada uma delas seria ocupada por duas operadoras de telefonia fixa e duas de telefonia celular.
no caso da Telebrás, visava facilitar o processo de liquidação da empresa e passagem rápida para a iniciativa privada.
“Como o governo optara pela chamada venda estratégica e não pela oferta pública, encontraria muitas dificuldades para vender uma empresa de abrangência nacional cujas ações de controle iriam custar (na época, 1996) de US$ 13 bilhões a US$ 30 bilhões, conforme diferentes estimativas. Nesta faixa de preço, a venda da Telebrás seria praticamente inviável, mesmo para as maiores companhias internacionais. Divididas porém, as novas holdings de telefonia fixa e celular puderam ser oferecidas , cada uma, por preços que variavam de US$ 600 milhões a US$ 3 bilhões, mais acessíveis ao caixa e à capacidade de financiamento das principais corporações interessadas”.(Dantas, 2002, p.37)
No entanto, esse desmantelamento da telefonia no país só serviu para que o dono da infra-estrutura e do mercado de telecomunicações passasse do controle do Estado para o da iniciativa privada, que com as fusões e o reordenamento corporativo recente transformou o setor em um cartel privado de grandes grupos transnacionais como veremos adiante.
Toda a infra-estrutura de telecomunicações financiada pelo Estado brasileiro foi repassado às grandes corporações internacionais a preços módicos. A Embratel, por exemplo, tem como controladora atual a Telmex que já atingiu os objetivos que a trouxeram ao Brasil. A saber: o domínio da mais importante e a mais espalhada rede de telecomunicações da América Latina, que incluía cinco satélites (na época), compondo assim para a sua detentora mexicana um segmento de uma rede global gerida de fora do Brasil.
O objetivo do modelo de privatização da telefonia no Brasil era o da universalização do acesso às telecomunicações, por meio de empresas concessionárias que operariam em um mercado concorrencial e competitivo, a partir de metas estabelecidas pela ANATEL146, que embora seja uma autarquia
146 Autarquia especial criada pela Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9.472, de 16 de julho de 1997), a Agência é administrativamente independente, financeiramente autônoma, não se subordina hierarquicamente a nenhum órgão de governo - suas decisões só podem ser contestadas judicialmente. Do Ministério das Comunicações, a Anatel herdou os poderes de outorga, regulamentação e fiscalização e um grande acervo técnico e patrimonial. Compete à Agência adotar as medidas necessárias para o atendimento do interesse público e para o desenvolvimento das telecomunicações brasileiras, atuando com independência, imparcialidade, legalidade, impessoalidade e publicidade.
brasileira, administrativamente independente, financeiramente autônoma e não subordinada hierarquicamente a nenhum órgão de governo brasileiro, sofre de pressões políticas de todos os lados.
O fato é que as empresas apressavam-se em estabelecer as metas definidas para a ANATEL, para de fato atuarem diretamente nos mercados efetivamente concorrenciais e lucrativos, leia-se mercado corporativo e de alta renda. A primeira meta de universalização desde a privatização seria a expansão da telefonia fixa no país que evidenciou a base de nossa carência, pois a telefonia fixa chegou a todos os cantões do país, mas de fato não houve e não há mercado consumidor para o pagamento dos serviços oferecidos pelas telefônicas, e até mesmo para o pagamento de uma assinatura, ou seja, telefones existem o que não há são consumidores destes produtos. Em nenhum lugar do mundo a concorrência democratizou as telecomunicações.
A meta atual proposta pelo governo no leilão das bandas 3G (telefone móvel de última geração) propõe a universalização da banda larga. O risco de cairmos no mesmo problema é grande já que o custo da banda larga no Brasil é um dos mais altos do mundo, em função do modelo adotado de exploração destes serviços,
Desde a privatização percebe-se que a idéia de integrar toda a população através das metas de universalização não é capaz de atender interesses sociais e nem das empresas que continuam ganhando seu filão em mercados de alto poder aquisitivo ou de rendas concentradas territorialmente, como no caso do eixo Rio-São Paulo.
Linhas instaladas não são linhas necessariamente utilizadas. A corrida para a antecipação das metas da universalização pelas empresas concessionárias, o que produziu mais de 10 milhões de linhas ociosas (21% do A ANATEL é formada por um Conselho Diretor que é o órgão máximo da Anatel e é constituído por cinco conselheiros escolhidos e nomeados pelo Presidente da República, após aprovação pelo Senado Federal. Ainda existe um conselho consultivo que é um órgão de participação institucionalizada da sociedade nas atividades e nas decisões da Agência, o Conselho Consultivo é integrado por 12 membros, designados por decreto do presidente da República mediante indicação de dois representantes de cada uma das seguintes entidades e órgãos: Senado Federal; Câmara dos Deputados; Poder Executivo; Entidades de classe das prestadoras de serviços de telecomunicações; Entidades representativas dos usuários; e Entidades representativas da sociedade.
total de linhas no país)147 somente se justifica pelo fato de que, atingidas essas metas, estas mesmas empresas estariam liberadas para oferecer outros serviços efetivamente lucrativos para o mercado corporativo ou das classes A e B, agindo como autênticas empresas privadas, desobrigadas de maiores compromissos institucionais para com o desenvolvimento do país e de sua sociedade.
Todo esse processo de liberalização e privatização do setor de telecomunicações tinha por objetivo maior, liberar as grandes empresas de utilizarem exclusivamente as redes e serviços oferecidos pelos monopólios de natureza pública. A quebra dos mesmos permitiu às corporações construírem suas próprias redes ou contratarem serviços especializados de fornecedores especializados.
Os monopólios nascidos no contexto da acumulação fordista, seriam agora superados de acordo com o contexto de um novo regime de acumulação. No final do século XX, o capitalismo moderno completou um grande ciclo histórico, aquele denominado de “fordista” que se caracterizava por uma grande coalizão entre empresas, sindicatos e o Estado, para garantir a expansão dos investimentos, dos mercados, dos empregos e da renda . Nesse período uma nova base técnica (Tecnologias da Informação, Automação) associada a novos contextos sociais (sociedade de consumo, indústria cultural) exigia novos arranjos institucionais e organizacionais que levaram a ruptura em direção a um projeto neoliberal de caráter global empreendido pelo governo FHC e pelas corporações que ingressavam no setor de telecomunicações (DANTAS, 2002, p.73).
3.1.2 Atualidade das privatizações: a monopolização privada das