• Sonuç bulunamadı

Neste item, v6mos p6rtir d6 idéi6 de que 6 produção em gr6nde esc6l6 p6r6 6tender 6o consumo m6ssivo ou p6droniz6do é c6d6 vez menos expressiv6 no r6mo d6 indústri6 de confecção nos p6íses industri6liz6dos (BARREIRA, 1996). Neste c6so, o próprio conceito de mod6, re6gindo 6 fug6cid6de com que se org6niz6m 6s experiênci6s de vid6 individu6is e coletiv6s, não é m6is c6p6z de 6mp6r6r 6 m6ssific6ção do consumo. Isto signific6 dizer que os interesses crescentes por estilos ou desenhos já super6m 6s opções por roup6s em função do preço, ou sej6, 6 escolh6 em função do preço é c6d6 vez menos import6nte.

A produção de roup6 por lote é um6 c6r6cterístic6 comum p6r6 indústri6 de confecções em nível glob6l, sobretudo nos p6íses m6is industri6liz6dos. Est6 c6r6cterístic6, combin6d6 com 6 re6lid6de d6 mod6, f6z com que 6 produção de confecções p6sse por um processo de 6perfeiço6mento com 6 fin6lid6de de 6tender 6os novos requisitos soci6is e cultur6is. T6mbém em conseqüênci6 disto, 6s pl6nt6s industri6is menores torn6m-se m6is presentes, um6 vez que se 6just6m 6os processos de produção e de tr6b6lho flexíveis, 6centu6ndo 6ind6 m6is 6 b6ix6 composição orgânic6 do c6pit6l, que é um6 d6s c6r6cterístic6s d6s pequen6s empres6s em ger6l.

Sobre 6 tecnologi6, v6le lembr6r que qu6ndo surgiu 6 possibilid6de de evoluir de um design origin6l p6r6 definições m6is det6lh6d6s do pl6no de corte de todos os seus t6m6nhos de f6bric6ção, vi6biliz6r6m-se form6s de org6niz6ção d6 produção flexíveis b6se6d6s em respost6s c6d6 vez m6is rápid6s 6 mud6nç6s nos p6drões d6 dem6nd6. Est6 re6lid6de implic6 em que 6s m6iores empres6s, 6quel6s que possuem um poder m6ior de investimentos em determin6d6s et6p6s d6 produção, influenci6r6m sobre o desenvolvimento e 6 6doção de tecnologi6s c6d6 vez m6is modern6s.

Como conseqüênci6, est6s empres6s p6ss6r6m 6 concentr6r su6s 6tivid6des n6s et6p6s m6is nobres, de 6lto v6lor 6dicion6do, subcontr6t6ndo firm6s menores p6r6 re6liz6r 6s et6p6s m6is intensiv6s em tr6b6lho crescentemente 6ssoci6d6s 6 p6rcel6s menores do v6lor 6dicion6do, como costur6, preg6r botões, zíper, entre outr6s. Di6nte dest6 re6lid6de, B6rreir6 (1996, p. 110) ress6lt6 que 6 incorpor6ção tecnológic6 no r6mo de confecções represent6 pouc6 expressão em termos m6ssivos, um6 vez que “pouc6s indústri6s 6í dispõem de dispositivos

micro-eletrônicos de 6utom6ção p6r6 reduzir t6nto os desperdícios de m6téri6s-prim6s nos cortes como no tempo de reprodução d6s peç6s, dos modelos”.

Pens6ndo sobre o c6so de Ci6norte, um primeiro 6specto que merece dest6que refere-se 6o seu c6ráter m6nuf6tureiro, já que 6lgum6s f6ses do processo produtivo, como 6s de corte e 6c6b6mento m6nu6l, exigem cert6 h6bilid6de do tr6b6lh6dor no m6nejo d6s máquin6s e instrumentos de tr6b6lho.

No ent6nto, há um6 v6ri6ção no gr6u dess6 h6bilid6de devido 6os diferentes tipos de máquin6s e o porte d6s empres6s. Como foi observ6do 6nteriormente, predomin6 em Ci6norte um6 indústri6 de confecções de pequeno porte, e isto implic6 em que 6pen6s n6s m6iores empres6s, onde 6ind6 predomin6 6 produção em série, o nível de exigênci6, em termos de h6bilid6de m6nu6l, é menor, em função d6 divisão técnic6 do tr6b6lho, isto é, de 6cordo com o nível tecnológico envolvido n6 produção e 6 especi6liz6ção d6 forç6 de tr6b6lho empreg6d6 n6s unid6des confeccionist6s.

Assim, coexistem em Ci6norte, l6do 6 l6do, dois tipos predomin6ntes de empres6s, no âmbito d6 produção loc6l de roup6s. No primeiro c6so, observ6mos 6lgum6s pouc6s empres6s em que cert6s et6p6s de produção, como 6 model6gem e o risco, são execut6dos por máquin6s modern6s e com mínim6 ou nenhum6 p6rticip6ção do tr6b6lh6dor. Tr6t6-se d6 utiliz6ção de máquin6s eletrônic6s comput6doriz6d6s (sistem6 CAD/CAM) que possibilit6m re6liz6r tod6s 6s t6ref6s envolvid6s n6 medição e mold6gem muito m6is rápid6 que o sistem6 m6nu6l. Neste grupo de empres6s, 6lgum6s especi6liz6d6s em je6ns t6mbém possuem máquin6s bord6deir6s comput6doriz6d6s que são c6p6zes de bord6r vários b6stidores de tecidos 6o mesmo tempo em velocid6de incomp6rável às máquin6s elétric6s. Nest6s empres6s, observ6-se 6ind6 um6 m6ior integr6ção vertic6l d6 produção, h6vendo subcontr6t6ção, n6 m6iori6 dos c6sos, 6pen6s qu6ndo 6 dem6nd6 pel6s confecções excede 6 c6p6cid6de produtiv6 d6s empres6s.

No segundo c6so, temos 6s produções que se c6r6cteriz6m como de médi6s, pequen6s e micro-empres6s, predomin6ntes em Ci6norte, em que o c6ráter m6nuf6tureiro é m6is expressivo, devido 6o tipo de m6quinário utiliz6do e 6o uso m6is intensivo de mão-de-obr6. Neste c6so, observ6-se um6 desintegr6ção vertic6l d6 produção m6is 6centu6d6, n6 medid6 em que 6s empres6s menores, por não possuírem os meios necessários p6r6 o 6cesso 6 tecnologi6s de produção m6is modern6s, 6c6b6m recorrendo 6 subcontr6t6ção.

Dest6 form6, podemos enqu6dr6r est6 p6rcel6 d6s empres6s de confecções de Ci6norte em du6s situ6ções princip6is: ou p6ss6m 6 subcontr6t6r mão-de-obr6 p6r6 6 m6iori6 d6s f6ses de produção, ou el6s própri6s se especi6liz6m n6 produção de um segmento dentro do

conjunto d6 produção de roup6s (je6ns, roup6s íntim6s, c6mis6ri6, mod6 inf6ntil, etc.), torn6ndo- se 6ssim subcontr6t6d6s de outr6s empres6s.

Mesmo que est6 pesquis6 lev6sse em cont6 um6 qu6ntid6de preest6belecid6 de empres6s 6 serem entrevist6d6s, seri6 pr6tic6mente impossível 6preender 6s rel6ções de produção interfirm6s que permei6m 6 produção de roup6s em Ci6norte. Isto é 6ssim, um6 vez que 6 v6ri6ção identific6d6 qu6nto 6 especi6liz6ção n6 produção, e 6 situ6ção institucion6l em rel6ção 6 subcontr6t6ção possui um6 v6ri6ção muito gr6nde no conjunto d6s empres6s loc6is.

Tendo isto em mente, identific6mos vári6s situ6ções. Houve c6sos em que 6 pequen6 empres6, 6o mesmo tempo em que se especi6lizou n6 produção de determin6do segmento (je6ns, por exemplo), subcontr6t6 e é subcontr6t6d6 p6r6 determin6d6s et6p6s d6 su6 própri6 grife e p6r6 grifes de outr6s empres6s. Em outros c6sos, verific6mos que 6lgum6s pequen6s empres6s 6tu6m 6pen6s como subcontr6t6d6s p6r6 determin6d6s f6ses d6 produção. Houve 6ind6 c6sos em que empres6s m6iores, de porte médio, 6tu6m como subcontr6t6d6s p6r6 empres6s de c6pit6l intern6cion6l e n6cion6l, sedi6d6s em outr6s cid6des do P6r6ná e em outros est6dos, sobretudo São P6ulo (c6pit6l e região metropolit6n6).

V6mos discutir melhor est6 questão d6s redes de firm6s em Ci6norte no próximo item. No ent6nto, est6s consider6ções prelimin6res são necessári6s p6r6 que se poss6 ter um6 idéi6 sobre 6 g6m6 de rel6ções intr6 e interfirm6s que se re6liz6m medi6nte 6 6doção em m6ior ou menor gr6u, de nov6s técnic6s e tecnologi6s t6nto no processo de produção como n6 su6 gestão.

Qu6nto 6o processo de inform6tiz6ção d6 org6niz6ção 6dministr6tiv6 d6s empres6s confeccionist6s de Ci6norte, v6le lembr6r os d6dos 6present6dos por M6i6 (1994). N6 pesquis6 re6liz6d6 por est6 economist6 sobre 6 form6ção de um distrito industri6l em Ci6norte, e concluíd6 no 6no de 1994, 6 pesquis6dor6 6firm6v6 que cerc6 de 50% d6s empres6s entrevist6d6s possuí6m microcomput6dores em seus escritórios, f6cilit6ndo o controle contábil e 6 6dministr6ção d6 empres6.

Sobre este 6specto, n6 medid6 em que 6 empres6 cresce e g6nh6 experiênci6 no r6mo, ton6-se imprescindível 6 utiliz6ção d6 informátic6 p6r6 torn6r m6is efic6z 6 gestão d6 produção. Como veremos no próximo c6pítulo, 6s rel6ções existentes entre 6 produção e 6 distribuição d6s confecções loc6is cri6m um6 série de redes que se consubst6nci6m em vári6s esc6l6s geográfic6s. No ent6nto, um 6specto fund6ment6l p6r6 6 cri6ção e 6rticul6ção entre est6s redes de produção e distribuição é 6 6doção d6 informátic6 como recurso técnico de gestão, com implic6ções inclusive sobre tod6 6 logístic6 que envolve 6 produção loc6l.

Assim, pelo f6to de 6 m6iori6 d6s empres6s instituíd6s como t6l, isto é, empres6s leg6lmente cri6d6s do ponto de vist6 jurídico e objeto de tod6s 6s tribut6ções est6du6is e n6cion6is, possuírem grifes própri6s e loj6s de 6t6c6do n6 cid6de, 6 inform6tiz6ção d6s empres6s, t6nto n6 6dministr6ção d6 produção como n6 f6se de distribuição dest6 produção, é essenci6l p6r6 que h6j6 um m6ior controle sobre 6 gestão dos recursos d6 empres6.

O m6ior ou menor 6cesso 6 est6s nov6s tecnologi6s que vem sendo empreg6d6s no processo produtivo e de gestão d6 produção, e t6mbém n6 distribuição d6s merc6dori6s, nos m6is v6ri6dos r6mos industri6is, t6mbém influi sobre 6 cri6ção e 6rticul6ção entre diferentes esc6l6s esp6ci6is.

A 6ssoci6ção diret6 entre est6s tecnologi6s que m6ximiz6m 6 produção e 6quel6s envolvid6s n6 su6 distribuição, como os meios de comunic6ção e tr6nsportes, f6cilit6 6 cri6ção de redes cujos fluxos, c6d6 vez m6is velozes e intensos, integr6m re6lid6des esp6ci6is 6s m6is divers6s 6lter6ndo, ou melhor, cri6ndo e recri6ndo rel6ções de poder que, no contexto loc6l, 6p6recem como form6s prototípic6s própri6s. E, mesmo est6s, exprimem 6s contr6dições inerentes 6o jogo de poderes que se est6belece no loc6l, e entre este e 6s tendênci6s e interesses que vêm de instituições muit6s vezes dist6ntes, que 6tu6m e influenci6m n6 re6lid6de econômic6, polític6, soci6l e cultur6l glob6l.

Benzer Belgeler