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Risco é a probabilidade de ocorrência de um evento (dano ou exposição) geralmente indesejado. A gravidade do risco (efeito) pode ser determinada pela probabilidade de ocorrência do evento indesejado e as conseqüências geradas pelo evento indesejado. O risco ocupacional é a possibilidade de uma pessoa sofrer determinado dano para a sua saúde em virtude das condições de trabalho. Para qualificar um risco de acordo com a gravidade, avaliam-se conjuntamente a probabilidade de ocorrência do dano e a severidade do mesmo (FUNDACENTRO 2001).

Existem vários métodos desenvolvidos para avaliar a exposição e estimar risco a saúde. Os métodos qualitativos como, por exemplo, os utilizados pela a AIHA, 1998, ou pela BSI 1996 BS-8800, utilizam escalas de gradação de risco estabelecidas com base em critérios técnicos reconhecidos, são simples e de rápida aplicação. Os métodos quantitativos como, por exemplo, AIHA 1998; LEIDEL-NIOSH 1977; EPA 1992; CHECKOWAY 1989, embora sejam mais complexos e necessitem de mais recursos que os métodos qualitativos, são os mais reconhecidos pela comunidade científica para avaliar a exposição e estimar o risco.

Os estudos epidemiológicos, que buscam estabelecer as relações de exposição-resposta para a sílica cristalina e a silicose, utilizam dados de exposição acumulada. Estes estudos podem estimar o risco de silicose, para uma poeira em especial, por um período. Existem estudos epidemiológicos que utilizam, por exemplo, a duração da exposição como parâmetro no lugar da exposição acumulada (NIOSH 2002).

Segundo MANNETJE et al., 2002, os estudos quantitativos com análises de exposição- resposta são os que provêem forte evidência para a causalidade e podem fornecer bases para o estabelecimento de padrões.

Existem na literatura exemplos de estudos para estimar o risco de silicose com base em exposição acumulada. Podem ser citados como exemplos os estudos epidemiológicos realizados por HNIZDO E SLUIS-CREMER 1993 e por KREISS E ZHEN 1996.

Em seu estudo de coorte em minas de ouro da África do Sul, HNIZDO E SLUIS- CREMER 1993, encontraram um risco acumulado de silicose de 25% para os trabalhadores com exposição acumulada de 9 mg/m³-anos de poeira respirável, aproximadamente 2,7 mg/m³ de sílica cristalina respirável (assumindo conteúdo de quartzo de 30%), com uma média de 28 anos de trabalho na mina e uma média de concentração de poeira respirável de 0,33 mg/m³. A partir deste valor de exposição acumulada o risco acumulado cresceu rapidamente até atingir 77% a 15 mg/m³-anos de poeira respirável, 4,5 mg/m³-anos de poeira de sílica respirável, e fornecendo um período de latência de 35 anos.

KREISS E ZHEN, 1996, investigaram as relações exposição-resposta de poeira respirável contendo sílica e silicose. O estudo foi realizado em Leadville, no estado de Colorado, EUA. Participaram do estudo 134 indivíduos que haviam trabalhado em vários tipos de minas, molibdênio, chumbo, zinco e ouro. A taxa de prevalência de silicose foi de 32% entre homens com tempo médio de 36,1 anos desde a primeira exposição à sílica cristalina. Dos mineiros com exposição acumulada de 2 mg/m³-anos ou menos, 20% dos trabalhadores tinham silicose, enquanto os mineiros com exposição acumulada de sílica cristalina de 2 mg/m³-anos ou mais a prevalência era de 63%. O estudo revelou uma forte associação entre a exposição ocupacional à sílica cristalina e as taxas de prevalência de silicose, 13% dos silicóticos estavam expostos à concentração média de sílica cristalina entre 0,025 e 0,05°mg/m³, 34% entre aqueles com exposição com valores superiores a 0,05 até 0,1°mg/m³ e 75% entre aqueles com exposição com valores superiores a 0,1°mg/m³.

RICE E STAYNER, 1995, revisaram estudos epidemiológicos com os seguintes objetivos: 1) identificar resultados de concentração de quartzo que não são associados ao aumento de silicose, isto é, o maior nível para nenhum efeito adverso observado, NOAEL; 2) identificar a menor concentração associada com silicose, isto é o menor nível com efeito adverso observado, LOAEL; 3) identificar estudos com modelos estatísticos atuais das relações quantitativas entre exposição à sílica e risco de silicose. Os autores encontraram 6 estudos, que possuíam informações sobre concentração e efeitos leves. Estimaram os valores de NOAEL e LOAEL para estes estudos e encontram para o NOAEL uma faixa de 7 a 100 µg/m³ e para o LOAEL uma faixa de 8 a 252 µg/m³.

Segundo os autores as razões para estas faixas tão grandes são: 1) as propriedades de superfície e tamanho das partículas de diferentes minas; 2) a definição e as classificações radiológicas dos casos de silicose; 3) os métodos utilizados para estimar a exposição e os riscos; 4) as concentrações de fundo (background) de sílica cristalina no ar; 5) o tamanho das amostras; 6) os métodos utilizados para converter as unidades de concentração, que eram em contagem de número de partículas, para unidades de massa.

Para comparar os estudos com modelos estatísticos de sílica acumulada e risco de silicose, os autores utilizaram o REL da NIOSH, isto é, a exposição dos trabalhadores correspondente à média ponderada de 0,05 mg/m³ para 45 anos de trabalho. Os estudos comparados foram o de HNIZDO E SLUIS-CREMER 1993, realizado na população de trabalhadores das minas de ouro da África do Sul os estudos de MUIR et al., 1989a, 1989b, 1991 e de VERMA, 1989, nas minas de ouro e urânio do Canadá. Para o estudo da África do Sul a exposição acumulada encontrada foi igual a 2,25 mg/m³-anos e um risco acumulado de 0,127, e para o estudo do Canadá a exposição acumulada era de 2,0 mg/m³-anos e um risco acumulado na faixa de 0,0009 a 0,0062. As razões para esta discrepância são semelhantes às apresentadas anteriormente.

MANNETJE et al., 2002, realizaram estudo de associação com 10 coortes de trabalhadores para diferentes ramos de atividade econômica e várias funções, que possuíam resultados quantitativos de exposição à sílica cristalina. O estudo evidenciou um aumento regular do risco de mortalidade por silicose com o aumento da exposição acumulada de sílica cristalina, embora existissem diferenças entre as faixas de exposição acumulada dos diversos estudos. Para a mediana, calculada com base na média de concentração de exposição de sílica cristalina respirável dos 10 estudos, encontraram uma faixa entre 0,04 e 0,59 mg/m³. Para mediana da exposição acumulada, encontraram uma faixa de 0,13 a 11,37 mg/m³-anos.

3.5.2 Estudos epidemiológicos e de exposição à sílica cristalina relacionados com

Benzer Belgeler