O trabalho pedagógico coletivo não deve ser um fazer burocrático, mas um tempo de articulação e produção pedagógica conjunta e para isso é essencial sua preparação através de planejamento, com a elaboração de cronograma de atividades e pauta para discussão dos temas cruciais ao momento.
Orientados pela discussão coletiva, foi definido, inicialmente, que o planejamento coletivo seria caracterizado como um ato de construção e reconstrução permanente daquilo que denominamos didaticamente de realidade intencionalizada no pensamento e na escrita, cuja finalidade é fornecer subsídios teóricos e práticos para agir estrategicamente na realidade vivida, tendo em vista a sua transformação (PALAFOX, 2001 p.176).
Essencialmente o trabalho pedagógico coletivo é o espaço-tempo de discussão e formação docente no qual a troca de experiências auxilia na articulação entre as disciplinas do curso de Ciências Contábeis, o estudo e entendimento aos problemas enfrentados pelos professores, além de discussões, planejamento, avaliação e estímulo à prática pedagógica, individual e coletiva, já que entende-se que o magistério exige planejamento prévio, discussão no decorrer de seu trabalho e avaliação final para verificação do atingimento de objetivos e alcance das metas propostas.
O princípio da coletividade, não pode ser desprezado. Não é profícuo ao professor a ação isolada. O trabalho coletivo enriquece a prática reflexiva, visto que posições diversas circulam no grupo, provocando o questionamento, a crítica, as decisões e a afirmação de posições.
Nos momentos de construção coletiva é fundamental a discussão sobre o desenvolvimento dos alunos e seus envolvimentos com as disciplinas e com o curso, e o modo através do qual cada professor lida com isso em sua prática docente. É o tempo e o local no qual cada professor expõe suas necessidades, dúvidas, decisões e indecisões, e através desta troca de experiências coletiva apoiam-se mutuamente, questionam e pensam coletivamente em estratégias e ações a serem desenvolvidas, qual o tipo de formação continuada precisam, analisam as mais diversas problemáticas e desenvolvem hipóteses de soluções.
A concepção de educação continuada como processo que se desenvolve no locus do trabalho cotidiano, sem lapsos e interrupções, e que auxilia os profissionais a participarem ativamente do mundo que os cerca e a incorporarem esta vivência ao conjunto dos saberes e de sua profissão, compõe uma visão mais completa, mais rica e menos fragmentária. (FALSARELLA, 2004, p. 54).
coletivo e assuma os rumos de sua formação, percebendo a troca com o outro como grande oportunidade de aprendizagem, o que impacta diretamente na melhora de seu fazer pedagógico, no aprofundamento de seu trabalho, sendo agente ativo e responsável por sua prática pedagógica, por sua formação, e de como isto reflete-se na aprendizagem de seus alunos.
Frente à importância da formação continuada dos professores e da intencionalidade da promoção da junção entre teoria e prática, o trabalho coletivo deve ser orientado de maneira ao debate efetivado ater-se exclusivamente ao pedagógico, em um período de tempo pré-determinado para que não seja exaustivo ou torne-se contraproducente, estimulando a interdisciplinaridade e a troca de experiências.
A discussão sobre as competências e habilidades da atividade docente é sempre o cerne do trabalho pedagógico coletivo, no qual os docentes encontram espaço para a exposição de problemas por eles enfrentados com a finalidade de equacioná-los.
As reuniões pedagógicas buscam a qualidade na educação, possibilitando aos docentes que dela participam discussões, estudos e reflexões sobre suas atuações pedagógicas através de oportunizações realizadas em suas próprias IES, sendo assim uma busca consciente pela qualidade educacional.
A condução de uma reunião pode ser definida segundo duas orientações: a eficiência e a eficácia.
Uma reunião eficiente objetiva resultados, onde, segundo Sander (1995, p. 45), “é o critério econômico que revela a capacidade administrativa de produzir o máximo de resultados com o mínimo de recursos, energia e tempo”, o que caracteriza, por exemplo, o cumprimento de horas-aulas previamente estabelecidas em cronograma, com a utilização de pautas não pertinentes às necessidades e anseios docentes, de modo a apenas cumprirem uma determinação burocrática, que em nada agrega valor a suas práticas, enquanto uma reunião pautada pela eficácia é aquela cujo foco principal é o fortalecimento das relações do corpo docente, o que,
conforme Motta (1997) acaba por aumentar a produtividade através da redução de custos envolvidos nos processos produtivos, o que no caso do magistério superior significa, principalmente, melhores processos ensino-aprendizagem e consequente diminuição de evasão discentes da IES.
Portanto, o que interessa é que uma reunião pedagógica seja eficaz, o que não significa que não lhe é esperado ser eficiente também. Quando pautadas nos interesses e necessidades docentes as reuniões deixam de ser atos meramente burocráticos e passam a cumprir seus objetivos de modo significativo e agregando valores as práticas pedagógicas individuais.
O trabalho pedagógico coletivo deve, para efetivar-se de modo significativo, ser utilizado de modo sistematizado, onde suas realizações sejam documentadas com objetivo de orientação ao grupo docente com relação ao planejamento, replanejamento e continuidade de atividades.
Por serem importante instrumento de trabalho e integração da equipe docente as reuniões pedagógicas são excelentes meios de obtenção de resultados através do trabalho coletivo através da reflexão e da troca de experiências profissionais sobre a prática docente.
A interação com seus pares representa importante meio de formação e de desenvolvimento do grau de profissionalização do professor. Ter um plano detalhado que registre seus objetivos, o conteúdo a ser trabalhado, o material utilizado, o que será feito e quanto tempo levará, proporciona a organização que diferencia uma aula bem-sucedida de outra não. Cabe ao professor aperfeiçoar suas práticas pedagógicas, e para tanto só há um caminho: o planejamento dialógico para a sistematização de seu o plano de ensino complementado através da realização de formação continuada, que engloba:
• A valorização do conhecimento docente e dos saberes profissionais presentes no cotidiano escolar;
• O local de trabalho como a base do processo;
• A consideração das vivências e da experiência profissional construída pelo professor;
• As especificidades da instituição escolar e da comunidade. (FALSARELLA, 2004, p. 50).
Mesmo o planejamento dialógico não sendo presente na maioria das instituições universitárias ele é capaz de alterar concepções e práticas, sendo o grande responsável pela mudança de paradigmas nas instituições acadêmicas, fazendo com que toda realidade possa ser transformada, todavia, para que esta seja real prática transformadora, é preciso romper com comodismos e práticas tradicionalistas.
Na construção da identidade docente é preciso deixar para trás as experiências vividas enquanto aluno e começar a vivenciar a posição docente, seu comprometimento com aquilo a que se propôs fazer, aprofundando seus conhecimentos e buscando melhorar suas práticas pedagógicas.
Com os objetivos primordiais de conhecimento e compreensão das teorias da educação, do estudo, do debate, da reflexão, da formação continuada e da apropriação de soluções as problemáticas pedagógicas oriundas do trabalho docente, as reuniões pedagógicas sustentam os processos de planejamento e avaliação, que são necessários por vários motivos, além de elencar atividades, processos e avaliar o aluno individualmente para a compreensão sobre o que absorveu durante determinado período também é importante para que o professor tenha um parâmetro coletivo do aprendizado, o que está funcionando ou não segundo sua proposição.
O aluno deve sempre ser o centro de todas as intenções e propósitos das atividades pedagógicas, por isso a necessidade da não-fragmentação da aprendizagem, e a necessidade do coletivo em trabalhar a interdisciplinaridade, para não perder esse foco.