V. BÖLÜM: SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.1. SONUÇ VE TARTIŞMA
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a escolha das creches de Americana como objeto de estudo passa pela curiosidade e interesse da pesquisadora em desvendar as raízes históricas da própria cidade natal, contudo, justifica-se, também, pelo fato da cidade estar si- tuada em uma das áreas mais ricas do país – distante 124 Km da capital do estado, num eixo de grande desenvolvimento industrial, onde a preocupação e os investimentos com educação sempre se fizeram presentes.
Americana é um município com 196.49718 habitantes, com uma taxa de urbanização de 99,80%. A taxa de mortalidade infantil é de 1,070%. As agressões e os acidentes de trânsi- to respondem por 1,188% e 1,601% das mortes, respectivamente.
Quanto às condições de vida, em 2002 a cidade ocupava o Grupo 1 – que denota mu- nicípios com nível elevado de riqueza e bons níveis nos indicadores sociais (Riqueza: posição 47, em 2002; Longevidade: posição 76, em 2002 e Escolaridade: posição 73, em 2002). O rendimento médio das pessoas responsáveis pelos domicílios em 2000 era de R$ 1.133,31.
Quanto à educação, temos uma taxa de analfabetismo de 4,38% no ano de 2000 e po- demos considerar um índice baixo, quando comparamos com o índice geral do estado que é de 6,64%. A rede municipal de ensino absorve 75,41% das matrículas feitas na pré-escola19 (5.406 das 6.691 matrículas feitas no ano de 2003), enquanto que as instituições particulares se ocupam dos outros 24,59%20.
18 Segundo dados da Fundação SEADE colhidos em 20/08/05.
19 É preciso ressaltar que estes dados são referentes apenas à pré-escola, não inclui, portanto, o atendimento da
creche.
Os demais indicadores como abastecimento de água (97,82%), esgoto sanitário (93,93%) e coleta de lixo (99,63%) superam os indicadores gerais do estado.
Os indicadores da arrecadação municipal per capita são: ICMS – R$ 993,82 (no ano de 2002); IPTU- R$ 83,69 (no ano de 2003); ISS – R$ 72,59 (no ano de 2003).
Assim, para que possamos compreender o contexto no qual encontram-se situadas as instituições educativas infantis às quais nos deteremos neste estudo, julgamos necessário res- gatar – ainda que de forma sintética – a história da cidade, bem como as influências de colo- nização recebidas e que, de maneira direta ou indireta, acabam se refletindo nos hábitos de vida de sua população atual.
Embora controvertida, no que tange aos protagonistas de sua criação, a fundação da cidade data de 1875 e está relacionada com as sesmarias, ou seja, aos lotes de terras devolutas cedidas aos fazendeiros de nacionalidade brasileira ou estrangeira.
Segundo Lima (2002, p. 25):
O ano de 1875 é marcado pela visita do Imperador Pedro II às terras de Campi- nas, convidado a inaugurar um importante ramal da estrada de ferro que cortaria o interior paulista, abrindo os veios para escoamento do ‘ouro verde’, o café, ge- rador de riquezas e desenvolvimento.
Na segunda metade do século XIX, Domingos da Costa Machado recebeu uma sesma- ria entre a freguesia de Santa Bárbara D’Oeste, localizada no município de Nova Constituição (atual cidade de Piracicaba), e São Carlos (atual Campinas), no interior da qual destacava-se a Fazenda Machadinho pelo cultivo de cana-de-açúcar. Posteriormente, a fazenda é vendida para Antônio Bueno Rangel e, com sua morte, é transferida aos seus filhos Basílio Rangel e José Bueno Rangel.
Durante o século XIX, a Fazenda Machadinho se caracteriza basicamente pelo cultivo da cana-de-açúcar e café, embora este último em menor quantidade, pois devido às caracterís- ticas do solo da região não houve muita prosperidade para este tipo de cultura.
A partir da vinda de mais norte-americanos descontentes com os resultados da Guerra de Secessão (1865), muitos escolhem o Brasil como destino e, pela proximidade à Estação de Santa Bárbara (inaugurada em 1875 e localizada a 10 km desta cidade), defronte a casa sede da Fazenda Machadinho, nasce o povoado que em pouco tempo passa a ser conhecido extra- oficialmente como Vila dos Americanos. Após algum tempo, a fazenda é novamente vendida, desta vez ao capitão da guarda Nacional Ignácio Corrêa Pacheco.
Ao redor da Fazenda Machadinho fixaram-se emigrantes norte-americanos que, a par- tir de 1866 (após Revolução Liberal), começam a ocupar a região passando a cultivar melan- cia e algodão e, como detentores das mais avançadas técnicas de cultivo agrário, trazem o progresso para a região.
Com vistas à valorização de suas terras, pela proximidade com a linha férrea, Ignácio Corrêa Pacheco - seguido por Basílio Bueno Rangel, loteiam suas propriedades, favorecendo ainda mais a fixação das famílias de americanos no local.
Em janeiro de 1900, devido ao problema que enfrentavam com o desvio de correspon- dências postais, os habitantes do povoado da Vila dos Americanos pedem a mudança do nome oficial Estação de Santa Bárbara para Vila Americana – derivada do cognome Vila dos Ame- ricanos. Entretanto, os problemas dos primeiros habitantes da cidade não se encerravam aí, pois havia uma disputa pelo território - que prosperava - por parte da cidade de Campinas e de Santa Bárbara D’Oeste, sendo os moradores de Vila Americana obrigados a pagarem impos- tos às duas cidades. Após muitas desavenças e declarando abertamente sua preferência por Campinas – cidade mais desenvolvida – em 30/07/1904, cria-se o Distrito de Paz de Vila A- mericana, por meio da lei n° 1916, passando a pertencer oficialmente à Comarca de Campi- nas.
No ano de 1925, uma lei estadual cria o município de Vila Americana e, somente em 1938, oficializa-se o nome Americana.
Outra fazenda importante para a história da cidade é a Fazenda Salto Grande, que após ter sido comprada por Clement Willmot, recebeu os primeiros teares importados para a pro- dução de tecidos de algodão. Posteriormente, esta fábrica de tecidos passou a ser chamada Fábrica de Tecidos Carioba e, pode ser considerada a precursora da atividade têxtil, que viria a se tornar o principal ramo da economia da cidade.
Algum tempo depois, devido ao endividamento de seu fundador, a Fábrica de Tecidos Carioba é entregue ao Banco do Brasil, sendo vendida à família Müller, em sociedade com Hawlinson, que promovem o desenvolvimento local – inclusive dotando a vila de água enca- nada, escola e gabinete dentário, potencializando o núcleo de Carioba, que se torna determi- nante para a urbanização do que viria a se tornar cidade.
Evoluindo e prosperando, a cidade passa a receber novas fábricas e, na década de 1940, a atividade têxtil passa de Carioba para a cidade de Americana, a ponto de torná-la o pólo têxtil do país.
Contudo, já na década de 1990, a abertura irrestrita dos mercados brasileiros provocou um número enorme de falências e desemprego, pois diante dos preços dos tecidos asiáticos que chegavam ao país, muitas empresas não se encontravam em condições de concorrência e acabaram fechando suas portas.
Apesar destes dados, segundo Lima (2002, p. 88), “as 600 empresas da região são res- ponsáveis por 85% da produção nacional de fibras sintéticas [em 1998] e começam a receber encomendas que projetam a necessidade de futuras contratações, de forma lenta e gradual”.
Desta forma, o mercado começou a reagir, embora não mais se assemelhe às condições anteriores, porque após o advento da concorrência com os países asiáticos, os empresários se
viram obrigados a investir na modernização do parque industrial, de forma que, atualmente, apenas um tecelão em um tear de alta tecnologia acaba fazendo o trabalho de muitos outros.
Os atuais investimentos na hidrovia Tietê-Paraná, Gasoduto Brasil-Bolívia e a criação da região metropolitana de Campinas apresentam novas perspectivas e oportunidades, e, con- cordamos com Lima (2002, p. 149) ao afirmar a indústria como “a atividade que torna Ameri- cana mais apta a introduzir-se numa conjuntura global”, beneficiando-se, agora, das possibili- dades de comunicação com o Mercosul, abertas pela hidrovia e pelo gasoduto, como em seu passado já ocorrera com a ferrovia.