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5. Sonuç ve Tartışma

Ao ocorrer paralelamente ao processo de reorganização da Rede Estadual Paulista, iniciado em 1995 durante o primeiro mandato de Mário Covas, a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº. 9394, em dezembro de 1996, proporcionou maiores condições para que o discurso governamental em defesa da autonomia das escolas ganhasse ainda mais força.

A LDB 9394/96 traça algumas orientações que induzem a entendimentos que permitem regulamentações com vistas a ampliar a autonomia dos estabelecimentos de ensino, principalmente em seus artigos 12, 14 e 15.

Posteriormente à exigência legal, o sistema de ensino do Estado de São Paulo procura reestruturar-se de forma a regulamentar a compreensão das diretrizes e normas para a educação básica oferecida por ele. Mesmo porque o texto da nova Lei de Diretrizes e Bases é redigido com poucas regras e muitos princípios.

Neste contexto é elaborado o documento denominado A Organização do Ensino na Rede Estadual – orientação para as escolas10, produzido e distribuído pela FDE, Fundação para o desenvolvimento da Educação, onde encontramos que:

As Normas Regimentais Básicas para as Escolas Estaduais, aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação, através do Parecer nº. 67/98, implementam os dispositivos da nova LDB na Rede Estadual de Ensino, estabelecem normas gerais para a organização e o funcionamento das escolas e explicitam os princípios e diretrizes que fundamentam a gestão democrática da escola, articulando e consolidando a política educacional. As Normas Regimentais constituem também documento norteador para a elaboração do Regimento Escolar (Secretaria de Estado da

Educação – SP, FDE, 1998, p. 7).

No relatório do Conselho Estadual de Educação de São Paulo ressalta-se a versão final das Normas Regimentais Básicas para as escolas estaduais como o resultado de um trabalho coletivo e participativo, que teria contado com o envolvimento de representantes dos órgãos centrais e regionais da Secretaria da Educação. Para o CEE, tal versão:

Representa o esforço de consubstanciar em texto normativo os princípios e diretrizes da política educacional da Secretaria da Educação, bem como os novos mecanismos instituídos pela LDB, que confirmam a importância de uma gestão escolar democrática, fortalecida em sua autonomia e compromissada com a elevação do padrão de qualidade de ensino oferecido à população escolar (Parecer CEE 67/98, Poder

Executivo, 21/03/1998).

A proposta é a de que as Normas Regimentais Básicas tenham validade normativa para todas as escolas da rede estadual. A partir dessas normas básicas, ao longo de 1998, cada escola seria a responsável pela elaboração de seu Regimento.

10

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO - SP. A Organização do Ensino na Rede Estadual: orientação para as escolas. Centr o de Refer ência em Educação, 1998, p. 7.

O princípio da democratização da educação se concretiza na atual LDB nº. 9394/96 por meio do discurso da universalização do acesso e da permanência na escola, pela gestão democrática das mesmas assegurada pela existência dos Conselhos Escolares como representação da comunidade, pela participação no processo de escolha de seus dirigentes, pela participação na gestão do ensino, pela obrigatoriedade de prestação de contas e divulgação de informações referentes ao uso de recursos bem como da qualidade de serviços prestados, também por meio da avaliação do desempenho institucional e pela ampla discussão de seus objetivos e prioridades, também pelo exercício da autonomia em âmbito pedagógico, administrativo e financeiro das instituições de ensino.

Como se percebe, os apontamentos contidos nos termos da lei propõem que se deva começar com a elaboração da proposta pedagógica pela escola e sua comunidade. É neste ponto que poderão se estabelecer as bases de sustentação para cada unidade escolar, desde a sua caracterização, objetivos, recursos oferecidos, recursos materiais e humanos, recursos financeiros, e forma de relacionamento entre os diversos conjuntos que a integram, além de detalhes considerados importantes à definição de sua característica própria e importantes para os destinatários que dela farão uso.

Pode-se destacar ainda que a luta pela democratização dos processos de gestão da educação no Brasil está ligada aos movimentos mais amplos de redemocratização do país e aos movimentos sociais reivindicatórios de participação e de combate ao centralismo administrativo.

Segundo Mendonça (2000):

Na sua especificidade, porém, esta luta está também e particularmente vinculada a uma critica ao excessivo grau de centralismo administrativo, à rigidez hierárquica de papéis nos sistemas de ensino, ao superdimensionamento de estruturas centrais e intermediárias, com o conseqüente enfraquecimento da autonomia da escola como unidade de ponta do sistema, à separação entre planejamento e execução das atividades educacionais e à exclusão dos agentes educacionais dos processos decisórios(Mendonça, 2000, p. 92).

Observa-se a consideração pela importância da participação coletiva nos processos de planejamento e gestão educacional, assumindo a crítica ao modelo verticalista da estrutura educacional dos sistemas de ensino e, muitas vezes, da própria escola, bem como ao papel desempenhado pelos seus dirigentes.

Por outro lado, não se pode deixar de relacionar à questão da participação sua característica de não ser um fim em si mesma, mas uma participação que proporcione a tomada de decisões. Segundo Paro (1997):

Aceitando-se que a gestão democrática deve implicar necessariamente a participação da comunidade, parece faltar ainda uma maior precisão no conceito de participação. A esse respeito, quando uso esse termo, estou preocupado, no limite, com a participação nas decisões (Paro, 1997, p.

16).

Ao estabelecer-se a gestão democrática na atual LDB, os sistemas de ensino tiveram a incumbência de definir as medidas e os mecanismos de viabilização e operacionalização da mesma. Por essa razão, tornou-se necessário agilizar essas formas de participação da comunidade escolar, para garantir que os interesses dos diversos setores que freqüentam a escola fossem expressos. Esses mecanismos formais de participação dos usuários no interior da escola podem ser destacados hoje, principalmente, por meio do Conselho de Escola e da Associação de Pais e Mestres (APM), ressaltando que a instalação do Conselho de Escola é um dos itens definidos pelas Normas Regimentais Básicas para melhor consecução da gestão democrática na escola e uma forma de assegurar a autonomia escolar em seus aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos.

Nesse sentido, com a atual LDB, encontra-se uma possibilidade de as escolas construírem sua proposta pedagógica com a participação da comunidade escolar. Processo de construção este que independe da aprovação de qualquer órgão governamental, e pelo qual do qual se deve fundar e sustentar o Regimento Escolar, documento jurídico que normatiza as intenções ali contidas, assegurando os direitos e deveres dos participantes no processo de ensino e de aprendizagem,

além de regulamentar procedimentos importantes da vida escolar, tanto para alunos e comunidades como para professores, direção e colegiados escolares.

Mediante tais colocações, é importante refletir a respeito da questão da autonomia na elaboração do Regimento escolar dentro do que prescrevem as Indicações CEE nº 9/97 e nº 13/97, a Deliberação CEE nº 10/97 e o Parecer CEE 67/98 que trata das Normas Regimentais Básicas para a elaboração do Regimento Escolar das Escolas Estaduais Paulistas.

Benzer Belgeler